Ilha Grande: confira guia do destino com dicas e roteiros

Praia de Parnaioca, no Mar de Fora, na Ilha Grande (foto: Eduardo Vessoni)

Não muito longe de São Paulo e com acesso facilitado por balsas, a Baía da Ilha Grande é um dos lugares mais exclusivos do litoral sudeste do Brasil.

Só na Ilha Grande, um dos destinos dessa baía que abriga também Paraty e Angra do Reis, são quase 200 km², mais de 100 praias e 12 enseadas.

Em outras palavras, não vão faltar lugares para você fazer trilhas, mergulhar em águas rasas ou, simplesmente, fazer nada em faixas de areia abrigadas.

São tantas opções de atividades que a Ilha Grande é a viagem que não cabe na mesma viagem. É daqueles lugares para você voltar, algumas dezenas de vezes.

VEJA VÍDEO

De trilhas isoladas e baías tranquilas a excursões muvucadas em barcos lotados de turistas que saem da Vila do Abraão, a Ilha Grande tem opções para todos os estilos (e nível de paciência).

Se a ideia for férias tranquilas em praias vazias de águas calmas, a melhor opção (de hospedagem e para passeios) ainda é a Costa Continental, em baías como Araçatiba, Sítio Forte e Bananal.

Quanto mais distante do Abraão, mais preservada estará a ilha. - Tatiana Mello, guia da ilha há 18 anos

Considerada a maior enseada da ilha, o Abraão é a porta de entrada mais comum, cujo crescimento vertiginoso se deu para atender à demanda do presídio Cândido Mendes, que funcionou na vizinha Dois Rios, até 1994.

Fora dali, o turismo assume ares de viagem mais personalizada, em baías protegidas e de mar calmo, voltados para o continente. Aquelas águas abrigadas que hoje atraem casais e famílias foram, durante dois séculos, endereço de piratas interessados em saquear embarcações que saíam de Paraty, carregadas de ouro.

“Eles tinham a Enseada de Araçatiba como um porto seguro e conseguiam visualizar os navios que saíam de Paraty”, explica Tatiana.

COMO CHEGAR

Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro, fica a 410 km de São Paulo e a 150 km da capital fluminense, aproximadamente.

– de carro
De São Paulo, pega-se a Dutra, em direção a São José dos Campos e logo a Tamoios, via Caraguatatuba, passando por Ubatuba e Paraty.

É possível também chegar ao sul do Rio de Janeiro, via Cunha, no interior de São Paulo, de onde se toma a cenográfica Cunha-Paraty.

Uma alternativa, preferência dos motoristas de ônibus fretados, é seguir pela Dutra até Barra Mansa, no sul do Rio de Janeiro, e logo a RJ-155 até Angra dos Reis.

Vista do cais de Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro (foto: Eduardo Vessoni)

Do Rio de Janeiro, o acesso é pela Rio-Santos até Angra dos Reis.

Fique atento ao aumento de tráfego, em direção à Costa Verde, nos períodos de férias e feriados.

CONFIRA CONDIÇÕES DA ESTRADA CUNHA-PARATY

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– de ônibus
Reunidas (de São Paulo são cerca de 7h30 de viagem) e Costa Verde (do Rio de Janeiro são 3 horas, aproximadamente).

TRAVESSIAS
Carros não entram na ilha, por isso é preciso deixá-los no continente.

Embora mais distante, a Vila do Abraão é a principal porta de entrada, cuja travessia de 1h20, aproximadamente, é operada por empresas como a CCR Barcas, saídas de Angra às 15h30 (dias úteis) e às 13h30 (finais de semana) R$ 17; Objetiva, às 9h, 12h e 18h30 (R$50); e Água Viva, de R$ 25 a R$ 50 (às 7h, 13h e 15h), com opção de travessias em lanchas rápidas.

Com exceção das da Vila do Abraão, as pousadas da Ilha Grande costumam oferecer transfers para seus hóspedes.

MELHOR ÉPOCA
Tudo vai depender de qual é a sua pegada. Mas pode ter certeza de que tem uma ilha disponível para você o ano inteiro.

Para quem pretende navegar ou mergulhar, os meses de inverno apresentam dias mais secos e águas com maior visibilidade, embora mais frias. É nessa época de clima mais ameno que acontecem as caminhadas de longa travessia no Mar de Fora.

