5 experiências únicas que só a Antártica oferece para viajantes aventureiros

A Antártica é o continente mais frio do mundo, tem clima instável que pode mudar em questões de minutos, recebe raros forasteiros com ventos de velocidade extrema e é um dos últimos destinos intocados da Terra.

Ainda assim tem gente que sonha em colocar os pés naquelas terras isoladas de 14 milhões de km², muito deles com condições desfavoráveis para qualquer tipo de vida. Só para se ter uma ideia, a base russa Vostok na Antártica já chegou a registrar -89,3º, durante o inverno antártico.

Vista da Almirante Brown, base científica argentina, em Paradise Harbour, na Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
Vista da Almirante Brown, base científica argentina, em Paradise Harbour, na Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

O destino mais popular naquelas terras inóspitas, a mil km da Terra do Fogo, é a Península Antártica, a região mais ao norte do Continente Branco e com melhores condições climatológicas que atraem também a vida animal, como pinguins que cruzam, alheios, o caminho dos viajantes; focas em imensas placas de gelo que observam visitantes com ares de desprezo; e baleias que se exibem bem diante do barco.

A viagem é longa e exige paciência para cruzar o mal-humor constante da Passagem de Drake, mas, uma vez em terras antárticas, é possível ver animais aos montes (e a pouca distância), entrar em um vulcão ativo e congelado, mergulhar em águas frias e até acampar do lado de fora.

Confira as 5 experiências únicas na Antártica:

5. ACAMPAR
Montar a barraca do lado de fora, em plena Antártica, entra, definitivamente, para a lista das experiências mais marcantes da vida. E o que seria uma imensa plataforma branca, em Paradise Harbour, na Península Antártica, vai se pintando de iglus coloridos aos pés de montanhas geladas.

foto: Eduardo Vessoni
foto: Eduardo Vessoni

A experiência pode ser vivida em barracas ou em (pasmem) buracos cavados no gelo pelos próprios visitantes, onde são colocados seus sacos de dormir.

Para a primeira opção, um kit é entregue com barraca e bolsas impermeáveis de dormir. Já para os mais intrépidos, basta muita disposição e coragem para acampar naquelas terras geladas com luz natural por quase 24 horas, durante o verão antártico, e onde o único som que se ouvirá será o da ruidosa colônia de pinguins, bem ao lado.

Camping ma Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
Camping ma Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

Voltada para todos os estilos de viajantes, a experiência tem um número limitado de 30 pessoas por noite. E para a viagem ter uma dose ainda maior de expedição digna de documentário, não é possível desembarcar com fogões, nem comida, de acordo com a regulamentação internacional.

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4. ENTRAR EM UM VULCÃO CONGELADO
O arquipélago de Shetland do Sul, ao noroeste da península Antártica, abriga a Deception Island, ilha com entrada por um estreito portal natural de 150 metros.

O local é o ponto mais elevado da cratera desse vulcão em forma de anel e 15 km de diâmetro, aproximadamente.

Desembarque no Interior do vulcão da Deception Island, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
Desembarque no Interior do vulcão da Deception Island, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

Adormecido desde 1970, quando a última erupção abriu novas fissuras, o vulcão é considerado uma das únicas oportunidades em todo o planeta de navegar no interior de uma caldeira de um vulcão ativo, onde os visitantes podem desembarcar e fazer pequenas caminhadas sobre o gelo firme.

Interior do vulcão na Deception Island, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
Interior do vulcão na Deception Island, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

3. VER PINGUINS (AOS MONTES)
O processo de desembarque em território antártico é complexo e exige procedimentos obrigatórios como aspirar, ainda dentro do barco, todas as roupas e utensílios que serão levados para fora, utilizar botas especiais lavadas com solução desinfetante e aguardar as instruções e autorização para desembarque.

Mas é só pisar sobre aquele gelo intocado para cada (rígido) procedimento valer a pena.

Desembarque em Jougla Point, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
Desembarque em Jougla Point, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

Por onde se olhe, centenas de pinguins serão a imagem mais vista na Antártica, como o Jougla Point, área que abriga os pinguins-gentoo com seus inconfundíveis bicos alaranjados, e o vizinho Port Lockroy, em Goudier Island, antiga base militar e baleeira que também abriga os simpáticos anfitriões de andar desengonçado.

