De taça em taça: roteiro lista vinícolas de Mendoza

por Eduardo Vessoni

Mendoza nasceu para romper paradigmas.

Reergueu-se sobre escombros após o histórico terremoto de 1861, considerado o abalo sísmico mais destrutivo da história da Argentina; transformou a aridez agressiva da Cordilheira dos Andes em aliada e criou aquele que se tornaria em um dos vinhos mais respeitados do continente.

Quando o assunto é vinho, a Argentina é capaz de embriagar o visitante, não só pelo grau de álcool do conteúdo de suas concorridas garrafas, mas pela paisagem andina que se abre diante dos olhos.

Localizada aos pés dos Andes, essa região do oeste da Argentina é o centro da cultura vitivinícola do continente e abriga 1200 produtores de vinho, dos quais 600 estão abertos para visitas.

Confira a lista de vinícolas que o Viagem em Pauta selecionou neste destino que, segundo o ministério de turismo local, passará a contar com voos diretos de São Paulo operados pela Aerolineas Argentinas, a partir do dia 18 de junho.


Aeroporto de Mendoza

Não precisa ir muito longe para se dar conta que o vinho é o melhor negócio de Mendoza. Aliás basta deixar a ala de desembarque do aeroporto da cidade para ver, ao lado do estacionamento, um curioso vinhedo localizado na área interna do terminal aéreo.

(foto: aa2000.com.ar)
(foto: aa2000.com.ar)

A parceria entre a empresa administradora do Aeropuerto Internacional El Plumerillo e Fondo Vitivinícola Mendoza deu origem a uma área de três hectares onde são produzidas uvas do tipo Malbec, cujas frutas são utilizadas na elaboração do vinho varietal “Destino”, elaborado pela Estancia Mendoza, empresa que possui a concessão de uso do vinhedo.

A cidade é considerada o único destino viticultor do mundo a contar com um vinhedo em seu aeroporto internacional.


Bodega Sin Fin

Bodega Sin Fin (foto: Eduardo Vessoni)
Bodega Sin Fin (foto: Eduardo Vessoni)

É como chegar na casa de um amigo argentino: quincho no fundo da casa, recepção no jardim feita pelo próprio proprietário e conversas informais no vinhedo-escola encabeçadas por um enólogo da empresa.

A Bodega Sin Fin, em Maipú, rompe paradigmas. Mais do que vender vinhos, essa vinícola da família Caselles recebe os visitantes com arte.

No subsolo do empreendimento, no local onde estavam os antigos tanques de 24 mil litros, está localizada uma galeria onde acontecem encontros conhecidos como “Noche sin Fin”.

Neste evento são organizadas discussões sobre cinema, literatura e tango, em meio a uma cenografia formada por quadros e esculturas feitos com material reciclado como chaleiras, pedaços de telhados, ralador e latas de ervilha.

Bodega Sin Fin (foto: Eduardo Vessoni)
Bodega Sin Fin (foto: Eduardo Vessoni)

Esta empresa familiar, responsável pela produção anual de seis milhões de litros de vinhos, oferece visitas a suas instalações e vinhedos acompanhadas de degustações de vinhos feitos com uvas como Bonarda, Malbec e Petit Verdot.

O passeio guiado inclui degustação de seis vinhos e de um espumante.

www.bodegasinfin.com


Ruca Malen

O destaque dessa vinícola localizada em Luján de Cuyo, em Mendoza, são os almoços ao ar livre com vista para o vinhedo local e os Andes.

Como ninguém cruzou as cordilheiras apenas para ouvir detalhes técnicos de produção, a empresa incluiu no tour uma degustação de vinhos acompanhada de um menu gastronômico de cinco tempos.

Ruca Malen (foto: Eduardo Vessoni)
Ruca Malen (foto: Eduardo Vessoni)

Para cada prato, a cepa certa escolhida a partir do diálogo entre enólogos e o chef de cozinha.

O Sauvignon branco acompanha a entrada com bruschetta de queijo de cabra; o intenso Malbec é servido com carnes curtidas em azeite de oliva; na etapa seguinte, o sabor do Cabernet Sauvignon é harmonizado com o guisado de champignon servido com os discretos croquetes de cevada e milho; enquanto o Petit Verdot e o Malbec fecham as etapas salgadas.

