Veleiro em Paraty: confira dicas e tarifas de aluguel

Veleiro no Saco do Mamanguá, em Paraty (foto: Eduardo Vessoni)

Muito além das faixas de areia de nomes famosos e dos encontros literários, Paraty tem também praias isoladas, em baías abrigadas de águas calmas.

Só para você ter uma ideia do talento marítimo da Baía da Ilha Grande, onde ficam destinos como Paraty e Angra dos Reis, são cerca de 200 ilhas e outras centenas de praias (algumas delas com alta possibilidade de terem apenas você como banhista).

E para melhor explorar setores sem acesso por terra, como são a maioria doa atrativos naturais por ali, a nossa dica é alugar um veleiro.

Navegação no Saco do Mamanguá, em Paraty (foto: Eduardo Vessoni)

Mas esquece aquela história de que embarcações movidas a vela são exclusividades de celebridades e endinheirados. Por R$ 500 a diária, é possível alugar um veleiro para até 4 pessoas, equipado com duas cabines e cozinha.

E nem precisa dominar o vocabulário marítimo das palavras que não fazem sentido para quem não domina as técnicas da navegação. Para quem não tem a carteira de habilitação para condução de embarcações, o Arrais, é possível viajar com um skipper, como são chamados os capitães de pequenas embarcações.

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COMO FUNCIONA
Nessa espécie de casa flutuante, a sua única preocupação é com o roteiro da viagem.

Cansou das prainhas isoladas do Saco do Mamanguá ou de mergulhar em paredões rochosos de baías isoladas? É só pedir para o capitão acionar os motores (ou as velas, em dias de bons ventos) para seguir até o próximo pedaço de mar exclusivo.

Só não pode esquecer que o serviço funciona como em hotéis, com check-in ao meio-dia e retorno no mesmo horário. Por isso, planeje-se para ter tempo suficiente para estar de volta à marina, no horário do check-out, no dia da devolução do veleiro.

As embarcações vêm equipadas com roupas de cama e banho, utensílios de cozinha, banheiro com água quente e diesel, cujo tanque deve estar abastecido, na devolução do veleiro.

Interior de um dos veleiros para aluguel (foto: Wind Charter/Divulgação)

Os gastos com combustível podem variar de acordo com o roteiro e com a potência da embarcação.

Para velejar a bordo de um Jeanneau 509, no último mês de dezembro, foi gasto pouco mais de R$ 250 em diesel, em uma viagem com quatro dias de duração e navegação durante todo o dia.

Além da diária da embarcação, que começa em R$ 500 (baixa temporada) e R$ 900 (verão) para um modelo para quatro pessoas, é preciso pagar uma taxa única de embarque (entre R$ 200 e R$ 400, de acordo com o número de cabines).

Marina do Engenho, em Paraty (foto: Wind Charter/Divulgação)

Já o serviço de skipper para quem não tem habilitação custa R$ 350/dia. Para dar mais privacidade aos clientes, o profissional pode desembarcar no final da jornada diária e retornar no dia seguinte para seguir comandando o veleiro.

Quem não quiser nem se preocupar com a cozinha e limpeza do barco, é possível contratar uma hostess (R$ 350) para organizar, limpar e cozinhar para a tripulação.

É possível alugar também prancha de SUP e bote anfíbio para até seis pessoas para desembarques em pontos onde o veleiro não chega. Os custos não estão incluídos nos valores da diária.

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O ROTEIRO
A viagem começa sempre na Marina do Engenho, a oito km do centro de Paraty.

É ali que fica o Engenho Boa Vista, construção histórica do século 18 que viu nascer Julia Bruhns da Silva, mãe de Thomas Mann, escritor alemão que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, em 1929.

Vista do Engenho Boa Vista, na Marina do Engenho, a 8 km do centro de Paraty (foto: Eduardo Vessoni)

Dali, o roteiro segue de acordo com o interesse dos embarcados e no ritmo dos ventos.

Não muito longe de São Paulo e com acesso fácil, a partir de São Paulo, a Baía da Ilha Grande é um dos lugares mais exclusivos do litoral sudeste do Brasil.

Na Ilha Grande são mais de cem praias, ao longo de 10 enseadas. Já a região de Paraty tem 65 ilhas e algumas centenas de faixas de areia escondidas entre rochas e trechos de Mata Atlântica.

Em outras palavras, é daqueles lugares para voltar umas dezenas de vezes, ao longo da vida.

Para essa reportagem, o Viagem em Pauta passou pela Ilha do Coco, Enseada do Pouso da Cajaíba, Saco do Mamanguá, o único fiorde do Brasil, além dos sacos da Barra Grande e Graúma.

Alguns pontos turísticos costumam ser paradas de escunas que fazem passeios na região. Informe-se com o capitão da sua embarcação, a fim de evitar os locais com maior presença de turistas que fazem bate e volta, a partir do cais de Paraty.

Os pernoites embarcados foram nas ilhas da Cotia e do Cedro, considerados uns dos melhores pontos de ancoragem do litoral brasileiro.

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NOSSAS PARADAS PREFERIDAS
Velejar é fazer uma viagem sob medida. Por isso, não engesse seu roteiro e esteja aberto para mudanças de rota.

A seguir, você confere algumas dos nossos pontos preferidos, em dias de navegação:

Praia da Lula: Sem nenhuma infraestrutura turística e com acesso exclusivo pelo mar, essa faixa de areia com 85 metros de extensão tem águas tranquilas e transparentes.

