‘Camino Norte’ é opção litorânea do Caminho de Santiago de Compostela

Dizem que todos os caminhos levam a Santiago de Compostela, e foi o que todo mundo fez. Só que pelo mesmo lugar e ao mesmo tempo.

Mas ao norte da Espanha, peregrinos de alma aventureira e dispostos a seguirem outras rotas se encontram (e encontram a si mesmo) no ‘Caminho do Norte’, conhecido também como ‘Caminho da Costa’.

Essa versão litorânea até Compostela, que cruza extensas faixas de areia sobre o Mar Cantábrico e penhascos rochosos, possui 815 km de extensão e 32 paradas, entre Irún, no País Basco, e a cobiçada Catedral de Santiago de Compostela, na Galícia.

Embora seja tão antigo como o medieval ‘Caminho Francês’, a opção pela costa tem se popularizado entre os que buscam rotas peregrinas menos frequentadas.

Considerado a única do Caminho Norte a seguir pela costa, a comunidade de Astúrias abriga paisagens que refrescam o peregrino, ao longo dos 815 km até Santiago de Compostela, como o trecho Arenal de Moris a La Isla, uma caminhada curta de 4,5 km de extensão (foto: Eduardo Vessoni)
Considerado a única do Caminho Norte a seguir pela costa, a comunidade de Astúrias abriga paisagens que refrescam o peregrino, ao longo dos 815 km até Santiago de Compostela, como o trecho de Arenal de Moris a La Isla, uma caminhada curta de 4,5 km de extensão (foto: Eduardo Vessoni)

Com 31 etapas e 775 km de extensão, o tradicional Camino Francés é a rota mais popular para quem decide chegar a pé da francesa Saint Jean de Pied de Port até Santiago de Compostela, na Espanha.

O resultado é um caminho congestionado de ‘turisgrinos’, como são chamados os turistas fantasiados de peregrinos, e com opções de hospedagem comprometidas pela falta de camas, sobretudo na alta temporada do verão europeu.

“Em alguns meses do ano, é necessário levantar às quatro da manhã para garantir cama no povoado seguinte. Perde-se a dignidade”, afirma María Ángeles Cabo Setien, peregrina espanhola que desde, 2008, realiza o caminho todos os anos, por diferentes vias e quilometragens.

Seja qual for seu caminho, tudo segue igual desde o ano 830, quando o ermitão Pelayo descobriu o túmulo do apóstolo Santiago, na Galícia, que daria início à tradição da peregrinação até Compostela.

Gente que vai, gente que vem.

Peregrino segue até Santiago de Compostela, no trecho galego entre Lourenzá e Mondoñedo (foto: Eduardo Vessoni)
Peregrino segue até Santiago de Compostela, no trecho galego entre Lourenzá e Mondoñedo (foto: Eduardo Vessoni)

Uns com carros de apoio; outros sobre bicicletas; e muitos a pé, apoiados pela companhia do cajado e da mochila que leva o peso do mundo nas costas do peregrino, que vai deixando excessos para trás.

A mochila é uma espécie de cordão umbilical que conecta o caminhante com o exterior e as pessoas têm medo de perder o contato com o mundo. Por isso, é comum querer colocar de tudo na mala que vai nas costas, mas é ao longo do caminho que objetos desnecessários vão sendo largados, , conforme se avança no caminho.

“O mais difícil mesmo é voltar do caminho e tomar as decisões certas”, descreve María Ángeles.

Daqui pra frente tudo é estrada.

De terra ou de asfalto. Entre povoados medievais ou ao longo de rodovias. Em direção ao próximo destino ou para dentro de si mesmo.

O ‘Caminho do Norte’ até Santiago de Compostela cruza quatro comunidades autônomas espanholas (País Vasco, Cantábria, Astúrias e Galícia) e em cada uma delas, uma geografia que faz até a gente esquecer que está em um mesmo caminho.

