De volta ao deserto: dicas para quem já conhece o Atacama

A geografia por ali continua a mesma, mas este é aquele tipo de destino que a gente nunca se cansa de voltar.

O Atacama é o destino mais seco do planeta, abriga o deserto mais alto do mundo, seu solo é comparado ao de Marte e a chuva segue rara por ali.

E se você já viu o pôr do sol no Valle de la Luna, nadou em lagoas altiplânicas e tomou café da manhã com cheiro de enxofre, nos gêiseres do Tatio, a 4.320 metros de altitude, está na hora de voltar para um dos destinos sul-americanos mais fascinantes do continente e provar outras experiências inusitadas para visitantes de segunda viagem.

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Além dos clássicos desse deserto, no norte do Chile, há outro Atacama escondido que, por sorte, ainda é pouco divulgado entre os aventureiros que chegam por ali.

São tantas histórias que a História tem para contar que a geografia local tratou de escondê-las em endereços que só os mais curiosos são capazes de enfrentá-la. E descobrir o que há do lado de lá daquelas rochas desérticas significa ver gravuras rupestres de épocas pré-incaicas, caminhar por corredores estreitos de pedras entre cânions e até fazer piquenique em montanhas multicoloridas da região.

São tantas (re)descobertas que uma segunda visita ao destino não seria demais e ainda corre-se o risco de sair com a sensação de ter deixado algo para trás.

Confira a seleção de dicas de atrações para quem já conhece o Deserto do Atacama:

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⇒ CHIU CHIU

Iglesia de San Francisco, em Chiu Chiu (foto: Autunno Ruggero/Flickr-Creative Commons)
Iglesia de San Francisco, em Chiu Chiu (foto: Autunno Ruggero/Flickr-Creative Commons)

Localizado a 30 km de Calama, a principal porta para o Atacama, o povoado de San Francisco de Chiu Chiu é conhecido pelas construções centenares como a Iglesia de San Francisco, erguida no ano de 1600 com adobe e madeira de cacto, considerada a mais antiga do Chile.

Chiu Chiu era uma das paradas dos incas que cruzavam a região e se localiza próximo a outros desconhecidos locais como a Laguna Inca Coya e o Pukará de Lasana.

⇒ SOBRE DUAS RODAS

Pedalada no Valle de la Luna (foto: Eduardo Vessoni)
Pedalada no Valle de la Luna (foto: Eduardo Vessoni)

Para explorar a região de forma mais independente, planeje visitar de bicicleta as atrações naturais do Atacama como o Pukará de Quitor, antigas estruturas incas do século 12 situadas a três km do centro, e a Quebrada del Diablo, na Cordilheira do Sal.

Em algumas das diversas agências locais, na rua Caracoles, é possível alugar as magrelas ou contratar passeios guiados com carros de apoio para os ciclistas.

⇒ TOUR ASTRONÔMICO

Vista da área de observação astronômica no Atacama, no norte do Chile (foto: Eduardo Vessoni)
Vista da área de observação astronômica no Atacama, no norte do Chile (foto: Eduardo Vessoni)

Dono de uma das melhores condições para observação do céu, o Atacama possui mais de 300 noites de céu limpo e é endereço de uma das mais fascinantes experiências do destino: o tour astronômico.

Acompanhada por um especialista no assunto, a visita a um autêntico observatório dura 2h30 e ajuda o visitante a observar o céu a olho nu, e ver planetas e estrelas nos telescópios locais. SAIBA MAIS

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⇒ ARTE RUPESTRE

Petróglifos de Yerbas Buenas (foto: Eduardo Vessoni)
Petróglifos de Yerbas Buenas (foto: Eduardo Vessoni)

Se a capital arqueológica do Chile fascina os visitantes mais curiosos com registros de períodos anteriores aos incas, e que hoje estão guardadas sob as pedras do Pukara de Quitor e as areias finas da Aldea de Tulor, os petróglifos de Yerbas Buenas seguem milhares de anos sob o sol forte do Atacama.

Considerados a maior concentração de arte rupestre da região do Atacama, esses petróglifos em rochas vulcânicas abrigam inscrições rupestres em alto e baixo relevos, talhados em enormes muros de pedra, cujos desenhos descrevem a vida cotidiana e os rituais religiosos da época das caravanas que passavam por ali.

