'Casa do Terror' é viagem cenográfica pela história recente da Hungria

texto e imagens: Eduardo Vessoni

É como entrar em um espaço cinematográfico: trilha sonora com música eletrônica e orquestra de cordas; mudanças de luz de acordo com o tema das salas e áreas históricas reconstruídas com a mesma precisão de uma obra de cinema.
Localizada em Budapeste, em um edifício de estilo neo renascentista erguido em 1880, a ‘Terror Haza’ (‘Casa do Terror’, em português) faz uma homenagem visual e sonora às vítimas do nazismo e do comunismo que ditaram as regras políticas na Hungria, durante o século 20.

'Casa do Terror', Budapeste, Hungria (foto: Eduardo Vessoni)
‘Casa do Terror’, Budapeste, Hungria (foto: Eduardo Vessoni)

O labirinto de celas e as salas de interrogatório do subterrâneo são os espaços mais impressionantes do museu, onde espaços com dimensões reduzidas abrigavam suspeitos anti comunistas que, privados de dormir, tomar banho ou comer, eram interrogados e torturados por até uma semana.
A ‘Casa do Terror’ abrigou também as instalações da sede da polícia secreta soviética, a PRO – Politikai Rendészeti Osztály (‘Departamento de Ordem Política’, em tradução literal para o português).
Outro espaço em destaque é o ‘Gulag’, ambiente dedicado aos campos de concentração.
No final da visita, o museu faz questão de mostrar o rosto de alguns dos responsáveis pelo terror instalado durante os dois momentos políticos  no país, em uma galeria com fotos e nomes dos autores ou funcionários dos órgãos executivos da época.
E, se o tempo apagou aquele passado violento, as velas acesas no parapeito das janelas do lado de fora do museu mantêm fresco na memória a história viva em cada uma daquelas salas da casa que um dia foi endereço de terror e tortura.
'Sala da Propaganda', Budapeste, Hungria (foto: Eduardo Vessoni)
O ‘Hall da Propaganda’ abriga anúncios publicitários com mensagens comunistas (foto: Eduardo Vessoni)

Vista da sala 'Partido da Cruz Flechada', ambiente que relembra a administração fascista de Ferenc Szálasi (foto: Eduardo Vessoni)
Vista da sala ‘Partido da Cruz Flechada’, ambiente que relembra a administração fascista de Ferenc Szálasi e abriga uniformes militares, objetos e vídeos com a deportação de judeus húngaros (foto: Eduardo Vessoni)

HISTÓRIA
Enfraquecida, isolada e desmilitarizada após o remapeamento da Europa e o dissolvimento do Império austro-húngaro, no final Primeira Guerra Mundial, a Hungria se viu suscetível à intervenção de potências como a Alemanha e a União Soviética.
Conhecido como a ‘Dupla Ocupação’, aquele momento histórico desse país do Leste Europeu foi ocupado por alemães, em março de 1944, e a invadida por soviéticos cinco meses depois.
Fachada da 'Casa do Terror', em Budapeste, capital da Hungria (foto: Eduardo Vessoni)
Fachada da ‘Casa do Terror’, em Budapeste, capital da Hungria (foto: Eduardo Vessoni)

Em agosto daquele ano, tropas soviéticas deram início a um processo de tomada de poder que culminaria na imposição do comunismo, nos quarenta anos seguintes.
Visat do tanque T-54/55, símbolo do sistema soviético (foto: Eduardo Vessoni)
Visat do tanque T-54/55, símbolo do sistema soviético (foto: Eduardo Vessoni)

(foto: Eduardo Vessoni)
Sala que relembra os campos de concentração  criado pelos comunistas, conhecidos como ‘gulag’, depósitos humanos que chegaram a receber mais de 600 mil pessoas (foto: Eduardo Vessoni)

Telefones com gravações da épocas dos sistemas totalitários na Hungria guardam gravações que podem ser opuvidas pelos visitantes (foto: Eduardo Vessoni)
Telefones da épocas dos sistemas totalitários na Hungria guardam gravações que podem ser ouvidas pelos visitantes neste museu de Budapeste, Hungria  (foto: Eduardo Vessoni)


SAIBA MAIS
Terror Haza (Casa do Terror)
Andrássy út, 60 – Budapeste
De terça a domingo das 10h às 18h
www.terrorhaza.hu

 
 

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