Mirantes de Fernando de Noronha mostram outras perspectivas da ilha

Naquelas terras isoladas do Atlântico tem mirante de todo tipo.

Bem estruturados sobre decks de madeira biossintética; rústicos e com acesso limitado apenas para os visitantes mais intrépidos; naturais com vistas únicas; e até no fundo do mar, cuja visibilidade pode chegar a 50 metros de profundidade.

Seja qual for sua disposição e seu estilo de viagem, os mirantes de Fernando de Noronha são uma espécie de porta de entrada para cenários com dimensões que nem sempre podem ser vistas no nível do mar.

Recentemente, o Viagem em Pauta desembarcou nesse arquipélago pernambucano, a 545 km de Recife, e listou os mirantes com as paisagens mais impressionantes desse que é um dos destinos mais cobiçados (e exclusivos) do litoral brasileiro.

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Confira a seleção:

MAR DE DENTRO

⇒ Mirante do Boldró
A vida por ali segue no mesmo ritmo.

A água bate sem pressa nas pedras que se exibem na maré baixa, as pegadas dos raros banhistas seguem marcadas na areia até que o mar volte a apagá-las de vez e os tons turquesas do mar vão assumindo outros matizes de acordo com as nuvens que escondem o sol.

Um ou dois visitantes alteram a paisagem, para logo sumirem na rocha seguinte, e a praia voltar a seu estado original. Deserta e exibida.

Mirante do Boldró (foto: Eduardo Vessoni)
Mirante do Boldró (foto: Eduardo Vessoni)

Isolado e sem nenhuma estrutura turística (e talvez esse seja o charme do atrativo), esse mirante é um dos endereços mais tranquilos para quem quer passar horas sem ver alguém, salvo um ou outro banhista lá embaixo.

Durante o período de maré alta, a praia é procurada por surfistas. Já a maré seca é um convite para caminhadas sobre pedras, nessa faixa de areia de longa extensão e com vistas para os morros do Pico, o ponto mais alto de Noronha (323 metros) e o Dois Irmãos, na Baia do Sancho.

⇒ Forte São Pedro do Boldró
Vizinho ao Mirante do Boldró, esse forte se popularizou com as apresentações de música ao vivo, durante o pôr do sol, em frente ao Dois Irmãos e com vistas para a praia do Americano.

Localizado no alto de uma falésia, essa construção faz parte do conjunto de fortificações, erguido no século 18, no noroeste da ilha.

Pôr do sol no Morro Dois Irmãos, visto do mirante do Forte São Pedro do Boldró (foto: Eduardo Vessoni)
Pôr do sol no Morro Dois Irmãos, visto do mirante do Forte São Pedro do Boldró (foto: Eduardo Vessoni)

Esta é a última parada do longo Ilha Tour, roteiro terrestre que dura 10 horas e passa pelos principais atrativos da ilha, como a Praia do Sancho, Morro Dois Irmãos e o Buraco da Raquel.

⇒ Mirante da Praia do Americano
Entre as faixas de areia do Boldró e do Bode, se localiza a minúscula e deserta Praia do Americano, cujo cenário pode ser visto sobre a pedra do Bode, um mirante natural sobre rochas que exigem atenção ao caminhar.

Mirante da Praia do Americano (foto: Eduardo Vessoni)
Mirante da Praia do Americano (foto: Eduardo Vessoni)

O banho em águas calmas desse setor de Noronha marcado pela privacidade é um dos destaques dessa antiga área usada pelos americanos do Posto de Observação de Teleguiados, na vizinha Praia do Boldró.

⇒ Mirante do Sancho e da Baía dos Porcos
As trilhas de acesso a esses dois ícones de Fernando de Noronha, feitas com madeira biossintética, são alguns dos investimentos feitos pela Econoronha, concessionária que assumiu a prestação de serviços de apoio à visitação pública, em 2012, no Parque Nacional Marinho Fernando de Noronha.

Mirante da Praia do Sancho (foto: Eduardo Vessoni)
Mirante da Praia do Sancho (foto: Eduardo Vessoni)

Com estrutura como sanitário, lanchonete e loja de souvenir, a trilha de 320 metros de extensão até a Praia do Sancho termina em um mirante de madeira sobre uma falésia, de onde se tem vista panorâmica da ‘praia mais bonita do mundo’, título dado pelos leitores do site TripAdvisor, por dois anos consecutivos.

Para descer até a praia é necessário encarar dois lances de escadas verticais, por uma fenda na rocha, ou tomar um dos passeios de barcos que fazem parada para banho na entrada da baía do Sancho.

