Belém, capital do Pará, comemora 400 anos com o melhor do turismo amazônico

É só propor o tema Amazônia em qualquer discussão sobre viagens para uma sequência de imagens estereotipadas virem à tona (eu mesmo já presenciei estrangeiros fazendo descrições alucinadas sobre a floresta amazônica que nem Júlio Verne ou outro mestre da literatura de aventura) teriam imaginado.

Mas a capital do Pará, que comemorou seus 400 anos no último dia 12 de janeiro, frustra todas as expectativas de reforçar velhas imagens sobre aquelas terras  do Norte do Brasil.

Gastronomia de autor que reúne regionalismo e cozinha internacional sem afetação; pequenos museus de acervo discreto e cenografia caprichada; rituais religiosos que conseguem unir todas as crenças; passeios fluviais sinceros que pouco se parecem às versões engana-turistas de outros destinos brasileiros da Amazônia, em que indígenas se fantasiam de índios para delírio da gringaiada; e uma floresta amazônica que fica bem ali na porta de casa.

Belém é, de longe, a versão melhor estruturada da Amazônia turística, onde os serviços funcionam e os preços não são abusivos (quem já pagou, e muito, por um buffet sofrível na hora do almoço, em Manaus, sabe do que estou falando).

Para comemorar o aniversário da quatrocentona amazônica e ajudar viajantes que desembarcam por ali, em 2016, o Viagem em Pauta fez uma seleção das atrações imperdíveis de Belém. No roteiro tem museus e centros culturais, viagens fluviais por ilhas e igarapés, e gastronomia inusitada que dá as costas para a globalização da cozinha brasileira.

VEJA TAMBÉM: “1ª vez na Amazônia: Belém ou Manaus?”

PASSEIOS DE BARCO

Entrecortada por rios, igarapés e canais, a capital do Pará abriga ilhas habitadas por ribeirinhos e que correspondem a dois terços de todo o território de Belém.

Com saída, às 17h30, da Estação das Docas, o passeio Orla ao Entardecer passa pelo pela Baía do Guajará e pelo Rio Guamá, de onde se tem vista exclusiva de Belém como o Mercado Ver-o-Peso, Estação das Docas, Forte do Castelo e o centro histórico.

Orla ao Entardecer, no Rio Guamá, em Belém (foto: Eduardo Vessoni)
Orla ao Entardecer, no Rio Guamá, em Belém (foto: Eduardo Vessoni)

A vinte minutos de Belém, a Ilha dos Papagaios é habitat dessas aves (e de menos de 40 pessoas), que podem ser vistas pela manhã bem cedo, quando acontece a emocionante revoada desses pássaros, que dura meia hora, aproximadamente. A viagem inclui também passagem pelos igarapés locais.

Já o Furos & Igarapés passa pela ilha do Combu e avança por furos e igarapés da região, antes de atracar para que os viajantes possam realizar trilhas em comunidades localizadas no interior da floresta amazônica.

Passeio Furos & Igarapés, em Belém (foto: Eduardo Vessoni)
Passeio Furos & Igarapés, em Belém (foto: Eduardo Vessoni)

Quem procura algo ainda mais rústico conta com a Ilha de Cotijuba, a 45 minutos de barco de Belém e uma das poucas com praia, próximo à capital do Pará. O destino, banhado pela Baía do Marajó, abriga faixas de areia ainda pouco exploradas, ao longo de seus 15 km de litoral.

Mas o melhor de Belém fica em frente a cidade, a 15 minutos de barco. Combu é uma das 39 ilhas catalogadas de Belém e é conhecida pela produção de cacau, matéria-prima na produção do chocolate artesanal que colocou o destino na rota dos chefs de cozinha brasileiros como Alex Atala e Thiago Castanho.

Ilha do Combu, em Belém (foto: Eduardo Vessoni)
Ilha do Combu, em Belém (foto: Eduardo Vessoni)

Essa Área de Proteção Ambiental tem 15 km² e fica a 1,5 km ao sul de Belém, cujo solo de várzea garante a qualidade do cacau produzido por 50% da população local. Destaque para a visita e produção de chocolate encabeçada pelos próprios turistas, na casa da Dona Nena; e o obrigatório Saldosa Maloca, restaurante que serve pratos como a pescada amarela com molho de tucupi e jambu, no quintal que abriga uma samaumeira de 400 anos, na margem esquerda do Rio Guamá.

Os passeios fluviais de Belém são comercializados por agências como Amazon Star Turismo, Boeing Turismo e Valeverde Turismo.

CULTURA

O centro histórico de Belém, o setor mais antigo da cidade, abriga o Complexo Turístico Feliz Lusitânia, quarteirão onde funcionam atrações como o museu de arte da Casa das 11 Janelas; o Forte do Presépio, que marca a fundação da capital do Pará; e a Catedral Metropolitana de Belém, início da procissão do Círio de Nazaré e conhecida por seus altares de mármore.

Outros clássicos são a Estação das Docas, um complexo de bares e restaurantes que funciona em antigos armazéns de ferro inglês, em uma área de 32 mil m², em pleno porto de Belém; e o Ver-o-Peso, mercado em funcionamento desde 1627. Tombado pelo IPHAN, o local possui boxes e barracas que comercializam carnes, em meio a estruturas de ferro, peixes frescos, além de ervas e frutas amazônicas.

