Observação de baleias jubarte é experiência única em Abrolhos, na Bahia

Águas quentes, rasas e tranquilas.

Se você que é daqui mesmo não perderia a chance de passar férias em um lugar com essas condições, imagina aqueles gigantes que vêm de longe para criar filhotes.

De julho a novembro, o extremo sul da Bahia é destino de milhares de baleias jubarte que deixam as águas frias da Antártica para amamentar filhotes e se reproduzir.

A 250 km de Porto Seguro, Caravelas serve como base para quem embarca nos passeios de observação de baleias, em direção ao Parque Nacional Marinho dos Abrolhos.

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Antiga estação baleeira, a cidade trocou a caça de cetáceos, nas décadas anteriores, pelo turismo de observação de baleias, a principal atividade turística.

“É um animal gigante que, quando sai debaixo d’água e vem à superfície, nos mostra o quanto somos pequenos”, explica Eduardo Camargo, diretor executivo do Projeto Baleia Jubarte.

A gente fica minúsculo, mas a alma se agranda diante daqueles gigantes que podem chegar a pesar 40 toneladas. Quando uma jubarte se ergue na proa do barco, não é raro ver turistas em lágrimas, com um olho nelas e outro na selfie com o celular.

As viagens, que duram de três a quatro horas, são feitas em catamarãs que fazem um bate e volta de um dia, a partir de Caravelas, ou também roteiros de até três dias, em que os passageiros ficam em barcos com cabines individuais, banheiros e área para refeição.

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Catamarã em Abrolhos, no extremo sul da Bahia (foto: Enrico Marcovaldi/Instituto Baleia Jubarte)

Segundo o Projeto Baleia Jubarte, o Brasil recebe cerca de nove mil, anualmente. E a taxa de crescimento de 10% anuais parece tão firme quanto aqueles gigantes que viajam quilômetros, em busca de águas mais quentes. Assim como nos informou Camargo, os dados de 2015 estimaram entre 15 e 17 mil baleias jubarte, no litoral brasileiro.

“A gente passou da gestão da raridade para a gestão da abundância de jubartes. As preocupações mudaram e, atualmente, estamos atentos à questão dos atropelamentos e de atividades que possam causar impacto à baleia”, explica Camargo.

Farol da Santa Bárbara, visto da ilha Siriba, em Abrolhos (foto: Enrico Marcovaldi/Instituto Baleia Jubarte)

Localizado a 70 km da costa, Abrolhos é um arquipélago formado por cinco ilhas, das quais apenas a Siriba permite desembarque de turistas.

Mas a gente pouco se importa com isso. A atração por ali é gigante, pesa até 40 toneladas e tem data para acabar (pelo menos até a próxima temporada de baleias).

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Curiosidades
⇒ As jubarte podem ser encontradas em todos os oceanos do planeta. Segundo o biólogo Eduardo Camargo, existem diversas populações de jubarte com comportamento migratório, algumas nos hemisférios Norte e Sul, outras nos oceanos Atlântico e Pacífico.

⇒ A plataforma continental que avança por até 150 km da costa baiana forma uma verdadeira piscina infantil para a criação de filhotes de baleias, em águas quentes e rasas com profundidade que varia de 40 a 50 metros.

⇒ Abrolhos é considerado o maior berço reprodutivo do Atlântico Sul.

foto: Enrico Marcovaldi/Instituto Baleia Jubarte

⇒ Uma das características das jubarte são os cantos produzidos pelo machos, na hora de atrair uma fêmea e para afastar outros machos. “Já tem uma série de estudos que avaliam que a música é complexa, com sonetos, com estrofes que se repetem e evoluem, a cada temporada”, explica Camargo, para quem o canto também deve ter a função de comunicação entre as populações de baleias.”

⇒ Os saltos são outro comportamento que todo turista espera ansioso para ver. “Existem várias teorias. Tem gente que fala que faz parte do ritual de acasalamento e outros pesquisadores falam que é para tirar cracas ou parasitas do corpo. Mas há também um consenso que diz que as jubarte pulam porque elas são felizes e saltam porque estão brincando”, explica a bióloga e mergulhadora Luciana Fuzetti.

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PROJETO BALEIA JUBARTE
Esse projeto tem início em 1988, poucos anos depois da implantação do Parque Nacional Marinho. Segundo Eduardo Camargo, diretor executivo do projeto, “na época, identificou-se a presença regular de baleias jubarte na região e então um grupo de biólogos implantou uma coleta sistemática de dados científicos para conhecer melhor a população”.

Atualmente, o projeto atua no Espírito Santo e em Caravelas e na Praia do Forte, outro destino baiano que conta com um centro de visitantes, onde é possível fazer visitas guiadas.

Projeto Baleia Jubarte
www.baleiajubarte.org.br 

SAIBA MAIS
Horizonte Aberto
Passeios de um a três dias em Abrolhos, com saídas de Caravelas
www.horizonteaberto.com.br

Hotel Marina Porto Abrolhos
Em Caravelas, o Viagem em Pauta esteve hospedado nesse hotel da praia do Grauçá, a 11 km do centro da cidade. O local é pé na areia, literalmente, e surpreende com 32 apartamentos e sete bangalôs amplos de até dois andares.
www.marinaportoabrolhos.com.br

* O Viagem em Pauta viajou com o apoio da Horizonte Aberto e do hotel Marina Porto Abrolhos.

 

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