Veleiro em Paraty pode ser mais econômico do que diária de pousada

foto: Mari Peccicacco/Divulgação
foto: Mari Peccicacco/Divulgação

Foi-se o tempo em que viajar em um veleiro era uma invejada experiência exclusiva de endinheirados e celebridades que se refugiam em trechos isolados de mar.

Subir em uma daquelas embarcações movidas por velas, que singram águas de acordo com os ventos, vai ficando mais perto da realidade de viajantes com orçamento realista.

E o melhor da notícia é que nem precisa dominar o vocabulário marítimo de palavras que não fazem sentido para quem não domina as técnicas da navegação à vela, como velame, cordoalha e quilha. Junto com a tripulação de primeira viagem sempre vai um skipper, como são chamados os capitães de pequenas embarcações ou, em outras palavras, “o homem do leme”.

Com preços semelhantes ao de uma diária de pousada, é possível alugar um veleiro para navegar pelas praias e baías de Paraty e Ilha Grande, com acessos exclusivos pelo mar.

Cansou de suspirar diante de prainhas quase particulares do Saco do Mamanguá ou de mergulhar sobre paredões rochosos que tocam o fundo do mar? Pois deixe que o capitão volte a acionar os motores do veleiro para seguir até o próximo pedaço de mar quase exclusivo para os embarcados.

foto: Wind Charter/Divuçgação
foto: Wind Charter/Divuçgação

Já dá até para começar a pensar na ideia de ter um veleiro para chamar de seu (ainda que seja, temporariamente). “Para valer a pena ter um barco próprio atracado em uma marina, é preciso usá-lo ao menos duas vezes por mês”, explica o skipper Paulo Rodrigo Moreira da empresa Wind Charter, que atua na região desde 2013.

Recentemente, o Viagem em Pauta embarcou no Wind 34, um veleiro de 34 pés com capacidade para seis pessoas (mais o capitão), equipado com cozinha, banheiro com chuveiro, dois camarotes e um salão que pode servir também como quarto para mais um casal.

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O roteiro
A viagem começa na Marina do Engenho, a oito quilômetros do centro de Paraty, administrado pelo navegador Amyr Klink. É ali naquele píer flutuante que resiste o Engenho Boa Vista, uma construção do século 18 que viu nascer Julia Bruhns da Silva, mãe de Thomas Mann, escritor alemão que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, em 1929.

Vista da Marina do Engenho, em Paraty (foto: Eduardo Vessoni)
Vista da Marina do Engenho, em Paraty (foto: Eduardo Vessoni)

E enquanto o casario desse destino histórico, a quase 300 km da capital paulista, vai ficando para trás, o veleiro segue rumo a baías de águas calmas, ilhas e ilhotas (ou a qualquer outro lugar que você combinar, previamente, com o capitão).

Para ter uma ideia, a Baía de Paraty abriga 65 ilhas e algumas centenas de faixas de areia escondidas entre rochas e trechos de Mata Atlântica. Só na Ilha Grande, outro destino possível, localizado na Baía de Ilha Grande, são mais de cem faixas de areia, em 12 enseadas.

Tem praia para família, para aventureiros e até algumas mais tímidas que se exibem e se escondem, de acordo com a maré.

O primeiro cenário por onde cruzamos a bordo, ainda em águas calmas da Baía de Paraty, é a Ilha da Bexiga, um minúsculo pedaço de terra de 0,14 km² que pertence à família do navegador Amyr Klink e abriga uma praia de apenas 30 metros de extensão. Curiosamente, o nome dessa ilha tem origem na época em que o local servia de quarentena para as vítimas da epidemia de varíola, conhecida, popularmente, como bexiga.

Praia da Lula (foto: Eduardo Vessoni)
Praia da Lula (foto: Eduardo Vessoni)

A 4 km de Paraty, a Praia da Lula é a parada seguinte, onde uma faixa de areia com 85 metros se encontra com as águas calmas e transparentes dessa praia sem nenhuma infraestrutura turística e com acesso exclusivo pelo mar. Por ali, são grandes as chances de você e o veleiro serem os únicos nesse pedaço de terra com coqueiros e áreas para snorkel.

Lagoa Azul, em Paraty (foto: Eduardo Vessoni)
Lagoa Azul, em Paraty (foto: Eduardo Vessoni)

Durante o dia, outra parada obrigatória é na Lagoa Azul (que, por motivos que fogem à nossa compreensão, é verde), na Enseada do Saco da Velha, entre a Ilha do Algodão e o continente. Mais do que mergulhos em águas, exageradamente, calmas, dá até para almoçar por ali mesmo, no tradicional Restaurante Paixão do Vivinho, conhecido por pratos como moqueca de peixe e mariscos fresquinhos, pegos na hora.

Saco do Mamanguá
Se a experiência a bordo de um veleiro segue em clima de celebridade (só não vale dançar na proa com uma taça de espumante na mão, ao som de música de gosto duvidoso), é no Saco do Mamanguá que o veleiro faz sua próxima parada, na margem esquerda, próximo ao casarão que serviu de cenário para as cenas da lua de mel dos vampiros do filme ‘Amanhecer’, da saga Crepúsculo.

Considerado o único fiorde do Brasil, o Mamanguá é um canal que se estende por 8 km até terminar em uma área de mangue, cujas margens veem crescer uma sequência (polêmica, diga-se de passagem) de construções luxuosas que se escondem na Mata Atlântica.

