Distanciamento social em aeronaves deve aumentar valor das passagens em 50%

Longe de ter seu fim anunciado, a pandemia de coronavírus pegou muita gente de surpresa. Mas é a indústria do turismo que mais deve demorar para retomar as atividades de acordo com a nova normalidade que vem por aí.

Depois de anunciar que companhias aéreas tiveram perdas na casa dos US$ 300 bilhões e redução de 80% na demanda, a IATA (International Air Transport Association) estimou recentemente o impacto que as medidas de distanciamento social devem ter na economia da aviação, reduzindo a capacidade de transporte em cada aeronave.

De acordo com essa associação que representa quase 300 companhias aéreas no mundo, os níveis de 2019 serão superados somente em 2023.

“Eliminar o assento do meio aumentará os custos. Se isso puder ser compensado com tarifas mais altas, a era das viagens acessíveis chegará ao fim. Por outro lado, se as companhias aéreas não puderem recuperar os custos com tarifas mais altas, as companhias aéreas falirão”, analisa Alexandre de Juniac, diretor da IATA.

foto: Domínio Público

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A IATA já havia deixado claro, em nota divulgada no início do mês, que é contra a restrição ao ‘assento do meio’ para criar distanciamento social, uma vez que a própria associação acredita no baixo risco de transmissão de vírus a bordo.

Com menos assentos para vender, as companhias aéreas devem aumentar, significativamente, entre 43% e 54%, de acordo com a região.

Os passageiros que voarem dentro da América Latina, por exemplo, são os que mais sentirão as mudanças no bolso, cujas tarifas devem ter um aumento de mais de 50%, seguida pela região Ásia-Pacífico, com 54%.

Já a América do Norte deve registrar um aumento de mais de 43% nos preços das passagens aéreas.

As alternativas propostas pela IATA são o uso de coberturas faciais (tanto para passageiros quanto para a tripulação) e adaptações como assentos com diferentes posicionamentos e sistemas de filtro de ar que sigam os padrões de salas de operações em hospitais.

foto: K Bahr/Domínio Público

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Viagem em camadas

Em nota para a imprensa divulgada nesta sexta-feira (22 de maio), a IATA sugere que, daqui para a frente, as viagens tenham uma abordagem de biossegurança feita em camadas.

No documento ‘Biossegurança para o Transporte Aéreo: Roteiro para Retomada da Aviação’, são previstas medidas temporárias, divididas por etapas:

  • antes do voo: governos devem coletar dados antes da viagem, tais como informações de saúde e medição da temperatura dos passageiros; distanciamento físico, incluindo gerenciamento de filas; autoatendimento para check-in; e embarque mais eficiente possível.
  • durante o voo: cobertura facial para todos os passageiros e tripulação; serviço de bordo simplificado e refeições pré-embaladas para reduzir interações; proibição de filas no banheiro, a fim de evitar aglomerações; e limpeza mais frequente da cabine.
  • no destino: medição de temperatura, se exigido pelas autoridades locais; procedimentos automatizados de controle alfandegário e de fronteiras (incluindo aplicativos móveis ou tecnologias biométricas); e processo acelerado de recuperação da bagagem.

Ainda segundo a IATA, teste da COVID-19 no início da viagem e passaportes de imunidade, de modo a segregar viajantes sem risco, são também medidas apoiadas pela organização.

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* fonte: IATA

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