Com recuperação prevista para 2024, viagem internacional é experiência distante

E

nquanto a hotelaria e as atrações turísticas ensaiam retorno à normalidade, a recuperação do tráfego aéreo mundial está mais lento do que o esperado.

De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (29/7) pela IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), a movimentação aérea em junho caiu 86,5%, em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para essa representante de cerca de 290 empresas mundiais, “o tráfego global de passageiros não retornará aos níveis anteriores à COVID-19 antes de 2024”.

Em outras palavras, responsável por quase dois terços das viagens aéreas no mundo, o tráfego internacional continua praticamente inexistente, segundo análise da IATA.

E nem o tão aguardado verão europeu tem dado conta de reverter o cenário. Insegurança, constantes fechamentos de fronteiras e mudanças de regras na admissão de estrangeiros são alguns dos impasses.

foto: K Bahr/Domínio Público

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Embarque não autorizado

Em nota enviada para o Viagem em Pauta, a IATA acredita que a demora no retorno se deve a fatores como a lentidão na contenção do vírus em países como os Estados Unidos e Brasil, e novas ondas de contaminação.

Outros causadores da lentidão no retorno seriam a redução drástica de viagens corporativas e a baixa confiança do consumidor para viajar. Cerca de 55% dos entrevistados pela associação, em junho, não planejam viajar este ano.

Com uma queda de 96,8%, em relação a junho de 2019, o tráfego internacional tem sentido os efeitos da crise sanitária em todos os continentes.

As companhias aéreas registram forte retração em suas taxas de ocupação, que têm ficado entre ínfimos 8,9% nas empresas da África e 52% nas da Europa.

De acordo com a IATA, a América Latina foi a que melhor reagiu em junho, atingindo 66,2%, a maior entre todas as regiões.

Encontro do rio com o mar, em Barra do Camaratuba, na Paraíba (foto: Eduardo Vessoni)
Santo de casa faz milagre

Como se vem dizendo desde o início da pandemia de coronavírus, os turismos nacional e regional são os que devem trazer fôlego para o setor, durante essa retomada marcada pelo abre e fecha de destinos turísticos. SAIBA MAIS

“O tráfego de passageiros atingiu a pior taxa em abril e a recuperação está muito fraca. A melhora que vimos foi nos voos domésticos”, analisa o diretor geral e CEO da IATA, Alexandre de Juniac.

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A demanda por tráfego doméstico reagiu em junho e apresentou uma queda de 67,6%, “resultado melhor em relação à queda de 78,4% registrada em maio”.

Infelizmente, a crise vai ser longa, o prejuízo já não cabe em planilhas e o setor turístico anda apressando o retorno às atividades.

Mas estimular alguém a sair de casa para fazer turismo, hoje, é brincar de roleta-russa e empurrar com a barriga o fim da pandemia. É irresponsável com quem acredita nessa história e é egoísta da parte de quem a promove.

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* fonte: IATA (International Air Transport Association)

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