Destinos da América do Sul que brasileiros não costumam incluir em suas viagens

Na hora de planejar viagens pelo continente, brasileiro parece tudo igual. Não se cansa de engrossar filas para conhecer Machu Picchu; gasta pequenas fortunas para ver shows de tango feitos para turista, em Buenos Aires; e adora dizer que conhece o Uruguai, mas nunca foi além de Colonia e Punta del Este.

Com 13 países espalhados por seus quase 18 milhões de km², a América do Sul reune, em um mesmo território, cenários que vão das terras geladas e inóspitas das patagônias argentina e chilena até áreas desérticas, florestas e áreas inundadas.

Ou vai dizer que você sabia que a Bolívia guarda um pedaço preservado de floresta amazônica ou que o Paraguai também tem sua versão local do Pantanal?

Fãs que somos desse continente ainda mal explorado, turisticamente, por brasileiros, o Viagem em Pauta selecionou alguns dos destinos mais inusitados e pouco conhecidos dos viajantes brasucas. Nessa lista vocẽ vai encontrar sítios arqueológicos da Colômbia, áreas desérticas do Peru e até fiordes escondidos do Chile.

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PARAGUAI

Gran Chaco
Espécie de Pantanal paraguaio, nas fronteiras com o Brasil e a Argentina, esse destino que vai do semi árido ao semi úmido é formado por bosques subtropicais, palmeiras e uma infinidade de rios, córregos e lagoas.

Chaco Húmedo ou Bajo Chaco, no Paraguay (foto: senatur.gov.py)
Chaco Húmedo ou Bajo Chaco, no Paraguay (foto: senatur.gov.py)

Esse santuário da natureza, ao longo do rio Paraguai e dono de uma das mais baixas densidades demográficas do país, é conhecido também como o Grande Pantanal, dividido em Bajo Chaco, com campos úmidos e acesso pela Ruta Transchaco; e Chaco Seco, que abriga a maior parte do território, com savanas semiáridas, bosques baixos e uma fauna com 167 mamíferos, 701 aves, 100 répteis e 230 tipos de peixes.

O QUE FAZER: Cenário da última guerra sul-americana, a Guerra do Chaco (1932-1935), a região abriga três parques nacionais: PN Defensores del Chaco, PN Tinfunqué e PN Teniente Enciso. SAIBA MAIS 

URUGUAI

Cabo Polonio
Vale lembrar que o paisito, como o Uruguai é chamado, carinhosamente, por sua população, vai muito além da dobradinha Colonia-Punta del Este.

Localizado no Departamento de Rocha, muito mais perto do Brasil do que se possa imaginar, esse balneário escondido é um vilarejo escondido com população fixa de 95 pessoas e com entrada proibida para carros, cujo acesso se dá por caminhões 4×4 que cruzam os 7 km de areia que separam a estrada e o povoado.

Cabo Polonio (foto: Eduardo Vessoni)
Cabo Polonio (foto: Eduardo Vessoni)

O QUE FAZER: Praias oceânicas, dunas, o Farol de Cabo Polônio (responsável pela única opção de luz pública em todo o local) e colônia de lobos-marinhos são os principais destaques desse destino que, devido ao mau humor do mar local, é conhecido como o Inferno dos Navegantes. Não é raro ver restos de naufrágios surgirem nas areias das praias, durante a maré baixa. SAIBA MAIS  

ARGENTINA

Quebrada de Humahuaca
As altas montanhas dos Andes abrigam uma sequência de povoados minúsculos que atraem o viajante a um dos destinos mais inusitados da Argentina.

Esse vale de 155 km que cruza o noroeste do país é considerada Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade pela Unesco desde 2003 e abriga montanhas multicoloridas e estradas que levam a povoados anteriores aos incas.

Cerro Siete Colores, em Purmamarca (foto: Eduardo Vessoni)
Cerro Siete Colores, em Purmamarca (foto: Eduardo Vessoni)

O QUE FAZER: A montanha policromática Siete Colores, em Purmamarca, as Salinas Grandes, a 70 km dali, e Tilcara, capital arqueológica da região, são algumas das atrações que merecem ser incluídas no roteiro.

Leia também: “Quebrada de Humahuaca: a Argentina que você (ainda) não conhece” 

CHILE

Fiordes chilenos
O Chile abriga a geografia mais isolada e inóspita de toda a Patagônia, onde é possível navegar pela 3ª maior extensão de gelos continentais do mundo, uma área de 21 mil km² que inclui atrativos como o Parque Nacional Laguna San Rafael e o glaciar Exploradores, nos Campos de Gelo Norte.

Vista de glacial durante navegação pelos fiordes do Chile (foto: Eduardo Vessoni)
Vista de glacial durante navegação pelos fiordes do Chile
(foto: Eduardo Vessoni)

O QUE FAZER: É nessa região que acontecem as impressionantes travessias dos fiordes chilenos, a bordo de navios cargueiros que cruzam canais estreitos, fiordes, glaciais e imensas montanhas nevadas, onde é possível ver, sem muito esforço, animais marinhos.

