Saiba como é uma viagem turística a Antártica, a mil km da Terra do Fogo

Antes de começar essa viagem, vale lembrar que a Antártica é o continente mais frio do planeta, recebe rajadas de ventos com velocidades extremas e fica longe, muito longe, a mil km do Ushuaia, mais conhecido como o Fim do Mundo.

Ainda assim, tem gente que paga (e não é pouco) para fazer essa que pode ser considerada uma das viagens mais exóticas e exclusivas do planeta.

Em roteiros que costumam durar mais de 10 dias, com saídas do Chile e da Argentina, os viajantes cruzam a mal-humorada Passagem de Drake, considerada a zona marítima com as piores condições de navegação do mundo.

São 60 horas até a Península Antártica, o pedaço de gelo com melhores condições para turismo em todo o Continente Branco.

Foto tirada às 23h11, em Porto Lockroy, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
Foto tirada às 23h11, em Porto Lockroy, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

LEIA TAMBÉM: “[crônica]: Pole dance a 45° de inclinação, em pleno alto-mar”

Nos dias seguintes, já em águas calmas antárticas, é possível navegar por canais estreitos, avistar icebergs de curvas surreais, ver fauna exibida que não hesita em se aproximar dos visitantes e protagonizar uma rotina diária de atividades como passeios de caiaque, trekking no gelo e camping a céu aberto.

Como é a viagem?
Essas expedições costumam ser realizadas em navios quebra-gelo, adaptados para fins turísticos.

Nessas embarcações, marcadas pela informalidade, não há festas com passageiros metidos em traje de gala, muito menos musicais pós-jantar. As atividades de entretenimento a bordo se resumem a workshops com especialistas em aquecimento global, geologia, vida no gelo e fotografia. O melhor da viagem está do lado de fora.

foto: Eduardo Vessoni
foto: Eduardo Vessoni

Os embarcados viajam em cabines para até quatro pessoas, equipadas com banheiro e camas. Não é raro ter que dividir a acomodação com desconhecidos.

A língua falada a bordo costuma ser a da bandeira do país de origem da embarcação, mas o inglês é, facilmente, usado em todos os navios (sobretudo porque a maioria dos passageiros são dos Estados Unidos e Europa).

A Antártica não é um destino de compras , exceto uns cartões postais ou souvenirs em uma agência de correio, em Port Lockroy, em Goudier Island. Por isso, todas as refeições estão incluídas, do café da manhã ao jantar, inclusive um providencial chá da tarde para esquentar os ânimos.

É Antártica ou Antártida?

Ambos nomes estão corretos.

De origem grega, a palavra Antártica é usada como oposto a Anti-Ártico.

Já a versão latina Antártida seria uma referência à Atlântida, a lendária ilha dos tempos de Platão. Vale lembrar que o primeiro é adotado pelo governo brasileiro, inclusive nos documentos da PROANTAR, o programa da marinha nacional para estudos científicos na região.

Onde ir?

Vista da Almirante Brown, base científica argentina, em Paradise Harbour, na Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
Vista da Almirante Brown, base científica argentina, em Paradise Harbour, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

A mil km da Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina, a Península Antártica é a parte mais ao norte do continente, o que garante melhores condições climatológicas e mais vida animal.

Alguns roteiros antárticos incluem também passagem pelas Malvinas e pelas Ilhas da Geórgia do Sul e Sandwich.

O que fazer?
As atividades podem variar de acordo com cada embarcação e com as habilidades dos passageiros. Mergulhos, por exemplo, só podem ser feitos por pessoas credenciadas e com especialização em uso de roupa especial, conhecida como dry suite.