Quem segue por mais 282 metros de caminhada chega a outro cenário impactante, a Baía dos Porcos, onde se localiza o clássico Morro Dois Irmãos.

Ao lado de Nova York e Orlando, o arquipélago de Fernando de Noronha ficou em 5º lugar na enquete, somando 9% de indicações, assim como as outras duas cidades estadunidenses. Noronha, dono de cenários paradisíacos, é o destino dos sonhos de muitos brasileiros e palco perfeito para diferentes tipos de viagens, agradando desde os casais apaixonados em busca de lua de mel romântica até os mais aventureiros que querem um contato mais intenso com a natureza (foto: Eduardo Vessoni)
Vista do Morro Dois Irmãos (foto: Eduardo Vessoni)

⇒ Mirante dos Golfinhos
No interior da enseada da Baía dos Golfinhos, é possível avistar os simpáticos golfinhos-rotador, espécie tropical conhecida por seus saltos fora d’água e pelas sete rotações em torno do próprio eixo.

Esta é a principal atração desse mirante, localizado no sudoeste da ilha, no Mar de Fora, cuja administração das atividades por ali fica por conta do Projeto ‘Golfinho Rotador’.

foto: Laís Iná/All Angle
foto: Laís Iná/All Angle

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⇒ Forte da Vila dos Remédios
A subida íngreme até o Forte de Nossa Senhora dos Remédios, no norte da ilha, é dura e exige disposição, mas do alto é possível ter vistas únicas das praias do Meio e da Conceição, com o Morro do Pico ao fundo.

Praias do Meio e da Conceição, vistas do Forte da Vila dos Remédios (foto: Eduardo Vessoni)
Praias do Meio e da Conceição, vistas do Forte da Vila dos Remédios (foto: Eduardo Vessoni)

Em ruínas, esse forte já funcionou como presídio e abrigo para soldados americanos, durante a Segunda Guerra Mundial.

De volta à Vila dos Remédios, o centro histórico de Noronha, faça o roteiro autoguiado que começa ao lado do casarão colonial do Palácio de São Miguel e siga por construções como a Aldeia dos Sentenciados, a igreja de Nossa Senhora dos Remédios e o Memorial Noronhense, um museu discreto com acervo com objetos, imagens e painéis com a cronologia dos acontecimentos históricos do arquipélago.

⇒ Mirante da Praia do Cachorro
Localizado no terraço do Bar do Cachorro, esse mirante sob a Fortaleza dos Remédios abriga uma bica de água doce e a piscina natural Buraco do Galego.

Bem próxima da Vila do Remédios, essa curta praia frequentada por moradores da ilha possui areias claras e águas calmas, durante a maré baixa do Mar de Dentro.

Praia do Cachorro, vista do terraço do Bar do Cachorro (foto: Eduardo Vessoni)
Praia do Cachorro, vista do terraço do Bar do Cachorro (foto: Eduardo Vessoni)

⇒ Ponta da Air France
A confusão de águas do Mar de Dentro e de Fora, que se encontram no extremo nordeste da ilha, é o destaque desse local com banho proibido.

Dessa região histórica, onde os franceses se instalaram para dar apoio à aviação, na década de 20, é possível avistar as Ilhas Secundárias, como a de São José que abriga o Forte de São José do Morro, a única fortificação fora da ilha principal.

MAR DE FORA

⇒ Buraco da Raquel
Localizado próximo ao Museu do Tubarão e ao Porto de Santo Antonio, esse setor abriga uma área de vida marinha protegida, entre a pedra beira-mar com uma fenda interior rodeada de piscinas naturais.

Com olhos voltados para a África, no Mar de Fora, essa atração com entrada proibida, porém contemplada do alto de um mirante, recebe esse nome por conta da história da moça com problemas mentais, filha de comandante militar, que se refugiava ali durante suas crises.

⇒ Mirante das Caracas

Mirante das Caracas (foto: Eduardo Vessoni)
Mirante das Caracas (foto: Eduardo Vessoni)

Localizado na Ponta das Caracas, entre a Baía de Sueste e a Praia do Leão, esse ponto de observação tem vista para uma das áreas mais selvagens e isoladas da ilha, cujas praias de pedras e piscinas naturais têm acesso proibido.

As noites costumam render imagens impressionantes do céu estrelado, nesse mirante que fica entre a Praia do Leão e a Baía do Sueste.

⇒ Mirante do Leão
Conhecida como ponto de desova de tartarugas, cujo período reprodutivo vai de dezembro a junho, quando o Tamar organiza atividades com turistas, a Praia do Leão abriga o imenso rochedo que emerge do mar e dá nome ao local, em referência à silhueta de um leão-marinho.

