Gelo da Groenlândia tem perda considerável em 25 anos

Embora o fenômeno já seja registrado há impressionantes 25 anos, 2021 ficou marcado como o período mais crítico para o clima na Groenlândia, região autônoma da Dinamarca, no Polo Norte.

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), até agosto do ano passado a perda da camada de gelo na maior ilha do mundo foi de 166 bilhões de toneladas de massa. SAIBA MAIS

foto: Vlad Sokhin/Unicef

O relatório da OMM (Organização Meteorológica Mundial) revela que a onda de calor registrada no final de julho do ano passado teria causado perda considerável de gelo na região, quando o derretimento foi maior do que o acumulado no inverno anterior.

Entre as mudanças incomuns, a agência destaca o rápido retrocesso da geleira Ilulissat (Sermeq Kujalleq) e a chuva inédita em uma estação a 3.200 metros de altitude.

white cruise ship on sea
Navio na região de geleira Ilulissat (foto: Christian Pfeifer/Pexels.com)

Ainda segundo a ONU, a chegada tardia do período de derretimento se deveu a uma temporada de verão no Hemisfério Norte marcada pelo frio e pela umidade, causando, em junho de 2021, nevascas excepcionalmente fortes e demoradas, provavelmente, por conta das condições climáticas no Canadá e nos Estados Unidos.

LEIA TAMBÉM: “Antártica ou Ártico? Conheça as diferenças nos extremos do planeta”

A Groenlândia

Com mais de 80% de seu território coberto por gelo (sabe-se lá até quando), essa ilha tem uma das menores densidades demográficas do planeta (0,14 pessoas por km²) e a temperatura média anual é de -7.5°C, um dos lugares habitados mais frios do planeta.

Só para se ter uma ideia, o alto verão por ali tem termômetros na casa dos 3.3 °C.

Ittoqqortoormiit, na Groenlândia, durante o inverno (foto: Eduardo Vessoni)

Entre os oceanos Atlântico Norte e o Ártico, bem próximo do Canadá, a Groenlândia fica, geograficamente, no norte do continente americano e, politicamente, sob regras e leis da Europa.

Em 2018, o editor do Viagem em Pauta esteve no destino mais isolado da ilha, Ittoqqortoormiit, endereço de um dos maiores sistemas de fiordes do planeta. VEJA VÍDEO


Para chegar ali, um brasileiro saindo de São Paulo precisa encarar quatro voos, incluindo última etapa de helicóptero, um voo curto de 15 minutos, entre Constable Point e Ittoqqortoormiit.

Turisticamente, a região é conhecida pelos cruzeiros de verão, trilhas, passeios em motos de neves e o polêmico dog sleed, em que trenós são puxados por cachorros a setores mais afastados, como Gulfjelde ou Kap Tobin, um vilarejo abandonado que só volta a ter vida humana, na curta temporada de verão.

SAIBA MAIS: “Groenlândia é um dos destinos mais remotos do mundo, no Ártico”

O lixo que esmaga o topo do mundo

Segundo o Pnuma (Programa Mundial para o Meio Ambiente), o número de turistas em montanhas e locais remotos subiu durante a pandemia, cifra estimulada sobretudo pela procura por áreas isoladas que permitam o contato com a natureza e o isolamento social.

Mas a pesquisa traz também más notícias para o planeta.


Dos 1.750 turistas de 74 países entrevistados, 99,7% viram lixo e resíduos durante travessias em áreas montanhosas, a maior parte formada por “plástico, lixo orgânico e papel ou papelão, especialmente em trilhas, perto de estacionamentos e locais de descanso”.

Ainda de acordo com a pesquisa, mais de 75% encontraram também máscaras ou frascos de desinfetante para as mãos.

panoramic view of mt everest
foto: Ashok J Kshetri/Pexels.com

Para Matthias Jurek, especialista em ecossistemas de montanha do Pnuma, a pandemia é uma oportunidade para repensar os impactos do turismo de montanha e promover experiências turísticas mais sustentáveis.

Diante dessa e de outras situações, a Assembleia Geral das ONU declarou 2022 como o “Ano Internacional do Desenvolvimento Sustentável das Montanhas”, com o objetivo de conscientizar a população mundial sobre a importância de preservação dos ecossistemas.

A iniciativa tem como embaixador o alpinista nepalês Nirmal Purja que, em 2019, chocou o mundo com uma foto em que mostrava o excesso de pessoas no topo do Monte Everest, cujo excesso de lixo estaria esmagando a montanha mais alta do mundo.

De acordo com Purja, os alpinistas no Everest deixam, durante a escalada, cerca de oito quilos de lixo cada um, incluindo barracas, tanques de oxigênio, cordas e dejetos humanos.

COMO É FAZER TURISMO NA ANTÁRTICA?

LEIA TAMBÉM: “Patagônia argentina ou chilena? Saiba quais são as diferenças e programe-se”

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*