10 trilhas surreais de Goiás

Enquanto o destino mais procurado dos brasileiros, no Centro-Oeste, vai se firmando com suas atrações históricas e de águas quentes, o Viagem em Pauta vai na direção contrária e trilha alguns dos caminhos mais isolados e desconhecidos do estado.

Para montar este roteiro, visitamos uma das maiores concentrações de cavernas da América Latina; sobrevoamos a Chapada dos Veadeiros, em uma tirolesa de quase um km de extensão e a uma altura de 100 metros; vimos animais selvagens em parques nacionais e setores isolados do rio Araguaia; e conhecemos a inédita trilha no Vale Encantado, cujo nome dispensa explicações.

Boa viagem e bons caminhos:

Travessia das Sete Quedas
(Chapada dos Veadeiros)

Travessia das Sete Quedas, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás (foto: Edson Faria Junior/Wikimedia Commons)

Com 23 km de extensão, essa trilha pode ser feita em até dois dias e só está aberta para visita quando baixa o nível do Rio Preto.

Segundo o ICMBio, é uma caminhada que passa por diferentes aspectos do Cerrado, como campos rupestres, veredas e cerrado strictu sensu, acompanhando o Rio Preto, em uma trilha histórica da época do garimpo, conhecida como Fiandeiras.

É considerada a primeira trilha com pernoite formalizada, em Goiás.

Confira o roteiro: “Chapada dos Veadeiros abre inscrições para Travessia das Sete Quedas, em Goiás”

Voo do Gavião
(Chapada dos Veadeiros)

Tirolesa sobre a Chapada dos Veadeiros, em Goiás (foto: Ion David/Divulgação)

Não é bem trilha daquelas que a gente fica os pés firmes do chão, mas sem dúvida é uma das experiências mais impactantes da Chapada.

O ‘Voo do Gavião’ é uma tirolesa com 850 metros e acontece a uma altura de 100 metros, entre a Serra Almécegas e o morro do Mirante da Fazenda São Bento.

Tudo isso com uma Chapada dos Veadeiros inteira bem debaixo dos pés (e a uma velocidade de 55 km/h, percorridos em quase um minuto e meio).

Tirolesas sobre a Chapada dos Veadeiros e cânions são experiências impactantes de Goiás

Trilha da Janela
(Chapada dos Veadeiros)

Vista da queda de 120 metros do Salto do Rio Preto I, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás (foto: Eduardo Vessoni)

Com início em território com resquícios da época do garimpo de cristais, em São Jorge, essa é uma das trilhas mais impactantes da Chapada dos Veadeiros.

É uma caminhada com oito km de extensão que termina em um ponto elevado com vista panorâmica dos saltos I e II do Rio Preto (120 e 80 metros de altura, respectivamente) e do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

A trilha, só deve ser feita com o acompanhamento de guias cadastrados, possui variações consideráveis de altitude e tem alto grau de dificuldade.

Chapada dos Veadeiros abriga trilhas alternativas por cachoeiras e piscinas naturais

Trilha do Abismo
(Chapada dos Veadeiros)

Cachoeira do Abismo, o principal atrativo da ‘Trilha do Abismo’, na Chapada dos Veadeiros (foto: Eduardo Vessoni)

Com 4,5 km de extensão (ida e volta), essa trilha exige menos do visitante e pode ser feita de forma auto-guiada.

O destaque é a piscina natural de borda infinita que tem vista para a Serra de Santana. Sem dúvida, esta é uma das atrações mais exclusivas em toda a região da Chapada dos Veadeiros.

Segundo guias locais, essa e a Trilha da Janela permitem que o visitante veja paisagens mais abertas do Parque Nacional Chapada dos Veadeiros, onde nem sempre é possível ver a monumentalidade dos saltos do Rio Preto.

Sete experiências inusitadas da Chapada dos Veadeiros, em Goiás

Parque Nacional das Emas
(Mineiros)

Parque Nacional das Emas, em Goiás (foto: Eduardo Vessoni)

Essa área de diferentes versões de Cerrado, no sudoeste de Goiás, protege 132 mil hectares, entre os municípios goianos de Mineiros e Chapadão do Céu, a 420 km de Goiânia, e parte de Costa Rica, no Mato Grosso do Sul.

Seja a pé ou de carro, a atividade mais comum é a observação de animais. Por ali, são mais de 600 espécies de aves, além de animais como a anfitriã que dá nome ao local, veado-campeiro, raposa e lobo guará.

