Nos 110 anos do 14-bis, confira atrações turísticas relacionadas a Santos Dumont

Mais conhecido como o Pai da Aviação, o mineiro Alberto Santos Dumont foi uma espécie de patriarca do Brasil com suas outras invenções criativas, pouco divulgadas.

Além de protagonizar o histórico sobrevoo a 3 metros de altura, no campo de Bagatelle, em Paris, em 1906, Santos Dumont ajudou na criação do Parque Nacional das Cataratas do Iguaçu, no Paraná; foi responsável pela criação do relógio de pulso, pedido feito à joalheira francesa Cartier para que pudesse ter as mãos livres durante seus voos; e inventou o conceito de hangar, a grande oficina para abrigar os dirigíveis que o inventor vinha desenvolvendo.

Dumont pode ser considerado também o precursor do ultraleve, cuja Demoiselle de 1907 pesava pouco mais de 100 kg e era feito com bambu, movida por motor; e (vejam só!) inventou até o chuveiro de água quente que funcionava em um balde dividido ao meio, para águas quente e fria.

Sem medo de errar, poderíamos afirmar também que Dumont criou o sistema de refeição a bordo que, atualmente, tanto desgosto dá para viajantes frequentes. De acordo com a Fundação Santos Dumont, durante seu primeiro voo de balão, em 1897, o aviador ouvira os sinos das igrejas tocando ao meio-dia e, pontual em seus horários de refeições, serviu-se de ovos cozidos, rosbife, frango, fruta, sorvete derretido e doces, tudo acompanhado de uma garrafa de champanhe e taças de cristal, e café em uma garrafa térmica.

E os nerds de plantão lembram outra contribuição de Santos Dumont para a comunidade científica mundial.

foto: Wikimedia Commons
foto: Wikimedia Commons

O Pai da Aviação não patentou nenhuma de suas invenções, tornando-se um pioneiro no conceito open source no Brasil. Esse termo, que em português significa “código aberto”, se refere aos projetos que têm todas as suas especificações disponíveis para qualquer pessoa interessada em consultar ou modificar o projeto original.

Longe das invenções tecnológicas, mas não menos importantes, Dumont é associado também à criação de tendências como o cabelo dividido ao meio, colarinhos altos e até o chapéu panamá com abas abaixadas, criado por acaso, em 1903, quando o aviador abanou o carburador de seu dirigível nº 9, durante um problema no motor.

A teoria de que os Irmãos Wright são os verdadeiros pais da aviação ainda é difundida mundo afora até hoje, mas sua invenção, três anos antes, não é considerada o primeiro avião, pois teria sido testada sem a presença de testemunhas e era lançado por cataputa.

Confira endereços que contam a história de Santos Dumont:

⇒ Foz de Iguaçu

Consideradas uma das Sete Maravilhas da Natureza, as cataratas se formaram há 200 mil anos devido a uma falha geológica no leito do Rio Paraná que faz com que a desembocadura do Rio Iguaçu se converta em uma impressionante queda de 80 metros de altura (foto: Eduardo Vessoni)
Consideradas uma das Sete Maravilhas da Natureza, as cataratas se formaram há 200 mil anos devido a uma falha geológica no leito do Rio Paraná que faz com que a desembocadura do Rio Iguaçu se converta em uma impressionante queda de 80 metros de altura (foto: Eduardo Vessoni)

Pouca gente sabe, mas Dumont não é só o Pai da Aviação mas também do Parque de Foz do Iguaçu. Essa atração no extremo oeste do Paraná foi visitada pelo aviador, em 1916, quando o local era propriedade do urguaio Jesús Val.

Indignado com tanta beleza escondida em terras particulares, Santos Dumont pediu ao governo do Paraná a desapropriação da área das Cataratas do Iguaçu, onde seria criado o Parque Nacional do Iguaçu, em 1939, para abrigar a maior área remanescente de floresta Atlântica do sul do Brasil.

O local possui, ao lado do Espaço Porto Canoas, uma estátua de Dumont colocada por Elfrida Engel Rios, filha do hoteleiro que mantinha o Hotel Brasil que hospedou o aviador, durante sua visita à cidade (que na época se chamava Vila Iguassú).

