Cinco penitenciárias que você não pode deixar de visitar (como turista, claro)

Prisões e celas não são daqueles lugares que viajantes costumam incluir em roteiros de férias. Mas certos endereços, digamos assim, carcerários valem uma visita pelos seus valores históricos, naturais e até pelo ineditismo.

O Viagem em Pauta selecionou cinco antigas penitenciárias que foram transformadas em interessantes museus e até monumentos nacionais. Na lista, tem uma prisão na Austrália que recebe os visitantes como se esses fossem os próprios prisioneiros em divertidos tours guiados; uma ilha isolada no oceano Pacífico que virou um parque nacional, na Colômbia; e até um hostel na Europa que fica no interior de… celas de uma prisão militar desativada durante o fim da Iugoslávia.

Foto da antiga prisão do Ushuaia, na Patagônia argentina (foto: Reprodução)
Foto da antiga prisão do Ushuaia, na Patagônia argentina (foto: Reprodução)

Ushuaia: A Terra do Fogo, onde o distante e gelado Ushuaia guarda o título de “cidade mais austral do mundo”, já foi endereço de uma das penitenciárias mais temidas do continente: o Presídio Nacional.

Atualmente, as instalações desta prisão construída pelos próprios prisioneiros, em 1902, abrigam em seus pavilhões o Museo del Presidio e outros espaços de exposição como  os museus Marítimo, Antártico e de Arte Marinha. Suas 380 antigas celas já receberam os criminosos mais perigosos da Argentina e agora servem como áreas de exposição que recontam a história deste local declarado Monumento Nacional.

Sob um rígido sistema que obrigava os encarcerados a manterem as próprias instalações, muitos fugitivos que tentaram deixar o local acabaram se rendendo à prisão por conta do frio intenso do lado de fora. Não é a toa que a ilha era chamada pelos presos de Terra Maldita.

Mais do que pagar suas sentenças, por toda a vida em alguns casos, os prisioneiros ajudaram a construir ruas, pontes e fazer a exploração de bosques do Ushuaia. É daquela época também a construção do trem mais austral do mundo, em 1910, cujo trajeto foi transformado em uma (dispensável) atração turística conhecida como o Trem do Fim do Mundo que percorre os sete últimos quilômetros do trajeto original de 25 quilômetros.

 

Vista de uma das celas de confinamento da 'Casa do Terror', em Budapeste, na Hungria (foto: Eduardo Vessoni)
Vista de uma das celas de confinamento da ‘Casa do Terror’, em Budapeste, na Hungria (foto: Eduardo Vessoni)

Budapeste: A capital húngara abriga a impactante ‘Terror Haza’ (‘Casa do Terror’, em português), uma homenagem às vítimas dos dois sistemas totalitaristas e sangrentos instaurados na cidade, durante o século 20: o nazismo e o comunismo.

O museu relembra os momentos em que pessoas eram torturadas e mortas neste edifício de estilo neo renascentista erguido em 1880,  durante os 40 anos em que o país esteve sob comando dos comunistas e quando funcionou no local a sede da polícia secreta soviética, a PRO (‘Departamento de Ordem Política’, em português).

A concepção visual deste belo museu, acompanhada de trilha sonora composta ao som de orquestra de cordas com toques eletrônicos, inclui impressionantes salas de torturas mantidas em seu estado original, espaços minúsculos de confinamento e salas temáticas como o ‘Hall da Propaganda’, com objetos antigos e anúncios publicitários comunistas; e o ‘Gulag’, área dedicada aos campos de concentração e trabalho escravo marcados em um mapa gigante no chão.

Detalhe da antiga prisão de Gorgona, na Colômbia que, atualmente, é um parque nacional em pleno Pacífico (foto: Eduardo Vessoni)
Detalhe da antiga prisão de Gorgona, na Colômbia que, atualmente, é um parque nacional em pleno Pacífico (foto: Eduardo Vessoni)

Gorgona: Isolada no Pacífico, esta ilha colombiana já abrigou a penitenciária por onde passaram os criminosos mais temidos do país. Conhecida como a ‘Ilha do Esquecimento’, Gorgona é agora uma área protegida de 62 mil hectares declarada como Parque Nacional Natural que, entre agosto e setembro, recebe baleias jubarte que se reproduzem e criam seus filhotes na região.

Além de mergulhos e trilhas por mata densa, os viajantes podem visitar os pavilhões desativados onde funcionou, entre 1959 e 1983, uma penitenciária de segurança máxima, cujas ruínas das celas e de áreas comuns como o refeitório e banheiros ainda resistem ao renascimento da selva desde que a ilha foi fechada por violação aos direitos humanos.