No final, a gente não sabe se fez o caminho ou se foi o caminho que fez a gente. Como se lê em um dos trechos do Caminho de Santiago de Compostela, no trecho basco, “não é o que, é como”.

foto: Eduardo Vessoni
foto: Eduardo Vessoni

Confira as atrações em cada uma das comunidades do ‘Caminho Norte’:

PAÍS BASCO  PAÍS BASCO, Espanha, Europa

Endereço de cidades como Guernica e Bilbao, o País Basco conta com trechos em que se vê o mar Cantábrico de um lado e cadeias montanhas do outro. Essa etapa de 214 km de extensão é marcada por desfiladeiros, sobretudo na região da província de Guipuzcoa, e apresenta clima chuvoso e temperado.

Os verões são quentes e os invernos são muito frios, porém com menos chuva.

O cenário vai se modificando ao longo da travessia, indo da paisagem montanhosa do interior de Guipuzcoa até as terras planas, de Álava a província de La Rioja, conhecidas por seus vinhedos.

  • Irún e Hondarribia (foto), na fronteira com a França, são as primeiras cidades do Caminho Norte, uma caminhada de 815 km até Santiago de Compostela, no País Basco, na Espanha (foto: Eduardo Vessoni)
    Irún e Hondarribia (foto), na fronteira com a França, são as primeiras cidades do ‘Caminho Norte’, uma caminhada de 815 km até Santiago de Compostela, no País Basco, na Espanha (foto: Eduardo Vessoni)
  • O povoado portuário de Pasajes ('Pasaia', na língua euskera), na provincia de Guipúzcoa, no País Basco, é uma das atrações de quem faz o Caminho Norte até Santiago de Compostela, na Espanha (foto: Eduardo Vessoni)
    O povoado portuário de Pasajes (‘Pasaia’, na língua euskera), na provincia de Guipúzcoa, no País Basco, é uma das atrações de quem faz o ‘Caminho Norte’ até Santiago de Compostela, na Espanha (foto: Eduardo Vessoni)

  • A Baía de la Concha e a Isla Santa Clara (no centro) são algumas das atrações naturais do centro de San Sebastián, capital de Guipúscoa, uma das províncias do País Basco que são visitadas, durante caminhada até Santiago de Compostela (foto: Eduardo Vessoni)
    A Baía de la Concha e a Isla Santa Clara (no centro) são algumas das atrações naturais do centro de San Sebastián, capital de Guipúscoa, uma das províncias do País Basco que são visitadas, durante caminhada até Santiago de Compostela (foto: Eduardo Vessoni)

  • Peregrina, durante travessia do trecho Getaria – Zumaia, no País Basco, na Espanha (foto: Eduardo Vessoni)
    Peregrina, durante travessia do trecho Getaria – Zumaia, no País Basco, na Espanha (foto: Eduardo Vessoni)

  • O Flysch de Zumaia é uma atração geológica de 50 milhões de anos, localizada no trecho Getaria – Zumaia, no País Basco, na Espanha (foto: Eduardo Vessoni)
    O Flysch de Zumaia é uma atração geológica de 50 milhões de anos, localizada no trecho Getaria – Zumaia, no País Basco, na Espanha (foto: Eduardo Vessoni)

  • Seja qual for a proposta da sua caminhada até Santiago d Compostela, o museu Guggenheim, em Bilbao, é parada obrigatória, sobretudo nos finais de tardes dos dias de céu claro. Esse impressionante projeto arquitetônico de Frank Gehry possui 24 mil m² e é considerado um ícone da arquitetura vanguardista espanhola (foto: Eduardo Vessoni)
    Seja qual for a proposta da sua caminhada até Santiago de Compostela, o museu Guggenheim, em Bilbao, é parada obrigatória, sobretudo nos finais de tardes dos dias de céu claro. Esse impressionante projeto arquitetônico de Frank Gehry possui 24 mil m² e é considerado um ícone da arquitetura vanguardista espanhola (foto: Eduardo Vessoni)

