Caldas Novas que você ainda não conhece: confira atrações diferentes

Localizado no sul de Goiás, o Circuito das Águas Quentes tem mania de grandeza.

É endereço do maior lençol hidrotermal do planeta; vê passar nos fundos de casa o maior rio de águas quentes do mundo; e abriga a maior praia artificial de águas quentes correntes, no maior parque aquático da América do Sul.

Caldas é a principal porta de entrada para a região, conhecida também pelo município de Rio Quente, não é daqueles lugares que convidam para ficar na rua e tem lá suas desnecessidades, como o passeio de trenzinho com buzina do Píca Pau (alternado com o grito do Tarzan); e o bingo gritado ao microfone que ecoa pelos quarteirões nos arredores, no final de cada dia.

Mas muito mais do que piscinas termais e parques aquáticos bem estruturados, Caldas Novas, a 160 km de Goiânia, aproximadamente, pode surpreender quem anda procurando novas experiências (das familiares às radicais). Ou você já tinha ouvido falar sobre trilhas em uma serra que já foi confundida com um vulcão, do mergulho em águas a mais de 30 graus e do primeiro resort all inclusive do Centro-Oeste?

Rio Quente, visto do Parque Estadual Serra de Caldas Novas (foto: Eduardo Vessoni)

Confira atrações:

TRILHAS
Para entender o fenômeno das águas quentes que brotam da terra, sua primeira parada é no PESCaN (R$ 5 por pessoa), onde o turismo da região bebe, literalmente, na fonte.

É do Parque Estadual de Caldas Novas, uma área preservada, na serra entre Caldas e Rio Quente, que vêm aquelas águas, naturalmente, aquecidas.

“O parque é essencial para manter todo o turismo da região, pois concentra a maior área onde é feita a recarga do aquífero termal”, segundo Maurício Tambellini, agrônomo e analista ambiental do parque.

Em outras palavras, é dali que sai toda a água quente que alimenta o turismo nos parques e hotéis de ambas cidades.

“Devido ao seu formato arredondado, os locais achavam que aquela serra abrigava uma boca de vulcão, explica Tambellini. Mas o que se sabe hoje é que as águas das chuvas penetram por fraturas nas rochas daquela chapada e se aquecem ao atingir uma profundidade de até mil metros, retornando quentes ao solo. Mas o turismo por ali não fica só nas questões técnicas.

Parque Estadual de Caldas Novas (foto: Eduardo Vessoni)

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Esse parque de mais de 12 mil hectares abriga duas trilhas em meio ao Cerrado, abertas ao público, que terminam em cachoeiras como a da Cascatinha (trilha com 900 metros de extensão), por vegetação mais fechada e sob sombra; e a do Paredão, com 1.200 metros, em área descoberta.

Primeiro parque estadual de todo Goiás, criado em 1970, o PESCaN é considerado o mais estruturado de todo o estado e abriga mirantes no alto do platô com vistas panorâmicas de Caldas Novas e do Rio Quente, localizadas nas extremidades do parque.

Ciclistas contam também com uma rota exclusiva, cujos 11,4 km de extensão da Trilha da Siriema terminam em um mirante natural com vista panorâmica do Rio Quente Resorts e de um cânion na Serra de Caldas Novas. Se você estiver sobre duas rodas, não deixe de chegar antes do pôr do sol para ver o final de tarde, lá do alto.

De volta à sede do parque, ainda dá para visitar o pequeno museu com exemplares de animais empalhados do Cerrado, como lobo-guará, suçuarana, quati e tamanduá-bandeira.

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PASSEIO DE ESCUNA
A 10 km do centro, o Náutico Praia Clube Hotel diminui o ritmo da viagem e faz turismo às margens do Lago Corumbá, onde hóspedes e visitantes fazem passeios de escunas (R$ 10, por pessoa), nessas águas represadas pela construção da Hidrelétrica Corumbá, em 1989, alimentadas pelos rios Corumbá, Pirapitinga e São Bartolomeu.

Passeio de escuna no Náutico Praia Clube Hotel, em Caldas Novas (foto: Eduardo Vessoni)

A proposta de lazer por ali não é muito diferente do que já se conhece na região (praia artificial com ondas e atividades recreativas em águas, naturalmente, quentes). Mas, entre as mais de 300 piscinas termais de Caldas, esse parque aquático se destaca pela megahidromassagem de 12 metros de comprimento, sob tendas coloridas com proteção UV, e pelo cenário verde que desponta no horizonte (algo raro nesse destino urbanizado de quase cem mil habitantes que recebe quatro milhões de turistas, por ano).