Esses registros revelam uma história que teria começado há pelo menos 11 mil anos e que representam uma das mais importantes manifestações da arte pré-hispânica atacamenha.
A divulgação tímida desse destino escondido pode ser a solução para a sua preservação, uma vez que a porosidade daquelas pedras vulcânicas e a falta de um projeto de proteção do local são as principais ameaças a essas obras ancestrais.

O acesso a essa atração do nordeste de São Pedro se dá por estradas de terra, a 60 km.

⇒ VALLE DEL ARCOIRIS

Valle del Arcoiris (foto: Eduardo Vessoni)
Valle del Arcoiris (foto: Eduardo Vessoni)

Na mesma viagem para conhecer os petróglifos de Yerbas Buenas é possível visitar outra atração de tons surreais, cujo nome é uma referência aos tons de cores nas montanhas locais, devido à presença de minerais.

Matancilla é uma zona de vales onde a natureza resolveu colorir montanhas com diferentes tons de verde, vermelho e branco. É nessa pequena região de pastores ao norte de San Pedro que se encontra o Valle del Arco Iris, uma sequência impressionante de rochas policromáticas.

Essas formações ganham tons avermelhados com a presença da argila; o aspecto branco vem das cinzas provenientes de erupções vulcânicas; e a mistura de minerais é responsável pelo tom esverdeado do vale.

⇒ AGUJAS DE ATACAMA

Agujas de Atacama (foto: Eduardo Vessoni)
Agujas de Atacama (foto: Eduardo Vessoni)

O vento constante batendo nas paredes estreitas do vale também é responsável por outra formação pouco conhecida na região: as Agujas de Atacama, uma formação pétrea pontiaguda que colore a aridez do deserto.

Alguns poucos humanos que chegam até ali costumam armar a mesa do almoço entre as montanhas coloridas e as pontas afiadas das rochas do vale. Parece até miragem.

⇒ CÂNION

Cânion Gargante del Diablo (foto: Eduardo Vessoni)
Cânion Garganta del Diablo (foto: Eduardo Vessoni)

E se o tom dessa caminhada alternativa pelo deserto é dado por desenhos rupestres e construções ancestrais, as formações naturais também têm seu lugar reservado no circuito.

A Quebrada del Diablo, no vale de Catarpe, é outra região que vale ser visitada.

É ali que o cânion Garganta del Diablo ainda guarda o leito do rio que um dia atravessou aquele setor de paredes rochosas baixas, em épocas de água mais abundante. A temperatura amena encontrada entre aqueles paredões também é ponto de descanso para ciclistas e turistas a cavalo pelo vale.

⇒ DICAS PARA VISITANTES DE PRIMEIRA VIAGEM

– San Pedro de Atacama, o povoado que serve de base para quem visita a região, está a 100 km de Calama, onde se localiza o aeroporto mais próximo. Para quem não tem tempo, invista para chegar de avião ao Atacama, uma vez que a viagem terrestre entre Santiago e Calama duram (longas) 24 horas. Por vias aéreas são duas horas de duração, aproximadamente, em voos operados pela Lan.

– Do aeroporto de Calama existem serviços de táxis e transfers para San Pedro, um deslocamento de, aproximadamente, 1h30 de duração. Uma opção aventureira (e talvez uma das experiências mais fascinantes em toda a América do Sul) é a travessia até o Chile pelo deserto da Bolívia, onde se localiza o obrigatório Uyuni. Os tours variam de 1 a 4 dias e podem ser encontrados na chilena San Pedro de Atacama ou na cidade de Uyuni, na Bolívia, onde os preços são mais camaradas. SAIBA MAIS

– Se ainda assim o orçamento estiver apertado, vá sem medo por vias terrestres, pois os ônibus chilenos são conhecidos por sua excelente qualidade de serviço, inclusive com sistema de refeição e entretenimento a bordo. A viagem é feita por empresas como Pullman Bus e Tur Bus.

