Dicas de sobrevivência para encarar o Caminho de Santiago de Compostela

Peregrino segue até Santiago de Compostela, no trecho galego entre Lourenzá e Mondoñedo (foto: Eduardo Vessoni)
Peregrino segue até Santiago de Compostela, no trecho galego entre Lourenzá e Mondoñedo (foto: Eduardo Vessoni)

Dizem que todos os caminhos levam a Santiago de Compostela, e foi o que todo mundo fez. Só que pelo mesmo lugar e ao mesmo tempo.

Com 31 etapas e 775 km de extensão, o tradicional Caminho Francês é a rota mais popular para quem decide chegar a pé, entre a francesa Saint Jean de Pied de Port e Santiago de Compostela, na Espanha.

O resultado é um caminho congestionado de ‘turisgrinos’, como são chamados os turistas fantasiados de peregrinos, e com opções de hospedagem comprometidas pela falta de camas, sobretudo na alta temporada do verão europeu.

Por isso, é fundamental uma preparação prévia sobre o caminho a ser realizado, incluindo também um calendário com os dias a serem percorridos e os de descanso. Afinal de contas, seu caminho começa antes mesmo de você dar os primeiros passos nessa caminhada que teve início no ano 830, quando o ermitão Pelayo descobriu o túmulo do apóstolo Santiago, na Galícia, dando início à tradição da peregrinação até Compostela.

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Considerado a única do Caminho Norte a seguir pela costa, a comunidade de Astúrias abriga paisagens que refrescam o peregrino, ao longo dos 815 km até Santiago de Compostela, como o trecho Arenal de Moris a La Isla, uma caminhada curta de 4,5 km de extensão (foto: Eduardo Vessoni)
Considerado a única do Caminho Norte a seguir pela costa, a comunidade de Astúrias abriga paisagens que refrescam o peregrino, ao longo dos 815 km até Santiago de Compostela, como o trecho Arenal de Moris a La Isla, uma caminhada curta de 4,5 km de extensão (foto: Eduardo Vessoni)

PREPARO FÍSICO
Recomenda-se preparo físico prévio, mas é raro ver um peregrino que o faça, antes de cada caminhada diária. Por isso, a sugestão é ir se aquecendo ao longo dos dias.

Para encarar sem traumas os 25 km diários sugeridos, o ideal é começar a travessia aos poucos e ir elevando o ritmo da caminhada, de acordo com o desempenho de cada um. Como costumam dizer por ali, “caminhe como um velho e você chegará como um jovem”.

QUANDO IR

Seja no clássico Caminho Francês ou no alternativo Caminho Norte, a alta temporada vai de maio a setembro.

Porém os verdadeiros peregrinos evitam os meses de julho e agosto, temporada de verão europeu que atrai os ‘turisgrinos’, como são chamados os turistas que caminham sem nenhuma intenção espiritual ou religiosa. Vão mesmo pela ‘febre do Caminho’.

De março a maio, é a vez dos autênticos peregrinos, os que cruzam aquelas centenas de quilômetros para se encontrarem consigo mesmos.

Irún e Hondarribia (foto), na fronteira com a França, são as primeiras cidades do Caminho Norte, uma caminhada de 815 km até Santiago de Compostela, no País Basco, na Espanha (foto: Eduardo Vessoni)
Irún e Hondarribia (foto), na fronteira com a França, são as primeiras cidades do Caminho Norte, uma caminhada de 815 km até Santiago de Compostela, no País Basco, na Espanha (foto: Eduardo Vessoni)

QUANTO TEMPO
Vale lembrar que o caminho é seu e que você deve fazê-lo dentro de seus limites.

No entanto, o Caminho Norte de Santiago de Compostela possui 32 trechos (ou 32 dias), o que significa que você deverá andar, em média, 24 km diários, podendo chegar a 41 km em um único dia, como no trecho Santander-Queveda.

O QUE LEVAR

Embora conte com serviços de transfer de bagagens, entre uma cidade e outra, o Caminho de Santiago de Compostela é uma experiência para praticar o desapego. Por isso, tenha em conta que o peso desnecessário que você colocar em sua mochila será o mesmo que você terá que carregar, por mais de 30 dias.

A mochila não deve pesar mais do que 10% do peso do caminhante, ou seja, se você pesa 70 kg, seu limite recomendado é de 7 kg.

