Minhocão de SP deve virar parque

por: Eduardo Vessoni / foto do abre: Gustavo Mandú/Flickr,Creative Commons

Segundo informou o jornal Folha de São Paulo, na última segunda-feira (11 de agosto), o novo Plano Diretor da cidade prevê a desativação do Minhocão (elevado Costa e Silva, oficialmente) como via de automóveis e sua transformação, parcial ou integral, em parque. (Leia nota publicada no jornal).

O Minhocão, um dos projetos urbanos mais polêmicos da história recente de São Paulo, possui 2,8 km de extensão e pode passar a abrigar o Parque Minhocão,  uma área municipal linear para pedestres e ciclistas. A obra foi inaugurada em 25 de janeiro de 1971, durante a gestão do então prefeito Paulo Maluf, e cruza regiões como a Praça Roosevelt, rua Amaral Gurgel, avenidas São João e General Olímpio da Silveira.

E para a gente inspirar a cidade a ganhar mais uma atração inteligente (e verde), o Viagem em Pauta relembra obras ao redor do mundo que transformaram projetos urbanísticos desativados em atrações turísticas.

⇒ HighLine Park (Nova York)

Esta foi uma das novas atrações mais celebradas, nos últimos anos da história do turismo da cidade. O High Line é um parque público construído sobre uma histórica linha de trem de carga elevada, nas ruas do West Side de Manhattan.

Vista do HighLine Park, em Nova York (foto: Eduardo Vessoni)
Vista do HighLine Park, em Nova York (foto: Eduardo Vessoni)

Em funcionamento a dez metros do chão, o parque cruza bairros como West Chelsea e Meatpacking District. Erguidos na década de 1930 sobre setores industriais de Nova York e abandonados anos mais tardes, esses trilhos abrigam, atualmente, uma bem sucedida área de lazer com setores para descanso, bares e jardins com vistas para Midtown e o rio Hudson.

 

⇒ Zürich West (Zurique)

Este bairro é uma espécie de Soho da Suíça e é considerado uma das mudanças urbanas mais dinâmicas em todo o país.

Saem fábricas e engrenagens, e entram lojas, galerias de arte, bares e restaurantes em antigas construções de tijolos e velhas estruturas de ferro reformadas.

Im Viadukt, em Zurique (foto: Eduardo Vessoni)
Im Viadukt, em Zurique (foto: Eduardo Vessoni)

O Im Viadukt é um projeto de 2010 assinado pelo escritório de arquitetura EM2N e está localizado ao longo dos 500 metros de arcos ferroviários do final do século 19 que, atualmente, abrigam estabelecimentos comerciais em cada um de seus vãos de pedras.

Entre bares descolados e lojas de grife, o local é endereço também do primeiro mercado coberto de Zurique, o Markthalle, um complexo com mais de 20 expositores de produtos como frutas e legumes orgânicos, além de um restaurante com mesas espalhadas ao ar livre sob um dos antigos arcos da ponte local.

 

⇒ Montreux-Vevey (Suíça)

Até 2010, a região de Gilamont, em Vevey, era o típico endereço onde ninguém queria morar: grande concentração de residentes desempregados, áreas sujas e abandonadas, e criminalidade elevada.

Projeto residencial em Gilamont, em Vevey,. homenageia Charlie Chaplin (foto: Eduardo Vessoni)
Projeto residencial em Gilamont, em Vevey,. homenageia Charlie Chaplin (foto: Eduardo Vessoni)

Localizadas na Route de Gilamont, na saída da cidade, duas torres residenciais com 42 metros de altura cada abrigam frescos de Charles Chaplin pintados pelo artista francês Franck Bouroullec e pela cooperativa de muralistas Cité Création.

Os murais nesses prédios do final dos anos 60 abrigam agora referências aos filmes mais famosos de Chaplin como ‘Tempos Modernos’ e ‘Em busca do ouro’.

Para as obras, inauguradas em 2010 e 2011 a um custo total de 500 mil francos suíços (mais de um 1,2 milhão de reais, aproximadamente), foram usados uma tonelada de tinta, 100 rolos de pintura, 50 pincéis e 80 rolos de fita adesiva.

Saiba mais sobre o projeto
www.cite-creation.com

 

 ⇒ Park am Gleisdreieck (Berlim)

Localizado em Kreuzberg, um dos bairros mais internacionais da capital alemã, este parque é o novo espaço da capital alemã que reaproveita um terreno ferroviário abandonado após a Segunda Guerra Mundial e o transforma em uma área verde.

Gleisdreieck Park, no bairro de Kreuzberg, na capital da Alemanha (foto: Eduardo Vessoni)
Gleisdreieck Park, no bairro de Kreuzberg, na capital da Alemanha (foto: Eduardo Vessoni)

O mais inusitado desse parque, entre a Potsdamer Platz e o setor governamental da cidade, são as estruturas e sinalizações preservadas do antigo entroncamento ferroviário em forma de triângulo que passa por ali e que, em tempos de separação, dividiam os setores ocidental e oriental de Berlim.

Gleisdreieck (“triângulo de trilhos”, em português) possui 26 hectares e, sob a antiga plataforma de trens a 4 metros de altura, abriga ciclovias, quadras, playground e halfpipe para prática de skate, uma das maiores estruturas do gênero em toda a cidade.

Saiba mais sobre o parque
www.visitberlin.de

 

⇒ Puerto Madero (Buenos Aires)

Considerado um dos bairros mais jovens da cidade, Puerto Madero ocupa uma área portuária do final do século 19 que ficou abandonada por mais de 50 anos.

A partir de 1989, os antigos depósitos de tijolos vermelhos deram lugar a um projeto de resgate e integração entre a cidade e o rio, recuperando 170 hectares para moradias e espaço público. Atualmente, o bairro é um centro residencial, financeiro e gastronômico de Buenos Aires.

Puente de la Mujer, em Puerto Madero (foto: turismo.buenosaires.gob.ar)
Puente de la Mujer, em Puerto Madero (foto: turismo.buenosaires.gob.ar)

 

⇒ Casa da Cultura (Recife)

Casa da Cultura, em Recife (foto: casadaculturape.com.br)
Casa da Cultura, em Recife (foto: casadaculturape.com.br)

A antiga penitenciária da cidade, uma construção de 1867 com 8.400 m² de área construída e seis mil m² de pátio externo, abriga em suas celas desativadas 150 lojas de artesanato, livrarias e lanchonetes.

Entre todas as salas, apenas uma do setor leste permanece como foi deixada pelos presos e o pátio externo foi transformado em área para shows e praça de alimentação.

Tombada pela FUNDARPE como Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, a construção funcionou como penitenciária durante 118 anos.

 

⇒ Estação das Docas (Belém)

Este complexo turístico, cultural e gastronômico da capital do Pará foi inaugurado em 2000 em uma área de 500 metros de orla fluvial do antigo porto de Belém.

Estação das Docas de Belém (foto: estacaodasdocas.com.br)
Estação das Docas de Belém (foto: estacaodasdocas.com.br)

 

Com 32 mil m² divididos em três armazéns e um terminal de passageiros, o local abriga armazéns restaurados, os três galpões de ferro inglês da segunda metade do século 19, os icônicos guindastes externos e as ruínas do Forte de São Pedro Nolasco que abriga, atualmente, um anfiteatro.

Saiba mais: www.estacaodasdocas.com.br

 

Parque Minhocão
Conheça o projeto

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