Conheça o destino brasileiro que inspirou o filme ‘Z – A Cidade Perdida’

 

Com estreia no Brasil, prevista para abril de 2017, o filme ‘Z: A Cidade Perdida’ (‘The Lost City of Z’, título em inglês) relembra a misteriosa história de Percy Fawcett que, em 1925, desapareceu, no Mato Grosso, em busca de um portal para a cobiçada Cidade Z.

Conhecido também como Cidade Abandonada, o local ficaria na Serra do Roncador, a mais de 500 km de Cuiabá, capital do Mato Grosso, e seria uma passagem secreta para uma civilização perdida.

Cachoeira São Francisco, na Rota Franciscana, na Serra do Roncador (foto: Eduardo Vessoni)

Obstinado pela localização daquele portal, o britânico Fawcett, acompanhado de seu filho Jack e do amigo Raleigh Rimell, dava início à busca da Cidade Z, desaparecendo, sem deixar pistas.

No entanto, estudiosos da história acreditam que o coronel procurava mesmo pedras preciosas e um título que lhe desse fama mundial.

São tantas histórias que Fawcett é considerado o verdadeiro Indiana Jones, inspiração para a criação desse personagem dos filmes de Steven Spielberg.

‘Z – A Cidade Perdida’ tem direção de James Gray (‘Os donos da noite’ e ‘Era Uma Vez em Nova York’) e produção executiva de Brad Pitt, entre outros produtores.

Mas para nossa frustração, o filme não foi rodado na região. Segundo o IMDB, as cenas foram gravadas na Colômbia e na Irlanda do Norte.

E talvez isso seja melhor. Assim aquelas terras misteriosas continuam escondidas do grande público.

VEJA TRAILER OFICIAL (em inglês)

Sobre a Serra do Roncador

Outra teoria difundida na região é que o Roncador teria uma passagem secreta que liga aquelas terras amazônicas com a peruana Machu Pichu.

“O Roncador é mais conhecido por seu lado místico e misterioso do que por suas belezas naturais”, descreve Ralph Reis, guia que atua nesse destino, cujo tímido turismo de aventura vem tentando ganhar espaço, em meios a vizinhos mato-grossenses de peso como o Pantanal e a Chapada dos Guimarães.

Mas o melhor desse destino ainda desconhecido dos brasileiros são os atrativos naturais como cachoeiras escondidas; córregos que rasgam cânions com piscinas naturais; e uma infinidade de trilhas ainda pouco exploradas.

Seu nome teria origem no barulho feito pelo vento, ao passar por fendas nas pedras.

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CONHEÇA ATRAÇÕES

Clássicos
Os atrativos com acesso mais fácil, na beira da BR-158, fica a pouco mais de 60 km de Barra do Garças, no Vale dos Sonhos.

Bico da Serra, no Vale dos Sonhos, na Serra do Roncador (foto: Erico Mabellini/Wikemedia Commons)

É da estrada que dá para ver o Bico da Serra, curiosas formações rochosas esculpidas pelo vento. Dali, siga para o mirante do Arco de Pedra, com vistas panorâmicas da região; e, mais à frente, a Gruta da Estrela Azul, um pequeno sítio arqueológico com desenhos geométricos e inscrições em alto-relevo.

Cenográficos
Pouco conhecida entre os visitantes, o Córrego do Ouro abriga pequenas quedas d’água que formam piscinas naturais com diversos formatos, semelhantes às do Vale da Lua, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás.

Córrego do Ouro, na Serra do Roncador (foto: Eduardo Vessoni)

O local fica próximo a outra atração cenográfica (e desconhecida), a Rota Franciscana, com acesso pela mesma estrada que leva até ao Arco de Pedra, a 130 km de Barra do Garças É ali que fica a impressionante Cachoeira São Francisco, também no Vale dos Sonhos, cujo acesso é por uma gruta que tem vista da parte traseira dessa queda d’água.

Cachoeira São Francisco, na Serra do Roncador, no Mato Grosso (foto: Eduardo Vessoni)

Outro cenário que vale o esforço é a Cachoeira do Cardoso. É uma queda de 130 metros de altura que forma uma conveniente piscina natural para banho. A trilha de acesso (3 km, ida e volta) tem início na Fazenda Furna do Mineiro, onde os visitantes costumam almoçar após a visita à cachoeira.