Desativado em 1962, o local é declarado monumento pelo Tratado Antártico e é ocupado por um escritório de correio, responsável pelo envio anual de cerca de 70 mil cartas a mais de 100 países.

Pinguins-gentoo, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
Pinguins-gentoo, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
O ponguim-de-barbicha é um dos destaques da Aitacho Island, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
O ponguim-de-barbicha é um dos destaques da Aitacho Island, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

Outras espécie de pinguins, como os de barbicha, também podem ser vistas em locais como Half Moon Island, nas ilhas Shetland do Sul. Conhecidos por sua penugem que lembra uma barba, esses curiosos pinguins de 70 centímetros de altura quase nunca respeitam a regra dos 5 metros de distância, entre visitantes e animais

Ali, quem manda são os anfitriões.

2. MERGULHAR
A vida marinha é um dos destaques que não quase ninguém consegue ver. Paredões de algas, caranguejos, borboletas-do-mar, focas e baleias (essas, sim, costumam se mostrar do lado de fora) são alguns dos animais que podem ser vistos, durante mergulhos em águas antárticas.

foto: Oceanwide Expeditions/Divulgação
foto: Oceanwide Expeditions/Divulgação

Em paredes de gelo ou próximo à praia, os mergulhos na Antártica acontecem em águas com até 20 metros de profundidade e a 1°C, o que exige uso de roupa especial, conhecida como dry suite, que permite mergulhar em águas frias.

No verão austral, as temperaturas podem variar entre -5 e 8°C, cuja sensação de frio aumenta com os típicos ventos fortes da Antártica.

foto: Oceanwide Expeditions/Divulgação
foto: Oceanwide Expeditions/Divulgação

As condições meteorológicas na região variam a cada ano de expedição, por isso cada desembarque é uma nova experiência, inclusive para os instrutores de mergulho. Porém, a atividade é para poucos, uma vez que só são aceitos mergulhadores avançados e com, pelo menos, 20 mergulhos logados com “roupa seca”.

1. MAREAR NA PASSAGEM DE DRAKE
Eis a única experiência que faz a gente querer desistir, já embarcado.

A violenta Passagem de Drake é um corredor oceânico que separa a Antártica da América do Sul e faz estragos na tripulação de primeira viagem.

Cruzando o Drake, rumo à Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
Cruzando o Drake, rumo à Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

Considerada a rota mais curta até o destino e a região marítima com as piores condições de navegação do mundo, essa passagem é o (alto) preço que se paga para visitar o Continente Branco, onde se navega por longas 60 horas sem ver um único pedaço de terra, em um balançar indigesto que esvazia restaurantes e áreas sociais do navio, durante as horas seguintes.

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DICAS
– A curta temporada de turismo no Continente Branco vai de novembro a março quando a temperatura é mais alta (aproximadamente, -2º durante o dia) e os animais são abundantes na região

– Na Antártica não se deve ter pressa, inclusive na hora de programar viagem. Fique atento às promoções de última hora que são anunciadas nos sites das empresas que cobrem região, pois um mesmo roteiro pode chegar a ter descontos de mais de 50%, dias antes da saída do navio.

– Explorar regiões remotas como a Antártica exige flexibilidade por parte do viajante. Prepare-se para todo tipo de condição climática, cancelamento de atividades exteriores ou mudança de rota. Mas a gente garante que vai valer o esforço de cada queixo batendo de frio ou pés quase congelados, em dias de caminhada.

Verão na Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
Verão na Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

– As informações na internet sobre frios recordes na Antártica, onde já foram registrados 89º,3º negativos, na base russa Vostok, são assustadores, mas o Continente Branco abriga uma costa, cuja temperatura média é de 0º, com sensação térmica mais gelada por conta dos ventos.

– Nada de improvisar com as roupas que você levou para a última viagem para Bariloche. A Antártica é fria, sim, exige uso de roupas especiais para temperturas extremas como peças térmicas, corta-ventos e impermeáveis.

– Como o Ártico, no extremo norte do planeta, já era conhecido de civilizações antigas, acreditava-se na existência de outra região fria do lado oposto. É daí que surge o nome Antártica (o ‘Anti-Ártico’ de origem grega), termo usado inclusive nos documentos da PROANTAR, o programa de estudos científicos da Marinha brasileira, na região. Mas a versão latina (‘Antártida’) também é usada, que seria uma referência à Atlântida.