Vista de um dos pavilhões da Fremantle Prison, em Perth, na Austrália (foto: Eduardo Vessoni)
Vista de um dos pavilhões da Fremantle Prison, em Perth, na Austrália (foto: Eduardo Vessoni)

Perth: A 19 km de Perth, na costa oeste da Austrália, a simpática Fremantle abriga a Fremantle Prison, antiga penitenciária feita com calcário esculpido pelos próprios detentos, em 1850, e que pode ser visita em divertidos passeios guiados em que o visitante se sente como os antigos presos do local em instalações e túneis subterrâneos a 20 metros de profundidade.

Declarado patrimônio da Austrália, o local  abriga, aproximadamente, quinze mil objetos relacionados com a prisão e trabalhos artísticos feitos pelos prisioneiros em telas, papeis e paredes do quintal.

Vista de um dos quartos do Celica Hostel. localizado no interior de vinte antigas celas de uma prisão militar desativada que funcionou na capital da Eslovênia, no Leste Europeu (foto: Divulgação)
Vista de um dos quartos do Celica Hostel. localizado no interior de vinte antigas celas de uma prisão militar desativada que funcionou na capital da Eslovênia, no Leste Europeu (foto: Divulgação)

Hostel em Liubliana: Os quartos do Celica Hostel foram construídos no interior de vinte antigas celas de uma prisão militar desativada que funcionou em um  edifício de 1883 da capital da Eslovênia, no Leste Europeu, construído durante os anos do Império Austro-Húngaro.

O projeto de renovação foi encabeçado por mais de 80 artistas que realizaram pinturas, esculturas e decoração deste albergue situado ao lado de Metelkova, centro cultural ao ar livre com bares alternativos em antigos quartéis militares.

O local funcionou como prisão militar até 1991, quando a Eslovênia se tornou independente da antiga federação socialista da Iugoslávia.

Confira galeria de imagens:

 

7 Comentário

  1. Prezado Eduardo Vessoni
    Parabéns pela matéria. Ela é uma importante contribuição para desmistificar os locais em que funcionaram como prisões e hoje se transformaram em museus, como lugares de violência, mas como lugares de produção de saberes, de descobertas e, por que não, de lazer.
    Dirijo o Museu do Cárcere / Ecomuseu Ilha Grande da UERJ e, como recebemos um grande número de visitantes, mesmo na baixa estação, nos sentimos gratificados com o reconhecimento da comunidade e dos turistas com relação ao trabalho.
    Indo para a Ilha Grande, venha nos conhecer!
    Abraços,
    Gelsom Rozentino de Almeida
    Para maiores informações:
    http://www.ecomuseuilhagrande.eco.br/
    http://www.decult.uerj.br/decult_ecomuseu_ilha_grande.htm
    http://museucarcereuerj.blogspot.com.br/
    ou no Facebook

  2. Boa Noite

    Meu nome é Ronaldo Mazotto Agente de Segurança a mais de 20 anos e muitos deles trabalhado na casa de detenção do carandiru.
    Gostei mmuito destas cadeias e fiquei muito interessado em conheçer.
    Realizo exposições em escolas faculdades e afins sobre o carandiru.

    e durante o tempo em que trabalhei la consegui juntar um grande acervo com mais de 1.000 fotos
    muitas horas em video centenas de objetos documnetos maquetes alem de algumas materias e revista (segue anexo uma )
    alem de um documnetario editado por uma tv americana e exibido em toda europa e aqui no Brasil não (segue tambem) e gostaria de realizar trabalho com intenção de concientizar jovens e adolescentes e tambem saciar a curiosidade popular e mostrar como era o dia a dia dentro do maior presidio do mundo em população carceraria do mundo na visão do funcionario Mazotto,
    Gostaria de propor uma parceria para realizar uma expoisção minha do carandiru ai com vcs !!! E conhecia tambem o lugar !!!
    certo de poder contar com sua habitual compreenção, antecipo meus agradecimento e aguardo .
    Quaquer interesse me coloco a disposição !!
    veja o videio !!
    obrigado

    Mazotto

    segue link do documentário :

    http://www.vice.com/vice-news/carandiru-s-bloody-memories

    • Olá, Nanda. Obrigado pelo seu comentário.

      Sem dúvida a californiana Alcatraz não pode ficar de fora de nenhuma lista de penitenciárias históricas, mas como ela já tem a sua fama garantida mundo a fora, a ideia do Viagem em Pauta foi, justamente, falar das prisões desconhecidas.

      Mas agradecemos a sua lembrança!!!

      Abraços e seja sempre bem vinda por aqui.

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