Roteiro mapeia arte de rua em São Paulo

São Paulo ainda não é mutante como a frenética Berlim e nem possui a fama turística de Nova York.
Não é high tech como a capital de Taiwan, muito menos relaxada como a ensolarada Califórnia. Tampouco abriga projetos de fama mundial como a Hosier Lane, rua da australiana Melbourne que trocou anúncios publicitários por arte marginal.
Mas assim como os destinos citados, a maior cidade brasileira vem se firmando como um dos mais importantes polos de arte urbana.

Beco do Aprendiz, na Vila Madalena (foto: Eduardo Vessoni)
Beco do Aprendiz, na Vila Madalena (foto: Eduardo Vessoni)

Nos últimos anos, a incompreendida São Paulo tem deixado a pressa de lado e vem flertando com a arte de rua que, da noite para o dia, cresce bem na porta de casa, em viadutos, muros de contenção e fachadas de estabelecimentos comerciais.
E o que era rabisco (ou vandalismo) para alguns, vem sendo visto como uma diálogo harmônico com a arquitetura acinzentada e sem graça de um dos maiores centros financeiros do continente.

Os grafiteiros são artistas influenciados pelo meio urbano“, diz o antropólogo Diogo de Oliveira, um dos criadores da SP Birô, agência especializada em roteiros sob medida.

Inspirados pela cultura hip hop e pelas artes plásticas, trabalhos como estêncil e figuração livre com tinta látex têm dado novos matizes ao cinza-escritório de São Paulo e vão ganhando prestígio internacional sob a assinatura respeitosa de nomes como Osgemeos, Nunca, Eduardo Kobra, Nina e Raphael Sagarra, o Finok.
Arte Urbana, roteiro do escritório oficial de turismo da cidade de São Paulo, é um dos oito passeios que propõem rotas autoguiadas com temas como cultura afro, arquitetura no centro histórico e futebol.
Conheça os endereços mais icônicos para ver arte de rua em São Paulo:

⇒ PINHEIROS / VILA MADALENA

Esses bairros da zona oeste de São Paulo fazem parte dos endereços com maior concentração de arte urbana da cidade, onde as obras costumam dialogar com a arquitetura local como portas e janelas de pontos comerciais.

foto: Eduardo Vessoni
Beco do Batman (foto: Eduardo Vessoni)

Um dos pontos de grafite mais famosos é o Beco do Batman, nas ruas Gonçalo Afonso e Medeiros Albuquerque.
Outro endereço popular é a obra assinada pelo Studio Kobra na lateral da Igreja do Calvário, na esquina da rua Cardeal Arcoverde e Henrique Schaumman, uma homenagem aos 447 anos do bairro.
A região abriga ainda o Beco do Aprendiz, conhecido também como Beco Escola, próximo às ruas Belmiro Braga e Ignácio Pereira da Rocha.
Onde: Beco do Batman (ruas Gonçalo Afonso e Medeiros Albuquerque); Igreja do Calvário (rua Cardeal Arcoverde, 950); Beco Escola (Rua Berlmiro Braga, s/n°)

 

⇒ LIBERDADE

Discretos e em menor proporção, os grafites do bairro oriental de São Paulo se encontram nas ruas Galvão Bueno e da Glória, e são assinados por grafiteiros como Titi Freak, Whip, Nina Pandolfo, Osgemeos e Nunca.

Grafite no bairro da Liberdade (foto: Eduardo Vessoni)
Grafite no bairro da Liberdade (foto: Eduardo Vessoni)

Grafite no bairro da Liberdade (foto: Eduardo Vessoni)
Grafite no bairro da Liberdade (foto: Eduardo Vessoni)

Onde: Bairro da Liberdade, nas ruas Galvão Bueno e Rua da Glória (entre as estações do Metrô São Joaquim e Liberdade)

 

⇒ CENTRO

O centro de São Paulo abriga murais como a pop art de 33 metros de altura do artista Daniel Melim; e os murais de Eduardo Kobra, na avenida Tiradentes com reproduções da avenida, nos anos 50.

Vista aérea do trabalho de Daniel Melim, no Centro (foto: Eduardo Vessoni)
Vista aérea do trabalho de Daniel Melim, no Centro (foto: Eduardo Vessoni)

 
Onde: Daniel Mellin (av. Prestes Mais); Eduardo Kobra (av. Tiradentes, 822)

⇒ BURACO DA PAULISTA

O túnel da Paulista que dá acesso às avenidas Rebouças e Dr. Arnaldo é outro endereço tradicional da arte urbana de São Paulo e abriga um mosaico de painéis coletivos.
Frequentemente, o espaço ganha edições temáticas como a comemoração dos 100 anos da imigração japonesa que recebeu criações de 160 grafiteiros, em 2008.