– Escolha a embarcação com a qual você irá viajar, de acordo com o número permitido de passageiros. Transatlânticos que chegam na região com mais de dois mil passageiros a bordo pode ser um problema para quem procura exclusividade e experiências no melhor ritmo antártico.

VEJA MAIS IMAGENS

  • Foto tirada às 23h11, em Porto Lockroy, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
    Foto tirada às 23h11, em Porto Lockroy, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

  • Vista do acampamento montado sobre território antártico, uma das atividades de aventura oferecidas em navios quebra-gelo que visitam a Península Antártica com fins turísticos
    Vista do acampamento montado sobre território antártico, uma das atividades de aventura oferecidas em navios quebra-gelo que visitam a Península Antártica com fins turísticos (foto: Eduardo Vessoni)

  • Animais selvagens, como a foca-de-weddell (na foto, à esq.) e bases científicas podem ser vistas durante acampamento na Antártica
    Animais selvagens, como a foca-de-weddell (na foto, à esq.) e bases científicas podem ser vistas durante acampamento na Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

  • Foto tirada às 3h18 da manhã, diante do nosso acampamento em território antártico
    Foto tirada às 3h18 da manhã, diante do nosso acampamento em território antártico (foto: Eduardo Vessoni)

  • Gerlache Strait, um dos belos canais estreitos da Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
    Gerlache Strait, um dos belos canais estreitos da Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

  • Neymayer Channel, um dos canais por onde navegam os barcos quebra-gelo, na Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
    Neymayer Channel, um dos canais por onde navegam os barcos quebra-gelo, na Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

  • O ponguim-de-barbicha é um dos destaques da Aitacho Island, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
    O ponguim-de-barbicha é um dos destaques da Aitacho Island, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

  • Pinguim-gentoo pode ser visto em Jougla Point, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
    Pinguim-gentoo pode ser visto em Jougla Point, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

  • Vista da base científica de Porto Lockroy (foto: Eduardo Vessoni)
    Vista da base científica de Porto Lockroy (foto: Eduardo Vessoni)

  • Foca-de-weddell vista próximo a acampamento na Antártica, em Paradise Harbour (foto: Eduardo Vessoni)
    Foca-de-weddell vista próximo a acampamento na Antártica, em Paradise Harbour (foto: Eduardo Vessoni)

  • Vista da Almirante Brown, base científica argentina, em Paradise Harbour, na Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
    Vista da Almirante Brown, base científica argentina, em Paradise Harbour, na Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

  • foto: Eduardo Vessoni
    foto: Eduardo Vessoni

  • Vista da base científica de Porto Lockroy (foto: Eduardo Vessoni)
    Vista da base científica de Porto Lockroy (foto: Eduardo Vessoni)

  • Desembarque em Jougla Point, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
    Desembarque em Jougla Point, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

  • Desembarque no Interior do vulcão da Deception Island, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
    Desembarque no Interior do vulcão da Deception Island, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

  • Interior do vulcão na Deception Island, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
    Interior do vulcão na Deception Island, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

  • foto: Eduardo Vessoni
    foto: Eduardo Vessoni

SAIBA MAIS
Como chegar
Exceto se você for pesquisador ou integrante de alguma expedição à Antártica, só é possível chegar ao continente, a bordo de alguns dos navios quebra-gelo com fins turísticos que partem do Ushuaia, no extremo sul da Argentina.

A viagem é feita em embarcações equipadas com cabines para até quatro passageiros cada uma e oferece atividades externas que já estão incluídas no preço, como trilhas, navegações em caiaque, mergulho, acampamento e palestras ambientais a bordo.

Quem leva
Operado pela Oceanwide Expeditions, o M/v Plancius é um antigo barco da marinha holandesa e funciona todo o ano, de novembro a abril, na Antártica; e de junho a setembro, no Ártico.

Um dos destaques é a gastronomia a bordo, cuja variedade de pratos bem elaborados é consequência das diferentes nacionalidades da tripulação que trabalha nos navios, onde é possível provar pratos como frutos do mar ao estilo da Nova Inglaterra, cordeiro australiano, cuscuz marroquino e bife de chorizo argentino.

Para a temporada 2016 na Península Antártica, os preços começam em US$ 6.630, para viagens de 10 dias, sem aéreo.

www.oceanwide-expeditions.com

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