Moçambique: a África que você (ainda) não conhece

por Eduardo Vessoni

Vem de longe o interesse dos portugueses em territórios do além-mar.

Mas mais do que redesenhar o mapa do mundo, em séculos passados, Portugal parece ter desenvolvido um certo dom em reconhecer potenciais em destinos que, anos mais tarde, acabariam tornando-se distantes paraísos turísticos.

Foi assim em cidades brasileiras, como Salvador e Rio de Janeiro, e também no continente negro, em países como a África do Sul, Namíbia e Ilha Maurício, ainda que a presença lusa tenha sido discretas e com poucas consequências.

No entanto, foi durante a viagem clássica em busca do caminho marítimo para a Índia que aqueles velhos navegadores experientes chegariam a um dos mais belos pontos do sul da África: Moçambique.

A viagem começa em Maputo, a capital moçambicana que fica a uma hora de avião de Johannesburgo, na vizinha África do Sul.

A cidade ainda convive com as consequências da época da guerra civil, como edifícios mal preservados, serviços falhos como transporte público e uma estrutura que pouco convida o visitante a permanecer por muito tempo. A infraestrutura turística deste país da costa leste do continente que conquistou a independência, recentemente, em 1975, ainda é pouca convidativa, mas os locais fazem de tudo para receberem (e muito bem, diga-se de passagem) os viajantes que, há pouco mais de uma década, voltaram a visitar o país.

Mas navegar é preciso (e isso os portugueses sabem muito bem).

O próximo destino é a Ilha Inhaca, paraíso marítimo a quase duas horas de barco ou a apenas 15 minutos, em um pequeno avião que parte do Aeroporto Internacional de Maputo.

Considerada Reserva Florestal e Marinha da região, Inhaca é a antítese do caos e do barulho da vizinha cosmopolita, a 34 km de distância.

Junto com a Ilha dos Portugueses, um minúsculo pedaço de terra desabitado com menos de 4 km², o local é uma pequena amostra do que o visitante encontra ao longo dos 2,5 mil quilômetros de costa marítima de Moçambique, uma das maiores surpresas para os que se lançam em viagens por essas bandas do oceano Índico.

Manguezais, densas florestas e até uma savana, na área central da ilha, são algumas das opções naturais desse pequeno arquipélago famoso também por sua rica biodiversidade formada por centenas de peixes, tartarugas marinhas e recifes de corais.

Ilha de Inhaca, a 34 km de Maputo
Ilha de Inhaca, a 34 km de Maputo

Mas o melhor mesmo ainda são as suas praias tranquilas de águas mansas e mornas do Índico que fazem do local o paraíso dos amantes dos esportes náuticos, como jet ski, canoagem e mergulho, e de famílias com crianças. A sequência de praias do lado noroeste da ilha costuma ser cenário para fins de tarde e pores do sol de belezas únicas.

O turismo se desenvolve em passos lentos no país, mesmo assim Moçambique já figura na lista de destinos africanos mais procurados por viajantes que buscam paraísos que ainda preservem seu estilo rústico.

Isolado no oceano Índico, a pouco mais de 800 quilômetros da capital moçambicana, o Arquipélago de Bazaruto tem sido o principal cenário de divulgação para o resto do mundo.

Vista aérea de Bazaruto, a 700 km da capital moçambicana
Vista aérea de Bazaruto, a 700 km da capital moçambicana

Embora sua vida marinha atraia ecoturistas e mergulhadores de todas as partes do planeta, esse arquipélago de cinco ilhas tem como paisagem mais impressionante suas dunas arenosas costeiras. Aliás, areias não faltam ao longo de seus 1400 km² de extensão.

Suas praias emolduram bancos mutantes de areia que parecem brotar do fundo do mar e que, de acordo com o nível das marés, vão formando impressionantes desenhos naturais que recortam aquelas águas de tons esverdeados, um fenômeno que se repete, há milhões de anos.

Navegar é preciso, mas passar alguns dias sob o sol africano, contemplando o mar do Índico, é revigorante.

COMO CHEGAR
Bazaruto é a ilha principal do arquipélago de mesmo nome e está a 15 minutos de avião de Vilanculos, na província de Inhambane, e a 700 km de Maputo. Os voos são operados por companhias aéreas moçambicanas entre a capital do país e Vilanculos (www.lam.co.mz), e entre Vilanculos e Bazaruto (www.cfa.co.za).

A partir do Brasil, é necessário voar até Johanesburgo e de lá seguir até Maputo, um voo curto de 60 minutos até a capital moçambicana. Os voos são operados pela South African Airways; www.flysaa.com

Outra opção (menos recomendada devido à violência local e a instabilidade econômica) é voar via Luanda, capital da Angola. Saiba mais: www.taag.com.br

 

1 Comentário

  1. Eu conheço 4 países da América do Sul: Brasil, Argentina, Equador e Chile
    Conheço 5 países da África: Gabão, Serra Leoa, Moçambique, Líbia e Tanzânia
    Conheço 7 países da Ásia: Rússia, China, Sri Lanka, Japão, Afeganistão, Índia e Mongólia
    Conheço 6 países da Europa: Suécia, Itália, Finlândia, França, Albânia e Lituânia
    Conheço 2 países da Oceania: Austrália e Nova Zelândia
    Conheço 5 países da América Central: Honduras, El Salvador, Guatemala, México e Cuba.
    Conheço 2 países da América do Norte: Estados Unidos e Canadá
    No total conheço 31 países

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*