Com medo e desconfiado, brasileiro ainda deve demorar para viajar

T

udo começou do outro lado do planeta, no final do ano passado. Fechou fronteiras, isolou pessoas, cancelou viagens e paralisou a economia mundial.

Logo virou “gripezinha”, “exagero”, “fantasia”, “neurose” e “histeria”, só para citar alguns dos adjetivos usados pela autoridade máxima do Executivo brasileiro.

Nesta segunda-feira (15 de junho), só no Brasil, eram quase 900 mil casos confirmados e mais de 44 mil mortes causadas pela pandemia.

E a expectativa do início da pandemia, que já não era nada otimista, está ainda pior.

Aeroporto Charles de Gaulle, porta de entrada para quem vem do Brasil (foto: Kristian Mollenborg/Flickr-Creative Commons)

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De acordo com a pesquisa do TRVL LAB (Laboratório de Inteligência de Mercado em Viagens), as agências de viagens, que apostavam em uma retomada entre maio e junho, acreditam que o setor só deve retomar os serviços entre o próximo mês de agosto e o fim de 2020.

Porém, a normalização, ainda segundo as empresas do setor, deve acontecer no primeiro semestre de 2021 ou apenas em 2022.

Em parceria entre a consultoria MAPIE e a editora Panrotas, a pesquisa traz números decepcionantes para quem pensava em viajar pelo Brasil após a (displicente) flexibilização de medidas de isolamento, adotadas recentemente em São Paulo e Rio de Janeiro, os dois estados com mais vítimas da covid-19.

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Sobre a intenção de viajar

Com a curva de contaminações e óbitos ainda em crescimento, o brasileiro deve demorar para se sentir seguro para fazer turismo.

54,4% dos entrevistados não têm intenção de viajar pelo Brasil “até ter confiança que a pandemia está controlada”. A retomada deve ser ainda mais lenta para as viagens internacionais (68,24% não se sentem seguros para sair do país).

Para 61,39% dos que responderam à pesquisa, o principal motivo é o “medo de viajar e expor a família”. Já 27,72% dos entrevistados temem viajar e não poder aproveitar o destino, devido a restrições impostas.

Ainda sobre a intenção de viajar, apenas 12,26% dos entrevistados demonstraram confiança nos prestadores de serviço do setor de turismo para voltar a viajar assim que o isolamento acabar. O número representa uma queda de 10 pontos, com relação à primeira edição da pesquisa, divulgada no início de abril.

Apertem os cintos

Entre as medidas e regras sanitárias já adotadas no Brasil, o viajante nacional se sente mais seguro com:

obrigatoriedade do uso de máscaras (76,7%)
distanciamento de no mínimo 1,5m (72,8%)
testes rápidos para Covid-19 (66,7%)
check in/out online (64,7%)
medição da temperatura corporal (58,6%).

Vai para onde?

O Viagem em Pauta não pretende ser mais um vidente do turismo com previsões apressadas sobre o futuro das viagens.

Mas o mercado tem apontado algumas possibilidades para quando tudo isso passar, como deslocamentos terrestres de até 300 km, viagens em família e contato com a natureza.

“Muita gente deve voltar a atenção para o seu entorno, reconectando-se com áreas próximas e com a natureza, com paisagens naturais das quais tanto se distanciaram nos últimos meses”, acredita Emerson Antonio de Oliveira, coordenador de Projetos Ambientais da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Com 11 mil hectares de áreas protegidas em biomas como a Mata Atlântica e o Cerrado, a fundação deve apostar no turismo em áreas naturais, aliando desenvolvimento socioeconômico e proteção ambiental.

E adivinha para onde o brasileiro quer viajar na retomada?

Segundo a pesquisa do TRVL LAB, 31,85% pretendem visitar o Nordeste brasileiro, seguido de praias regionais (14,01%), Serra Gaúcha (7,64%) e Rio de Janeiro (6,69%).

No exterior, os entrevistados apontaram a intenção de viajar para a América do Sul (7,96%), Estados Unidos (7,32%) Europa (6,69%) e Caribe e/ou México (2,23%).

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O que dizem as agências de viagens

Com cerca de 75% da equipe em home office e debruçada sobre novas estratégias de negócios, as empresas do setor acreditam que a retomada deve vir acompanhada de medidas como a flexibilização de regras como alteração e cancelamento de viagens, e adoção de selo ou certificação sanitária.

Sobre as consultas recebidas pelas agências de turismo, a maior parte se refere a viagens nacionais que devem acontecer ainda em 2020, embora menos de 15% dos agentes consultados acreditem que a malha aérea nacional retorne ao normal até o final deste ano.

Barra do Cunhaú, a 80 km de Natal, no Rio Grande do Norte (foto: Eduardo Vessoni)

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Sobre a pesquisa
Os números são resultado de um painel on-line com 372 agências de viagens e 416 viajantes brasileiros de todas as regiões do Brasil e que tenham feito ao menos uma viagem nos últimos 12 meses.

fonte: Pulso Turismo e Covid-19 2ª. Edição, TRVL Lab, 2020

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