Confira galeria com atividades turísticas na Antártica

  • ACAMPAR AO AR LIVRE: Para elevar o grau de contato com essa região isolada do planeta, os navios que chegam ao Continente Branco organizam inusitados acampamentos ao ar livre por uma longa e gelada noite (foto: Eduardo Vessoni)
    ACAMPAR AO AR LIVRE: Para elevar o grau de contato com essa região isolada do planeta, os navios que chegam ao Continente Branco organizam inusitados acampamentos ao ar livre por uma longa e gelada noite (foto: Eduardo Vessoni)

  • VER ANIMAIS DE PERTO (MUITO PERTO): Em locais como Paradise Harbour e a ilha Aitacho, animais se aproximam dos visitantes sem nenhuma cerimônia, como os simpáticos pinguins-gentoo (foto) que tendem a transgredir as regras que limitam a distância de cinco metros entre os bichos e os visitantes (foto: Eduardo Vessoni)
    VER ANIMAIS DE PERTO (MUITO PERTO): Em locais como Paradise Harbour e a ilha Aitacho, animais se aproximam dos visitantes sem nenhuma cerimônia, como os simpáticos pinguins-gentoo (foto) que tendem a transgredir as regras que limitam a distância de cinco metros entre os bichos e os visitantes (foto: Eduardo Vessoni)

  • VER O FINAL DO DIA (OU NÃO): Durante o verão antártico, que vai de novembro a início de abril, a sensação é como a de viver um eterno dia de sol com 24 horas de duração. Na foto, final do dia em Port Lockroy, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
    VER O FINAL DO DIA (OU NÃO): Durante o verão antártico, que vai de novembro a início de abril, a sensação é como a de viver um eterno dia de sol com 24 horas de duração. Na foto, final do dia em Port Lockroy, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

  • SER ACOMPANHADO POR UM GRUPO DE BALEIAS: Durante a viagem pela Antártica é comum ver grupos de baleias cortando a rota dos navios que singram aquelas águas geladas e calmas. Na região da Península Antártica, por exemplo, é possível avistar espécies como baleias orca e cachalote (foto: Eduardo Vessoni)
    SER ACOMPANHADO POR UM GRUPO DE BALEIAS: Durante a viagem pela Antártica é comum ver grupos de baleias cortando a rota dos navios que singram aquelas águas geladas e calmas. Na região da Península Antártica, por exemplo, é possível avistar espécies como baleias orca e cachalote (foto: Eduardo Vessoni)

  • CONHECER UMA ESTAÇÃO DE PESQUISA: Vista da Almirante Brown, base científica argentina, em Paradise Harbour, na Antártica. Conhecida como o ‘continente mais inteligente do mundo’ devido à concentração de estudiosos, a Antártica abriga bases científicas que podem ser visitadas como a chilena General Bernardo O’Higgins e a Base Antártica Brown, da Argentina (foto: Eduardo Vessoni)
    CONHECER UMA ESTAÇÃO DE PESQUISA: Vista da Almirante Brown, base científica argentina, em Paradise Harbour, na Antártica. Conhecida como o ‘continente mais inteligente do mundo’, devido à concentração de estudiosos, a Antártica abriga bases científicas que podem ser visitadas como a chilena General Bernardo O’Higgins e a Base Antártica Brown, da Argentina (foto: Eduardo Vessoni)

  • VER PINGUINS AOS MONTES: Colônia de pinguins em Jougla Point, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
    VER PINGUINS AOS MONTES: Colônia de pinguins em Jougla Point, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

  • VER TÚNEIS DE GELO: Paradise Harbour é um cenário impactante formado pelo reflexo das geleiras sobre as águas calmas e suas formas abstratas que vão se modificando de acordo com o ponto de vista do viajante (foto: Eduardo Vessoni)
    VER TÚNEIS DE GELO: Paradise Harbour é um cenário impactante formado pelo reflexo das geleiras sobre as águas calmas e suas formas abstratas que vão se modificando de acordo com o ponto de vista do viajante (foto: Eduardo Vessoni)