Na sobremesa, granita de Chardonnay, uma espécie de raspadinha fina com erva mate e mel.

Vale lembrar que os pratos variam de acordo com a temporada e o almoço deve ser reservado com antecedência.

www.bodegarucamalen.com


Trapiche

A tradição dita o ritmo nesta vinícola em funcionamento desde 1883, em Maipú.

Trapiche (foto: Eduardo Vessoni)
Trapiche (foto: Eduardo Vessoni)

Nas laterais da Trapiche ainda é possível ver os trilhos de trem que começaram a facilitar o transporte de vinhos a outros rincões da Argentina, no final do século 19. É ali que começa o tour guiado pelo edifício de 1912 tombado pelo governo como ícone da enologia local e abriga um museu com peças da época em que funcionou como adega.

Trapiche (foto: Eduardo Vessoni)
Trapiche (foto: Eduardo Vessoni)

Com uma produção anual de 25 milhões de litros de vinho, a empresa inovou com as visitas guiadas de acordo com o nível de conhecimento do visitante.

Para o público iniciante, por exemplo, a empresa oferece degustações de vinhos mais amigáveis como Pinot e Chardonnay, segundo o gerente Gastón Rê.

www.trapiche.com.ar


Bodegas Gimenez Rilli

Aberta desde 1945 e sob administração da 3ª geração da mesma família, esta vinícola boutique conta com serviço de aluguel de bicicletas para que os visitantes possam pedalar entre os vinhedos e áreas de descanso com gazebos voltados para as cordilheiras dos Andes e serviço de aperitivos como as empanadas que são harmonizadas com vinhos produzidos no local.

Gimenez Rilli (foto: Eduardo Vessoni)
foto: Eduardo Vessoni

Com uma produção anual de 160 mil litros, esse vinhedo produz uvas como Malbec, Merlot, Cabernet Franc, Syrah e Torrontés.

Gimenez Riili: www.gimenezriili.com


Clos de los Siete

Localizada no Valle de Uco, a 120 km de Mendoza, este é um projeto arrojado que reúne sete produtores em uma área de 850 hectares inspirado nas vinícolas de Napa Valley, na Califórnia, onde vinho, arte e arquitetura contemporânea se encontram em uma das visitas guiadas mais cenográficas de toda Mendoza.

O complexo foi inaugurado com a vinícola Monteviejo, em 2001.

Monteviejo (foto: Eduardo Vessoni)
Monteviejo (foto: Eduardo Vessoni)
Monteviejo (foto: Eduardo Vessoni)
Monteviejo (foto: Eduardo Vessoni)

Certos estilos musicais parecem melhores harmonizados com determinadas bebidas. Se o rock ainda desce melhor com cerveja e as músicas tropicais parecem bem acompanhadas com destilados, em Mendoza o vinho tem assumido o seu lado mais rock n’roll.

É que para marcar o fim da temporada de colheita, em maio, a empresa organiza o Wine Rock Tour, evento que reúne até mil pessoas em shows de rock que acontecem nos vinhedos locais, cuja produção fica sob o comando do premiado enólogo Marcelo Pelleriti, que também é guitarrista da banda de rock The Cellars.

“ ‘Red House’ é uma das melhores coisas que podem me acontecer tomando La Violette”, explica Pelleriti sobre o famoso blues de progressão de acordes gravado por Jimi Hendrix, em 1966.

www.clos7.com.ar


Vistandes

Degustações até três vinhos premium e hospedagem em uma fazenda local são alguns dos destaques dessa vinícola localizada em Maipú.

Vistandes (foto: Reprodução)
Vistandes (foto: Reprodução)

Para quem quer ir mais a fundo no assunto, a empresa organiza também um programa de seis dias, conhecido como “Vistandes Wine Tour”, que acompanha todo o processo de produção desde a colheita até o engarrafamento, além de caminhadas nas Colinas de Paimán e visita a uma antiga mina local.

www.vistandes.com


Saiba mais sobre a rota de vinhos em Mendoza
www.caminosdelvino.com

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