Epecuén, a vila fantasma com apenas um morador, na Província de Buenos Aires

Vista da rua principal da Villa de Epecuén, na Província de Buenos Aires (foto: Francisco Whelan/Flickr-Creative Commons)

Ela tinha tudo para dar certo. E deu.

Contava com águas de poderes medicinais, recebia milhares de turistas durante o verão e era atendida por linhas férreas que despejavam visitantes, na alta temporada.

A principal atração dessa vila, a 7 km de Carhué, era a Laguna Epecuén, cujas águas termais de alta salinidade colocou o destino na rota do turismo medicinal, a partir dos anos 20, do século passado. Com uma pequena população de pouco mais de mil pessoas, o destino chegava a receber 25 mil turistas, durante o verão argentino.

Mas as mesmas águas que deram fama a esse balneário, a cerca de 570 km de Buenos Aires, tragaram o local, em novembro de 1985, com o rompimento dos muros de contenção, após um temporada de chuvas fortes.

A população foi evacuada, sem nenhuma fatalidade, e a vila ficaria debaixo d’água, a quase 10 metros de profundidade, por mais de vinte anos.

Hoje, a ‘Pequena Mar del Plata’, como o destino um dia fora chamado, é uma espécie de Pompeia argentina, em referência à cidade italiana que ficou sob as cinzas do vulcão Vesúvio.

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Epecuén, na Província de Buenos Aires (foto: rodoluca88/Flickr-Creative

As águas da Laguna Epecuén eram conhecidas não só pelas propriedades curativas de problemas nos ossos e articulações mas também pelo alto grau de salinidade, comparadas ao Mar Morto, no Oriente Médio.

O povoado, a sudoeste da Província de Buenos Aires, só voltaria a ser visto, em ruínas, a partir do recuo de suas águas, em 2013.

Quem chega a Epecuén é recebido por seu único morador, quem faz questão de mostrar, orgulhoso, o que sobrou da inundação. Pablo Novak é um senhor de quase 90 anos que se recusou a deixar a vila e mora em uma casa sem eletricidade e equipada com fogão a lenha.

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Pablo Novak, único morador de Epecuén (foto: José Carrizo/Flickr-Creative Commons)

Em entrevista para o jornal La Nación, Novak relembra o aviso dado à população, no dia da tragédia: “Juntem o que puderem (…) Epecuén vai desaparecer”.

A época de ouro do destino parece estar longe de voltar, exceto para Novak e fotógrafos curiosos que visitam aquele cenário desolador de construções abandonadas, automóveis enferrujados e caules de árvores mortas, pintados pelo sal daquelas águas.

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