Miami histórica: a queridinha dos brasileiros sem compras

Miami guarda uma versão histórica que visitantes preocupados em encher sacolas nem sempre têm tempo de incluir na viagem.

Castelo e piscinas construídas com rochas de coral, casarão de estilo europeu declarado monumento nacional e até um monastério ibérico trazido do outro lado do Atlântico, peça por peça, são alguns dos exemplos que, de longe, lembram o consumismo dessa cidade do sul da Flórida.

Por essa Miami você não esperava.

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MUSEU VIZCAYA

Esse museu é um dos endereços que relembram os primeiros anos do destino, um casarão em estilo italiano do início do século passado e interior decorado com objetos da época.

No jardim externo, em estilos francês e renascentista, repousam estátuas clássicas espalhadas por quatro hectares de mata nativa e, sobre a baía de Biscayne, uma plataforma com traços inspirados nos canais de Veneza, conhecida como ‘A grande barcaça de pedra’.

Não é novidade que Miami é um dos destinos mais procurados pelos brasileiros. A cidade, paraíso para quem viaja com a intenção de percorrer um variado roteiro de compras, é o terceiro destino dos sonhos entre os viajantes do Brasil, sendo mencionada por 12% dos participantes na enquete do site Skyscanner (foto: Eduardo Vessoni)
foto: Eduardo Vessoni

Erguido em 1916, esse monumento nacional surgiu em uma época em que a construção de mansões luxuosas inspiradas nos palácios da Europa era tendência nos Estados Unidos.

O local já serviu como casa de inverno da família do industrial agrícola James Deering até 1925 e, atualmente, abriga a sede do Vizcaya Museum & Gardens, em Coconut Grove.

Curiosamente, o casarão foi construído por mais de mil pessoas trazidas da Europa e das ilhas vizinhas do Caribe, em uma época em que a cidade tinha apenas dez mil habitantes.

Durante a visita ao local, é possível conhecer os 34 quartos, onde estão expostos objetos e obras de arte dos séculos 15 ao 19.

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ANCIENT SPANISH MONASTERY

Este atrativo surpreende não só por sua beleza arquitetônica, mas também pela forma como chegou a Miami.

Foram necessárias 11 mil caixas de madeira para transportar esse monastério espanhol desmontado para atravessar o Atlântico.

Em 1953, a revista Time classificou o feito como ‘o maior quebra-cabeça da História’.

Conhecido, originalmente, como Monastery of St. Bernard de Clairvaux, esse templo religioso foi construído no início do século 12, em Sacramenia, próximo a Segóvia, na Espanha.

Ancient Spanish Monastery, em Miami (foto: Chris Foster/Flickr-Creative Commons)
Ancient Spanish Monastery, em Miami (foto: Chris Foster/Flickr-Creative Commons)

Monges viveram no local por 700 anos, aproximadamente, até que a Revolução Social de 1830 obrigou os religiosos a venderem seus claustros.

publisher William Randolph Hearst adquiriu a estrutura, em 1925, e mandou via navio, peça por peça, para os Estados Unidos.

Porém, suas dívidas financeiras levaram ao confisco da mercadoria e aquelas peças históricas estiveram guardadas em um armazém do Brooklyn, por quase 30 anos, até que fossem compradas para fins turísticos por dois empresários do setor, em 1952.

Dezenove meses depois do início da reconstrução e com um investimento de 20 milhões de dólares, erguia-se o que se conhece, atualmente, como o ‘Antigo Monastério Espanhol’ com seus arcos gótico, tetos abobadados e paredes de pedra decoradas com vitrais.

VENETIAN POOL

As piscinas históricas de Coral Gables, cidade de estilo revival mediterrâneo, a sudoeste de Miami, guardam outro capítulo da história da região.

Construída em 1923 com rochas de coral, essa piscina pública é declarada ‘Lugar Histórico Nacional’ e tem capacidade para 3 milhões de litros de água e está rodeada por pequenas cavernas e ilhas em seu centro.

Venetian Pool, em Coral Gables, Miami (foto: Eduardo Vessoni)
Venetian Pool, em Coral Gables, Miami (foto: Eduardo Vessoni)

O cenário com palmeiras, pontes e pórticos chega a lembrar uma espécie de ‘Ilha da Fantasia’, sobretudo quando o local é invadido por famílias em dias quentes.

A obra de Denman Fink, responsável pela criação da piscina, faz parte do projeto ousado de George Merrick de criar uma área de estilo mediterrâneo inspirada em destinos espanhóis como Maiorca, Cartagena e Málaga.

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BILTMORE HOTEL

Este resort de luxo em estilo mediterrâneo e fachada em tom terracota, como no projeto original, abriga uma torre de três andares inspirada na Giralda, catedral de Sevilha.

Fachada do Biltmore Hotel (foto: Eduardo Vessoni)
Fachada do Biltmore Hotel (foto: Eduardo Vessoni)

Inaugurado em 1926, o Biltmore é Patrimônio Histórico Nacional e hospedou figuras como Al Capone, cujo quarto no alto da torre ainda guarda marcas das balas disparadas por esse gangster do Brooklyn, procurado por contrabando de bebidas, nas décadas de 20 e 30.

Marcas de tiros deixadas por AL Capone, na suíte do hotel Biltmore, em Miami (foto: Eduardo Vessoni)
Marcas de tiros deixadas por AL Capone, na suíte do hotel Biltmore, em Miami (foto: Eduardo Vessoni)

Mas um dos locais mais famosos deste hotel de tetos em travertino, afrescos pintados à mão e colunas de mármore é a piscina com mais de 2 mil m² e com mais de 2,6 milhões de litros de água que, durante a Era do Jazz das décadas de 20 a 40, serviu de cenário para concorridas apresentações de nado sincronizado.

CORAL CASTLE

Decepção amorosa e relações cortadas são alguns dos elementos que fazem parte da história dessa atração da cidade de Homestead.

Edward Leedskalnin estava para se casar com Agnes Scuffs, uma jovem que decidiu cancelar seu casamento um dia antes da cerimônia que aconteceria em uma igreja de Vecgulbene, na Letônia.

Decepcionado, Ed, como ficou conhecido esse imigrante dos Bálcãs, viajou para Nova York, em 1912.

Na tentativa de criar um monumento em homenagem a seu amor perdido, Ed ergueu, durante três anos, um impressionante castelo com mais de mil toneladas de rochas de corais.

Coral Castle, em Homestead (foto: Eduardo Vessoni)
Coral Castle, em Homestead (foto: Eduardo Vessoni)

Misteriosamente, Ed carregou pesadas pedras de Florida City até seu novo endereço, uma distância equivalente a pouco mais de 16 quilômetros. É daquela época que vem a fama de que Ed seria dotado de poderes supernaturais.

O local, que até hoje intriga cientistas, é comparado a Stonehenge, monumento pré-histórico do sul da Inglaterra, e às pirâmides do Egito.

No jardim externo, onde está a maioria dos móveis construídos por Ed, é possível ver uma porta de nove toneladas, construída sob um eixo que permite o visitante empurrá-la com apenas um dedo.

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