  • Localizada na província de Vizcaya, também no País Basco, a pequena Guernica é um dos pontos de parada da etapa 5 do Caminho Norte, na Espanha. A cidade ficou conhecida, mundialmente, por ter servido de inspiração para o famoso painel de Pablo Picasso, pintado após o bombardeiro sobre a cidade, durante la Guerra Civil Espanhola, em 1937. Embora o original se encontre no Museo Reina Sofía, em Madri, a cidade conta com uma réplica feita sobre cerâmica (foto: Eduardo Vessoni)
    Localizada na província de Vizcaya, também no País Basco, a pequena Guernica é um dos pontos de parada da etapa 5 do ‘Caminho Norte’, na Espanha. A cidade ficou conhecida, mundialmente, por ter servido de inspiração para o famoso painel de Pablo Picasso, pintado após o bombardeiro sobre a cidade, durante a Guerra Civil Espanhola, em 1937. Embora o original se encontre no Museo Reina Sofía, em Madri, a cidade conta com uma réplica feita sobre cerâmica (foto: Eduardo Vessoni)

CANTÁBRIA Cantábria, Espanha, Europa

Diferente do sobe e desce da comunidade anterior, a caminhada pela Cantábria é sobre trreno mais plano, mais cômodo e com nova sinalização com flechas amarelas para peregrinos do Caminho Norte e vermelhas para quem vai pelo ‘Camino Lebaniego’, um desvio que une os caminhos do Norte e o Francês, entre San Vicente de la Barquera e o Monasterio de Santo Toribio, em Potes.

Essa variante do Caminho de Santiago possui 50 km de extensão, pela costa cantábrica até o interior dos Picos de Europa e de la Cordillera Cantábrica, e é declarada Patrimônio Mundial da Unesco.

Verões abafados e invernos com temperaturas baixas marcam o clima dessa região.

  • Vista da réplica da caverna de Altamira, atração que abriga arte rupestre, na Cantábria, uma das comunidades autônomas espanholas por onde passa o Caminho Norte. Nesse museu localizado em Santillana del Mar é possível cópias de desenhos ancestrais como signos abstratos, mãos, cavalos e bisontes (foto: Eduardo Vessoni)
    Vista da réplica da caverna de Altamira, atração que abriga arte rupestre, na Cantábria, uma das comunidades autônomas espanholas por onde passa o ‘Caminho Norte’. Nesse museu localizado em Santillana del Mar é possível ver cópias de desenhos ancestrais como signos abstratos, mãos, cavalos e bisontes (foto: Eduardo Vessoni)
  • Localizada na comunidade autônoma da Cantábria, a cenográfica Santillana del Mar é uma cidade medieval, cujo centro é declarado Monumento Nacional. Esta é uma das paradas dos peregrinos que seguem o Caminho Norte até Santiago de Compostela (foto: Eduardo Vessoni)
    Localizada na comunidade autônoma da Cantábria, a cenográfica Santillana del Mar é uma cidade medieval, cujo centro é declarado Monumento Nacional. Esta é uma das paradas dos peregrinos que seguem o ‘Caminho Norte’ até Santiago de Compostela (foto: Eduardo Vessoni)

  • O impressionante Parque Nacional Picos de Europa, que se estende da Cantábria até o Principado de Astúrias, é um dos destaques naturais do Caminho Lebaniego, rota que une o Caminho Norte e o Caminho Francês, ambos em direção a Santiago de Compostela (foto: Eduardo Vessoni)
    O impressionante Parque Nacional Picos de Europa, que se estende da Cantábria até o Principado de Astúrias, é um dos destaques naturais do ‘Caminho Lebaniego’, rota que une o ‘Caminho Norte’ e o ‘Caminho Francês’, ambos em direção a Santiago de Compostela (foto: Eduardo Vessoni)

