Bonito: dicas no paraíso do ecoturismo no Brasil

É alta a probabilidade de deixar Bonito com a sensação de ter deixado algo para trás, sem ser visitado. Afinal de contas, esse destino que virou referência de ecoturismo no Brasil abriga 40 atrações oficiais, sendo 32 delas de estilos diferentes.

Localizado no oeste do Mato Grosso do Sul, a 265 km da capital Campo Grande, Bonito é endereço do rio mais cristalino do Brasil, onde acontecem as famosas flutuações; grutas de milhares de anos que podem ser visitadas sem muito esforço; programas em que ciclistas plantam uma árvore; e, para os mais intrépidos, esportes radicais como o rapel negativo de 72 metros de altura, no Abismo Anhumas, ou atividades mais leves como tirolesa, arvorismo e boia cross.

Boia cross no rio Formoso (foto: Eduardo Vessoni)
Boia cross no rio Formoso (foto: Eduardo Vessoni)

Opções não faltam, só não adianta pedir um descontinho. Os preços de acesso a todas as atrações são tabelados pelo COMTUR de Bonito, o que significa dizer que você encontrará os mesmos valores em qualquer agência local de turismo.

LEIA TAMBEḾ: “5 experiências imperdíveis de Bonito, referência de ecoturismo no Brasil”

“Você está com o seu voucher?” Eis a pergunta que você mais vai ouvir, ao se encontrar com seu guia ou com o motorista dos traslados. Esse é a sua garantia de ingresso aos atrativos bonitenses e não tem como adquiri-lo, diretamente, nas atrações. Algumas delas como o Balneário Municipal até contam com agências de turismo improvisadas na porta, mas isso não é regra e o melhor é não arriscar.

Modelo exclusivo em todo o Brasil, o obrigatório voucher único de Bonito dá acesso às atrações com horário marcado de entrada e foi a solução encontrada para controlar a capacidade de carga nas atrações.

Conheça atrações de Bonito:

FLUTUAÇÕES

Flutuação no Rio da Prata (foto: Eduardo Vessoni)
Flutuação no Rio da Prata (foto: Eduardo Vessoni)

Pode soar como aquele velho clichê de ‘ir a Roma e não ver o Papa’, mas ir até Bonito e não provar a experiência mais impactante do destino é como fazer uma viagem incompleta.

Com águas que entraram para as listas mundiais de transparência, devido à alta concentração de calcário que serve como filtro natural, os rios bonitenses são conhecidos pelas flutuações, atividade aquática em que o visitante segue a correnteza do rio, equipado com colete, máscara e snorkel.

O mais famoso é o da Nascente Sucuri (a partir de R$ 156), uma fazenda com mais de 8 mil hectares, onde é possível flutuar por 1.800 metros do rio Sucuri, considerado o “mais cristalino do Brasil”.

Flutuação no Rio da Prata (foto: Marcos Dias/Divulgação)
Flutuação no Rio da Prata (foto: Marcos Dias/Divulgação)

Outros destaques do destino são as flutuações no rio da Prata, a 50 km de Bonito, no município de Jardim; e na Nascente Azul, a 30 km de Bonito, cujas flutuações acontecem no rio Bonito e custam R$ 136.

Para quem fica na cidade, o Aquário Natural, na nascente do rio Baía Bonita, é a opção mais próxima.

GRUTAS
Localizada na área do Grupo Corumbá, formação de 550 a 600 milhões de anos que já foi o fundo do mar, a região abriga belas grutas secas que podem ser visitadas pelo público em geral.

Sem dúvida, a do Lago Azul (entrada de R$45 a R$60) é a mais popular de todas, cuja capacidade diária é de 305 pessoas.

Uma trilha de 300 metros dá acesso a essa gruta que tem entrada por uma boca natural com 40 metros de diâmetro. Mas o visual mais esperado (daqueles que fazem grupos de turistas se dispersarem, durante a descida íngreme por um desnível de 60 metros), é o impressionante lago azulado que dá nome à atração, uma formação natural com 90 metros de profundidade e que abriga fósseis milenares de mamíferos como a preguiça-gigante e o tigre-dente-de-sabre. Daí a proibição de entrar no lago.

Entre às 8h30 e 9h30, nos meses de dezembro a fevereiro, o lago se encontra melhor iluminado.

Gruta de São Miguel (foto: Eduardo Vessoni)
Gruta de São Miguel (foto: Eduardo Vessoni)

A vizinha Gruta de São Miguel, a 4 km dali, costuma ser vendida em um combinado com a do Lago Azul.

