Carimbó do Pará é declarado Patrimônio do Brasil

De origem indígena e com influências africanas, o carimbó amazônico foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão vinculado ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
Reconhecida como Patrimônio Cultural e Artístico do Pará, desde 2009, a dança do carimbó passou por um processo de avaliação que durou de 2008 a 2013, até seu reconhecimento como patrimônio brasileiro, na última quinta-feira (11 de setembro).
Cupijó, Mestre Lucindo, Pinduca e Verequete são alguns dos artistas tradicionais que ajudaram a promover e preservar esse ritmo acompanhado de carimbos (tambores), ganzá, reco-reco, banjo, flauta, maracás, afoxé e pandeiros.
Veja vídeo da “Dança do Carimbó”

Profano e sagrado, em Alter do Chão

Uma das festas mais famosas ao som do carimbó é a Festa do Sairé que acontece em setembro e é considerada a mais antiga manifestação religiosa e cultural do Pará.

Saraipora carrega o sairé, durante procissão pelas ruas de Alter do Chão. Essa armação em forma de cruz de madeira e com fitas coloridas representa o Pai, o Filho e o Espírito Santo (foto: Eduardo Vessoni)
Saraipora carrega o sairé, durante procissão pelas ruas de Alter do Chão. Essa armação em forma de cruz de madeira e com fitas coloridas representa o Pai, o Filho e o Espírito Santo (foto: Eduardo Vessoni)

A edição 2014 do evento começou na última quinta-feira e segue até o próximo domingo (21), na vila de Alter do Chão, em Santarém, no oeste do estado.
Criada por padres jesuítas em terras amazônicas, há mais  de 300 anos, a festa do Sairé propunha ajudar os índios a assimilarem elementos da cultura europeia como a religião católica.
Carimboleiros se apresentam na Festa do Sairé, a versão profana daquela manifestação cultural que é marcada pela disputa dos grupos folclóricos dos botos Rosa e Tucuxi, em uma competição inspirada nos famosos bois de Parintins, no Amazonas (foto: Eduardo Vessoni)
Carimboleiros se apresentam na Festa do Sairé, a versão profana daquela manifestação cultural que é marcada pela disputa dos grupos folclóricos dos botos Rosa e Tucuxi, em uma competição inspirada nos famosos bois de Parintins, no Amazonas (foto: Eduardo Vessoni)

Mas como em toda (boa) manifestação cultural brasileira, o sagrado e o profano se encontram nos dias de evento.
A lenda do boto amazônico é representada nos dias da Festa do Sairé, em Alter do Chão (foto: Eduardo Vessoni)
A lenda do boto amazônico é representada nos dias da Festa do Sairé, em Alter do Chão (foto: Eduardo Vessoni)

Além das emocionantes procissões entoadas em latim que cruzam esse vilarejo a 36 km de Santarém e a tradicional busca dos mastros que termina em uma competição entre homens e mulheres, a festa abriga, desde 2007, o Festival dos Botos, disputa entre os grupos Tucuxi e Cor de Rosa que encenam a lenda do famoso boto que se transforma em um homem bonito e engravida as mulheres ribeirinhas.
 
 
Grupo da organização Boto Cor de Rosa se apresenta em, Alter do Chão, durante a Festa do Sairé (foto: Eduardo Vessoni)
Grupo da organização Boto Cor de Rosa se apresenta em, Alter do Chão, durante a Festa do Sairé (foto: Eduardo Vessoni)

Carros alegóricos do grupo Tucuxi, na edição 2009 da Festa do Sairé, em Alter do Chão (foto: Eduardo Vessoni)
Carros alegóricos do grupo Tucuxi, na edição 2009 da Festa do Sairé, em Alter do Chão (foto: Eduardo Vessoni)

Qualquer semelhança com o Festival Folclórico de Parintins, onde os bois Garantido e Caprichoso se apresentam no Bumbódromo, é pura inspiração amazônica.

Confira imagens da procissão do Sairé

Mulheres acompanham missa religiosa durante a Festa do Sairé, em Alter do Chão (foto: Eduardo Vessoni)
Mulheres acompanham missa religiosa durante a Festa do Sairé, em Alter do Chão (foto: Eduardo Vessoni)

 
Meninas acompanham missa religiosa durante a Festa do Sairé, em Alter do Chão (foto: Eduardo Vessoni)
Meninas acompanham missa religiosa durante a Festa do Sairé, em Alter do Chão (foto: Eduardo Vessoni)

Cinco dias antes da festa do Sairé, acontece a tradicional busca dos mastros, que consiste na retirada de dois troncos na floresta local (foto: Eduardo Vessoni)
Cinco dias antes da festa do Sairé, acontece a tradicional busca dos mastros, que consiste na retirada de dois troncos na floresta local (foto: Eduardo Vessoni)

Após uma procissão fluvial, os mastros são deixados na Praia do Cajueiro, em Alter do Chão, onde ficam até o dia da abertura do evento (foto: Eduardo Vessoni)
Após uma procissão fluvial, os mastros são deixados na Praia do Cajueiro, em Alter do Chão, onde ficam até o dia da abertura do evento (foto: Eduardo Vessoni)

Os mastros são levados em procissão até a Praça do Sairé e o cortejo é comandado por um capitão e por mulheres que entoam ladainhas e canções em latim (foto: Eduardo Vessoni)
Os mastros são levados em procissão até a Praça do Sairé e o cortejo é comandado por um capitão e por mulheres que entoam ladainhas e canções em latim (foto: Eduardo Vessoni)

Grupos de homens e de mulheres protagonizam a competição com a decoração de frutas e folhagens nos troncos recolhidos, que são erguidos em frente à barraca da festa até serem derrubados, no final da festa (foto: Eduardo Vessoni)
Grupos de homens e de mulheres protagonizam a competição com a decoração de frutas e folhagens nos troncos recolhidos, que são erguidos em frente à barraca da festa até serem derrubados, no final da festa (foto: Eduardo Vessoni)

O grupo vencedor é aquele que consegue derrubar primeiro o tronco decorado com frutas e folhagens (foto: Eduardo Vessoni)
O grupo vencedor é aquele que consegue derrubar primeiro o tronco decorado com frutas e folhagens (foto: Eduardo Vessoni)

CONHEÇA ALTER DO CHÃO
www.alterdochao.tur.br

* por Eduardo Vessoni

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