  • Vista do Monasterio de Santo Toribio de Liébano, um dos destaques arquitetônicos do Caminho Lebaniego, em direção a Santiago de Compostela. Essa opção de caminhada, entre os caminhos Norte e Francês, é uma antiga rota de peregrinação do século 6 para venerar os restos mortais de Santo Toribio (foto: Eduardo Vessoni)
    Vista do Monasterio de Santo Toribio de Liébano, um dos destaques arquitetônicos do ‘Caminho Lebaniego’, em direção a Santiago de Compostela. Essa opção de caminhada, entre os caminhos Norte e Francês, é uma antiga rota de peregrinação do século 6 para venerar os restos mortais de Santo Toribio (foto: Eduardo Vessoni)

  • Vista do caminho entre Collado de Hoz e Cicera, destinos que fazem parte do Caminho Lebaniego, variante com 50 km de extensão que une os caminhos do Norte e o Francês, até Santiago de Compostela (foto: Eduardo Vessoni)
    Vista do caminho entre Collado de Hoz e Cicera, destinos que fazem parte do ‘Caminho Lebaniego’, variante com 50 km de extensão que une os caminhos do Norte e o Francês, até Santiago de Compostela (foto: Eduardo Vessoni)

ASTÚRIAS Astúrias, Espanha, Europa

Considerado a única do Caminho Norte a seguir pela costa, essa comunidade é marcada por seu terreno plano que permite caminhadas mais suaves.

Algumas etapas apresentam sinalização confusa (ou ausentes) como na praia de Vega e em alguns trechos dos 4,5 km, entre Arenal de Moris e la Isla.

  • Considerado a única do Caminho Norte a seguir pela costa, a comunidade de Astúrias abriga paisagens que refrescam o peregrino, ao longo dos 815 km até Santiago de Compostela, como o trecho Arenal de Moris a La Isla, uma caminhada curta de 4,5 km de extensão (foto: Eduardo Vessoni)
    Considerado a única do ‘Caminho Norte’ a seguir pela costa, a comunidade de Astúrias abriga paisagens que refrescam o peregrino, ao longo dos 815 km até Santiago de Compostela, como o trecho de Arenal de Moris a La Isla, uma caminhada curta de 4,5 km de extensão (foto: Eduardo Vessoni)

  • Considerado a única do Caminho Norte a seguir pela costa, a comunidade de Astúrias abriga paisagens que refrescam o peregrino, ao longo dos 815 km até Santiago de Compostela, como o trecho Arenal de Moris a La Isla, uma caminhada curta de 4,5 km de extensão (foto: Eduardo Vessoni)
    Considerado a única do ‘Caminho Norte’ a seguir pela costa, a comunidade de Astúrias abriga paisagens que refrescam o peregrino, ao longo dos 815 km até Santiago de Compostela, como o trecho Arenal de Moris a La Isla, uma caminhada curta de 4,5 km de extensão (foto: Eduardo Vessoni)

  • Capital das Astúrias, Oviedo é um dos destinos dos peregrinos que se seguem pelo norte da Espanha até Santiago de Compostela, na Galícia (foto: Eduardo Vessoni)
    Capital das Astúrias, Oviedo é um dos destinos dos peregrinos que se seguem pelo norte da Espanha até Santiago de Compostela, na Galícia (foto: Eduardo Vessoni)

GALÍCIA Galícia, Espanha, Europa

A última comunidade autônoma da caminhada é também a mais exigente, formada por pequenos montes e encostas rompepiernas.

Por outro lado a maior concentração de vegetação que garante mais sombra para os caminhantes e o clima mais ameno amenizam a rigidez da geografia galega.
O inverno na região é menos chuvoso.

  • Vista da Playa de las Catedrales, na província de Lugo. Esta é uma das paradas obrigatórias para quem vai a Santiago de Compostela, na Espanha (foto: Eduardo Vessoni)
    Vista da Playa de las Catedrales, na província de Lugo. Esta é uma das paradas obrigatórias para quem vai a Santiago de Compostela, na Espanha (foto: Eduardo Vessoni)
  • Erguido na primeria metade do século 12, o Sobrado dos Monxes é um dos cenários mais impressionantes do Caminho Norte, onde o peregrino faz a sua última parada antes de chegar a Santiago de Compostela (foto: Eduardo Vessoni)
    Erguido na primeira metade do século 12, o Sobrado dos Monxes é um dos cenários mais impressionantes do ‘Caminho Norte’, onde o peregrino faz a sua última parada antes de chegar a Santiago de Compostela (foto: Eduardo Vessoni)

