Indie rock e eletrônico marcam noite no Mountrex Jazz Festival

por Eduardo Vessoni

Quem vê aquele negro de fala tímida e movimentos discretos na mesa ao lado, fazendo questão de pedir o café da manhã em um francês pausado, não pode imaginar o que aquele músico é capaz de fazer quando sobe ao palco.

Gbenga Adelekan é baixista e um dos backing vocals da banda britânica Metronomy, um dos shows mais aguardados e lotados do 48º Montreux Jazz Festival que aconteceu, na última terça, no palco do Jazz Lab, espaço dedicado ao indie rock e a outros sons alternativos que se encontram com o jazz tradicional neste evento anual, na Suíça.

Metronomy (foto: FFJM/Daniel Balmat)

O Metronomy fez uma viagem de batidas eletrônicas que, por poucos tons, não levou abaixo o teatro com duas mil pessoas alucinadas com o repertório de hits do álbum “The English Riviera” (2011) como The Look e The Bay, em uma sequência costurada por músicas de “Love Letters”, o último trabalho lançado em 2014.

E Gbenga Adelekan ainda se surpreende ao saber que a banda formada em 1999 arrasta fãs alucinados (e fieis) de todas as partes do mundo e arregala os olhos quando o jornalista que aqui vos escreve se aproxima e, longe de qualquer protocolo jornalístico, se apresenta no café da manhã do hotel como um fã do Brasil, antes de pedir uma foto e sacar do bolso da bermuda o CD “The English Riviera” para um autógrafo.

Assim são os mestres. E Gbenga é um deles.

É mestre do baixo (ele por si só já garantiria um show inteiro); é mestre da banda (por vezes carrega o show sozinho, no baixo e na dança); e mestre da plateia. Basta começar um balançar de influências africanas para que o público o acompanhe, marcando um dos momentos de maior delírio de todo o show.

E nem poderia ser diferente, em se tratando de um filho da mesma terra que viu nascer Fela Kuti. Gbenga é da Nigéria e, atualmente, mora na Inglaterra.

Porque isto não é Paris, não é Londres, não é Berlim, não é Hong Kong. Nem Tóquio.

Isto é Montreux e o Metronomy já garantiu seu lugar na lista de um dos shows mais icônicos da edição de 2014.

Metronomy (foto: FFJM/Daniel Balmat)
Metronomy (foto: FFJM/Daniel Balmat)

Como o próprio vocalista Joseph Mount confessou, durante a apresentação dos músicos, este show foi a estreia do Metronomy em um festival exclusivo de jazz, mas isso o público nem notou.

A banda se comportou como se estivesse em mais um daqueles festivais de indie rock onde tem batido cartão em turnês pelos Estados Unidos e Europa.

O Metronomy é formado também por Anna Prior (baterista) e Oscar Cash (sax, guitarra e teclado).

Confira vídeo na íntegra do show que a banda Metronomy apresentou no 48° Montreux Jazz Festival, na Suíça, no último dia 8 de julho.

Show do Metronomy no 48° Montreux Jazz Festival
Show do Metronomy no 48° Montreux Jazz Festival

A noite começou com um show dispensável e morno de meia hora da banda Kuroma que fez a plateia bocejar e que foi traída por um certo deslumbramento por tocar em um festival desse porte, acompanhado de um repertório que chegou a receber vaias discretas no canto da plateia.

Na segunda apresentação da noite, o MGMT voltou a lotar da sala do Jazz Lab e alucinou com seu rock psicodélico e projeções abstratas de contornos pop.

Mas foi o Metronomy que provou que, definitivamente, o Montreux Jazz Festical é um “diálogo eufórico entre todas as gerações”.

Que o digam seus fãs.

MGMT (foto: FFJM/Daniel Balmat)
MGMT (foto: FFJM/Daniel Balmat)
MGMT (foto: FFJM/Daniel Balmat)
MGMT (foto: FFJM/Daniel Balmat)

PS: Isto não é uma resenha de um show de música (até porque jornalistas de turismo costumam entender mesmo é de viagens). Trata-se apenas de um relato de um fã que volta para casa com a sensação de ter testemunhado um dos shows mais marcantes da sua vida.

Confira imagens de outras apresentações do 48º Montreux Jazz Festival.

Suíça

 

 

 

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