O museu mais arretado do Nordeste

Museu da Gente Sergipana (foto: Eduardo Vessoni)
Museu da Gente Sergipana (foto: Eduardo Vessoni)

O espaço é dedicado à gente sergipana, mas poderíamos afirmar, sem avexamento, que esse é um retrato de todo o Nordeste.

Localizado em um edifício de fachada imponente, no centro de Aracaju, o Museu da Gente Sergipana é como um memorial nordestino que homenageia as manifestações populares e capítulos da história do menor estado brasileiro, em cenográficas salas multimídias em que o próprio visitante dá o tom do tour.

“Ele não veio de uma coleção de objetos, mas de uma cultura aberta e pulsante”, descreve o curador Marcello Dantas. Esse espaço “de gente e da gente”, conforme Dantas, é também para a gente.

Deu vontade de fazer seu próprio repente ou entoar um cordel? Se avexe, não, que tem um museu inteiro só para você fazer isso.

Duas cabines contíguas possibilitam ao visitante protagonizar um repente, criado na hora, a partir de palavras soltas que ficam nas paredes, enquanto um repentista vai dando o tom da disputa verbal, em um vídeo gravado. É isso o que dá ter como referência espaços expositivos como os paulistanos Museu da Língua Portuguesa e o do Futebol, no estádio do Pacaembu.

Na sala vizinha, decorada com os famosos folhetos ilustrados do Nordeste, capítulos de cordéis podem ser lidos em uma tela. Tem ‘Antonio Conselheiro – o guerreiro de Canudos’, ‘João bebe água’ e ‘Josa, o vaqueiro do sertão’, só para citar alguns.

Quer conhecer uma típica feira nordestina? O feirante virtual Josevende protagoniza um curioso diálogo com o visitante/cliente, em meio a produtos como espelhinhos de bordas alaranjadas, chapéus de palha, “priquitinhas” (a mal cheirosa sandália de couro cru) e “marraia”, “marraite” e “ximbra”(ou “bolinhas de gude” para os não iniciados no sergipanês).

Em ‘Nossas Praças’, um carrossel de madeira, quando girado, projeta imagens em 360° de diversas praças que tanto marcam a relação do sergipano com essas áreas verdes e públicas.

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Sala 'Nossas Praças', no Museu da Gente Sergipana (foto: Eduardo Vessoni)
Sala ‘Nossas Praças’, no Museu da Gente Sergipana (foto: Eduardo Vessoni)
Museu da Gente Sergipana, em Aracaju, capital de Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)
Museu da Gente Sergipana, em Aracaju, capital de Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)

É possível participar também de um jogo de memória gigante, em que as peças são objetos relacionados com a cultura; jogar uma amarelinha (ou “macacão”, em língua local) em que as casas acionam vídeos sobre manifestações populares como o Barco de Fogo e a festa dos Santos Reis, na histórica Laranjeiras.

Os ‘cabra’ sergipanos são lembrados na sala ‘Nossos Cabras’, onde são contadas histórias por animações de figuras como Artur Bispo do Rosário, Sílvio Romero e até Lampião que, embora tenha nascido em Pernambuco, teve sua história encerrada em Sergipe, durante uma emboscada policial que tirou não só a sua vida como a de Maria Bonita e outros nove cangaceiros, na Grota do Angico, em 1938.

Para contar tanta história, oito metros de renda irlandesa recriam uma linha do tempo com os principais capítulos de Sergipe, na midiateca com tablets e livros para consulta.

“Ele não veio de uma coleção de objetos, mas de uma cultura aberta e pulsante”(Marcello Dantas-curador)

Sergipe é o menor estado do Brasil e o que se vê por ali parece caber em salas de museus.

Tem também uma mesa interativa em que o visitante monta um prato sergipano com opções de ingredientes disponíveis. E a cada vez que se acerta a composição, a história do prato e seu modo de preparo são projetados sobre o tabuleiro.

Dá ainda pra conhecer trajes históricos sergipanos, em que antigas indumentárias são projetadas em um espelho, cujas peças e movimentam de acordo com os gestos do visitante; e fazer uma viagem por um labirinto escuro de vidro que vai se iluminando com a presença de alguém, revelando aspectos artísticos e econômicos do estado.

Túnel com projeções de ecossistemas de Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)
Túnel com projeções de ecossistemas de Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)

Um dos destaques da exposição permanente do museu é a viagem que se faz por ecossistemas sergipanos, em que um túnel com projeções em 360° de lugares como o sertão, praias, rios, manguezais e caatinga. É ali, em barquinhos rústicos de madeira, que se tem a prova de que, em terras sergipanas, tamanho não é documento.

E se em Aracaju você só tiver tempo para uma única atração, lembre-se que no Museu da Gente Sergipana existe um estado inteiro que cabe ali dentro.

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VEJA VÍDEO DO MUSEU


O edifício
O Museu da Gente Sergipana fica em um edifício de arquitetura eclética, como o clássico e o barroco, onde funcionou o Colégio Atheneuzinho (Colégio Atheneu Dom Pedro II), uma das mais importantes instituições de ensino do estado, entre 1926 e 1969. No centro, uma rede de pesca, conhecida como jurerê, que guarda objetos típicos de Sergipe.

Seu cuidadoso projeto de recuperação incluiu o resgate de pinturas parietais (pinturas tipo mural sobre paredes), escondidas sob camadas de tinta colocadas em reformas anteriores, além do piso de assoalho de tábua corrida e o corrimão da escada principal ao segundo piso.

Fachada do Museu da Gente Sergipana, em Aracaju, capital de Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)
Fachada do Museu da Gente Sergipana, em Aracaju, capital de Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)

O átrio do prédio recepciona com um grande mapa no chão com as microrregiões de Sergipe, em que é possível escutar depoimentos orais de diversas partes do estado e acompanhar expressões nas paredes, que só parecem sentido para aquela gente.

Ou vai dizer que você sabe o que significa “ximar” “brefaia”, “papocar” ou “boga”?

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SAIBA MAIS
Museu da Gente Sergipana
Av. Ivo do Prado, 398 – Centro de Aracaju
De terça a sexta, das 10h às 16h; sábado, domingo e feriado, das 10h às 15h
Entrada grátis
www.museudagentesergipana.com.br

Turismo oficial de Sergipe
www.turismosergipe.net

(* O Viagem em Pauta visitou Sergipe com o apoio da Secretaria do Turismo e do Esporte de Sergipe e da GoPro)

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