Como e quando será a retomada aérea na América do Sul

Não queremos convencer, queremos dar confiança”.

Essa foi a resposta de Christian Pastrana, diretor de comunicação da Aeroméxico, em entrevista recente para o site TorreElDorado.co, quando questionado sobre as ações que estão sendo tomadas “para convencer o passageiro a viajar”.

Mais de cinco meses depois de paralisar o planeta, a crise causada pela pandemia de coronavírus tem sido devastadora para a economia, sobretudo em setores como a aviação e o turismo.

Para a IATA (Associação Internacional de Transportes Aéreos), o impacto tem sido tão grande “que as medidas implementadas não são suficientes para amenizar a profunda crise do setor, ameaçado pelo desaparecimento de inúmeras empresas”.

Para essa representante de cerca de 290 empresas mundiais, o tráfego global de passageiros não deve voltar a níveis conhecidos antes de 2024. Apesar da crise econômica anterior à pandemia, a indústria aérea do Brasil vinha crescendo, entre 2017 e 2019, chegando a transportar quase 120 milhões de passageiros, segundo dados da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil).

Mas ao contrário do que pensa Pastrana, não é raro ver empresas e destinos enfiando goela abaixo de viajantes a ideia de que já chegou a hora de viajar outra vez.

foto: Domínio Público

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Saiba como está sendo a retomada aérea no continente:

Uruguai: O paisito continua sendo o único da América Latina com permissão para que seus cidadãos e residentes possam entrar na União Europeia. Com isso, desde julho, o país tem cinco saídas semanais em voos regulares da Air Europa e Iberia.

A partir de setembro, o Aeropuerto de Carrasco, em Montevidéu, passa a receber também voos de Santiago e São Paulo.

Argentina: Programada para dia 1º de setembro e logo adiada por tempo indeterminado, a retomada das companhias aéreas na Argentina ainda é incerta.

Brasil: Em setembro, a Latam Airlines espera um aumento de 42% no número de voos domésticos diários, chegando a 44 destinos no Brasil (uma média de 243 voos domésticos por dia, reforçados por outras 35 rotas por conta do compartilhamento de voos com a Azul.

Até o fim de agosto, ambas empresas esperavam totalizar 64 rotas, 29 delas operadas por aeronaves da Latam.

Em setembro, a LATAM tem programados também voos internacionais para Nova Iorque, Santiago e destino da Europa (Lisboa, Madri e Londres).

foto: K Bahr/Domínio Público

Recentemente, a Gol anunciou que começa a retomar seus voos internacionais, entre setembro e outubro, para Buenos Aires, Montevidéu, Santiago e Lima. Entre novembro e dezembro, a malha aérea da empresa volta a receber também voos para Punta Cana, Orlando e Mendoza.

As empresas aéreas brasileiras calculam que até o fim deste ano devam estar operando cerca de 70 % dos voos pré-pandemia.

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Bolívia: Seu espaço aéreo deve ser reaberto em setembro, em uma nova etapa que o ministro interino da presidência, Yerko Núñez, chamou de “fase pós-confinamento e vigilância comunitária”.

Apesar da abertura das fronteiras aéreas, Núñez declarou que será exigido do visitante teste negativo para COVID-19, com uma validade de até sete dias.

Brasil, Espanha e Estados Unidos devem ser os primeiros países a receber voos comerciais operados pela GOL, Avianca, Latam Airlines e Air Europa.

Peru: A malha aérea no país ainda é considerada baixa e irregular. Porém a chilena Sky se prepara para oferecer novos voos internacionais com a reabertura das fronteiras peruanas.

Segundo o Ministério de Comércio Exterior e Turismo do Peru, a comercialização de atividades de aventura estão autorizadas desde o último dia 20 de agosto, permitindo o retorno de cerca de mil agências de viagens que prestam esse tipo de serviço.

O ‘Grande Caminho Inca’ (Qhapaq Ñan, em língua quéchua) é uma extensa rede de antigas trilhas incas de mais de 500 anos (foto: Eduardo Vessoni)

Conforme anunciou Carlos Estremadoyro, Ministro dos Transportes e Comunicações do país, os voos internacionais voltam a ser operados no dia 1º de outubro e estrangeiros terão que apresentar comprovante negativo para covid-19.

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Colômbia: Recentemente, o governo anunciou que, a fim de reativar o turismo, bancará testes de covid-19 para estrangeiros que visitarem San Andrés, no Caribe colombiano.

De acordo com o Ministério do Comércio, Indústria e Turismo da Colômbia, o setor turístico retoma as atividades no próximo dia 1º de setembro, exceto bares, discotecas, eventos e consumo de álcool em locais públicos ou em estabelecimentos comerciais.

A operação nacional da LATAM Airlines Colombia começou no último dia 1º de setembro com o retorno de oito rotas, a partir de Bogotá e para destinos como Medellín, Cali, Barranquilla, Cartagena, Santa Marta, Bucaramanga, San Andrés e Leticia.

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Equador: Com voos retomados, o país tem exigido de estrangeiros teste PCR negativo para covid-19, emitido em até 10 dias da chegada.

Ainda não é hora

Mais do que nunca, viajantes querem voltar a arrastar mala em aeroportos do mundo, companhias se esforçam em aumentar sua malha aérea e o empresariado tenta, por vezes de forma forçada, retomar suas atividades.

Porém, cada abertura de destino tende a vir seguida de uma decepção (acompanhada de novos casos de infectados). O “novo normal” é esse abre e fecha que veio para ficar por mais tempo do que podíamos imaginar.

foto: JD Hancock/Flickr-Creative Commons)

Basta correr os olhos pelo noticiário para a gente se dar conta de que ainda não chegou a hora de cair na estrada outra vez, seja aqui mesmo do lado de casa ou em destinos além-mar.

Só para ficar em território nacional, recentemente, o Brasil viu casos similares em destinos consolidados como Foz do Iguaçu, Gramado e a Chapada dos Veadeiros.

Todo mundo quer (sobretudo o empresariado que há meses veem as contas no vermelho), mas a crise sanitária mundial já deixou bem claro que ainda não é seguro viajar.

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* com informações da IATA, ANAC, interamerica Network e companhias aéreas

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