O Peru que vai além de Cusco e Machu Pichu

Aviso aos viajantes desavisados: visitar o Peru não significa apenas ser mais um a engrossar a fila dos milhares de estrangeiros que desembarcam no sítio arqueológico de Machu Pichu, o principal atrativo do país que, só em 2014, recebeu mais de 1,1 milhão de visitantes, segundo o Ministério Comércio Exterior e do Turismo peruano

A gente sabe que esse Patrimônio da Humanidade pela Unesco abriga mais de 32 mil hectares de história, que é considerado a obra arquitetônica mais impressionante do império inca e está na lista dos sítios arqueológicos mais importantes do planeta.

Mas que tal deixar os US$ 200 para passar meio dia em Machu Pichu e aproveitar para visitar os endereços menos conhecidos desse país de passado andino com quase 1,3 milhão de km²?

Na lista que o Viagem em Pauta preparou tem sobrevoo nas misteriosas Linhas de Nazca, pirâmides históricas e até um complexo arqueológico escondido entre um bosque de pedra.

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AREQUIPA

Monasterio de Santa Catalina, em Arequipa (foto: Eduardo Vessoni)
Monasterio de Santa Catalina, em Arequipa (foto: Eduardo Vessoni)

Conhecida como a Cidade Branca, devido a suas construções de tons claros feitas com uma rocha vulcânica chamada silhar, Arequipa abriga algumas das experiências mais impressionantes do sul do Peru.

Localizado entre a costa e a serra peruanas, a mil km de Lima, o destino é ponto de partida para quem quer avistar os condores no Cañón del Colca, no vale de mesmo nome, cujas fendas de mais de 4 mil metros de profundidade colocam esse cânion na lista dos mais profundos do mundo.

E é ali em uma das plataformas de observação, como o mirante Cruz do Condor, que visitantes observam o voo matutino dos condores andinos, cuja envergadura ultrapassa os 3 metros. Aquelas aves imensas planando sobre nossas cabeças parece até atração de centro de adestramento de animais, mas se trata apenas da fauna local em seu estado mais exibido.

A atração fica a 165 km de Arequipa e faz parte de roteiros oferecidos por agências locais que incluem também visita a pequenos povoados da região como Chivay.

Múmia Juanita, em Arequipa (foto: Eduardo Vessoni)
Múmia Juanita, em Arequipa (foto: Eduardo Vessoni)

De volta a Arequipa, outra atração local é capaz de tirar o fôlego do visitante, em pleno centro histórico.

Em exposição permanente no Museo Santuarios Andinos, a múmia Juanita (a ‘Niña de los Hielos’) impressiona pelo seu perfeito estado de conservação, cujo corpo de 530 anos foi encontrado congelado, em 1995, a mais de 6.300 metros, no vulcão Ampato.

Segundo estudos, Juanita foi uma das vítimas das oferendas humanas, comum entre os incas.

No salão escuro e bem ventilado do museu, é possível ver também os objetos que a menina de supostos 12 anos de idade estaria carregando no dia de sua morte como presentes aos deuses, brinquedos e sandálias.

Sem dúvida essa é uma das atrações mais genuínas e marcantes dos roteiros arqueológicos peruanos. SAIBA MAIS

LINHAS DE NAZCA

(foto: Funkz/Flickr-Creative Commons)
(foto: Funkz/Flickr-Creative Commons)

Com acesso pelo km 419 da icônica rodovia Panamericana, a cidade de Nazca abriga um dos maiores mistérios da Humanidade.

Essa sequência de desenhos gigantes de animais e outras figuras, declarada Patrimônio Cultural da Humanidade, ocupa uma área aproximada de 350 km² e é melhor observada em sobrevoos a bordo de aviões pequenos que saem do aeroporto local.

Do alto, é possível avistar representações como a Baleia, o Astronauta, o Macaco, o Condor e a Aranha que, segundo estudos, faziam parte de um calendário astronômico.

DICA VIAGEM EM PAUTA: Como o destino tem pouco a oferecer, além das próprias Linhas e o impressionante Cementerio de Chauchilla, faça uma parada estratégica em Nazca antes de seguir viagem para o norte (em direção a Lima, 460 km), sul (Arequipa, 564 km) ou leste (Cusco, 654 km).

Se você vem pelo sul, via Chile, Nazca pode ser uma boa alternativa de parada, antes de seguir viagem. No entanto, não espere nada além das atrações citadas, anteriormente. SAIBA MAIS

CARAL

Considerada a mais antiga da América, a civilização Caral foi responsável por essa atração a 3 horas de Lima e abriga pirâmides, praças e residências das classes dominantes desse grupo com mais de 5 mil anos de história, em uma área de 626 hectares.

Vista de Caral (foto: Alex Zanuccoli/Flickr-Creative Commons)
Vista de Caral (foto: Alex Zanuccoli/Flickr-Creative Commons)

O local tem acesso pelo km 184 da Panamericana Norte, na província de Barranca, ao norte da capital peruana.