Em 1h10 de visita (R$ 45 por pessoa), o turista cruza uma ponte pênsil de 180 metros de extensão, na mesma altura das copas das árvores, e outros 160 no interior dessa caverna de 4.250 metros de extensão e 65 milhões de anos.

Uma das mais recentes atrações, a Gruta São Mateus (R$ 45) é outro endereço do tempo das cavernas, cujo passeio é combinado com o Museu Cultural Kadiwéu, dedicado à história do surgimento de Bonito.

BALNEÁRIOS
É na beira do rio de águas claras que ficam as opções mais econômicas de Bonito, onde é possível passar o dia com um único ingresso.

O endereço mais popular é o Balneário Municipal (R$ 30 por pessoa), a 5 km do centro e com estrutura discreta como quadras, estacionamento e churrasqueira (mais R$ 40).

Balneário Municipal de Bonito, no Mato Grosso do Sul (foto: Eduardo Vessoni)
Balneário Municipal de Bonito, no Mato Grosso do Sul (foto: Eduardo Vessoni)

A 11 km e Bonito, o Ilha Bonita (R$ 50) fica na margem do rio Formoso e conta com opções de esporte de aventura como tirolesa e trilhas até cachoeiras.

Com estrutura que inclui restaurante, quadras de esportes, piscina de água corrente, tirolesa e xadrez gigante, o Balneário do Sol (R$ 40) fica a 12 km da cidade.

O mais completo de todos é o Praia da Figueira (R$ 50), em direção ao rio Sucuri, a 15 km de Bonito. Esse complexo, conhecido por sua praia de rio, oferece flutuação, Stand Up Paddle, quadras e passeios de quadriciclo.

TURISMO RURAL

Fazenda Ceita Corê (foto: Eduardo Vessoni)
Fazenda Ceita Corê (foto: Eduardo Vessoni)

Localizado em pleno Cerrado, Bonito conta com bem estruturadas fazendas que incluíram o turismo nas suas opções de negócios.

Na Ceita Corê, empreendimento a 36 km do centro da cidade, é possível fazer uma trilha de 1.800 metros de extensão que passa por seis cachoeiras (R$174 com almoço em buffet livre incluído), com tempo para paradas para banho e breves explicações botânicas sobre árvores encontradas durante a caminhada, como jaborandi, ipê, jatobá-mirim, aroeira e bacuri.

Fazenda Mimosa (foto: Eduardo Vessoni)
Fazenda Mimosa (foto: Eduardo Vessoni)

Localizada a 24 km de Bonito, a Estância Mimosa fica em área de RPPN (Reservas Particulares do Patrimônio Natural) e oferece atrações como cavalgadas (R$ 68) e uma trilha de 3,5 km com parada em sete cachoeiras (R$ 140).

Destaque para o cenográfico almoço que acontece na beira do fogão à lenha (R$ 48 por pessoa), feito com produtos orgânicos plantados na própria fazenda.

CICLISMO

Ciclismo em Bonito (foto: Eduardo Vessoni)
Ciclismo em Bonito (foto: Eduardo Vessoni)

Desde que foi lançado, há 6 anos, o projeto Lobo Guará já plantou 5 mil árvores com a ajuda de ciclistas.

Nesse roteiro de 17,5 km (14 km sobre asfalto e outros 3 km, margeando o rio Formoso) o ciclista faz paradas para banhos em rios; cruza área de mata ciliar, onde o tour assume status de off road; e, no final, planta uma árvore, em uma área de reflorestamento.

“Só usufruir e não deixar nada, me fazia sentir que o passeio estava incompleto”, explica Márcio Lima, responsável pela agência que organiza as saídas diárias desse tour guiado.

A experiência custa R$98 por pessoa. Saiba mais

MERGULHO
Em terras de águas cristalinas, a regra é descer profundo, equipado com cilindro.

Um dos mergulhos mais concorridos de Bonito acontece no impressionante lago interior do Abismo Anhumas, uma fenda vertical que só pode ser acessada em um rapel negativo de 72 metros de altura, o equivalente a um edifício de 26 andares.

Com 80 metros de profundidade e águas a 18°C, mergulhadores certificados realizam mergulhos em diferentes profundidades, onde é possível circular entre a Cidade dos Cones, como é conhecida a sequência de formações calcárias de até 20 metros de altura e esqueletos de animais, em níveis que variam de 5 a 18 metros de profundidade.

VEJA VÍDEO: Rapel no Abismo Anhumas

Outro ponto cobiçado para mergulho, daqueles que fazem a gente não acreditar na transparência da água, é a Lagoa Misteriosa, uma cavidade que foi classificada pela SBE (Sociedade Brasileira de Espeleologia) como “a sétima caverna mais profunda” do Brasil.