A edição d’O Estado de São Paulo, do dia 11 de maio de 1916, trazia uma entrevista com Dumont, que acabava de chegar de Iguaçu. “…fiquei, positivamente, maravilhado. Imagine você um Niagara – ainda não viu o Niagara? Pois imagine uma immensa quéda d’água offerecendo o mais bizarro pittóresco deste mundo”, diria aquele inventor “de pouca prosa”, segundo o jornal.

LEIA TAMBÉM: “Conheça a versão espiritualizada de Foz de Iguaçu”

⇒ A Encantada

Museu Casa de Santos Dumont, em Petrópolis (foto: Wikipedia Commons)
Museu Casa de Santos Dumont, em Petrópolis (foto: Wikipedia Commons)

Localizada em Petrópolis, na Região Serrana Fluminense, sua antiga casa de veraneio abriga o Museu Casa de Santos Dumont com um acervo pessoal que inclui peças como objetos, cartas e móveis da época, como a curiosa escada de degraus em forma de raquete e que só podem ser acessados com o pé direito.

Supersticioso, Dumont só entrava nos lugares com o pé direito.

Projetada pelo próprio Dumont e tombada, em 1952, a construção fica na Rua do Encantado, no antigo Morro do Encanto.

⇒ Praça 14-Bis

Praça 14-Bis, em Petrópolis (foto: Wikipedia Commons)
Praça 14-Bis, em Petrópolis (foto: Wikipedia Commons)

A fluminense Petrópolis é endereço de outra atração turística dedicada a Dumont.

Localizada na Avenida Roberto Silveira, no Centro, essa praça abriga uma réplica de sua invenção mais conhecida, o 14 bis, instalada no local para as comemorações do centenário do primeiro voo da aeronave.

Em São Paulo, a Praça Campo de Bagatelle, em Santana, conta também com um exemplar do invento, em tamanho natural. Construída em bronze e com cerca de três toneladas, essa obra foi construída pelo artista Luiz Morrone, no centenário de nascimento de Dumont.

De acordo com descrição do Museu Aeroespacial, no Rio de Janeiro, esse é “o primeiro avião mais pesado que o ar a conseguir decolar por seus próprios meios”.

⇒ Museu Aeroespacial

Museu Aeroespacial, no Rio de Janeiro, guarda o coração de Dumont (foto: Museu Aeroespacial/Divulgação)
Museu Aeroespacial, no Rio de Janeiro, guarda o coração de Dumont (foto: Museu Aeroespacial/Divulgação)

Esse espaço de exposições do Rio de Janeiro guarda uma das peças mais inusitadas relacionadas à vida (e à morte) do Pai da Aviação.

O “Coração do Inventor” é uma peça em bronze em que o personagem da mitologia grega Ícaro segura uma redoma que contém o coração de Santos Dumont, órgão que fora retirado pelo próprio médico autor da autópsia do aviador.

O local abriga também uma réplica do 14 Bis. SAIBA MAIS

⇒ Pavilhão Carro Fúnebre de Santos Dumont

foto: Eduardo Vessoni
Carro fúnebre que levou o corpo de Santos Dumont do Guarujá, no litoral paulista, para São Paulo (foto: Eduardo Vessoni)

O Chevrolet Ramona que transportara o corpo de Dumont, morto no Guarujá em 1932, pode ser visto na esquina das avenidas Leomil e Puglisi.

Foi nessa cidade do litoral sul de São Paulo que o aviador teria se suicidado, no extinto Grande Hotel La Plage, na Praia de Pitangueiras.

Feito com madeira, esse modelo de 1929 tem suas características originais preservadas e foi usado para transportar o corpo de Dumont até São Paulo.

Cripta da Catedral da Sé
Entre julho e dezembro de 1932, o corpo de Santos Dumont permaneceu no local, segundo revelou o jornal O Estado de São Paulo.

Inaugurada em 1919, a cripta abriga 30 câmaras mortuárias, onde repousam os restos mortais do cacique Tibiriçá, o primeiro cidadão de Piratininga, e do padre Feijó.

Atualmente, seu túmulo se encontra no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

No último mês de novembro, quando se celebra o primeiro voo homologado da história, o local assistiu a uma homenagem a Dumont com uma performance do ator Thiago Azevedo.

LEIA TAMBÉM: “Conheça lugares mal-assombrados para visitar em São Paulo”

SAIBA MAIS
Fundação Santos Dumont
www.santosdumont.org.br

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