Vista do Saco do Mamanguá_(foto: Enterprise Paraty/Divulgação)
Vista do Saco do Mamanguá (foto: Atlantis Divers/Divulgação)

E, assim como nos outros destinos da viagem, esse cenográfico braço de mar só pode ser acessado de barco ou por longas trilhas que partem da Praia do Cruzeiro, em direção ao Pão de Açúcar, a versão local em miniatura do cartão-postal da capital do Rio de Janeiro. Esse pico rochoso de 438 metros de altitude e com formato que lembra seios teria sido inspiração para o nome da região.

De águas protegidas e mornas, por onde passam robalos, tainhas e golfinhos, o Saco do Mamanguá abriga 30 discretas praias que, de acordo com a maré, se escondem, tímidas, até a próxima Lua e abrigam os raros forasteiros que se hospedam em casarões pé na areia que têm o mar como quintal.

Casarão no Saco do Mamanguá que serviu de cenário para as cenas da lua de mel dos vampiros do filme ‘Amanhecer’, da saga Crepúsculo.
Casarão no Saco do Mamanguá que serviu de cenário para as cenas da lua de mel dos vampiros do filme ‘Amanhecer’, da saga Crepúsculo (foto: Eduardo Vessoni)

Seja qual for o seu roteiro (afinal de contas as possibilidades de navegações naquelas águas parecem infinitas), não deixe de incluir um pernoite na ilha da Cotia, um dos melhores pontos de ancoragem da região de Paraty, na Enseada de Parati Mirim.

É ali que costumam ancorar os barcos que passeiam pela região, uma área pouco frequentada por turistas, cujas praias minúsculas e de piscinas naturais são acessadas por trilhas inocentes que conectam as duas faixas de areia dos lados de dentro e de fora da ilha.

Aquelas águas claras e calmas, protegidas pelo continente e pela Ilha do Algodão, fazem barcos parecerem casas móveis sobre o mar, cujos finais de tarde em dias claros costumam paralisar até capitães experientes.

Da Antártica para Paraty
Com um currículo que inclui mais de dez viagens à Antártica, o famoso Paraty II, do navegador Amyr Klink, também está disponível para charter, na Baía de Paraty.

Paraty II (foto: Divulgação)
Paraty II (foto: Divulgação)

Com 30 metros de comprimento e capacidade para 16 pessoas, esse veleiro pode ser alugado nos finais de semana e oferece três tripulantes a bordo e sistema de alimentação all inclusive.

As viagens acontecem na Baía da Ilha Grande, cujas águas agitadas do Mar de Dentro, onde ficam as paradisíacas praias de Lopes Mendes e Aventureiro, são amenizadas pela tecnologia marítima desse veleiro concebido para navegar sob qualquer condição climática, inclusive em tempestades fortes.

Como é viajar em um veleiro
− Esses barcos são como casas flutuantes e têm um serviço que funcionam como hotéis, com check-in ao meio-dia e saída no mesmo horário, no dia seguinte.

− As embarcações são equipadas com roupa de cama e banho, e todo material de cozinha necessário para se viver a bordo, como geladeira, fogão, panelas e pratos. A configuração interna varia de acordo com as dimensões de cada veleiro, mas todos contam com cozinha, banheiro com chuveiro, camarotes privativos e um salão que pode servir também como quarto para mais um casal.

imagem: Wind Charter/Divulgação
imagem: Wind Charter/Divulgação

− As rotas de navegação são estabelecidas, entre o capitão do barco e os clientes, e devem ser bem planejadas, de modo que haja tempo suficiente para estar de volta à marina, no horário do check-out.

− Para dar mais privacidade aos clientes, o skipper pode desembarcar no final da jornada diária e retornar no dia seguinte para seguir comandando a viagem.

− Uma das novidades da região de Paraty, inédito no Brasil, é o cruzeiro em flotilha, em que é possível alugar vários barcos para fazer uma viagem em conjunto, inclusive com a opção de velejar fora da região de Parati, em direção a outros estados.

SAIBA MAIS
Wind Charter
Atualmente, a empresa conta com uma frota de dez barcos, com capacidade para até oito pessoas e dimensões que vão de 34 a 50 pés.

A diária de um veleiro custa a partir de R$ 1.000*, valor total para seis pessoas no veleiro Wind 34, e pode chegar a R$ 700, na baixa temporada, segundo informou o proprietário da empresa.

Rod. Rio-Santos, km 576 (Marina do Engenho)
Tel.: (51) 8114-9154 / (24) 2404-0020
www.windcharter.com.br

COMO CHEGAR
Localizada a pouco menos de 300 km de São Paulo, Paraty conta com seis saídas de ônibus do Terminal do Tietê, operadas pela Reunidas Paulista. Não se iluda com o tempo de viagem divulgada no site da empresa (5h40), pois a viagem nunca é realizada em menos de 7 horas de estrada, incluídas as duas longas paradas de 30 minutos.

Essa é a melhor opção para chegar até o destino, uma vez que carros não entram em Ilha Grande e você estará embarcado todo o mundo.

De carro, utilize a Dutra até São José dos Campos, de onde se segue pela Rodovia Tamoios até Caraguatatuba, já no litoral norte de São Paulo. Esse é o acesso também para destinos como Ubatuba e Angra dos Reis.

* os valores foram cotados em dezembro de 2015 e não incluem gastos extras com diária de skipper (R$ 350) e o combustível que deve ser completado, na devolução do barco

* O Viagem em Pauta velejou a convite da Wind Charter

 

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