Conheça Laranjeiras e São Cristóvão, cidades históricas de Sergipe

Distantes do mar e do rio São Francisco, mas próximos da capital Aracaju, os municípios de Laranjeiras e São Cristóvão são as versões históricas do turismo de Sergipe.

Se o litoral do menor estado brasileiro não teve a mesma sorte cenográfica dos vizinhos nordestinos, essas duas cidades souberam preservar seu passado histórico em forma de praças, igrejas e museus. Tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), há exatos 20 anos, Laranjeiras parece querer nos contar uma história a cada ladeira vencida.

Igreja do Senhor do Bonfim, vista do Alto do Bom Jesus, onde fica a Igreja Bom Jesus Navegantes, em Laranjeiras, cidade histórica de Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)
Igreja do Senhor do Bonfim, vista do Alto do Bom Jesus, onde fica a Igreja Bom Jesus Navegantes, em Laranjeiras, cidade histórica de Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)

É tudo tão cenográfico (e nostálgico) que Laranjeiras já serviu de cenário do filme ‘Orquestra dos Meninos’ (2008) e de produções televisas como ‘Teresa Batista’ e ‘Tieta’.

Esse destino a apenas 20 km da capital foi a cidade sergipana mais importante do período imperial, onde nasceu a primeira Alfândega de Sergipe, em 1836, e viu a indústria da cana-de-açúcar ser sua principal fonte de renda.

Antigo maior produtor de açúcar cristal do estado, o que na época lhe garantiu um alto nível de desenvolvimento econômico, atraindo comerciantes, profissionais liberais e intelectuais, Laranjeiras chegou a receber, em 1860, uma comitiva europeia que incluía ninguém menos do que o imperador Dom Pedro II e sua esposa Teresa Cristina.

Laranjeiras vista do alto da Igreja do Senhor do Bonfim, em Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)
Laranjeiras vista do alto da Igreja do Senhor do Bonfim, em Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)

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Terra fértil para a existência de 80 engenhos, entre os séculos 18 e 19, Laranjeiras viu o sincretismo nascer bem no quintal de casa, cujas ruas de paralelepípedos davam acesso a igrejas católicas e terreiros de culto afro, como o Filhos de Obá, considerado o primeiro terreiro de Sergipe, tombado pelo governo estadual.

Basta a gente se debruçar sobre o mapa do minúsculo centro histórico da cidade para encontrar, ao menos, dez espaços religiosos dedicados aos brancos, pardos e negros da época, a pouca distância uma da outra, como a Igreja Nossa Senhora da Conceição da Comandaroba, construída pela jesuítas, em 1731, onde o altar-mor abriga um túnel que funcionava como rota de fugas daqueles padres educadores.

O centro histórico é compacto e costuma ser destino em tours de um dia que fazem bate e volta, a partir de Aracaju.

Mercado Municipal de Laranjeiras, em Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)
Mercado Municipal de Laranjeiras, em Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)

Comece a visita na parte baixa da cidade, onde funciona o Mercado Municipal de Laranjeiras, antiga sede alfândega, em uma construção do século 19.

Quase em frente a esse edifício de 54 portas fica a estátua de João Sapateiro, um poeta negro de quase dois metros de altura, cujos trabalhos com solas e sapatos dividiam espaço com poesias feitas por ele mesmo e coladas nas paredes.

Vista da fachada do edifício que abriga a Universidade Federal de Sergipe, em Laranjeiras (foto: Eduardo Vessoni)
Vista da fachada do edifício que abriga a Universidade Federal de Sergipe, em Laranjeiras (foto: Eduardo Vessoni)

Outro destaque por ali é o belo Quarteirão dos Trapiches, endereço dos cursos de Arqueologia, Arquitetura, Dança, Teatro e Museologia da Universidade Federal de Sergipe. De estilo barroco, seu interior guarda as ruínas do antigo trapiche do rio Cotinguiba, onde é possível ver as palmeiras que teriam sido plantadas por Dom Pedro II.

Dali siga para a Praça da Matriz, espaço público que viu nascer o atual núcleo urbano de Laranjeiras, onde o tempo parece ter parado. O abriga a imponente Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, erguida em estilo barroco, na segunda metade do século 18 como a primeira a ser dedicada ao Sagrado Coração de Jesus no Brasil.

Conhecida como a Igreja dos Brancos por sua estrutura suntuosa, a Matriz tem como destaque um órgão alemão que, dizem, é um dos quatro existentes 4 do Brasil, e é manuseado, atualmente, por apenas duas pessoas.

Fachada da Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, erguida em estilo barroco, na segunda metade do século 18 como a primeira a ser dedicada ao Sagrado Coração de Jesus no Brasil, em Laranjeiras, Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)
Fachada da Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, erguida em estilo barroco, na segunda metade do século 18 como a primeira a ser dedicada ao Sagrado Coração de Jesus no Brasil, em Laranjeiras, Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)

Próximo à igreja estão museus como o Museu de Arte Sacra, o segundo mais importante de Sergipe, cujo acervo abriga imagens religiosas, mobiliários e alfaias; e o Afro-Brasileiro, museu que retrata as influências africanas em Sergipe, com peças da época do cultivo da cana, da escravatura, utensílios domésticos e referências às manifestações dos negros da época.

Mas é do alto que Laranjeiras mostra seu lado mais imponente como a Igreja do Bonfim, localizada na Colina Azulada, onde costumam dizer que é o local mais perto do céu. Do mirante da torre da igreja é possível ter uma vista panorâmica do Vale do Cotinguiba.

Igreja Bom Jesus Navegantes, em Laranjeiras, Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)
Igreja Bom Jesus Navegantes, em Laranjeiras, Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)

Do lado oposto, a Igreja Bom Jesus Navegantes, no Alto do Bom Jesus, é considerada a mais nova das construções religiosas de Laranjeiras, erguida em 1905. Simples e de estilo barroco, a igreja tem vista privilegiada para ver o pôr do sol na região.

E mesmo longe do mar e do rio São Francisco, dois dos ícones naturais de Sergipe, Laranjeiras tem as melhores histórias para serem contadas, em terras sergipanas.

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São Cristóvão
As ruas estreitas de acesso à primeira capital de Sergipe, na Região Metropolitana de Aracaju, escondem um dos mais belos cenários arquitetônicos do estado.

Desde 2010, a Praça São Francisco, na parte alta da cidade, é declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, onde se localizam os museus Histórico e de Arte Sacra, o Convento de São Francisco e o Palácio Provincial.

Praça São Francisco, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, em São Cristóvao, Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)
Praça São Francisco, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, em São Cristóvao, Sergipe (foto: Eduardo Vessoni)

Rodeada por construções dos séculos 18 e 19, a praça é um exemplar urbanístico com influências espanholas e portuguesas.

Fundada em 1590, essa cidade a 25 km de Aracaju é considerada uma das mais antigas do Brasil.

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SAIBA MAIS
Turismo oficial de Sergipe
www.turismosergipe.net

Laranjeiras
www.laranjeiras.se.gov.br

(* O Viagem em Pauta visitou Aracaju com o apoio da Secretaria do Turismo e do Esporte de Sergipe,e da GoPro)

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