Deserto do Atacama é o novo queridinho dos brasileiros. Veja dicas

De tempos em tempos, viajantes brasileiros escolhem um novo destino turístico no exterior para chamarem de seu. Foi assim com Bariloche, Buenos Aires (anos mais tarde, substituída pela chilena Santiago)  e com alguns tantos destinos de esqui no Chile (só para ficarmos por aqui mesmo, na América do Sul).

Recentemente, Guilherme Soares Dias, do excelente site Calle 2, trouxe números muito curiosos sobre a presença de brasileiros no deserto mais árido do planeta, no norte do Chile.

Segundo fontes consultadas para seu artigo ‘Turistas brasileiros invadem deserto do Atacama’, Dias estima que “40% dos cerca de 1 milhão de turistas que visitam o Atacama por ano sejam brasileiros.”

Pedalada no Valle de la Luna (foto: Eduardo Vessoni)

Ainda de acordo com os números levantados pelo autor, os brasileiros já desbancaram os alemães e são a terceira nacionalidade que mais visita o destino.

Em outras palavras, tá na moda ir para o Atacama (e se eu fosse você, trataria de ir o mais rápido possível para lá, antes que vire a versão desértica dos destinos rústicos de praia brasileira que se popularizaram nas agências de viagens).

E o melhor é que nem precisa de passaporte. O Chile é um dos países da América do Sul onde brasileiros podem entrar apenas com o RG com foto recente. SAIBA MAIS

Já desembarquei três vezes nessas que são consideradas as terras mais secas do planeta. E cada vez que coloco os pés nesse destino do norte do Chile não consigo repetir uma atração sequer.

Seja pela primeira vez ou não, o Deserto do Atacama é daqueles destinos que valem a pena ser visitados em várias viagens e em diferentes estações do ano.

VEJA TAMBÉM: “8 motivos para conhecer o Deserto do Atacama, no Chile”

CONFIRA ATRAÇÕES

⇒ San Pedro de Atacama

O minúsculo povoado a mil km de Santiago é o melhor resumo do que o viajante vai encontrar nos dias seguintes: ruas de terras alaranjadas, construções de adobe e um típico colorido andino estampado em roupas e acessórios expostos nos pequenos estabelecimentos comerciais da cidade.

Vista da Caracoles, a rua principal de San Pedro de Atacama, no Chile (foto: Eduardo Vessoni)

É na rua Caracoles, a movimentada via principal de San Pedro, onde estão os melhores restaurantes, alguns hotéis com diárias mais econômicas (mas não se anime, o destino é mesmo mais caro do que o restante do Chile) e os escritórios das agências de turismo mais populares do destino.

Lembre-se que é ali que começa o planejamento de seus próximos dias, uma vez que muitos dos roteiros mais populares no Atacama só podem ser feitos em tours organizados.

⇒ Salar do Atacama
Localizado no interior da Reserva Nacional Los Flamencos, esse salar é cenário obrigatório em sua primeira viagem ao Atacama.

São 320 mil hectares de um impressionante deserto formado por rochas de sal que rodeiam lagoas que servem de habitat para os três tipos de flamingos locais.

Localizado no interior da Reserva Nacional Los Flamencos, esse salar é um dos cenários obrigatórios, no Deserto do Atacama, no Chile (foto: Eduardo Vessoni)

A Reserva Nacional Los Flamencos preserva uma área de mais de 73 mil hectares e abriga atrações como os salares de Tara, de Aguas Caliente, de Puisa e do Atacama, além das lagoas Miscanti e Miñiques.

⇒ Vales da Lua e da Morte
Não tem como escapar. Se essa é a sua primeira visita ao destino, esses dois vales são obrigatórios no roteiro.

Formado por dunas de areia e esculturas rochosas naturais, o Valle de la Luna, fica a dois quilômetros de San Pedro e pode, inclusive, ser visitado de forma independente por visitantes a bordo de bicicletas.

Valle de la Luna, no Atacama (foto: Eduardo Vessoni)

Já o Valle de la Muerte pode ser visitado em tours mais demorados que incluem a Cordilheira do Sal e curiosas esculturas de sal conhecidas como Las Tres Marías.

Certos passeios turísticos devem ser evitados em qualquer parte do planeta, mas a popular observação do por do sol no Valle de la Luna é uma daquelas experiências congestionadas que não devem ser evitadas.

⇒ Gêiseres de El Tatio
Prepare-se para as baixas temperaturas (-16°, para ser mais exato) nesse tour que começa, obrigatoriamente, às quatro da manhã, por conta do trabalho das fumarolas dos gêiseres que se podem ser vistas bem cedo por conta do frio.

Gêiseres del Tatio, uma das atrações naturais mais populares do Atacama (foto: Eduardo Vessoni)

Localizado a quase 4.300 metros de altitude, esse campo geotérmico fica em El Tatio, a 90 km ao norte de São Pedro, e pode ser visto durante banhos em piscinas naturais de águas vulcânicas, atividades que acontecem logo após o café da manhã servido no local, ali mesmo entre um gêiser e outro.

O melhor horário para observação do fenômeno é entre seis e sete da manhã.