Acessada por uma dolina de 75 metros de profundidade, onde se encontra uma escadaria de 179 degraus, essa lagoa de imensidão abismal abriga imensos paredões verticais e áreas bem iluminadas, devido à sua posição.

LEIA TAMBÉM: “Conheça a Lagoa Misteriosa, próximo a Bonito, no Mato Grosso do Sul”

Lagoa Misteriosa (foto: João Gomes/Divulgação)
Lagoa Misteriosa (foto: João Gomes/Divulgação)

No local é possível realizar flutuações, batismos para quem não tem certificação e mergulhos para níveis básico, avançado e Nitrox.

A operadora Bonito Scuba atua em diferentes pontos de mergulho de Bonito como os rios Formoso, mergulho médio de 4 metros de profundidade, entre cardumes de peixes e formações calcárias; e o da Prata, com até 7 metros de profundidade.

RADICAIS
Sem dúvida, o Abismo Anhumas é a versão mais radical de todo o destino, uma experiência que apenas 20 (corajosos) viajantes podem realizar, por dia.

A 23 km do centro de Bonito, essa caverna com entrada vertical tem acesso obrigatório por um rapel negativo, quando não se coloca os pés em nenhum local de apoio, com 72 metros de profundidade até a plataforma flutuante sobre o lago dentro do abismo.

Radical e complexa, a experiência exige treinamento prévio, na sede da agência, no centro de Bonito.

Rapel de acesso ao Abismo Anhumas (foto: Eduardo Vessoni)
Rapel de acesso ao Abismo Anhumas (foto: Eduardo Vessoni)

O rapel na Boca da Onça é outra atração para os fortes. Trata-se de uma descida de 90 metros de altura, no cânion do rio Salobra, considerado o “mais alto rapel de plataforma do Brasil”.

Se sobrar fôlego e disposição, é possível também combinar a brincadeira com trilhas que variam de 2,5 a 4 km de extensão, passando por mata ciliar e até 10 cachoeiras, como a que dá nome ao rapel, considerada a mais alta do Mato Grosso do Sul.

VEJA FOTOS

  • Flutuação no Rio da Prata (foto: Marcos Dias/Divulgação)
    Flutuação no Rio da Prata (foto: Marcos Dias/Divulgação)

  • Flutuação no Rio da Prata (foto: Eduardo Vessoni)
    Flutuação no Rio da Prata (foto: Eduardo Vessoni)

  • Gruta Lago Azul (foto: Eduardo Vessoni)
    Gruta Lago Azul (foto: Eduardo Vessoni)

  • Gruta de São Miguel (foto: Eduardo Vessoni)
    Gruta de São Miguel (foto: Eduardo Vessoni)

  • Balneário Municipal de Bonito, no Mato Grosso do Sul (foto: Eduardo Vessoni)
    Balneário Municipal de Bonito, no Mato Grosso do Sul (foto: Eduardo Vessoni)

  • Fazenda Ceita Corê (foto: Eduardo Vessoni)
    Fazenda Ceita Corê (foto: Eduardo Vessoni)

  • Fazenda Mimosa (foto: Eduardo Vessoni)
    Fazenda Mimosa (foto: Eduardo Vessoni)

  • Ciclismo em Bonito (foto: Eduardo Vessoni)
    Ciclismo em Bonito (foto: Eduardo Vessoni)

  • Rapel de acesso ao Abismo Anhumas (foto: Eduardo Vessoni)
    Rapel de acesso ao Abismo Anhumas (foto: Eduardo Vessoni)

  • Lagoa Misteriosa (foto: João Gomes/Divulgação)
    Lagoa Misteriosa (foto: João Gomes/Divulgação)

  • Boia cross no rio Formoso (foto: Eduardo Vessoni)
    Boia cross no rio Formoso (foto: Eduardo Vessoni)

  • Cardume de peixes no Rio da Prata (foto: André Turatti/Divulgação)
    Cardume de peixes no Rio da Prata (foto: André Turatti/Divulgação)

  • Boia cross no rio Formoso (foto: Eduardo Vessoni)
    Boia cross no rio Formoso (foto: Eduardo Vessoni)

  • Cachoeira vista durante trilha na fazenda Ceita Corê (foto: Eduardo Vessoni)
    Cachoeira vista durante trilha na fazenda Ceita Corê (foto: Eduardo Vessoni)

  • Tirolesa no rio Formoso (foto: Eduardo Vessoni)
    Tirolesa no rio Formoso (foto: Eduardo Vessoni)

COMO CHEGAR
A principal porta de entrada para Bonito é a capital sul-mato-grossense, Campo Grande, cujos voos são operados pela TAM, Gol e Avianca.