Peregrino segue até Santiago de Compostela, no trecho galego entre Lourenzá e Mondoñedo (foto: Eduardo Vessoni)
Peregrino segue até Santiago de Compostela, no trecho galego entre Lourenzá e Mondoñedo (foto: Eduardo Vessoni)

Segundo o site Consumer, o peregrino deve levar, além da roupa do corpo, duas ou três mudas de roupas, saco de dormir leve com capacidade para uma temperatura que varia de 10°C a 15°C, um cantil de um litro, um par de bastões de trekking, dois pares de meias curtas, outro de camisetas (ambos de poliéster e nunca de algodão, pois costumam demorar mais para secar), shorts de caminhada, jaqueta leve e impermeável, chapéu, toalha de microfibras, chinelos para os banhos nos albergues, objetos de higiene pessoal (escova, pasta de dentes, sabonete, shampoo e sabão para lavar roupas), kit de primeiros socorros, protetor solar, óculos de sol, lanterna, alguns pregadores para pendurar a roupa para secar, tampões de ouvido e venda de olhos; e, claro, a credencial de peregrino.

Leve um tênis ou chinelo extra para o final do dia, nos albergues, e use botas específicas para trekking, durante as caminhadas. Mas não deixe para ser surpreendido, durante a travessia. Amacie os calçados, antes de viajar.

ONDE FICAR
Durante a viagem, há dois tipos de albergues: o turístico, que aceita caminhantes sem credencial e custam entre 15 e 20 euros; e o de peregrinos, voltado apenas para os que possuem a identificação e custa 5 euros (em alguns casos, pode ser gratuito, mediante doações). Sem fins lucrativos, essa segunda opção conta com estrutura mínima como quartos com até 30 camas, chuveiro quente e, em alguns endereços, cozinha de uso coletivo.

Sapatos de peregrinos no Sobrado dos Monxes, na Galícia (foto: Eduardo Vessoni)
Sapatos de peregrinos no Sobrado dos Monxes, na Galícia (foto: Eduardo Vessoni)

Com menos opções de hospedagem e mais chuvoso, o Caminho Norte exige reservas prévias, durante o inverno da Europa. Já no popular Caminho Francês não é necessário reservar uma vaga no albergue, durante todo o ano.

QUANTO CUSTA
De acordo com a calculadora de gastos do site Consumer, o gasto médio diário, em albergues para peregrinos, é de 7 euros, totalizando 245 euros, entre Irun e Santiago de Compostela.

Se considerarmos gastos ocasionais como uso de lavanderia, possíveis remédios ou visitas a atrações turísticas, o valor sobre 1.050 euros, uma média de 23 euros por dia.

REGRAS
Embora sejam locais informais e simples, os albergues de peregrinos contam com regras bem rígidas: são fechados após às 22h, não se pode passar mais de uma noite em cada um dos estabelecimentos, reservas não são aceitas, bem como animais de estimação, e a preferência é para quem chega a pé.

Ciclistas são bem-vindos, mas devem aguardar a chegada dos que viajam a pé ou com limitações físicas.

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O ‘Caminho do Norte’ em números

⇒ Do País Basco a Galícia são 815 km de caminhada até Santiago de Compostela

⇒ A média de custos totais é de 1.200 euros

⇒ A hospedagem ao longo do caminho, em albergues exclusivos para peregrinos, custa em média  7,1 euros

⇒ No Caminho do Norte, há um povoado equipado com albergue, a cada 14,2 km;

Peregrino chega à Catedral de Santiago de Compostela, última etapa do 'Caminho Norte' (foto: Eduardo Vessoni)
Peregrino chega à Catedral de Santiago de Compostela, última etapa do ‘Caminho Norte’ (foto: Eduardo Vessoni)

⇒ Segundo a página oficial da Oficina de Acogida al Peregrino de Santiago de Compostela, 237.886 peregrinos realizaram o Caminho de Santiago de Compostela, em 2014. Desse total, 45,98% eram mulheres e 54,02%, homens;

⇒ Mais da metade dos peregrinos (55,39%) tinham entre 30 e 60 anos

⇒ Os países que mais exportam peregrinos até Santiago de Compostela são Itália (16,29%), Alemanha (13,15%), Portugal (9,38%), Estados Unidos (9,32%), França (7,52%), Irlanda (4,04%), Reino Unido (3,54%) e Coréia (3,09%)

⇒ O site Consumer lista 13 diferentes caminhos até Santiago de Compostela, incluindo a extensão até Fisterra (Camino Francés, Camino Aragonés, Camino Primitivo, Camino Vasco, Camino del Norte, Vía de la Plata, Camino Sanabrés, Camino Portugués, Camino Catalán por San Juan de la Peña, Camino Baztanés, Camino Inglés, Camino de San Salvador, Epílogo a Fisterra e Muxía)

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(*com informações do site Consumer)

 

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2 Comentário

    • Talvez seja interessante agir como peregrino, ir com com o espírito livre, despojado do máximo de conforto. Estou pensando em deixar a bagagem em um ponto de partida, iniciar a caminhada e retornar de trem ao ponto inicial. Para a caminhada, levar o mínimo sugerido mesmo…

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