Praia da Lula (foto: Eduardo Vessoni)

Lagoa Azul: Fica entre a Ilha do Algodão e o continente, e é ideal para a prática de snorkel ou mergulho livre.

Lagoa Azul, em Paraty (foto: Eduardo Vessoni)

Saco do Mamanguá: Nem as gravações de cenas do filme ‘Amanhecer’, da saga Crepúsculo, conseguiram tirar o sossego local.

Considerado o único fiorde brasileiro, o Mamanguá é um canal de oito km com mais de 30 opções de praias. Um dos destaques é a trilha do Pico do Pão de Açúcar, com início da Praia do Cruzeiro e vista panorâmica da região.

Saco do Mamanguá visto do alto da trilha do Pico do Pão de Açúcar (foto: Eduardo Vessoni)

Pouso da Cajaíba: O ponto alto de uma viagem por Paraty é essa enseada, considerada um dos endereços mais isolados da região, onde é possível nadar até pequenas praias ou ficar ancorado para o almoço com vistas para locais como a Praia Deserta.

Na Praia Grande da Cajaíba, na mesma enseada, uma trilha curta leva até cachoeiras em mata fechada.

Praia Grande de Cajaíba, em Paraty (foto: Eduardo Vessoni)

Saco da Barra Grande: Ao norte de Paraty, essa é uma impressionante sequência de ilhas, rodeadas por águas de tons, exageradamente, azuis, próxima à Ilha do Araújo.

No retorno à marinha, o roteiro pode ser combinado também com o Saco da Graúma, onde fica a Ilha da Sapeca, a menos de uma hora de Paraty.

Saco da Barra Grande, próximo à Ilha do Araújo, em Paraty (foto: Eduardo Vessoni)

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DICAS ‘VIAGEM EM PAUTA’

Ficar sem água doce, em um algum ponto distante do continente, ou se dar conta de que faltou um ingrediente para o jantar, são daquelas experiências que ninguém quer ter a bordo.

Por isso, planejamento e uma certa dose de flexibilidade são fundamentais para uma viagem em um veleiro.

Confira dicas:
– A voltagem a bordo é de 220 volts. Fique atento aos equipamentos que precisar carregar durante a viagem;

– Os veleiros contam com tanques de água doce, cuja capacidade varia de acordo com a embarcação. Por isso, economize no consumo diário, com banhos rápidos e uma vez ao dia. Legumes e verduras, previamente, lavados e embalados em sacos individuais são uma alternativa para redução de consumo de água a bordo;

– Os custos no Rio de Janeiro costumam ser mais elevados do que em outras capitais brasileiras. Procure fazer as compras de bebidas e alimentos em sua cidade de origem, evitando os preços superfaturados de Paraty;

– Programe, previamente, todas as refeições que serão feitas a bordo, do café da manhã ao jantar. Desse modo, tem-se uma ideia de quanto será consumido, evitando desperdício ou a falta de ingredientes;

foto: Mari Peccicacco/Divulgação

– Velejar é uma experiência que atrai um público que busca tranquilidade, em locais distantes do agito turístico. Por isso, se a intenção for ouvir música em decibéis elevados ou ensaiar uma coreografia na proa do barco com uma taça de espumante na mão, reveja a sua viagem (ou então o seu comportamento a bordo).

O código para chamar a atenção de veleiros barulhentos é um piscar intermitente de luzes, segundo o skipper Paulo Rodrigo Moreira;

– Algumas ilhas da região contam com Base de Apoio Náutico (BAN), como são conhecidos os pontos equipados com bares e restaurantes para quem quer pisar terra firme, abastecer o tanque de água doce ou, simplesmente, ficar longe do fogão a bordo.

Além da sede na Marina do Engenho, a Wind Charter, com quem o Viagem em Pauta viajou, oferece apoio em bases no Saco do Mamanguá, na Ilha do Cedro e nos Piratas;

– Viagens de veleiro costumam ser tranquilas e com navegações mais estáveis. No entanto, leve remédios para enjoos, no caso de dias com mar agitado ou sob tempestades tropicais.

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QUANDO IR
Para quem quer mar de águas mais quentes e cristalinas, o verão é a época mais recomendada. Mas vale lembrar que essa é também a temporada de chuvas no litoral fluminense.

Para dias mais secos, porém com águas mais frias, procure os meses de inverno ou das estações intermediárias, como outono e primavera.

As diárias do veleiro variam de acordo com a seguinte agenda:

⇒ baixa temporada: junho, agosto e setembro

⇒ média temporada: abril, maio, julho, outubro e novembro

⇒ alta temporada: de janeiro a março, e dezembro 

SAIBA MAIS
Considerada a maior do ramo na América do Sul, a empresa tem saídas da Marina do Engenho, a 8 km do centro de Paraty.
Rodovia Rio-Santos (km 576) – Paraty
Tel.: (51) 9 8114-9154 / (24) 2404-0020s
windcharter.com.br

* O Viagem em Pauta viajou com o apoio da Wind Charter e da Ford

2 Comentário

  1. Prezados Senhores.
    Parabéns pelas dicas!
    Sugestões fantásticas para quem adora curtir a natureza divertindo-se em locais paradisíacos. Conheço um pouco a região e fiz, há muito tempo, com minha família e amigos, um passeio de 4 dias em um veleiro em Angra dos Reis na época de Natal.
    É uma experiência quase que indescritível e inesquecível.
    Vale a pena conhecer e desfrutar!

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