Leia também: “Pelos fiordes austrais do Chile”

BOLÍVIA

Amazônia
Por essa você não esperava, mas esse país andino também guarda seu pedaço de floresta amazônica.

Muito mais do que se aventurar em tours de bicicleta pela Estrada da Morte ou cruzar os cenários desérticos do Salar de Uyuni, duas experiências bolivianas, altamente, recomendadas, o país se exibe em trechos de floresta amazônica, no Departamento de Beni, ainda pouco explorados por viajantes brasileiros.

Parque Nacional Madidi, na Bolívia (foto: Wikimedia Commons)
Parque Nacional Madidi, na Bolívia (foto: Wikimedia Commons)

O QUE FAZER: Considerado um dos ecossistemas de maior diversidade do continente, o Parque Nacional Madidi, uma área de quase 2 milhões de hactares, tem acesso pela cidade de Rurrenabaque e abriga picos nevados, bosques nublados, selvas tropicais e savanas, em uma das áreas de maior concentração de fauna e flora de toda a Bolívia, com mais de 730 espécies animais catalogadas

Entre as atividades estão rafting no rio Tuichi, trilhas no parque e visita a comunidades indígenas como Tacanas, Chimanes, Maropas e Chamas. E como não poderia ser diferente em terras da Bolívia, esse parque tem altitudes que chegam a 5.500 metros sobre o nível do mar.

PERU

Huacachina
Localizada a 5 km de Ica, no centro-sul desse país andino, a Laguna de Huacachina, conhecida como ‘o oásis da América’, se formou a partir de correntes subterrâneas que alimentam aquela piscina com águas verde-esmeralda, em pleno deserto.

Huacachina, no Peru (foto: Patrick Nouhailler/Flickr-Creative Commons)
Huacachina, no Peru (foto: Patrick Nouhailler/Flickr-Creative Commons)

O QUE FAZER: Usado pelos locais como balneário, no século passado, o local é explorado, atualmente, em passeios de barcos e bugues ou pelos praticantes de sandboard. Aliás, o esporte começou a ser praticado, no Peru, nas dunas de Huacachina, antes de se popularizar em todo o país, segundo informou o departamento de turismo peruano.

Leia também: “Huacachina, a versão delirante do Peru”

EQUADOR

Cuenca
Patrimônio Cultural da Humanidade e dona de um centros históricos em melhor estado de preservação da América do Sul, essa cidade da serra sul do Equador é um dos mais belos destinos em todo o país.

Cuenca, cidade histórica do Equador (foto: wogo24220/Flickr-Creative Commons)
Cuenca, cidade histórica do Equador (foto: wogo24220/Flickr-Creative Commons)

O QUE FAZER: Mais do que endereço de belas construções do período colonial, cuja fundação pelos espanhóis data de 1557, Cuenca é ponto de partida para atrações como o Parque Nacional Cajas, uma área de mais de 28 mil hecatres com diversas lagoas que podem ser visitadas por trilhas; e a zona rural como Sigsig, área que produz a palha toquilla, utilizada na fabricação do chapéu Panamá que, diga-se de passagem, é equatoriano.

COLÔMBIA

San Agustín e Tierradentro
Localizado a 10 horas de Bogotá, no departamento de Huila, o Parque Arqueológico de San Agustín guarda uma das histórias mais misteriosas de todo o país, um conjunto funerário monumental que uma sociedade desconhecida, convencionalmente conhecida como agustiniana, teria criado na cidade de San Agustín, entre os anos 200 a.C. e 800 d.C.

Bosque de las Estatuas, em San Agustín, na Colômbia (foto: Eduardo Vessoni)
Bosque de las Estatuas, em San Agustín, na Colômbia (foto: Eduardo Vessoni)

Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, desde 1995, o parque abriga uma área de 78 hectares, a 3 km de San Agustín, onde podem ser visitadas as mesitas, montículos funerários com lascas horizontais de pedra que se assemelham a uma mesa, cujo tamanho podia chegar a 4 metros de altura.

O QUE FAZER: Bosque de las Estatuas, a 3 km de San Agustín, é uma trilha autoguiada que passa por conjuntos funerários, decorados com 39 figuras em pedra que combinam características humanas e animais.

Outro destaque arqueológico da Colômbia, a sete horas de San Agustín, é o Parque Arqueológico de Tierradentro, onde se localizam câmaras subterrâneas com desenhos geométricos, construídas no ano 1.000 d.C., no Departamento de Cauca, próximo aos municípios de Belalcázar e Inzá. Era ali que se realizavam em urnas os enterros secundários dos ossos exumados.

SAIBA MAIS: “Misteriosas câmaras subterrâneas e estátuas funerárias são destaques arqueológicos da Colômbia”

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