– Quem vai de carro a partir da capital chilena, Santiago, deve seguir pela Ruta 5 norte até a bifurcação em Carmen Alto e dali pegar a Ruta 25 sentido nordeste pelos próximos 1.574 km.

– Na região mais seca do mundo, chuvas são bem raras e não ultrapassam algumas dezenas de milímetros de água por ano. Porém, planeje a viagem para meses com temperaturas mais amenas: entre setembro e novembro; ou entre março e maio, temporadas de primavera e outono, respectivamente.

– Mal de altura é o mal estar causado pelas altitudes elevadas do local. Recomenda-se beber muita água, mastigar folhas de coca que podem ser encontradas na feira de artesanato de San Pedro e evitar ingerir bebida alcoólica no primeiro dia da viagem.

VEJA FOTOS

  • Iglesia de San Francisco, em Chiu Chiu (foto: Autunno Ruggero/Flickr-Creative Commons)
    Iglesia de San Francisco, em Chiu Chiu (foto: Autunno Ruggero/Flickr-Creative Commons)

  • Pedalada no Valle de la Luna (foto: Eduardo Vessoni)
    Pedalada no Valle de la Luna (foto: Eduardo Vessoni)

  • Vista da área de observação astronômica no Atacama, no norte do Chile (foto: Eduardo Vessoni)
    Vista da área de observação astronômica no Atacama, no norte do Chile (foto: Eduardo Vessoni)

  • Petróglifos de Yerbas Buenas (foto: Eduardo Vessoni)
    Petróglifos de Yerbas Buenas (foto: Eduardo Vessoni)

  • Valle del Arcoiris (foto: Eduardo Vessoni)
    Valle del Arcoiris (foto: Eduardo Vessoni)

  • Agujas de Atacama (foto: Eduardo Vessoni)
    Agujas de Atacama (foto: Eduardo Vessoni)

  • Cânion Gargante del Diablo (foto: Eduardo Vessoni)
    Cânion Garganta del Diablo (foto: Eduardo Vessoni)

  • Valle de la Luna, no Atacama (foto: Eduardo Vessoni)
    Valle de la Luna, no Atacama (foto: Eduardo Vessoni)

  • Vista da Caracoles, a rua principal de San Pedro de Atacama, no Chile (foto: Eduardo Vessoni)
    Vista da Caracoles, a rua principal de San Pedro de Atacama, no Chile (foto: Eduardo Vessoni)

SITE OFICIAL DO CHILE
www.chile.travel

3 Comentário

  1. O deserto de Atacama é incrivel de belezs naturais e bem diferente de outras regiões no mundo. Fui de S. Paulo de avião até Santiago do Chile. Na mesma hora fui na rodoviària e comprei passagem de ônibus e là fui eu em março 2016 enfrentando 24 horas de ônibus (uma loucura !). Melhor planejamento seria de avião porquê vai enjoar de ver deserto. Não hà muita coisa interessante. Jà basta ver de Calame aeroporto até São Pedro de Atacama os 100 km de areias vermelhadas. Incrivel, voltei de ônibus, 26 horas com atraso mais ônibus confortaveis comuns. De preferência escolhem um leito. Exelentes ônibus, viajando acompanhado de Chilenos trabalhando na minas mais a residência da familia é em Santiago. Povo pouco conversador pois apos 3 semanas de trabalho como solteiros, não vejam a hora de chegar em casa. Na mina vivem em barracos de telhados de zincos que são abandonados ao termino da exploração. Não tem nem a sombra de um capim ou arvores. Os mineros sofrem do calor, saudades da familia mais ganham bem. Termino por aqui dizendo que aproveitam intensamente todas as excursões propostas pelas agências de turismo.

  2. Olá
    Estou indo de moto de Pernambuco com a esposa.
    E gostaria de saber sobre turismo na região do Atacama(Salta,pumarmarca,San Pedro,antofagasta)
    E gêiseres, vulcões,desertos etc
    Grato
    Fabio

    • Fábio, Atacama, Salta e Quebrada de Humahuaca são destinos com dicas que você pode encontrar no site. É só fazer uma pesquisa em PESQUISAR, no lado direito do site.

      Obrigado pelo contato e seja sempre bem vindo no site.

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