Cachoeira do Cardoso (foto: Eduardo Vessoni)

Aventureiros
Em área particular e de acesso controlado, o Bateia, localizado na vizinha Serra do Taquaral, abriga diversas cachoeiras, como a Bateia I (86 metros de altura, sobre um poço em mata fechada) e a imperdível Cachoeira do Escorrega, uma queda de três metros que sai sobre o interior de um cânion, com acesso por uma escada.

Bateia I, uma das opções de cachoeiras na Serra do Roncador, no Mato Grosso (foto: Eduardo Vessoni)

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Curiosidades sobre Fawcett

– A insistência em encontrar o portal para a Cidade Z era baseada em experiências no antigo Ceilão, onde encontrou ruínas de um antigo templo com inscrições desconhecidas, e no “Documento 512”, uma carta com caracteres que davam pistas da localização de uma cidade perdida no Brasil.

– Sua história teria inspirado não só o personagem Indiana Jones mas também o “O Mundo Perdido”, do britânico Arthur Conan Doyle.

– Antes de sua viagem fatal, Fawcett já havia realizado sete expedições na América do Sul, entre 1906 e 1924.

foto: Wikipedia Commons

– Para sua última empreitada, o coronel chegou a solicitar apoio ao então presidente do Brasil, Epitácio Pessoa, mas o militar Cândido Rondon recusou o pedido, já que o país não precisava de estrangeiros em suas expedições em território nacional.

– As cartas enviadas à esposa Nina não continham detalhes sobre sua localização ou eram escritas com informações imprecisas. Fawcett queria mesmo exclusividade em sua descoberta.

– Nos anos seguintes, várias buscas foram organizadas para econtrar o paradeiro do trio desaparecido, como a Expedição Dyott– da qual participou o filho mais novo do britânico, Brian Fawcett -; a de Assis Chateaubriand, que deu origem à série de reportagens “Haverá uma Atlântida brasileira?”; e a de Antonio Callado, em que o indigenista Orlando Villas Boas afirmava ter encontrada a suposta ossada de Fawcett.

LEIA TAMBÉM: “Presidente Figueiredo: “Terra das Cachoeiras”, em plena Floresta Amazônica”

SAIBA MAIS
⇒ 
Como chegar
Barra do Garças, a 380 km da capital goiana, é o principal acesso à Serra do Roncador. Os aeroportos mais próximos são os de Barra Garças e o de Goiânia, em Goiás.

Essa região de geografia complexa não é para principiantes e todas as atrações, sobretudo as trilhas para as cachoeiras, devem ser feitas com o acompanhamento de um guia cadastrado.

⇒ Quando ir
Segundo guias locais, a região pode ser visitada o ano todo, mas pode ser melhor aproveitada, no verão brasileiro, quando a região está mais vazia.

A alta tenporada em Barra do Garças, conhecida por suas praias no rio Araguaia, é em julho, quando a região recebe gente de todo Goiás. Prefira ir entre março e julho.

⇒ Onde ficar
Não há infraestrutura para hospedagens na Serra do Roncador, de modo que Barra do Garças serve como base para quem visita a região.

Colombo
Boa opção para quem quer ficar na saída para a Serra do Roncador
www.colombohotel.com.br

Esplanada Palace Hotel
Ideal para quem quer ficar no Centro de Barra do Garças.
www.esplanadahotel.net

Pousada Cachoeira Cristal
www.pousadacachoeiracristal.com.br

Bar, restaurante e pousada dos Sonhos
BR-158
Tel.: (66) 3442-1109/1051 (‘Seu’Adão)

Fazenda São Carlos
BR 158 (km 765)
Tel.: (66) 3405-6532

⇒ Quem leva
Para essa reportagem, o Viagem em Pauta foi acompanhado pela Roncador Expedições, considerada a única agência do destino com atrativos em áreas mais isoladas e por onded Fawcett teria passado, como a obrigatória Rota Franciscana.
www.roncadorexpedicoes.com

* O Viagem em Pauta visitou a Serra do Roncador com o apoio local da Roncador Expedições

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