Trekking na Ilha Grande (foto: Divulgação)

Já no verão as águas são mais quentes e há maior probabilidade de tempestades, no final da tarde. É nessa época que os preços aumentam e a espera para travessia em balsas podem tirar o humor.

Os meses de primavera e outono, com número menor de visitantes, são conhecidos pelos dias de céu claro, temperaturas mais amenas e águas menos frias.

ONDE FICAR
Pousada Mar de Araçatiba
Pousada simples e quartos com varanda, na praia de Araçatibinha, na Enseada de Araçatiba
reservas: [email protected]

Maria Bonita
Essa pousada na praia do Passaterra, na Enseada do Sítio Forte, é conhecida pelo sistema all inclusive, com refeições, passeios e transfers do e para o cais de Angra.
pmbonita.com.br

Nautilus (praia de Jaconema / Enseada do Bananal)
Conta com opções de quartos e chalés.
nautilusilhagrande.com.br

MAR DE DENTRO OU MAR DE FORA?

O pedaço de terra voltado para Angra (Mar de Dentro), onde ficam as enseadas de Araçatiba, Sítio Forte e Bananal, tem praias mais abrigadas e de águas mais calmas, perfeitas para crianças. Só não espere as famosas imagens de mar azulado, como as da Costa Oceânica.

É formado pelas enseadas de Araçatiba, Sítio Forte, Bananal, dos Macacos, das Estrelas, Abraão e Palmas.

Praia do Aventureiro, no Mar de Fora, na Ilha Grande (foto: Tatiana Melo/Divulgação)

Já o invocado Mar de Fora é lindo, mas exige cuidado.

Suas sete praias são extensas, entre elas Aventureiro, Parnaioca e Lopes Mendes, e têm mar, geralmente, mais agitado. Esse lado da ilha se caracteriza pela rusticidade e falta de estrutura turística. Apenas Aventureiro e Parnaioca contam com área de camping.

Abriga as enseadas de Provetá, Aventureiro, Parnaioca, Dois Rios e Lopes Mendes


ATRAÇÕES

É tarefa impossível listar, em um único post, todos os passeios disponíveis na Ilha Grande.

Por isso, as opções abaixo são apenas sugestões, de acordo com a experiência do Viagem em Pauta no destino.

ENSEADA DE ARAÇATIBA
Última enseada do setor abrigado da ilha, no extremo oposto à Vila do Abraão, Araçatiba é endereço de alguns dos endereços mais preservados do sul do Mar de Dentro.

Os destaques ficam para as pequenas e tranquilas praias Vermelha, Itaguaçu e Araçatibinha.

Com 800 metros de extensão, aproximadamente, a praia de Araçatiba é a maior delas, embora a igreja Nossa Senhora da Lapa, em plena areia, dê ares de interior com vista para o mar.

Lagoa Verde, na Enseada de Araçatiba (foto: Eduardo Vessoni

Outro destaque é a Lagoa Verde, cujo nome original é Boqueirão da Lagoa. O local é usado para prática de snorkel em costões rochosos com águas de tons claros, em meio a cardumes, corais e, sem muito esforço, tartarugas marinhas.

Procure chegar antes das 10h para não ter seu passeio alterado pelo excesso de lanchas turísticas que chegam da Vila do Abraão.

ENSEADA DO SÍTIO FORTE
Essa é considerada uma das baías mais abrigadas de toda a Ilha Grande, um recuo mais acentuado, terra adentro, que abriga águas calmas e esverdeadas.

Não mais do que 50 pessoas moram nos arredores da Praia do Passaterra, um dos endereços mais tranquilos da Costa Continental.

Praia do Passaterra, na Enseada do Sítio Forte (foto: Eduardo Vessoni)

Com apenas uma opção de hospedagem (com pé e alma na areia), Passaterra é como ter uma praia só para você, onde é possível praticar SUP e caiaque ou ver a vida passar sem pressa da varanda do quarto.

A região é conhecida também pelo naufrágio do navio Pinguino, em 1967, um dos pontos de mergulho mais populares da ilha.

CONHEÇA O PINGUINO

GRUTA DO ACAIÁ
Essa sugestão, próxima à Enseada de Araçatiba, é somente para os fortes.

Trata-se de uma fenda em uma rocha com acesso por uma escada de madeira que leva até uma lagoa interior, alimentada pelas águas do mar.

Entrada para a Gruta do Acaiá (foto: Eduardo Vessoni)

O acesso é por um corredor baixo e sem iluminação, em terreno escorregadio e úmido.