  • DESEMBARCAR EM UM VULCÃO CONGELADO: Deception Island é um dos destinos mais inusitados de toda a Península Antártica. Com acesso por um estreito canal de 150 metros, na baía Foster, a ilha está localizada no interior da cratera congelada de um vulcão (foto: Eduardo Vessoni)
    DESEMBARCAR EM UM VULCÃO CONGELADO: Deception Island é um dos destinos mais inusitados de toda a Península Antártica. Com acesso por um estreito canal de 150 metros, na baía Foster, a ilha está localizada no interior da cratera congelada de um vulcão (foto: Eduardo Vessoni)

  • VISITAR UMA COLONIA DE PINGÜINS: A Half Moon Island, uma das ilhas da Península Antártica, abriga colônias de pinguins como o gentooo (na foto acima) e os divertidos pinguins-de-barbicha, cuja penugem lembra uma barba discreta e um capacete militar (foto: Eduardo Vessoni)
    VISITAR UMA COLONIA DE PINGUINS: A Half Moon Island, uma das ilhas da Península Antártica, abriga colônias de pinguins como o gentooo (na foto acima) e os divertidos pinguins-de-barbicha, cuja penugem lembra uma barba discreta e um capacete militar (foto: Eduardo Vessoni)

  • VISITAR UMA COLONIA DE PINGÜINS: Half Moon Island, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
    VISITAR UMA COLONIA DE PINGUINS: Half Moon Island, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

  • FAZER TREKKING NA NEVE: Caminhadas guiadas por guias especializados em explorações de montanhas são algumas das atividades que podem ser feitas em Moon Island, nas ilhas Shetland do Sul, a 120 quilômetros a norte da península Antártica (foto: Eduardo Vessoni) FAZER TREKKING NA NEVE: Caminhadas guiadas por guias especializados em explorações de montanhas são algumas das atividades que podem ser feitas em Moon Island, nas ilhas Shetland do Sul, a 120 quilômetros a norte da península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
    FAZER TREKKING NA NEVE: Caminhadas guiadas por guias especializados em explorações de montanhas são algumas das atividades que podem ser feitas em Moon Island, nas ilhas Shetland do Sul, a 120 quilômetros a norte da península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

  • PRATICAR CAIAQUE: A prática de caiaque é uma das atividades que podem ser feitas em Moon Island, nas ilhas Shetland do Sul, a 120 quilômetros a norte da península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
    PRATICAR CAIAQUE: A prática de caiaque é uma das atividades que podem ser feitas em Moon Island, nas ilhas Shetland do Sul, a 120 quilômetros a norte da península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

  • MERGULHAR: A vida marinha é um dos destaques que quase ninguém consegue ver. Paredões de algas, caranguejos, borboletas-do-mar, focas e baleias (essas, sim, costumam se mostrar do lado de fora) são alguns dos animais que podem ser vistos, durante mergulhos em águas antárticas. Em paredes de gelo ou próximo à praia, os mergulhos na Antártica acontecem em águas com até 20 metros de profundidade e a 1°C, o que exige uso de roupa especial, conhecida como dry suite, que permite mergulhar em águas frias (foto: Oceanwide Expeditions/Divulgação)
    MERGULHAR: A vida marinha é um dos destaques que quase ninguém consegue ver. Paredões de algas, caranguejos, borboletas-do-mar, focas e baleias (essas, sim, costumam se mostrar do lado de fora) são alguns dos animais que podem ser vistos, durante mergulhos em águas antárticas. Em paredes de gelo ou próximo à praia, os mergulhos na Antártica acontecem em águas com até 20 metros de profundidade e a 1°C, o que exige uso de roupa especial, conhecida como dry suite, que permite mergulhar em águas frias (foto: Oceanwide Expeditions/Divulgação)

LEIA TAMBÉM: “Acampamento ao ar livre é um dos destaques na Antártica”

Dá para ver animais de perto?
Mais perto do que você imagina.

Só não fique a menos de cinco metros de distância da bicharada, regra seguida à risca pelos guias que desembarcam com os passageiros e que não hesitam em chamar a atenção dos transgressores.