  • Sapatos de peregrinos no Sobrado dos Monxes, na Galícia (foto: Eduardo Vessoni)
    Sapatos de peregrinos no Sobrado dos Monxes, na Galícia (foto: Eduardo Vessoni)

  • Vista de um dos quartos de peregrinos no Sobrado dos Monxes, na Galícia (foto: Eduardo Vessoni)
    Vista de um dos quartos de peregrinos no Sobrado dos Monxes, na Galícia (foto: Eduardo Vessoni)

  • Monasterio de San Salvador de Vilanova de Lourenzá, uma das atrações do Caminho Norte de Santiago de Compostela, entre Lourenzá e Mondoñedo (foto: Eduardo Vessoni)
    Monasterio de San Salvador de Vilanova de Lourenzá, uma das atrações do ‘Caminho Norte’ de Santiago de Compostela, entre Lourenzá e Mondoñedo (foto: Eduardo Vessoni)

  • Peregrino segue até Santiago de Compostela, no trecho galego entre Lourenzá e Mondoñedo (foto: Eduardo Vessoni)
    Peregrino segue até Santiago de Compostela, no trecho galego entre Lourenzá e Mondoñedo (foto: Eduardo Vessoni)

  • Santiago de Compostela, última etapa do 'Caminho Norte' (foto: Eduardo Vessoni)
    Santiago de Compostela, última etapa do ‘Caminho Norte’ (foto: Eduardo Vessoni)

  • Peregrino chega à Catedral de Santiago de Compostela, última etapa do 'Caminho Norte' (foto: Eduardo Vessoni)
    Peregrino chega à Catedral de Santiago de Compostela, última etapa do ‘Caminho Norte’ (foto: Eduardo Vessoni)

  • Detalhe do incensário da tradicional 'Missa dos Peregrino', na Catedral de Santiago de Compostela, última etapa do 'Caminho Norte', na Espanha (foto: Eduardo Vessoni)
    Detalhe do incensário da tradicional ‘Missa dos Peregrino’, na Catedral de Santiago de Compostela, última etapa do ‘Caminho Norte’, na Espanha (foto: Eduardo Vessoni)

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GUIA DE SOBREVIVÊNCIA

ONDE FICAR
Durante a viagem, há dois tipos de albergues: o turístico, que aceita caminhantes sem credencial e custam entre 15 e 20 euros; e o de peregrinos, voltado apenas para os que possuem a identificação e custa 5 euros (em alguns casos, pode ser gratuito, mediante doações). Sem fins lucrativos, essa segunda opção conta com estrutura mínima como quartos com até 30 camas, chuveiro quente e, em alguns endereços, cozinha de uso coletivo.

Vista de um dos quartos de peregrinos no Sobrado dos Monxes, na Galícia (foto: Eduardo Vessoni)
Vista de um dos quartos de peregrinos no Sobrado dos Monxes, na Galícia (foto: Eduardo Vessoni)

Com menos opções de hospedagem e mais chuvoso, o Caminho Norte exige reservas prévias, durante o inverno da Europa.

No popular Caminho Francês não é necessário reservar uma vaga no albergue, durante todo o ano.

REGRAS
Embora sejam locais informais e simples, os albergues de peregrinos contam com regras bem rígidas: são fechados após às 22h, não se pode passar mais de uma noite em cada um dos estabelecimentos, reservas não são aceitas, bem como animais de estimação, e a preferência é para quem chega a pé.

Ciclistas são bem-vindos, mas devem aguardar a chegada dos que viajam a pé ou com limitações físicas.

PREPARO FÍSICO
Recomenda-se preparo físico prévio, mas é raro ver um peregrino que o faça, antes de cada caminhada diária. Por isso, a sugestão é ir se aquecendo ao longo dos dias.

