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Recuperação do turismo mundial não deve ocorrer antes de 2024

Enquanto o mundo vai sendo vacinando a um ritmo lento, a indústria do turismo segue acumulando prejuízos.

Depois de Aparecida (SP) anunciar que cerca de 70% da população desse principal destino religioso da América Latina está desempregada, hoteleiros de Caldas Novas, em Goiás, definem a atual situação como um “momento angustiante” gerado pelo prolongado período de pandemia.

“Reconhecemos que a lentidão na vacinação vem sendo um obstáculo na rotina, com reflexos desastrosos para a economia da cidade, que depende das atividades turísticas”, descreve Aparecido Sparapani, porta voz do diRoma, grupo de hospedagem e atrações de Caldas Novas.


De acordo com a OMT (Organização Mundial do Turismo), 32% de todos os destinos globais ainda estavam fechados para turistas no início de fevereiro deste ano.

E, pela velocidade das seringas, a situação parece longe de chegar ao fim.

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Turismo no mundo

De acordo com a seguradora de crédito Euler Hermes, o turismo mundial não deve se recuperar antes de 2024.

Enquanto o Reino Unido e os Estados Unidos caminham para atingir a imunidade de sua população até o final deste primeiro semestre, as Américas seguem atrasadas no alcance da imunidade de rebanho, sobretudo devido às dificuldades em obter vacinas e aos problemas na entrega de imunizantes.

Já a União Europeia, nos cálculos do time de economistas da seguradora, deve alcançar a vacinação geral no segundo semestre deste ano e o Japão apenas no primeiro semestre de 2022.

“Passaportes de vacina não serão suficientes para reviver o turismo”, prevê a seguradora, em nota enviada ao Viagem em Pauta.

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foto: Uriel Mont / Pexels.com

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Um dos parâmetros usados para a conclusão dos economistas da Euler Hermes são as lições aprendidas com recessões econômicas anteriores e o tempo que se levou para que os gastos com viagens turísticas se recuperassem em crises econômicas passadas, como o 11 de setembro e a Crise Financeira Global de 2008-2009.

“Se considerarmos que a atual crise econômica começou no primeiro trimestre de 2020, isso significa que os serviços globais relacionados ao turismo e as atividades de viagens podem voltar aos níveis anteriores à crise a partir da segunda metade de 2022”, compara Marc Livinec, consultor setorial da Euler Hermes.

Por outro lado, ainda segundo o economista, a situação sanitária mundial gerou uma crise econômica sem precedentes que afeta a circulação de pessoas. Como resultado, Livinec acredita que as chances de uma recuperação acelerada no turismo são muito improváveis para o ano que vem.

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Luz no fim do túnel

A previsão não fica muito distante do que a Organização Mundial do Turismo anunciou recentemente em seu World Tourism Barometer (“Barômetro do Turismo Mundial”, em português).

Para os profissionais ouvidos pela OMT, o retorno aos níveis pré pandêmicos não deve acontecer antes de 2023, dos quais 41% dos entrevistados esperam que isso ocorra apenas em 2024 ou mais tarde.

Para a organização, “a queda drástica nas chegadas de turistas afetou todos os países”, sem nenhuma exceção.

Nas Américas, as chegadas internacionais tiveram uma queda de 77% em janeiro. Já a região Ásia-Pacífico continua a ter o maior nível de restrições, causando uma redução na casa dos 96%, seguida pela Europa e África (85%), e o Oriente Médio (84%).

É possível que a Europa volte a receber turistas antes das outras regiões, sobretudo por conta do surgimento de novas variantes que têm prolongado as restrições de viagens na Ásia e nas Américas.

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foto: Andrea Piacquadio / Pexels.com

No entanto, para a seguradora Euler Hermes, há uma esperança a curto prazo com o retorno do turismo doméstico “de volta aos trilhos em 2022”. Mesmo com a recuperação do fôlego no ano que vem, “isso não compensaria as perdas das viagens internacionais e de negócios (mais lucrativas), que ainda podem sofrer até 2023”.

Por outro lado, os turistas domésticos geralmente não têm os mesmos gastos quanto os internacionais e o aumento do desemprego deve agravar o problema, com a redução de gastos por parte dos consumidores.

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Em meados do ano passado, uma pesquisa em parceria entre a consultoria MAPIE e a editora Panrotas apontou que 31,85% dos brasileiros pretendiam visitar o Nordeste brasileiro quando tudo isso passar. A região era seguida por praias regionais (14,01%), Serra Gaúcha (7,64%) e Rio de Janeiro (6,69%).

Ainda assim, deve demorar para o brasileiro voltar a encarar as aglomerações em certos endereços nordestinos. Pelo menos no início da retomada, o viajante nacional deve priorizar viagens em pequenos grupos, ter experiências personalizadas e procurar destinos mais isolados, em contato com a natureza.

Baía Formosa, no Rio Grande do Norte (foto: Eduardo Vessoni)

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* fontes: Euler Hermes, OMT, Agência Brasil e Grupo DiRoma

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