Para chegar a Caral é necessário tomar um ônibus até Supe Pueblo, ao norte de Lima, e dali contratar um dos táxis coletivos para até 6 pessoas que vão até a região de Caral, de onde o visitante deve caminhar por mais 20 minutos.

TRUJILLO E CHICLAYO

Essas duas cidades são capazes de entreter, por horas, visitantes amantes de arqueologia. Menos por seus centros caóticos com cara de periferia e mais pelos dois sítios arqueológicos bem conservados da região.

Trujillo abriga a impactante Ciudadela de Chan Chan, declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO e considerada a maior cidade de barro da América pré-hispânica, cujos destaques são seus muros em alto relevo desenhados com figuras geométricas e seres mitológicos.

Capital do reino Chimú, do ano 600 d.C., a cidadela de Chan Chan, localizada a 6,5 km de Trujillo, é uma área de 6 km² formada por um conjunto de 10 recintos amuralhados, pirâmides solitárias, canais e antigos cemitérios. SAIBA MAIS

Chan Chan, em Trujillo (foto: Véronique Debord-Lazaro/Flickr-Creaive Commons)
Chan Chan, em Trujillo (foto: Véronique Debord-Lazaro/Flickr-Creaive Commons)

A pouco mais de 200 km ao norte, encontra-se Chiclayo, endereço do Complejo Arqueológico de Sipán.

Foi ali que, em 1987, foi encontrada a tumba do Señor de Sipán, considerado um dos governantes mochicas. Essa antiga cultura da costa norte que perdurou entre os anos 100 e 800 d.C. é conhecida por suas pirâmides de adobe.

Localizado a 35 km de Chiclayo, o local, chamado também de Huaca Rajada, abriga peças em excelente estado de conservação como ornamentos de ouro e prata e restos mortais de mulheres e crianças usadas como oferendas.

Peru, América do Sul
Complejo Arqueológico de Sipán, em Chiclayo (foto: Eduardo Vessoni)

DICA VIAGEM EM PAUTA: Para melhor aproveitar essas atrações afastadas dos principais centros urbanos da região, procure ir acompanhado de um guia contratado, previamente. Não só pela contextualização histórica que esses profissionais podem oferecer, mas também por questões de segurança. Táxis e ônibus públicos nem sem sempre são as melhores (e mais seguras) opções naquelas terras peruanas.

VENTANILLAS DE OTUZCO

Ventanas de Otuzco, em Cajamarca (foto: Jorge Gobbi/Flickr-Creative Commons)
Ventanas de Otuzco, em Cajamarca (foto: Jorge Gobbi/Flickr-Creative Commons)

Localizado a 8 km de Cajamarca, no norte do Peru, esse atrativo é formado por centenas de galerias de até 10 metros de profundidade, encravadas em rochas vulcânicas e que se parecem a janelas esculpidas nas pedras.

Acredita-se que esses restos arqueológicos da cultura Caxamarca eram utilizados como urnas funerárias.

DICA VIAGEM EM PAUTA: Como muitas das atrações arqueológicas do Peru, as Ventanillas de Otuzco também ficam em área remota om poucos atrativos. Para otimizar o deslocamento até a região, programe visitar a atração quando for conhecer os museus de Trujillo (a 246 km de distância) e de Chiclayo (244 km).

CUMBEMAYO

A 20 km de Cajamarca econtra-se o Complejo Arqueológico de Cumbemayo, cujas ruínas de um aqueduto pré-inca, do ano 1000 a.C., se localizam em um impressionante bosque de pedras.

O local, descoberto em 1937, abriga ainda um penhasco em forma de cabeça humana, conhecido como Santuario, e as Cuevas, local com petróglifos.

Complejo Arqueológico de Cumbemayo, em Cajamarca (foto: Jorge Gobbi/Flickr-Creative Commons)
Complejo Arqueológico de Cumbemayo, em Cajamarca (foto: Jorge Gobbi/Flickr-Creative Commons)

DICA VIAGEM EM PAUTA: A regra vale também para essa atração. Programe-se para chegar cedo na cidade e logo siga viagem rumo ao norte do Peru. Cumbemayo também fica em área remota com poucos atrativos.

SAIBA MAIS
Site oficial do turismo do Peru
www.peru.travel

2 Comentário

  1. Olá gente!
    Primeiramente parabenizo pelo trabalho que fiz em ajudar aos brasileiros que desejem conhecer Machu Picchu, quem escreve é um amante da cultura brasileira e graças a deus já teve a sorte de morar no Brasil por um bom tempo, agora voltei ao Peru – Cusco para mostrar a todos os brasileiros que desejem conhecer a terra dos incas.
    Se alguém deseja algumas dicas e recomendações pra a sua viagem, sera tudo um prazer ajuda-los em realizar o sonho de conhecer Machu Picchu Cusco, Lima, Lago titicaca, Arequipa, Nazca, Paracas, Puno, Trujillo e outros destinos que ainda não foram explorados pelo brasileiros.

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