Estação das Docas, uma das atrações mais visitadas da capital do Pará (foto: Eduardo Vessoni)
Estação das Docas, uma das atrações mais visitadas da capital do Pará (foto: Eduardo Vessoni)

Localizado nas antigas dependências do Presídio São José, desativado em 1998, o Espaço São José Liberto é um dos pontos turísticos mais visitados de Belém e abriga o Museu de Gemas, com acervo de, aproximadamente, quatro mil peças de trabalhos feitos pelos índios tapajônicos e marajoaras, além de um centro com mostras do trabalho artesanal feito em 12 regiões do Pará, como patchouli, sementes e palmeira de miriti.

Considerado um dos espaços culturais do ciclo dos teatros monumentais do século 19 e o maior teatro do Norte do Brasil, o Theatro da Paz foi inaugurado em 1878, cujo estilo neoclássico foi inspirado no Scalla, em Milão. O local foi erguido, em pleno Ciclo da Borracha, como opção de sala de concertos à altura das encontradas na Europa.

Não deixe de participar de um dos tours guiados que acontecem, de 3ª a domingo, no interior do teatro.

Vista aérea do Mangal das Garças, em Belém (foto: Eduardo Vessoni)
Vista aérea do Mangal das Garças, em Belém (foto: Eduardo Vessoni)

Com borboletário e área ao ar livre para mostras da flora amazônica e 55 espécies de aves como garças, marrecos e até flamingos africanos e chilenos, o Mangal das Garças possui 40 mil m² e fica no bairro Cidade Velha. Destaque para a torre de 47 metros de altura com vista panorâmica da cidade e do rio Guamá. Nos finais de semana, esse parque conta também com visitas guiadas com uma hora de duração.

CÍRIO DE NAZARÉ

Mesmo fora do período do Círio de Nazaré, a lotada romaria que acompanha a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, no segundo domingo de outubro, a capital presta homenagem à padroeira do Pará em espaços dedicados ao Círio, declarado Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial, pelo Iphan.

Vista do interior do museu Memória de Nazaré, em Belém, capital do Pará (foto: Círio de Nazaré/Divulgação)
Vista do interior do museu Memória de Nazaré, em Belém, capital do Pará (foto: Círio de Nazaré/Divulgação)

O discreto museu Memória de Nazaré, em frente a Basílica de Nazaré, tem acervo dedicado a essa romaria que acontece desde 1793. O local expõe cartazes de edições anteriores, mantos originais usados sobre a imagem peregrina, fotografias e exemplares de pedidos dos romeiros.

Basílica Santuário de Nazaré, em Belém (foto: Eduardo Vessoni)
Basílica Santuário de Nazaré, em Belém (foto: Eduardo Vessoni)

A Basílica Santuário de Nazaré é outro endereço dedicado à Rainha da Amazônia, cuja estrutura inspirada na Basílica São Paulo, em Roma, guarda a imagem original de Nazaré, encontrada, no século 18, por Plácido José de Souza, às margens do igarapé Murutucú, no mesmo local onde foi erguida a atual Basílica da cidade.

LEIA TAMBÉM: “Museu de Belém, no Pará, tem acervo dedicado ao Círio de Nazaré”

GASTRONOMIA

A gastronomia da capital do Pará se exibe com uma originalidade e criatividade que têm feito chefs de cozinha voltarem a atenção para o Norte do Brasil. É do quintal de casa que saem ingredientes típicos que são usados em pratos inusitadas como ravioli de cupuaçu e maniçoba, nhoque de pupunha, risoto de jambu e tomilho, e até sorvetes de bacuri e taperebá.

Amantes do açaí, símbolo da região, se encontram no Mercado Ver-o-Peso ou no Point do Açaí, onde a iguaria é servida com porções de peixe frito.

Prato do 'Lá em Casa', restaurante localizado na Estação das Docas, em Belém (foto: Eduardo Vessoni)
Prato do ‘Lá em Casa’, restaurante localizado na Estação das Docas, em Belém (foto: Eduardo Vessoni)

Para variar (e muito) no cardápio amazônico, não deixe de conhecer o menu degustação do Lá em Casa, famoso pelo corridinho de peixe, uma sequência de pratos para quem quer provar um pouco de cada um dos pratos, como pirarucu, picadinho de tambaqui, filhote no tucupi, pescada amarela e gurijuba defumada.

Mais formal, o Manjar das Garças, restaurante localizado no Mangal das Garças, conta com um jantar de 8 tempos, elaborado a partir de uma breve conversa com o chef mineiro Allan Renato, há 12 anos no Pará.

Ravioli de maniçoba do restaurante Famiglia Sicilia, em Belém (foto: Divulgação)
Ravioli de maniçoba do restaurante Famiglia Sicilia, em Belém (foto: Divulgação)

Para os saudosos das massas, o Famiglia Sicilia faz uma introdução à cozinha do Pará com pratos como raviolis de maniçoba e de cupuaçu, risoto com jambú e tucupi, e petit gateau com doce de cupuaçu e chocolate amazônico, acompanhado de sorvete de tapioca.

Leia descrição completa dos estabelecimentos no post: “Gastronomia de Belém é experiência inusitada da Amazônia”

SAIBA MAIS
Site do turismo do Pará
www.paraturismo.pa.gov.br

1 Comentário

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