E, no final da visita, a gente custa a entender se é caverna com mar, mar com caverna ou um daqueles cenários surreais que ninguém se atreve a explicar.

Interior da Gruta do Acaiá (foto: Eduardo Vessoni)

Devido ao mau comportamento de visitantes, o local só recebe pequenos grupos, organizados por pousadas das baías vizinhas, como Bananal e Sítio Forte.

ILHA DA GIPÓIA
Segunda maior ilha do destino, a Gipóia fica no interior da Baía da Ilha Grande e é endereço de uma das praias mais concorridas: Jurubaíba.

Mais conhecida como Praia do Dentista, essa faixa de areia tem águas claras e abriga pequenas piscinas naturais entre rochas, em uma de suas extremidades.

Praia de Jurubaíba, mais conhecida como Praia do Dentista (foto: Eduardo Vessoni)

O local pode ser combinado com uma visita às Ilhas Botinas, localizadas em frente a Gipóia. A atração recebe esse nome em referência às duas ilhotas semelhantes do local, onde é possível praticar snorkel em meio a grande quantidade de peixes.

LAGOA AZUL
Pelo nome já dá para saber o que lhe espera nessa atração popular da Freguesia de Santana, uma península, no setor noroeste da ilha.

O destaque são as águas de tons turquesas, onde costuma-se realizar snorkel e até mergulho com cilindro, em meio a cardumes e corais.

Início do povoamento da Ilha Grande, a Freguesia de Santana é um dos locais menos povoados, atualmente. É ali que fica a Igreja de Santana, a primeira da região, erguida no século 19.

TRILHAS

Vista da trilha para a Praia de Lopes Mendes (foto: Eduardo Vessoni)

Oficialmente, a Ilha Grande conta com 16 trilhas e essas podem ser uma boa opção para quem não quer depender de passeios de barco.

Uma das mais famosas é a T11, uma caminhada leve de 2 km que começa na Enseada de Palmas, na Praia do Pouso, e segue até a concorrida Praia de Lopes Mendes, no Mar de Fora.

Já a puxada T14 é uma trilha de 7 km que começa na Vila do Abraão e segue pelo antigo caminho que levava ao presídio da Praia de Dois Rios, onde dá para visitar o Museu do Cárcere.

MERGULHO
A Ilha Grande é um dos endereços de mergulho mais frequentados do litoral brasileiro e, ainda assim, não faltam locais diferentes para descer com cilindro. São 50 pontos, aproximadamente.

“Você pode ir 40 vezes no mesmo ponto e cada mergulho é diferente”, explica Verónica Ávila, instrutora do liveaboard Enterprise.

Liveaboard Enterprise tem saídas exclusivas para mergulhos em Paraty e na Ilha Grande (foto: JP Cauduro/Divulgação)

O Mar de Dentro é ideal para iniciantes ou também para mergulhos de batismo, onde as águas são mais calmas e rasas, em áreas costeiras sem correnteza.

Já do lado de fora são mergulhos mais profundos e com navegações mais longas, completa Verónica.

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DICA VIAGEM EM PAUTA

A Ilha Grande é extensa e complexa, sobretudo por conta dos longos deslocamentos, entre uma atração e outra. Por isso, é fundamental planejamento das atividades e estar acompanhado de alguém que conheça o destino.

Travessia entre Angra dos Reis e a Ilha Grande, no litoral sul fluminense (foto: Eduardo Vessoni)

Para viagens mais personalizadas, daquelas com roteiros onde poucos costumam ir, o Viagem em Pauta testou os serviços particulares da guia Tatiana Mello, quem organiza saídas, a partir de São Paulo e Campinas, para uma versão mais rústica do destino.

“Eu gosto do oposto da ilha. A Ilha Grande que ainda não tem uma vila gigante e que tem água cristalina no píer da pousada”, explica Tatiana, responsável por pacotes (a partir de R$ 600) que incluem hospedagem all inclusive no Mar de Dentro, transfers, passeios a locais pouco explorados como a Gruta do Acaiá e palestras ambientais. Reservas: (19) 9 9825-0190.

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Angra dos Reis
visiteangradosreis.com.br

Ilha Grande
ilhagrande.org

Viagem em Pauta viajou para a Ilha Grande com o apoio da Captain Dive Atlantis Divers e da Pousada Maria Bonita

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