Para encarar sem traumas os 25 km diários sugeridos, o ideal é começar a travessia aos poucos e ir elevando o ritmo da caminhada, de acordo com o desempenho de cada um.

Como costumam dizer por ali, “caminhe como um velho e você chegará como um jovem”.

QUANTO TEMPO
Vale lembrar que o caminho é seu e que você deve fazê-lo dentro de seus limites.

No entanto, o Caminho Norte de Santiago de Compostela possui 32 trechos (ou 32 dias), o que significa que você deverá andar, em média, 24 km diários, podendo chegar a 41 km em um único dia, como no trecho Santander-Queveda.

QUANDO IR
Seja no clássico Caminho Francês ou no alternativo Caminho Norte, a alta temporada vai de maio a setembro.

Porém os verdadeiros peregrinos evitam os meses de julho e agosto, temporada de verão europeu que atrai os ‘turisgrinos’, como são chamados os turistas que caminham sem nenhuma intenção espiritual ou religiosa. Vão mesmo pela ‘febre do Caminho’.

De março a maio, é a vez dos autênticos peregrinos, os que cruzam aquelas centenas de quilômetros para se encontrarem consigo mesmos.

O QUE LEVAR
Embora conte com serviços de transfer de bagagens, entre uma cidade e outra, o Caminho de Santiago de Compostela é uma experiência para praticar o desapego.

Por isso, tenha em conta que o peso desnecessário que você colocar em sua mochila será o mesmo que você terá que carregar, por mais de 30 dias.

A mochila não deve pesar mais do que 10% do peso do caminhante, ou seja, se você pesa 70 kg, seu limite recomendado é de 7 kg.

Sapatos de peregrinos no Sobrado dos Monxes, na Galícia (foto: Eduardo Vessoni)
Sapatos de peregrinos no Sobrado dos Monxes, na Galícia (foto: Eduardo Vessoni)

Na mochila, procure colocar duas peças de cada roupa (2 camisetas de poliéster, 2 calças, 2 roupas íntimas, 2 pares de meia etc.). Inclua também um saco de dormir, dois bastões de caminhada, um kit de primeiros socorros (analgésico ou anti-inflamatório e curativos), produtos de higiene pessoal (mas sem exageros!), canivete multiuso e um cantil.

Leve um tênis ou chinelo extra para o final do dia, nos albergues, e use botas específicas para trekking, durante as caminhadas. Mas não deixe para ser surpreendido, durante a travessia. Amacie os calçados, antes de viajar.

QUANTO
De acordo com a calculadora de gastos do site Consumer, o gasto médio diário, em albergues para peregrinos, é de 7 euros, totalizando 245 euros, entre Irun e Santiago de Compostela.

Se considerarmos gastos ocasionais como uso de lavanderia, possíveis remédios ou visitas a atrações turísticas, o valor sobre 1050 euros, uma média de 23 euros por dia.

O ‘Caminho do Norte’ em números

foto: Wkimedia Commons
foto: Wkimedia Commons

– Do País Basco a Galícia são 815 km de caminhada até Santiago de Compostela;

– A média de custos totais é de 1.200 euros;

– A hospedagem ao longo do caminho, em albergues exclusivos para peregrinos, custa em média  7,1 euros;

– No Caminho do Norte, há um povoado equipado com albergue, a cada 14,2 km;

– Segundo a página oficial da Oficina de Acogida al Peregrino de Santiago de Compostela, 237.886 peregrinos realizaram o Caminho de Santiago de Compostela, em 2014. Desse total, 45,98% eram mulheres e 54,02%, homens;

– Mais da metade dos peregrinos (55,39%) tinham entre 30 e 60 anos (também, segundo estatísticas de 2014);

– Os países que mais exportam peregrinos até Santiago de Compostela são Itália (16,29%), Alemanha (13,15%), Portugal (9,38%), Estados Unidos (9,32%), França (7,52%), Irlanda (4,04%), Reino Unido (3,54%) e Coréia (3,09%);