Ao lado, é possível avistar também o Morro da Viuvinha, endereço de ninhos das aves marinhas de Fernando de Noronha.

Praia do Leão (foto: Eduardo Vessoni)
Praia do Leão (foto: Eduardo Vessoni)

Sem estrutura alguma e com raros visitantes, essa faixa de areia de tons amarelados, no sudoeste da ilha, fica ainda mais impactante quando vista do alto do mirante rústico local.

Essa praia de longa extensão abriga também piscinas naturais entre pedras e esguichos d’água.

⇒ Mirante da Baía do Sueste
O mar de águas calmas e ondas suaves marcam essa baía, no sudeste da ilha, onde se localizam também as ruínas do Forte de São Joaquim do Sueste.

A atração principal é o mergulho com snorkel em uma trilha submarina que pode ser explorada com o acompanhamento de guias contratados no PIC do Sueste, como é conhecido o Posto de Informação e Controle do Parque Nacional.

Mirante da Baía do Sueste (foto: Eduardo Vessoni)
Mirante da Baía do Sueste (foto: Eduardo Vessoni)

Mas os mais aventureiros em busca de cenários isolados encaram a trilha curta até esse mirante situado no lado esquerdo da península que abriga a Ponta das Caracas e com vista para a costa sul da Baía do Sueste.

Dali é possível avistar a sequência de montanhas rochosas como os Morro da Atalaia, do Medeira e as ilhas dos Ovos, Chapéu de Sueste e Cabeluda.

Por conta do sol forte, sobre área desprotegida, recomenda-se ir de carro ou de bicicleta, e com utensílios como chapéu e protetor solar.

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⇒ Pedreira do Sueste
Localizada no Morro Boa Vista, no final da Trilha dos Abreus, essa pedreira abandonada abriga uma escavação de cerca de 100 metros de diâmetro, cujo interior deu lugar a uma lagoa, uma espécie de microclima paralelo àquelas paisagens áridas desse arquipélago de origem vulcânica.

Nos anos 40, o local serviu de retirada de matéria-prima para a construção do porto de Noronha.

Pedreira do Sueste (foto: Eduardo Vessoni)
Pedreira do Sueste (foto: Eduardo Vessoni)

A Trilha dos Abreus é uma caminhada de 1.200 metros, recortados por cenários selvagens como mirantes rústicos e piscinas naturais com acesso por cordas, a partir do topo de um penhasco que leva àquelas formações naturais alimentadas pela força das águas do Mar de Fora.

Para realizar esse trekking com baixo grau de dificuldade é necessário consultar a tábua de maré e realizar reserva prévia no ICMBIO.

⇒ Em águas profundas
Mesmo com todas essas opções de mirantes, o melhor cenário que se tem à disposição fica no fundo do mar.

Fernando de Noronha é um arquipélago oceânico que emerge do fundo do Atlântico, cujas distâncias do litoral e ausência de águas de rios e sedimentos garantem ao destino uma das melhores visibilidades do litoral brasileiro, podendo chegar a 50 metros de profundidade.

'Passo de gigante' é uma das técnicas que se aprende, antes de começar a mergulhar (foto: Tati Vasconcelos/All Angle)
foto: Tati Vasconcelos/All Angle

Com condições excepcionais de mergulho, número reduzido de alunos e vida marinha que não se encontra em nenhum outro lugar, o mergulho em Noronha é uma das experiências obrigatórias para quem desembarca nesse arquipélago de origem vulcânica.

Para reduzir os gastos (elevados naquelas terras isoladas, diga-se de passagem) procure contratar mais de uma saída de mergulho em uma mesma agência. A Atlantis Divers, por exemplo, cobra R$ 420 para o batismo simples e R$ 520 para o batismo duplo, incluindo traslado em barco até os pontos de mergulho nas Ilhas Secundárias, um instrutor por mergulhador, empréstimo de equipamentos e snacks a bordo.

Clique na imagem para ampliar o mapa de Fernando de Noronha

fonte: www.ilhadenoronha.com.br
fonte: www.ilhadenoronha.com.br

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SAIBA MAIS
Site oficial de Fernando de Noronha
www.noronha.pe.gov.br

Parque Nacional Marinho Fernando de Noronha
www.parnanoronha.com.br

Atlantis Divers
www.atlantisdivers.com.br

1 Comentário

  1. O arquipélago de Fernando Noronha é o último reduto da Ecologia. Se aumentar muito o número de habitantes e de navios visitantes, aquelas águas límpidas ficarão poluídas tanto quanto as da Baía de Guanabara.

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