⇒ Lagoas do Atacama
Escondidas no deserto, a 4.200 metros de altitude, as lagoas altiplânicas são outra atração obrigatória para quem chega no Atacama pela primeira vez.

Escondidas no deserto, a 4.200 metros de altitude, as lagoas altiplânicas são outra atração obrigatória para quem chega no Atacama pela primeira vez. como a Cejar (foto), mais próxima do centro do vilarejo (foto: Eduardo Vessoni)

As mais populares são Miscanti e Miñiques, conhecidas pelas suas águas de tons azuis safiros, a pouco mais de 100 km de San Pedro.

Mais próximo ao centro do vilarejho se encontra a Cejar, lagoa de água com alta concentração de sal que permite aos visitantes nadar no local sem afundar.

⇒ Tour astronômico
Localizado no norte do Chile, o Deserto do Atacama tem condições climáticas que garantem poucas chuvas e mais de 300 noites de céu aberto por ano.

Céu do Atacama (foto: Adhemar M. Duro Jr./European Southern Observatory – Flickr/Creative Commons)

O deserto mais seco do mundo é considerado um dos melhores lugares do planeta para observação do céu, devido a suas condições favoráveis, como os mais de 2.400 metros de altitude, baixa umidade local e pouca luminosidade artificial.

Em Ayllu de Sólor, a apenas seis quilômetros de San Pedro de Atacama, é possível passar 2h30 ouvindo histórias (e piadas) que o francês Alain Maury conduz durante seu tour astronômico.

SAIBA MAIS: “Como é o impressionante tour astronômico do Deserto do Atacama, no Chile”

⇒ Arte rupestre
Se a capital arqueológica do Chile fascina os visitantes mais curiosos com registros de períodos anteriores aos incas, e que hoje estão guardadas sob as pedras do Pukara de Quitor e as areias finas da Aldea de Tulor, os petróglifos de Yerbas Buenas seguem milhares de anos sob o sol forte do Atacama.

Petróglifos de Yerbas Buenas (foto: Eduardo Vessoni)

Considerados a maior concentração de arte rupestre da região do Atacama, esses petróglifos em rochas vulcânicas abrigam inscrições rupestres em alto e baixo relevos, talhados em enormes muros de pedra, cujos desenhos descrevem a vida cotidiana e os rituais religiosos da época das caravanas que passavam por ali.

SAIBA MAIS: “De volta ao deserto: dicas para quem já conhece o Atacama”

⇒ Valle del Arcoiris
Na mesma viagem para conhecer os petróglifos de Yerbas Buenas é possível visitar outra atração de tons surreais, cujo nome é uma referência aos tons de cores nas montanhas locais, devido à presença de minerais.

Valle del Arcoiris (foto: Eduardo Vessoni)

Matancilla é uma zona de vales onde a natureza resolveu colorir montanhas com diferentes tons de verde, vermelho e branco. É nessa pequena região de pastores ao norte de San Pedro que se encontra o Valle del Arco Iris, uma sequência impressionante de rochas policromáticas.

Essas formações ganham tons avermelhados com a presença da argila; o aspecto branco vem das cinzas provenientes de erupções vulcânicas; e a mistura de minerais é responsável pelo tom esverdeado do vale.

SAIBA MAIS

como chegar: San Pedro está a 100 km de Calama, onde se localiza o aeroporto mais próximo. Para quem não tem tempo, invista alguns pesos chilenos do orçamento para chegar de avião ao Atacama, uma vez que a viagem entre Santiago e Calama duram (longas) 24 horas. Por vias aéreas são duas horas de duração, aproximadamente, em voos operados pela Latam.

Se ainda assim o orçamento estiver apertado, vá sem medo por vias terrestres, pois os ônibus chilenos são conhecidos por sua excelente qualidade de serviço, inclusive com sistema de refeição e entretenimento a bordo. A viagem é feita por empresas como Pullman Bus e Tur Bus.

Final de tarde no Deserto do Atacama (foto: Eduardo Vessoni)

traslado: Do aeroporto de Calama existem serviços de táxis e transfers para San Pedro, um deslocamento de, aproximadamente, 1h30 de duração. Uma opção aventureira (e talvez uma das experiências mais fascinantes em toda a América do Sul) é a travessia até o Chile pelo deserto da Bolívia, onde se localiza o obrigatório Uyuni. Os tours variam de 1 a 4 dias e podem ser encontrados na chilena San Pedro de Atacama ou na cidade do Uyuni, na Bolívia.
Quem vai de carro a partir de Santiago deve seguir pela Ruta 5 norte até a bifurcação em Carmen Alto e dali pegar a Ruta 25 sentido nordeste pelos próximos 1.574 km.

quando ir: Na região mais seca do mundo, chuvas são bem raras e não ultrapassam algumas dezenas de milímetros de água por ano. Porém, planeje a viagem para meses com temperaturas mais amenas: entre setembro e novembro; ou entre março e maio, temporadas de primavera e outono, respectivamente.

fique esperto: Mal de altura ou puna é o mal estar causado pelas altitudes elevadas do local. Recomenda-se beber muita água, mastigar folhas de coca em uma das feiras de artesanato de San Pedro e evitar ingerir bebida alcoólica no primeiro dia da viagem.

 

 

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