Buraco da Paulista (foto: Eduardo Vessoni)
Buraco da Paulista (foto: Eduardo Vessoni)

Um dos destaques é o mural azul de Rui Amaral, artista que grafita naqueles  muros desde 1991 e é conhecido por seus robôs e monstros amarelos.
Onde: Buraco da Paulista, túnel no final da Avenida Paulista, no acesso às avenidas Rebouças e Dr. Arnaldo

 

⇒ FLORESTA URBANA

Localizada ao lado da Câmara de São Paulo, no centro da cidade, a Praça Paulo Kobayashi foi revitalizada, recentemente, e ganhou grafites como o painel “Floresta Urbana”, uma obra de 10 metros de altura com curadoria do artista Binho Ribeiro e participação de Nem, Nick, Does, Evol, Snek, Feik e Sr. Max.
O espaço de 1.500 m² abriga outros grafites assinados por 30 artistas como Zezão, Chivitz, Minhau, Presto e o belga Bue.

Onde: Praça Paulo Kobayashi, Viaduto Jacareí (Centro)

 

⇒ AVENIDA 23 DE MAIO

Na alça de acesso ao Viaduto Jaceguai, na Ligação Leste-Oeste, o mural de 680 metros não fica despercebido por quem passa pela região de acesso a avenidas como a 23 de Maio, Radial Leste e o Minhocão.
Talvez essa seja a obra que melhor represente a arte urbana de toda a cidade, um coletivo de 2008 assinado por brasileiros que ganharam o mundo com seus traços únicos como Osgemeos, Nina Pandolfo, Nunca, Finok e Zefix 8.
Desde janeiro de 2009, Eduardo Kobra e outros setes artistas dão ares nostálgicos à engarrafada avenida 23 de Maio, principal via de ligação entre as zonas norte e sul de São Paulo.
A obra “Muro das Memórias” foi criada para comemorar o aniversário de São Paulo e registra uma típica cena paulistana dos anos 20 em um painel com quase mil m² e riqueza de detalhes em técnicas de grafite.

Trabalho "Muro da Memória", na avenida 23 de Maio (foto: http://eduardokobra.com)
Trabalho “Muro da Memória”, na avenida 23 de Maio (foto: eduardokobra.com)

 
Onde: Ligação Leste-Oeste, próximo ao viaduto Jaceguai

 

⇒ MUSEU ABERTO DE ARTE URBANA

Idealizado pelos grafiteiros e curadores Binho Ribeiro e Chivitz, o MAAU abriga 70 painéis nas colunas da estação do Metrô da av. Cruzeiro do Sul, na zona norte.
Entre os 60 artistas que participam desse projeto em 33 colunas de sustentação do Metrô e com 2 km de extensão, que tem apoio do Paço das Artes e da Secretaria de Estado da Cultura, estão nomes como Ricardo AKN, Minhau, Speto, Presto, Markone, Onesto, Zezão e Highraff.
Curiosamente, o projeto surgiu após a prisão de 11 grafiteiros que pintavam o mesmo local e que, mais tarde, propuseram a ideia de um museu a céu aberto que transformasse aquelas intervenções artísticas não autorizadas em mais uma opção de arte na cidade.

Obra da artista Tikka Meszaros (foto: Tikka Meszaros / Flickr Creative Commons)
Obra da artista Tikka Meszaros (foto: Tikka Meszaros / Flickr Creative Commons)

 
 

Onde: Avenida Cruzeiro do Sul (entre as estações do metrô Portuguesa Tietê e Santana)


Centrais de informação turística (CITs)
CIT PAULISTA
Av. Paulista, 1853 (Parque Mário Covas)
Diariamente, das 8h às 20g
CIT REPÚBLICA
Praça da República, s/n (Centro)
Diariamente, das 9h às 18h
CIT OLIDO
Av. São João, 473 (Galeria Olido, Centro)
Diariamente, das 9h às 18h
CIT TIETÊ
Terminal Rodoviária do Tietê (desembarque)
Diariamente, das 6h às 22h
CIT GUARULHOS
Aeroporto de Guarulhos (desembarques dos terminais 1 e 2)
Diariamente, das 6h às 22h


SITE OFICIAL DE TURISMO DE SÃO PAULO
www.cidadedesaopaulo.com

* por Eduardo Vessoni

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