5 destinos (lindos) do Brasil que podem frustrar

Deixem-me explicar, antes que os juízes sem toga, formados pela escola feicibuquiana de dar sentenças, publiquem os primeiros comentários raivosos.

Todos os destinos citados neste texto são lindos, foram de fato visitados para apuração das informações e eu voltaria para todos eles (quem me acompanha por aqui sabe que Goiás e Fernando de Noronha, só para citar alguns exemplos, são lugares que sempre dão as caras por aqui).

Mas nem tudo é para todo mundo (muito menos, em qualquer época do ano).

Afinal de contas, nem todos estão dispostos a ficar em uma fila de duas horas para entrar em uma cachoeira, encarar um mar de tons marrons em pleno Nordeste das águas cristalinas ou chegar ao paraíso terrestre, debaixo de chuva.

E para que fiquem bem claras as minhas (boas) intenções, cada um dos textos é acompanhado de uma seção PORÉM, que traz uma alternativa para quem desembarca nesses destinos.

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ARACAJU

Orla Pôr do Sol, em Aracaju (foto: Eduardo Vessoni)

Devido aos rios que chegam ao litoral da capital sergipana, dando tons amarronzados às suas águas, o mar da orla urbana de Aracaju não é o que costumamos esperar de uma praia no Nordeste.

O calçadão da cidade, cuja orla já foi considerada uma das mais bonitas do Brasil, se esconde por trás de estabelecimentos comerciais, o que também frustra a nossa ideia de caminhada beira mar.

Porém…
Aracaju é, sim, daqueles lugares que surpreendem com opções que a gente não esperava em terras nordestinas. Não só pelo museu com salas multimídia que fazem o visitante viajar o estado sem sair da capital mas também pelas praias de rio que se formam em bancos de areias (cenográficos e bem estruturados), afastados da cidade.

Em períodos de maré baixa, a Croa do Goré e a Ilha dos Namorados são paradas dos catamarãs que partem da Orla Pôr do Sol, em direção ao rio Vaza Barris.

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PRAIA DOS CARNEIROS
O cenário parecia perfeito: uma capelinha do século 18, em uma faixa estreita de areia com coqueiros e, ao fundo, um mar de tons exagerados.

A pouco mais de 100 km do Recife, em Tamandaré, a imagem é uma das mais belas (e frustrantes) do litoral sul de Pernambuco.

Piscinas naturais da Praia dos Carneiros (imagem: Eduardo Vessoni)

Com a fama veio também o turismo de massa que pouco combina com o cenário, sobretudo quando catamarãs despejam turistas que se acotovelam em piscinas naturais lotadas, onde os visitantes disputam o pouco espaço com ambulantes que vendem, aos gritos, capinhas de celular à prova d’água, pau de selfie e garrafinhas d’água.

Porém…
Para fugir da muvuca do Pontal, onde estão as piscinas da Praia dos Carneiros, a sugestão é ir por conta, pela areia, antes das dez da manhã, quando os catamarãs ainda não chegaram ao local.

Aí, sim, Carneiros mostra o que a gente veio ver: águas entre arrecifes que represam peixes coloridos, em aquários naturais que se formam na maré baixa.

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CACHOEIRA SANTA BÁRBARA
No último mês de junho, o Viagem em Pauta esteve de volta à Chapada dos Veadeiros e traz duas notícias: uma boa e outra preocupante.

A 220 km de Brasília, esse destino do nordeste de Goiás continua lindo e está cheio de novidades.

No entanto, um dos cenários mais famosos da Chapada tem tido excesso de visitantes, sobretudo em feriados e finais de semanas.

Ouvi até relatos (e não foram poucos) de ingressos esgotados, às 6h30 da manhã, e filas de até duas horas de espera para entrar no atrativo. Em um dos casos mais extremos, visitantes faziam fila às 2h30 da manhã para garantir o acesso a essa cachoeira que abre às 8h.

Cachoeira Santa Bárbara, na Chapada dos Veadeiros (foto: Cecilia Heinen/Flickr-Creative Commons)

Porém…
A cachoeira, que costuma ficar ainda mais cheia na alta temporada, não é a única opção de Cavalcante, uma das cinco cidades da Chapada dos Veadeiros, e o destino guarda atrativos naturais mais escondidos.

A dica é o Complexo do Prata, um circuito com cerca de 12 cachoeiras catalogadas, ao longo do Rio Prata, a 64 km da zona urbana; e a Cachoeira do Label, em São João d’Aliança.

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ABROLHOS
No extremo sul da Bahia, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos é o primeiro parque nacional marinho do Brasil e endereço de umas das maiores biodiversidades do país.

A cerca de 70 km de Caravelas (4 horas de viagem, aproximadamente), esse arquipélago é formado por cinco ilhas, das quais apenas uma delas permite desembarque de visitantes. E é nesse ponto que precisamos ser sinceros.

Farol da Santa Bárbara, visto da ilha Siriba, em Abrolhos (foto: Enrico Marcovaldi/Instituto Baleia Jubarte)

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Com poucos atrativos em terra, o melhor de Abrolhos continua sendo o fundo do mar.

Para quem não é certificado para mergulhar com cilindro (ou quer fazer apenas um bate e volta), a imagem que se leva é de um mar lindão e azulado que rodeia ilhas que a gente não consegue ver mais de perto.

Sem contar no passeio de um dia que costuma começar lá pelas quatro da manhã e segue num sacolejo marítimo forte.

Porém…
Entre julho e novembro, aproximadamente, a monotonia da viagem ganha uma atração única. É nessa época que baleias jubarte deixam as águas frias da Antártica para amamentar filhotes e se reproduzir em Abrolhos.

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Para ver tudo isso sem pressa, embarcações partem de Caravelas para viagens de três dias, explorando ilhas e pontos de mergulho do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos.

Conhecidos como liveaboard (“viver a bordo”, em tradução literal), esses barcos são para mergulhadores certificados ou para quem quer fazer apenas snorkel, em alguns pontos de mergulho.

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FERNANDO DE NORONHA
Patrimônio Natural da Humanidade e mar de águas quentinhas com tons cromáticos exagerados (daqueles perfeitos para capas de revistas). Sem falar no isolamento e na alta visibilidade de seus mergulhos.

E então por que pode frustar, ‘seu’ jornalista?

Quando chega a época de chuva e aquele cenário azulado fica todo cinza, em certos dias da temporada, a frustração vai bater sem dó.

Mas dessa ilha pernambucana, a 545 km do Recife, a gente só traz boas notícias.

Forte São Joaquim, em Fernando de Noronha. E não é que lindo mesmo em dia de chuva? (foto: Eduardo Vessoni)

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Dos dez dias em que o Viagem em Pauta esteve na ilha, em plena temporada de precipitações, apenas um foi de chuvas. Os outros nove foram do jeito que se espera encontrar a ilha mais cobiçada do Brasil: dias quentes com céu claro e todas as atrações em pleno funcionamento (de mirantes naturais com pôr do sol garantido a trilhas isoladas). SAIBA MAIS

Porém…
Nem só com dias nublados e chuvas se faz turismo em Noronha.

As chuvas, que costumam ir de março e julho, são responsáveis pela formação de cachoeiras que escorrem nos imponentes paredões rochosos da Praia do Sancho, eleita uma das melhores praias do mundo.

É nessa mesma baixa temporada que os preços de hospedagem e serviço caem até 30%, o mar fica perfeito para mergulho, a vegetação está mais verde por conta das chuvas e você pode ser surpreendido com dias seguidos de sol.

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