Dos 500 km de estrada, no interior do parque, 250 km estão abertos para que o visitante circule com o seu próprio veículo em trilhas autoguiadas, como a do Glória (20 km) e a do Jacubinha (15 km). As trilhas também podem ser feitas a pé ou de bicicleta, cujo aluguel custava, em 2016, R$10 (1h) e R$ 30 (a diária).

Vale Encantado
(Pinga Fogo)

Trilha do Vale Encantado, em Goiás (foto: Eduardo Vessoni)

No Vale Encantado, no extremo sudoeste de Goiás, encantar-se significa estar em mirantes naturais com vistas para vales e chapadões que se abrem sob os pés, avistar morros com formas curiosas, caminhar entre diferentes tipos de Cerrado e chegar, por fim, a uma sequência de poços esculpidos pela água, dando origem às Piscinas Encantadas.

A sensação é como a de estar em um complexo aquático de piscinas naturais interligadas por veios que rasgam rochas de aspectos lunares. E é só chegar na primeira para a gente entender que o título não é exagerado.

SAIBA MAIS: “‘Vale Encantado’, na região de Pinga Fogo, é trilha inédita de Goiás”

Serra Dourada
(Mossâmedes)

Final de tarde na Serra Dourada (foto: Eduardo Vessoni)

Localizada no município de Mossâmedes, a 37 km da Cidade de Goiás, a Serra Dourada faz parte de um parque estadual com uma área de 28 mil hectares, sobre o platô de mesmo nome.

Um dos destaques é a trilha “Entardecer na Serra Dourada” (6 km de extensão), uma área de Cerrado Rupestre com cenográficas árvores que crescem entre fendas rochosas; poços para banho no rio Cafundó; a Cidade de Pedra, rochas esculpidas pelo vento; e até uma trilha sobre um areal com chão de areias de quartzito.

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APA Meandros do Araguaia
(Norte de Goiás)

Essa Área de Proteção Ambiental é a versão mais isolada e preservada do rio Araguaia, entre Goiás e Tocantins.

O local é considerado uma das maiores concentrações de biodiversidade do Cerrado, endereço de animais selvagens como iguanas, tartarugas, botos, cervos-do-pantanal, jacarés e onças. São 360 mil hectares de área preservada, em uma região conhecida como planície de inundação, uma espécie de Pantanal de Goiás.

Caverna do Funil
(Mambaí)

Ver por trás uma queda d’água de 20 metros exige disposição (e um certo grau de sangue frio).

Localizada a 5 km de Mambaí, a atração é acessada por uma trilha íngreme, recortada por rochas calcárias e com quase 1 km de extensão.

Cachoeira do Funil vista pelo interior da caverna de acesso a essa queda d'água, em Mambaí (foto: Eduardo Vessoni)
Cachoeira do Funil vista pelo interior da caverna de acesso a essa queda d’água, em Mambaí (foto: Eduardo Vessoni)

 

Uma vez na boca da caverna, é necessário caminhar por 200 metros com água até o peito e apenas com a luz do capacete como única iluminação.

A aventura termina (ou começa), em uma fenda na caverna que permite observar a parte posterior da cachoeira, que pode ser vista do interior da Caverna do Funil.

Novo polo de turismo de aventura, Mambaí é a versão radical de Goiás

Terra Ronca
(Nordeste de Goiás)

Terra Ronca é uma região de mais de 600 milhões de anos e abriga quase 300 cavernas, no Parque Estadual de Terra Ronca (PETeR).

Só para ter uma ideia, da lista das trinta maiores cavernas do Brasil, o Parque Estadual de Terra Ronca abriga sete, cujas extensões ultrapassam os 14 km, como a Lapa da Angélica, segundo a Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE).

Interior da São Bernardo, uma das cavernas do complexo de Terra Ronca, no extremo nordeste de Goiás (foto: Eduardo Vessoni)

Ao longo de seus 57 mil hectares, o PETeR, uma das maiores concentrações de cavernas da América Latina, conta com 17 grutas abertas para visitação, entre secas e molhadas.

A atração mais famosa da região é a Terra Ronca, cuja entrada se dá por uma boca de 96 metros de altura e 120 de largura, considerada uma das maiores do País. Atravessada pelo rio Lapa, que margeia nosso caminho, essa caverna impressiona pelos salões imponentes de estalactites e estalagmites.

Terra Ronca é o Brasil do tempo das cavernas

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