“É um parque sem fronteiras. Nossos limites são até onde você conseguir enxergar”, descreve o gerente Marcos Soldi.

BALNEÁRIO MUNICIPAL
Construído na primeira década do final do século passado, em uma casinha rústica erguida pelo major Vitor, essa casa de banho funcionou até os anos 60, alimentada por águas de fontes que corriam no local.

Reformado e com salas individuais, equipadas com banheiras de águas, naturalmente, quentes, o local tem entrada gratuita e é conhecido pelo chá de douradinha, servido após os banhos de imersão.

R. Coronel Cirilo, 15 (Centro de Caldas Novas)
De terça a sexta, das 7h às 12 e das 13h às 18h; sábados e domingos, das 7h às 12h.

CACHAÇA
Nem só com água quente se faz turismo no sul de Goiás.

Para renovar os ares da viagem, a cenográfica Vale das Águas Quentes dá outro tom à sua viagem.

Essa cachaçaria produz quatro tipos diferentes de cachaças, com envelhecimento de dois a oito anos, em barris de jequitibá, umburana e carvalho, além de licores com frutas do Cerrado.

Cachaçaria Vale das Águas Quentes, em Caldas Novas (foto: Eduardo Vessoni)

“Muitas vezes, o visitante não tem nada para levar de Caldas para casa, além da experiência de estar em águas quentes. Então trouxemos esse produto, tão brasileiro, para que ele possa lembrar de Goiás”, define Lucas Sanches, um dos proprietários dessa empresa familiar que chega a produzir dez mil litros de cachaça por ano, exclusivamente, voltada para o turismo.

Em cenário de madeira que remete aos engenhos clássicos e alambiques de cobre, o turista pode fazer uma visita guiada para conhecer etapas da produção ao setor. Não deixe de provar o famoso sorvete de rapadura com cobertura de melaço, servido em uma bolacho tipo waffle.

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PRIMEIRO ALL INCLUSIVE DO CENTRO-OESTE
Se o turista não vai à serra, Caldas Novas trata de levá-la até o turista.

Localizado em uma área de 53 mil m², em Caldas Novas, o Ecologic Ville Resort (tarifas a partir de R$ 350) abriga uma trilha de 1,5 km por mata ciliar virgem no interior de uma APP (Área de Preservação Permanente), às margens do rio de água quente que corre no fundo da propriedade.

A estrutura desse hotel com mais de 300 quartos segue o perfil dos estabelecimentos hoteleiros da região: parque aquático com águas quentes e recreação intensa na piscina. Mas o destaque é o sistema all inclusive, do café ao uísque, considerado o único do Centro-Oeste a contar com esse serviço.

As refeições a la carte são uma alternativa aos buffets massificados (e, às vezes, insossos) que costumam fazer parte da programação de quem se hospeda em Caldas. O resort conta também com duas salas temáticas para jantares, em ambientes oriental e francês, que podem ser reservadas à parte.

ONDE FICAR

Principal acesso para quem visita o vizinha Rio Quente, Caldas Novas concentra as opções mais econômicas de hospedagem e conta com tarifas para todos os orçamentos.

Grupo Privé
Considerado um dos pioneiros da hotelaria em Caldas Novas e, atualmente, com seis empreendimentos, esse complexo hoteleiro fica em área central e tem diárias, a partir de R$ 228. As opções vão desde o econômico Privé Atrium Termas Residence Service, hotel com 168 apartamentos, em um edifício com cara e clima de edifício residencial; até o imponente Privé Riviera Parque Hotel, considerado o maior hotel de águas termais do Brasil, com 15 piscinas, cinema infantil e até um pet care para hóspedes que viajam com animais de estimação.

diRoma
É uma espécie de cidade dentro da cidade.

Com diárias que vão de R$ 434 (Hotel Roma) a R$ 800 (Thermas diRoma Hotel), incluindo meia pensão e entradas para os parques da rede, conta com 15 piscinas e um parque aquático infantil.

Ecologic Ville Resort
Tarifas a partir de R$ 350 e infraestrutura com piscina semiolímpica, considerada a única de Caldas Novas e uma Área de Preservação Permanente (APP) com uma trilha de 1 km de extensão.

SAIBA MAIS
Turismo oficial de Goiás
goiasturismo.go.gov.br


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* O jornalista Eduardo Vessoni viajou com o apoio da Goiás Turismo e da GoPro.

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