– O site Consumer lista 13 diferentes caminhos até Santiago de Compostela, incluindo a extensão até Fisterra (Camino Francés, Camino Aragonés, Camino Primitivo, Camino Vasco, Camino del Norte, Vía de la Plata, Camino Sanabrés, Camino Portugués, Camino Catalán por San Juan de la Peña, Camino Baztanés, Camino Inglés, Camino de San Salvador, Epílogo a Fisterra e Muxía)

(*fonte: Consumer)


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28 Comentário

  1. Já fiz o Caminho Francês algumas vezes, mas eu queria muito fazer o do Norte. Pelo visto é muito bonito, e ainda frequentado por peregrinos, não turigrinos. Parabéns pelo artigo, deu vontade de estar no Caminho!

  2. Bom dia,

    Estou programando ir na segunda quinzena de junho e fazer o caminho norte pela costa e de bike. Alguém pode me dizer se é possível fazer de bike?

    • Vai sem mêdo Thomas Perlaky, fiz o ano passado com meus 66 anos e outra pessoa de 63 anos e outra de 30 anos de bike desde Comillas até Santiago de Compostela. 500 km 15 dias. O trajeto mais bonito é até Ribadeo porquê vai pela costa.Desde Arzua são retas infinitas e pode tranquilamente fazer 70 km – 80 km em um dia (se não chover)

  3. Amigos, fiz de bike o caminho francês, no final de abril e inicio de maio 2016, quase morri de frio!!! Pretendo fazer o caminho do norte no ano que vem, provavelmente em outubro. Gostaria de saber de vocês como é o clima nesta época?

    • Caminho do Norte é péssimo fazê-lo em outubro, novembro até março. Muito frio, muitos albergues fechados, muita chuva e neblina, frio, albergues não ou pouco aquecidos, etc ….

      • Marc, obrigado pela dica! Este ano fiz a Estrada Real (Diamantina a Paraty), mas estou programando para junho de 2018, em fazer de bike o Caminho do Norte e o Caminho Português, saindo de Irun até Lisboa.

        • Terminei em maio 2017 a pes o camino do notre que hava parado em Ribadeo. Além disto accrescentei o percurso Irun a Bilbao que sao uns 150 km. Foi un pouco mais difficil mais vale a peina em uma sema a.

  4. Fiz o Caminho do Norte em julho de 2014 e pude constatar como é imprescindível levar um bom guia uma capa de chuva um par de tênis que seca rápido É espetacular com paisagens fantásticas rompepiernas de tirar o fôlego e que nos faz renovar a fé de que tudo é possível e 900 km nada mais é do que um passo à mais é um passo à menos a Santiago

  5. Fiz o Caminho do Norte em 2013. As paisagens são fantásticas, mas ele não é tão bem sinalizado como o Caminho Francês. Tem-se que tomar cuidado. Cheguei a andar mais de dois kilômetros errado descendo montanha e tive que subi-la depois.

  6. Possivelmente irei realizar a caminhada pelo ” Camino del Norte”, inciando em IRUN no início de Setembro de 2016, pelo tenho visto via internet, as paisagens saõ deslumbrantes e a estrutura de albergue é excelente. Espero absorver a cultura e a religiosidade que paira nesses pueblos a cidades, para melhoria de minha mente e alma.

    • Fiz à pé de mochila de 11 kg o Caminho do Norte da Espanha em 2015 desde Bilbao até Ribadeo em 3 semanas. Faltam 170 km para concluir. E um caminho de paisagens maravilhosas.
      Fiz de bicicleta montain bike em maio deste ano 2016 o mesmo trecho so que cheguei em Santiago de Compostelas. Eramos um grupo de 3 pessoas.
      Estou programando para dia 14 de maio 2017 fazer o Caminho do Norte desde Irun / San Sebastian à pé durante 10 dias e completar os 170 km dede Ribadeo até santiago que não pude terminar em 2015.
      Se houver alguns(as) interessados(as) em me acompanhar programaremos com detalhes. Em todos os cvasos os preços dos albergues subiram e deve-se contar 10 à 15,00 Euros por noite em Albergues. Alguns tem que serem evitados como o de Santander preferindo uma pensão por 30,00 Euros à dividir com um companheiro.
      Finalizo dizendo que fiz o Caminho Português desde Porto duas vêzes em 2014. Este camino não é tão bonito como o do Norte da Espanha mais sotive um dia de chuva, justamente o ultimo de Padron até Santiago !