Desembarque em Jougla Point, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
Desembarque em Jougla Point, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
O ponguim-de-barbicha é um dos destaques da Aitacho Island, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)
O ponguim-de-barbicha é um dos destaques da Aitacho Island, na Península Antártica (foto: Eduardo Vessoni)

Com entrada controlada de humanos, e animais que parecem não se importar com a chegada de forasteiros, a Antártica é como aqueles documentários de vida selvagem que a gente pensava existir só na televisão.

Prepare-se para ver, sem nenhum esforço e a poucos centímetros de distância, aves marinhas, baleias do tipo orca e cachalote, focas sobre placas de gelo e até no acampamento ao lado; e milhares de pinguins, como os de barbicha e gentoo.

Como chegar
O Continente Branco fica a mil km do Ushuaia, na Argentina; e a 1.200 km de Punta Arenas, no Chile.

Um dos destinos mais populares na região é a Península Antártica, no norte do Continente Branco. A travessia entre o porto de Ushuaia e o território antártico costuma durar, aproximadamente, 60 (agitadas e mareantes) horas de viagem.

Exceto se você for pesquisador ou integrante de alguma expedição científica, só é possível chegar ao continente, a bordo de alguns dos navios quebra-gelo com fins turísticos que partem da Argentina ou do Chile.

Quando ir

Vista da base científica de Porto Lockroy (foto: Eduardo Vessoni)
Vista da base científica de Porto Lockroy (foto: Eduardo Vessoni)

A curtíssima temporada turística na Antártica costuma ir de novembro a março, quando a temperatura é mais alta e os animais são abundantes na região.

É nessa mesma época que a região tem luz natural por quase 24 horas, uma eterna luta entre o sono e a vontade de acompanhar o dia sem fim, do lado de fora.

É frio?
Explorar regiões remotas como a Antártica exige flexibilidade por parte do viajante.

Prepare-se para todo tipo de condição climática, cancelamento de atividades exteriores ou mudança de rota. O clima na Antártica é instável e, em questão de minutos, tudo pode mudar.

No entanto, o verão na costa costuma ser de 0º, embora os ventos gelados sejam responsáveis pela sensação de frio. Em outubro, por exemplo, os termômetros marcam entre -7 e 0°C .

O que levar?
Nada de improvisar com as roupas que você levou para a última viagem para Bariloche. A Antártica é fria, sim, exige uso de roupas especiais para temperaturas extremas como peças térmicas, corta-ventos e impermeáveis.

Animais selvagens, como a foca-de-weddell (na foto, à esq.) e bases científicas podem ser vistas durante acampamento na Antártica
Animais selvagens, como a foca-de-weddell (na foto, à esq.) e bases científicas podem ser vistas durante acampamento na Antártica

Todo desembarque conta com complexo processo de preparação que inclui usar botas especiais lavadas em uma solução desinfetante e as ordens rígidas para saída do barco. Por ser um destino afastado e de delicado ecossistema, é necessário também aspirar todas as roupas e utensílios que serão levados para fora, como roupas, bolsas fotográficas e tripés.

Quanto custa?
Não é barato e um pacote básico de 9 dias, sem aéreo até o Ushuaia, começa em US$ US$5.550. Para viagens de 10 dias, entre as Ilhas Shetland do Sul e a Península Antártica, os preços são a partir de US$ 7.200 dólares por pessoa, só a parte marítima.

No entanto, não é raro encontrar promoções de última hora com descontos de mais de 50%, semanas antes do embarque. Se você tiver férias flexíveis, vale a pena arriscar deixar para se programar com menos antecedência.

VEJA VÍDEO
(em inglês)

SAIBA MAIS
Oceanwide Expeditions
Essa empresa holandesa opera na Antártica de novembro a abril; e no Ártico, de junho a setembro.
www.oceanwide-expeditions.com
Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*