Conheça o destino brasileiro que inspirou o filme ‘Z – A Cidade Perdida’

Vida intraterrestre, portal para outras dimensões, sítios arqueológicos, cachoeiras e até um suposto corredor para Machu Picchu.

Se algum desses temas te interessem, a sua próxima parada é na Serra do Roncador, no Mato Grosso.

Mas não são só viajantes dos paranauê, místicos e aventureiros voltaram a atenção para essa misteriosa sequência montanhosa de 800 km que segue até a Serra do Cachimbo, no Pará.

Cachoeira São Francisco, na Serra do Roncador, no Mato Grosso (foto: Eduardo Vessoni)

Com estreia nos cinemas brasileiros prevista para o próximo dia 20 abril, o filme ‘Z: A Cidade Perdida’ (The Lost City of Z, em inglês) relembra a misteriosa história de Percy Fawcett que, em 1925, desapareceu na região, em busca de um portal para a cobiçada Cidade Z.

Conhecido também como Cidade Abandonada, o local ficaria na Serra do Roncador, a mais de 500 km de Cuiabá, e seria uma passagem secreta para uma civilização perdida.

VEJA TAMBÉM: “Cachoeiras e mistérios da Serra do Roncador, no Mato Grosso”

Cachoeira São Francisco, na Serra do Roncador, no Mato Grosso (foto: Eduardo Vessoni)

Obstinado pela localização daquele portal, o britânico Fawcett, acompanhado de seu filho Jack e do amigo Raleigh Rimell, dava início à busca da Cidade Z, desaparecendo, sem deixar pistas. No entanto, estudiosos da história acreditam que o coronel procurava mesmo pedras preciosas e um título que lhe desse fama mundial.

São tantas histórias que Fawcett é considerado o verdadeiro Indiana Jones e foi a inspiração para a criação desse personagem dos filmes de Steven Spielberg.

Outra teoria difundida na região é que o Roncador teria uma passagem secreta que liga aquelas terras amazônicas com a peruana Machu Pichu.

“O Roncador é mais conhecido por seu lado místico e misterioso do que por suas belezas naturais”, descreve Ralph Reis, guia que atua nesse destino, cujo tímido turismo de aventura vem tentando ganhar espaço, em meios a vizinhos mato-grossenses de peso como o Pantanal e a Chapada dos Guimarães.

A Serra do Roncador parece mesmo sem limites na hora de imaginar histórias de outro mundo.

O destino já foi chamado também de Portal para Atlântida; e Ado Luckner, fundador do Monastério Teúrgico do Roncador, defendia a ideia de uma cidade intraterrena que abrigaria seres evoluídos, baseado na teoria da Terra Oca, do astrônomo Edmund Halley

VEJA TRAILER OFICIAL (em inglês)

‘Z – A Cidade Perdida’ tem direção de James Gray (‘Os donos da noite’ e ‘Era Uma Vez em Nova York’) e produção executiva de Brad Pitt, entre outros produtores.

Mas para nossa frustração, o filme não foi rodado na região. Segundo o site IMDB, as cenas foram gravadas na Colômbia e na Irlanda do Norte.

E talvez isso seja melhor. Assim aquelas terras misteriosas continuam escondidas do grande público.

CONHEÇA ATRAÇÕES

No entanto o melhor desse destino ainda desconhecido dos brasileiros são os atrativos naturais como cachoeiras escondidas, córregos que rasgam cânions com piscinas naturais e uma infinidade de trilhas ainda pouco exploradas.

Seu nome teria origem no barulho feito pelo vento, ao passar por fendas nas pedras.

Bico da Serra, no Vale dos Sonhos, na Serra do Roncador (foto: Erico Mabellini/Wikemedia Commons)

A Serra do Roncador tem atividades que vão desde as de acesso mais fácil como o Vale dos Sonhos, a pouco mais de 60 km de Barra do Garças, até as mais aventureiras como o roteiro  no Bateia, localizado na vizinha Serra do Taquaral.

O local abriga diversas cachoeiras, como a Bateia I (86 metros de altura, sobre um poço em mata fechada) e a imperdível Cachoeira do Escorrega, uma queda de três metros que sai sobre o interior de um cânion, com acesso por uma escada.

LEIA TAMBÉM: “Conheça destinos brasileiros para amantes de cachoeiras”

VEJA VÍDEO

Curiosidades sobre o coronel Fawcett

– A insistência em encontrar o portal para a Cidade Z era baseada em experiências no antigo Ceilão, onde encontrou ruínas de um antigo templo com inscrições desconhecidas, e no “Documento 512”, uma carta com caracteres que davam pistas da localização de uma cidade perdida no Brasil.

– Sua história teria inspirado não só a criação do personagem Indiana Jones mas também o “O Mundo Perdido”, do britânico Arthur Conan Doyle.

– Antes de sua viagem fatal, Fawcett já havia realizado sete expedições na América do Sul, entre 1906 e 1924.

foto: Wikipedia Commons

– Para sua última empreitada, o coronel chegou a solicitar apoio ao então presidente do Brasil, Epitácio Pessoa, mas o militar Cândido Rondon recusou o pedido, já que o país não precisava de estrangeiros em expedições por território nacional.

– As cartas enviadas à esposa Nina não continham detalhes sobre sua localização ou eram escritas com informações imprecisas. Fawcett queria mesmo exclusividade em sua descoberta.

– Nos anos seguintes, várias buscas foram organizadas para econtrar o paradeiro do trio desaparecido, como a Expedição Dyott– da qual participou o filho mais novo do britânico, Brian Fawcett -; a de Assis Chateaubriand, que deu origem à série de reportagens “Haverá uma Atlântida brasileira?”; e a de Antonio Callado, em que o indigenista Orlando Villas Boas afirmava ter encontrada a suposta ossada de Fawcett.

LEIA TAMBÉM: “Presidente Figueiredo: “Terra das Cachoeiras”, em plena Floresta Amazônica”

SAIBA MAIS
⇒ 
Como chegar
Barra do Garças, a 380 km da capital goiana, é o principal acesso à Serra do Roncador. Os aeroportos mais próximos são os de Barra Garças e o de Goiânia, em Goiás.

Essa região de geografia complexa não é para principiantes e todas as atrações, sobretudo as trilhas para as cachoeiras, devem ser feitas com o acompanhamento de um guia cadastrado.

⇒ Quando ir
Segundo guias locais, a região pode ser visitada o ano todo, mas pode ser melhor aproveitada, no verão brasileiro, quando a região está mais vazia.

A alta tenporada em Barra do Garças, conhecida por suas praias no rio Araguaia, é em julho, quando a região recebe gente de todo Goiás. Prefira ir entre março e julho.

⇒ Quem leva
Para essa reportagem, o Viagem em Pauta foi acompanhado pela Roncador Expedições, considerada a única agência do destino com atrativos em áreas mais isoladas e por onde Fawcett teria passado, como a obrigatória Rota Franciscana.
www.roncadorexpedicoes.com

* O Viagem em Pauta visitou a Serra do Roncador com o apoio local da Roncador Expedições

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*