      • Olá Marc
        Comecei a me programar para fazer o Caminho do Norte em maio de 2017. Pretendo chegar em finisterre.
        São as três coisas que já estão decididas… rs

        • Bom dia Regina,
          Se necessitar documentos via e-mail de Bilbao até Santiago em relação à albergues, km, tem guias mais posso lhe envier por e-mail me forneçendo o seu e-mail. Estou atualmente preparando o Caminho do Norte de Irun até Bilbao.

        • Mensagem para Regina.
          Olà, Regina! esta mais do que confirmado a minha ida de Irun até Bilbao dia 9 de janeiro 2017. Minha saida de avião da Suiça dia 08 de maio estarei em IRUN.
          Mande noticias !

    • Olá Luiz CArlos,

      Concluí o caminho frances em Maio e pretendo realizar o Caminho do Norte em Set 17. Caso seja esta sua primeira caminhada, não tenhas dúvida, será enriquecedora. Quando voltares reporte sobre sua jornada 16. Buen Camino!

      • Boa tarde Mário, tudo bem?
        Meu nome é Luis Carlos, terminei o Caminho Francês recentemente e não vejo a hora de voltar Rs. Tenho lido a repeito do Caminho do Norte e me fascina a idéia de fazer ano que vem ou no máximo em 2018. Vc é de onde??

        abs

        • Não tenha duvida Luis Carlos. A caminhada é fascinante, esplêndida e este ano novamente em setembro fui de carro levar minha espôsa para ver o caminho que fiz à pé e de bicicleta VTT. Veja meus comentarios acima. Em setembro o mar é frio, não pude tomar banho e o tempo instavel. O melhor é inicio de junho até 05 de setembro.

    • Olá, irei fazer esse caminho by Bike de 27 Maio a 4 Junho, havemos de nos cruzar. Eu (obelix e o asterix), nos veremos e partilharemos um calice de vinho de porto que vamos destribuindo pelos “pé”regrinos que cruzamos.
      Bom camino !

      • Bom Camino Nuno Oliveira, se começar em Irun de Bike certamente me cruzarà pelo caminho à não ser algumas partes impraticaveis de bike; então sua opção serà pela carretera. 15 de maio começo em Irun.

        • Olá !

          Vamos começar em Irun sim, e as partes impraticaveis são o nosso verdadeiro desafio ! Somos (2) muito doidos, mas com sentido. Qd vir dois bicigrinos com a Bandeira Portuguesa, receba-nos, temos um vinho do Porto a distribuir por todos os que nos cruzamos. Vai dando noticias, não vejo a hora !!!

        • Bom dia,

          Estou programando ir na segunda quinzena de junho e fazer o caminho norte pela costa e de bike. Alguém pode me dizer se é possível fazer de bike?

      • Olà Nuno Oliveira,
        Aluguamos meu amigo, meu sobrinho e eu as bicis VTT na Bicigrino.com. Foi perfeito, entregaram nos no local aonde iniciamos a viagem e uns problemas de regulagem na mudança das marchas no meio do caminho; pagaramos os custos em uma bicicletaria em Gijon sem problema. So pegamos duas horas de chuva fina 80 km antes da chegada em Santiago em maio 2016.

  7. Possivelmente irei realizar a caminhada pelo ” Camino del Norte”, inciando em IRUN no início de Setembro de 2016, pelo tenho visto via internet, as paisagens saõ deslumbrantes e a estrutura de albergue é excelente. Espero absorver a cultura e a religiosidade que paira nesses pluebos a cidades para melhoria de minha mente e alma.

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