Com aumento de casos de coronavírus, Goiás faz campanha para evitar turismo

Não venham para a Chapada”. Se fosse feito no início deste ano, o pedido causaria estranheza, sobretudo por se tratar de um dos destinos queridinhos dos ecoturistas e da turma ‘gratiluz’.

Mas com o aumento recente nos casos de contaminação por coronavírus e no número de óbitos, Goiás vem fazendo campanhas para desestimular turistas, goianos e de outros estados, a fazer turismo por ali.

Até às 10h20 do dia 27 de junho, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás registrava 21.620 casos e 409 mortes.

Recentemente, a Chapada dos Veadeiros, um dos destinos mais procurados em Goiás, vem pedindo nas redes sociais para que turistas evitem a região.

“Passamos por uma fase sem precedentes. Os municípios da região tem muitos idosos. Não tem UTI e respiradores para atender a demanda”, explica o perfil em um dos posts no Instagram.

A Região Turística da Chapada dos Veadeiros, no nordeste goiano, é formada por cinco municípios: Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante, Teresina de Goiás, Colinas do Sul e São João d’Aliança.

“A população local está muito receosa por uma abertura equivocada”, informa o mesmo post do dia 8 de junho.

Rei do Prata, em Cavalcante (foto: Eduardo Vessoni)

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Com uma retração de 58,1% no índice de atividades turísticas, de acordo com a Goiás Turismo, esse estado do Centro-Oeste brasileiro aposta no turismo regional para a retomada.

Porém a crise ainda vai ser longa e o setor turístico, de Goiás e de todo o Brasil, precisa evitar a retomada apressada das atividades, ainda que o prejuízo já não caiba em planilhas.

Assim como lembra a Agência Estadual de Turismo (Goiás Turismo), em boletim de 23 de junho, os parques aquáticos de Caldas Novas e parques nacionais como a Chapada dos Veadeiros e o PN das Emas continuam fechados para visita púbica.

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A temporada que não vai ter

Com a vazão das águas do Rio Araguaia, entre julho e outubro, o oeste goiano é procurado pelo surgimento de praias de águas doce.

O atrativo é responsável por uma das temporadas de maior movimento em todo o estado e chegou a receber cerca de 1,5 milhão de turistas, em 2019, de acordo com a agência de promoção turística do estado.

Apesar da pressão dos representantes da Região Turística Vale do Araguaia para retorno do turismo, desde o início de maio, a temporada 2020 será marcada por praias vazias e estabelecimentos fechados.

Em entrevista a rádios locais, na última sexta-feira, o presidente da Goiás Turismo, Fabrício Amaral, informou que em breve uma campanha deverá ser lançada para conscientizar os turistas a ficarem em casa.

“Infelizmente, é a temporada de férias dos goianos, mas a saúde nossa é muito mais importante”, declarou Amaral.

Praia no Rio Araguaia, em Aruanã, Goiás (foto: Eduardo Vessoni)

A partir de 1º de julho, o Vale do Araguaia passará a aplicar multas, a fim de proibir aglomerações na região.

De acordo com o governo goiano, “o objetivo do decreto é evitar o aumento de casos de Covid-19 em Goiás” e preservar a saúde de “ribeirinhos, indígenas e comunidades vulneráveis”.

Em uma força-tarefa recente, envolvendo Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Polícia Militar Ambiental e Corpo de Bombeiros, entre outras órgãos públicos, os famosos acampamentos ribeirinhos foram “notificados para que procedam à desmobilização de estruturas temporárias de restaurantes, bares, banheiros, pontos de apoio e quaisquer outras de atendimento a turistas e usuários em praias, beiras de rios e cachoeiras”.

Apesar da pressão dos empresários e da necessidade urgente de retorno, é mais do que sabido, pelo menos entre profissionais responsáveis, que a maior crise sanitária dos últimos tempos ainda não passou e não é hora de viajar.

Rio Araguaia, em Goiás (foto: Eduardo Vessoni)

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Nós, que vivemos exclusivamente de produzir conteúdo de turismo (assim como os sete milhões de brasileiros empregados no setor), já passamos a contar em segundos o dia da retomada.

Mas é preciso que órgãos oficiais sejam cuidadosos na hora de promover destinos em tempos de pandemia, a fim de evitar dúvidas ou até mesmo estimular viagens no momento.

Se por um lado a agência estadual que promove o turismo de Goiás acertou em frear uma possível retomada do setor turístico, errou em posts recentes nas redes sociais com frases como “Tá esperando o que pra se aventurar?”, “Tá achando que acabou?”

Mais do que nunca, é tempo não só de sonhar com viagens, mas também de produzir conteúdo relevante e de qualidade para estimular turistas para quando tudo isso passar.

De resto, #FicaemCasa.

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