Recentemente, o destino ganhou voos diretos de Campinas para Bonito, com a Azul. Embora os preços das passagens sejam mais elevados, o viajante chega a economizar 3h20 na viagem, entre Campo Grande e Bonito.

QUANDO IR
A depender do calendário da Natureza, Bonito é aquele tipo de destino que precisa ser visitado umas duas ou três vezes, em diferentes épocas do ano.

Para ver o famoso feixe de luz que ilumina o Abismo Anhumas (que costuma frustrar visitantes com sua pouca luz, em outras épocas), dezembro e janeiro são os meses ideais; já o cobiçado mergulho na Lagoa Encantada só começa a funcionar, a partir de abril ou maio.

Cardume de peixes no Rio da Prata (foto: André Turatti/Divulgação)
Cardume de peixes no Rio da Prata (foto: André Turatti/Divulgação)

A época da piracema afugenta os peixes nos rios de flutuações e a das chuvas, de novembro a fevereiro, turva as águas dos poções das cachoeiras.

Oficialmente, a alta temporada de Bonito inclui os meses de dezembro, janeiro e julho, bem como feriados nacionais. A temporada quente com chuvas vai de outubro a março.

ONDE FICAR
Lucca Hotel
Com 55 quartos, esse hotel fica a 3 quarteirões da avenida principal de Bonito e oferece lazer como piscina e bicicletas para aluguel. Diárias a partir de R$ 237. www.luccahotelpousada.com

Hotel Cabanas

Boia cross no rio Formoso (foto: Eduardo Vessoni)
Boia cross no rio Formoso (foto: Eduardo Vessoni)

Instalado em meio a mata, em uma área de 400 mil m², esse hotel a 6 km do centro tem chalés, bangalôs e apartamentos, com tarifas a partir de R$ 380. Destaque para a estrutura de esportes de aventura, aberto também para não hóspedes, como mergulho com cilindro; arvorismo de 300 metros e 18 obstáculos, que é combinado com duas tirolesas(R$ 95); e um circuito de boia cross com 1.200 metros de extensão e seis quedas d’água, no rio Formoso. www.hotelcabanas.com.br

Zagaia Eco Resort
Orçamentos mais folgados contam com opções mais luxuosas como esse resort, uma área de 600 mil m², equipado com quadras de tênis, campos de golfe e duas piscinas. www.zagaia.com.br

Para tarifas mais econômicas, tente os bem equipados hostels do destino como o Bonito Hi Hostel, com diárias a partir de R$ 38; e o Che Lagarto, logo na entrada da cidade, com valores desde R$36, em quarto compartilhado para 4 pessoas.

ALIMENTAÇÃO/COMPRAS
Pilad Rebuá é a avenida principal de Bonito, onde estão concentrados os restaurantes mais populares do destino, sorveterias (uma delas promete até sorvete assado), lojinhas de souvenirs do Mato Grosso do Sul e as principais agências de turismo.

Com preços acima da média nacional, é ali, por exemplo, que o visitante encontra um simples suco de polpa a R$ 8,20 e casas de hambúrguer que chegam a cobrar R$22 por um sanduíche sem nenhuma novidade.

Para refeições rápidas (e para dar um fôlego no orçamento) tente os excelentes trailers de sanduíches e espetinhos, ao lado do prédio da Prefeitura, e a concorrida casa familiar da rua Santana do Paraíso, cujas mesas do lado de fora estão sempre lotadas, à noite.

Durante nossa passagem pelo destino, o Viagem em Pauta visitou os restaurantes Aquário e Pantanal Grill, na avenida Pilad Rebuá, casas especializadas em peixes de água doce como o piraputanga grelhado com alcaparras e vinho, e a concorrida carne de jacaré (os pratos para 2 pessoas começam em R$ 73).

TRANSPORTE
A minúscula Bonito, cuja população não chega a 20 mil pessoas, não conta com linhas regulares de ônibus, tanto para os setores mais centrais quanto para os atrativos turísticos mais afastados.

Os visitantes dependem, exclusivamente, de táxi, moto-táxi e dos serviços de traslados, oferecidos nas agências de turismo. Para uma viagem mais autônoma, vale investir no aluguel de um carro, em Campo Grande.

SAIBA MAIS
Site do turismo oficial de Bonito
www.bonito.ms.gov.br
* O Viagem em Pauta visitou Bonito com o apoio da Secretaria de Turismo de Bonito e da GoPro

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