Passeio de lancha na Represa de Guarapiranga é opção inusitada de SP

Do outro lado da avenida, São Paulo segue no seu mais famoso ritmo. Trânsito carregado, vias congestionadas e um cenário cinza que pouco inspira para uma viagem no final de semana.

Mas é só cruzar o portão de acesso ao píer de madeira de um clube local de iatismo para uma nova cidade despontar no horizonte, em plena Zona Sul.

Há apenas nove meses, o Yacht Club Sant Amaro conta com aluguel de lanchas de alto padrão para passeios na Represa de Guarapiranga, no Jardim Guarapiranga.

E, no roteiro, atividades e atrações que a gente já não esperava mais encontrar, a poucos minutos do centro da maior cidade latino-americana: ilhas pouco visitadas, praia de água doce, trilhas curtas, observação de animais e até um inusitado Stand Up Paddle.

As viagens são feitas a bordo de duas lanchas de 29 pés e com capacidade para até dez passageiros.

As embarcações contam com área social, deque e ambientes internos como sala, cozinha, banheiro e um pequeno quarto.

Lancha durante passeio na Represa de Guarapiranga, na Zona Sul de São Paulo (foto: VivantSP/Divulgação)

“É uma experiência exclusiva, em plena cidade de São Paulo, que garante status e imediatismo. É o luxo acessível”, descreve Adrian Meusburger, um dos proprietários da Vivant SP, empresa que oferece o serviço desde 2016.

Embora o turismo náutico ainda seja elitizado no Brasil, conforme lembra Meusburger, a experiência de passar um dia sobre as águas calmas de uma represa pode ser mais acessível do que se imagina.

Só para se ter uma ideia, uma hora de navegação na represa custa R$ 200 (casal + R$ 20 por passageiro extra) e inclui combustível e marinheiro. Por mais R$ 35 (por pessoa) é possível incluir mix de nozes e bebidas.

Para os mais animados, ainda dá até para pedir uma garrafa de espumante.

Área interna da lancha que realiza passeios na Represa de Guarapiranga, na Zona Sul de São Paulo (foto: VivantSP/Divulgação)

Procurado por casais e famílias, o aluguel das lanchas costuma ser usado para jantares românticos e até para a virada do ano. No último Reveillon, o aluguel de uma lancha com ceia incluída custava R$ 500, por pessoa.

Em nove meses de funcionamento, no Yacht Club Santo Amaro, 570 pessoas já embarcaram em lanchas na Guarapiranga, em mais de 120 viagens diferentes.

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COMO É O PASSEIO
As lanchas saem do Yacht Club Sant Amaro, próximo à Barragem do Guarapiranga, e realizam passeios, a partir de 60 minutos de duração.

Com 26 km², a Represa de Guarapiranga conta com atrativos como a Ilha dos Amores, setor mais popular com pequena praia de água doce e área para churrasco (fuja, sobretudo, nos finais de semana).

Mas é, a partir da Ilha dos Macacos, que São Paulo parece provar que vai além do skyline de concreto.

Ilha dos Macacos, na Represa de Guarapiranga (foto: Eduardo Vessoni)

Essa ilha é a maior de toda a represa e abriga animais como aves (dizem que por ali são 27 espécies diferentes), preás, capivara e até macaco-prego.

É ali que aquelas águas represadas apresentam melhor qualidade, devido a pouca movimentação de embarcações e distância das ocupações irregulares de bairros próximos, um dos maiores problemas da região.

As lanchas costumam fazer paradas para que os passageiros possam nadar ou praticar Stand Up Paddle, cujas pranchas e remos já estão incluídos no aluguel da embarcação.

Stand UP Paddle, na Represa de Guarapiranga (foto: Eduardo Vessoni)

Outro destaque do roteiro é a Igreja Messiânica, conhecida também como Solo Sagrado de Guarapiranga.

Erguido em uma área de mais de 327 mil m², no início dos anos 90, o local é considerado um dos maiores espaços de meditação do Brasil. O espaço fica aberto apenas de 4ª a 6ª e no quarto final de semana do mês, das 7h30 às 15 h.

Solo Sagrado de Guarapiranga, às margens da Represa de Guarapiranga (foto: Eduardo Vessoni)

Durante a navegação, ainda é possível ver resquícios da época em que a Guarapiranga era uma região elitizada, até os anos 80, movida por empresários do então polo industrial do bairro que mantinham casas de veraneio, às margens da represa.

Adam Ditrik von Bülow, um dos acionistas da Companhia Antarctica Paulista, tinha casa no bairro conhecido como Riviera Paulista.

Navegação na Represa de Guarapiranga (foto: Eduardo Vessoni)

Inaugurada em 1908 para a produção de energia elétrica, a represa é o terceiro maior sistema de água da Região Metropolitana de São Paulo, segundo a SABESP, servindo à grande parte da Zona Sul da capital paulista.

Os investimentos estruturais dos últimos anos têm atraído turistas urbanos que procuram suas praias de água doce e áreas para prática de esportes náuticos.

E, do alto de uma lancha, São Paulo nem parece mais a mesma (ainda que for apenas duas horas).

SAIBA MAIS
VivantSP
Passeio de lanchas na Represa de Guarapiranga
www.vivantsp.com.br

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