Quebrada de Humahuaca: a Argentina que você (ainda) não conhece

Os brasileiros praticamente fizeram da vizinha Argentina o seu destino de férias preferido.

Nas estações de esqui, o português é quase língua oficial; em Buenos Aires, vendedores se esforçam para aumentar o volume das sacolas de compras dos forasteiros, enquanto casas de shows de tango recebem ônibus lotados de turistas brasucas. Tem destino que até ganhou um segundo nome, como Bariloche (ou Brasiloche por conta do alto número de brasileiros durante as férias).

Mas no noroeste do país a vida segue em outro ritmo.

As altas montanhas dos Andes abrigam uma sequência de povoados minúsculos que atraem o viajante a um dos destinos mais inusitados da Argentina.

Quebrada de Humahuaca, no noroeste da Argentina (foto: Eduardo Vessoni)
Quebrada de Humahuaca, no noroeste da Argentina (foto: Eduardo Vessoni)

Conhecida como Quebrada de Humahuaca, um vale  de 155 km que cruza o noroeste do país, a região é considerada Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade pela Unesco desde 2003 e abriga montanhas multicoloridas e estradas que levam a povoados anteriores aos incas.

Antiga e disputada região de povos aimarás, omaguacas, incas e espanhóis, a Quebrada de Humahuaca é um corredor de atrativos naturais, arqueológicos e culturais que atraem os viajantes mais descolados.

Aliás, o atrativo de uma viagem por essas terras virgens é a variedade de cores que o visitante encontra nas ruas e montanhas.

Cerro Siete Colores, em Purmamarca, na Quebrada de Humahuaca (foto: Eduardo Vessoni)
Cerro Siete Colores, em Purmamarca, na Quebrada de Humahuaca (foto: Eduardo Vessoni)

Os trabalhos artesanais expostos na famosa praça da cidade e o degradé da policromática Siete Colores, a montanha que ganha novas tonalidades de acordo com a incidência da luz do dia, são os principais cartões-postais de Purmamarca, a 2.192 metros de altitude. Até as placas brancas do impressionante salar a 70 quilômetros dali, conhecidas como Salinas Grandes, parecem mais coloridas sob céus quebradenhos.

Salinas Grandes, em Purmamarca (foto: Eduardo Vessoni)
Salinas Grandes, em Purmamarca (foto: Eduardo Vessoni)

Tilcara, a apenas 22 quilômetros dali, é outra surpresa da região. O povoado de seis mil habitantes é a capital arqueológica da província e guarda um dos locais mais importantes das antigas etnias da região: o Pukara de Tilcara.

Do alto dessa fortaleza pré-hispânica, grossos muros de pedra de mais de mil anos guardam ruínas restauradas que podem ser visitadas frente a uma das visões mais amplas e impressionantes de toda a Quebrada. Eram naquelas terras que o povo tilcara, entre uma disputa e outra com inimigos, realizava trabalhos agrícolas e criava lhamas para o transporte de carga e alimentação.

Pukara de Tilcara, na Quebrada de Humahuaca, no noroeste da Argentina (foto: Eduardo Vessoni)
Pukara de Tilcara, na Quebrada de Humahuaca, no noroeste da Argentina (foto: Eduardo Vessoni)

Esses pastores, que percorriam longas áreas, buscavam abrigo em refúgios de pedra cujas tradicionais fogueiras aqueciam as noites frias da região.

A região da Quebrada de Humahuaca é um itinerário cultural de dez mil anos e conta também com povoados minúsculos como Maimará e Iruya, além da descolada Humahuaca que dá nome a toda a quebrada.

E você ainda continua acreditando que conhece a vizinha Argentina?

ONDE FICAR

Hotel Manantial del Silencio (Purmamarca)
Em Purmamarca, a 120 km de San Salvador de Jujuy, o hotel Manantial del Silencio é uma construção feita em adobe e com espaços internos que remontam à época colonial espanhola. Os detalhes dos objetos feitos de cardón, uma espécie local de cactus, e os inconfundíveis tecidos coloridos dos Andes não deixam dúvidas: a Argentina assume outros tons em Humahuaca.
www.hotelmanantial.com.ar

 

Rincón de Fuego, em Tilcara (foto: Reprodução)

Hotel Rincón de Fuego (Tilcara)
Hotel localizado em uma casa de pedra, cujo destaque é a área social com uma fogueira interna no centro da sala.
www.rincondefuego.com

 

 

 Del Pintor (Tilcara)
Hotel que funciona no interior de uma casa histórica de 1930 que pertenceu ao pintor Merardo Pantoja. A informalidade no atendimento se completa nas instalações das áreas comuns como o pátio interno com churrasqueira e forno.
www.elrefugiodelpintor.com

2 Comentário

  1. Eduardo, só há um problema nas matérias que você publica aqui: a vontade danada que dá de arrumar as malas e sair por esse mundão conhecendo esses lugares todos! Lindas fotos!! Parabéns!!

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