Etosha National Park: o lado verde e selvagem da Namíbia

Texto e fotos: Eduardo Vessoni

Na Namíbia, o cenário que se abre diante dos olhos parece fruto de alguma alucinação.

A mente custa entender aquela combinação de imagens quase surreais e o corpo segue viagem em estado de levitação. De norte a sul, esse país africano com vistas para o oceano Atlântico é dono de um território capaz de fazer até o mais experiente dos viajantes esfregar os olhos quando paisagens desérticas e selvas lotadas de animais insistem em cruzar o caminho.

A viagem (agora no sentido mais literal da palavra) começa em Windhoek, a capital desse jovem país que só conheceu a liberdade há pouco mais de 20 anos, quando a Namíbia conquistou sua independência da África do Sul.

A pequena e simpática cidade com pouco mais de 300 mil habitantes surpreende pela mistura de estilos e o que parecia improvável se une para fazer da Namíbia um dos países mais fascinantes do sul do continente negro.

Na arquitetura, traços germânicos remanescentes da época em que a região esteve sob administração alemã se confundem entre desenhos africanos. Na hora do rush, as calçadas se enchem de habitantes locais que até pouco tempo atrás, quando o apartheid fazia estragos irreversíveis na região, eram impedidos de frequentar o mesmo espaço. Agora, namibianos de origem europeia, hereros, namas e damaras dividem o mesmo espaço.

Mas quem visita a Namíbia quer mesmo ver paisagens de efeitos colaterais mais fortes e por isso a capital fica logo para trás.

A próxima parada é ao norte do país, onde a região de Etosha recepciona seus visitantes estrangeiros com paisagens únicas em todo o país.

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É ali que se encontra o Etosha National Park, uma área verde com mais de 22 mil km², a 6 horas da capital, que abriga 100 espécies de mamíferos, aproximadamente. À beira da estrada, grupos de leões, elefantes, girafas e tantos outros animais selvagens parecem alheios ao movimento incessante de carros 4×4 lotados de centenas de alucinados olhos estrangeiros.

Na Namíbia, números e adjetivos parecem sempre insuficientes para descrever a sensação de ver no caminho aqueles bichos africanos. Por isso o melhor é embarcar em um carro 4×4 e ver de perto a paisagem que um dia causou  impressões deslumbradas nos primeiros aventureiros europeus que chegaram por ali, na segunda metade do século 19.

O ranger, motorista responsável por este tipo de safári, não tem pressa. Para o carro onde for preciso, desliga o motor e passa longos minutos dando explicações sobre o que acabamos de ver, em uma espécie de aula multidisciplinar com informações sobre hábitos de animais que a gente só estava acostumado a assistir em documentários de vida selvagem.

Onde se veem apenas árvores, pedras e areias, o olhar viciado daqueles motoristas experientes da selva consegue enxergar pegadas recentes e pistas sobre os esperados habitantes daquele parque frequentado por rebanhos atraídos por poças d’água situadas, estrategicamente, à beira dos caminhos de terra e rípio. Só para se ter uma ideia, são mais de 45 mil zebras e 3 mil elefantes na região de Etosha.

Para garantir que cada um dos segredos africanos sejam vividos por seus visitantes, o país conta com opções luxuosas de lodges de selva que fazem de tudo para que a viagem por territórios distantes não deixe de ter o melhor da região, os campos planos e abertos do lado mais verde da Namíbia.

Localizado na Ongava Game Reserve, na borda sul do parque mais famoso da região, o Ongava Lodge é parada obrigatória para quem quer aventura sem abrir mão do conforto e segurança. Esse e outros quatro lodges da mesma empresa espalhados em uma área privada de 30 mil hectares contam com quartos e até tendas instaladas em áreas estratégicas da reserva que garantem vistas privilegiadas da vida animal local.

Os quartos são espaçosos e decorados com elementos retirados do próprio entorno, como as pedras encaixadas das paredes e os móveis rústicos de madeira. Mas a área mais frequentada são as varandas externas, que contam até com uma ducha ao ar livre, e o deck que se lança sobre a selva.

Ali, uma lagoa artificial atrai animais como rinocerontes e impalas que, assustados com um possível ataque inimigo, sacia sua sede, bem em frente ao restaurante. Não só os olhos dos animais estão atentos a todos os movimentos suspeitos na selva.

Do alto daquela plataforma de madeira, o gerente avisa por rádio que uma fêmea de rinoceronte e seu filhote rodeiam a área da água. O guia que terminava o safári noturno com os hóspedes do próprio hotel desvia sua rota e deixa o carro de cara com aquele gigante, considerado um dos Big Five da África. E aquele território verde rico em vida selvagem ganha tons ainda mais aventureiros.

Final de tarde na sacada do restaurante do Ongava Lodge, hotel localizado próximo ao Etosha National Park, na Namíbia (foto: Eduardo Vessoni)

Vai dizer que tudo isso não parece mesmo fruto de alucinação?

 

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