Ilhas Canárias: a Espanha além-mar

A mil km da Península Ibérica, as Canárias são uma espécie de síntese de três continentes.

A proximidade com a África, as influências trazidas da Espanha, no século 15, e a posição estratégica para quem navegava para as Américas fizeram desse destino espanhol uma das experiências mais inusitadas do país.

E não é pouco o que esse arquipélago tem para oferecer.

Praias de tons turquesas aos pés de vulcões, restaurante e centros culturais dentro de túneis vulcânicos, e antigos povoados pesqueiros, recortados por canais e ruelas com casario mediterrâneo.

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Triângulo vulcânico

As Canárias, assim como as portuguesas Cabo Verde, Ilha da Madeira e Açores, fazem parte de um triângulo imaginário, próximo à costa oeste da África, conhecido como Macaronésia. Esse grupo de ilhas do Atlântico Norte, uma espécie de hotspot geológico, viu seu cenário mudar, ao longo dos anos, por conta de sua extensa história de vulcanismo ativo.

Isla Graciosa com vista do vulcão Montaña Amarilla (foto: Eduardo Vessoni)

As atividades vulcânicas que começaram em Lanzarote, há 180 milhões de anos, deram origem a outras seis ilhas: El Hierro, La Gomera, La Palma, Tenerife, Fuerteventura e Gran Canaria.

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Lanzarote

Este é o pedaço de terra mais oriental e mais antigo das Canárias, onde se localizam mais de 200 vulcões.

Aonde quer que se vá, vulcões de diferentes formatos e um mar de lavas sobre extensas áreas abertas são o cenário mais provável.

Parque Nacional de Timanfaya, em Lanzarote (foto: Eduardo Vessoni)

O destino mais procurado de Lanzarote é a Isla Graciosa, no Arquipélago Chinijo, cujos traslados por barcos saem do povoado de Órzola, no norte da ilha, e levam visitantes a praias de águas cristalinas rodeadas por picos vulcânicos, como a inusitada faixa de areia aos pés de um vulcão.

A ilha é conhecida também pelo bar-restaurante dentro de um corredor de lava vulcânica e pela casa-museu de José Saramago, aberta para visitação.

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Gran Canaria

As estradas sinuosas que rasgam as montanhas locais, no norte da ilha, levam visitantes a pontos de observação como o Degollada de Becerra, de onde o vulcão Teide, na vizinha Tenerife, se exibe em dias de céu claro; o Mirador de Zamora, no norte-centro da ilha e com vistas para a capital Las Palmas de Gran Canaria; e o popular Mirador del Pico de las Nieves, endereço de caminhadas e mountain bike.

Mirador del Pico de las Nieves, na Gran Canaria (foto: Eduardo Vessoni)

Já o sul da Gran Canaria concentra o centro turístico e náutico da ilha.

Recortado por canais com casas em estilo mediterrâneo, Puerto de Mogán é conhecido como a ‘Pequena Veneza de Gran Canaria’ e guarda o lado mais internacional da ilha. É da marina local que saem os passeios para observação de baleias e pesca esportiva.

Outra atração popular é a Reserva Natural Especial das Dunas de Maspalomas, no sul da Gran Canaria (foto: Eduardo Vessoni)

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Tenerife

Essa é uma das ilhas ocidentais das Canárias e endereço do mais famoso de todos os vulcões do arquipélago: o Teide, o ponto mais alto da Espanha, a 3.718 metros.

Situado no centro da ilha, esse vulcão adormecido se exibe por todos os lados: pode ser visto da estrada de acesso ao Parque Nacional del Teide, de mirantes encravados em colinas e do alto do concorrido teleférico que leva passageiros, em breves 8 minutos, até a sua base, considerado uma das atrações mais visitadas da ilha.

Vulcão Teide, em Tenerife (foto: Eduardo Vessoni)

Outra atração impactante dessa ilha, entre Gran Canaria e La Gomera, são os Acantilados de los Gigantes, no extremo oeste de Tenerife. Esses gigantes rochosos são paredões verticais de até 600 metros de altura que se debruçam sobre as águas mornas do Atlântico.

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Vinhos vulcânicos

Se nada parece ter vida naquele cenário árido, as Ilhas Canárias fizeram de seu solo argiloso um terreno fértil para plantações de uvas que dão origem a um vinho de características únicas.

A produção local ainda é discreta, mas o destino é conhecido pela produção de vinhos de sabor mineral, garantido pelo terreno vulcânico, feitas a partir de uvas como Malvacía, Listán Negro e Moscatel.

Produção de vinho em Lanzarote (foto: Eduardo Vessoni)

Em Lanzarote e em Tenerife, por exemplo, as parreiras se desenvolvem no interior de buracos cavados naquele terreno vulcânico ou entre muros de pedras, técnica local desenvolvida para proteger as plantações das massas de ar e manter a umidade trazida por aqueles ventos alísios.

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SERVIÇO

Turismo da Espanha
www.spain.info

Turismo das Ilhas Canárias
www.holaislascanarias.com

Quando ir
Com verões que beiram os 22º e dono de microclimas que garantem mudanças bruscas em trajetos de 30 minutos, o destino é endereço para o verão, em pleno inverno na Europa.

Como chegar
Sem voos diretos do Brasil, o viajante deve voar até Madri e dali seguir em conexões para ilhas do arquipélago. Saiba mais: www.iberia.com

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