Há pouco mais de 130 anos, uma estrutura em treliça metálica trazia ares modernos à provinciana São Paulo da época: o Viaduto do Chá.
Idealizada pelo arquiteto francês Jules Martin, a obra é considerada a primeira ponte urbana da capital e um dos grandes marcos da arquitetura paulista.
Na época, aquela era a principal ligação entre a colina do Triângulo Histórico e o então Centro Novo de São Paulo, como era chamada a região de expansão e modernização da cidade, a partir do século 19.

Viaduto do Chá
O viaduto foi inaugurado em 6 de novembro de 1892 como um símbolo da modernização de São Paulo naquele final do século XIX. A iniciativa partiu do próprio Martin, que, ao perceber a necessidade de conectar as duas margens do Vale do Anhangabaú, propôs a construção de uma passagem elevada.
A estrutura original, reconstruída posteriormente em concreto armado, era composta por cerca de três mil peças metálicas trazidas da Alemanha, que chegaram ao Brasil numeradas para facilitar a montagem.
Curiosamente, para atravessar o viaduto na época era preciso pagar uma taxa de três vinténs (60 réis), o que lhe rendeu o apelido de “Viaduto dos Três Vinténs”. A cobrança foi abolida quatro anos depois, devido à pressão popular.
Já seu nome oficial é uma referência ao Morro do Chá, na encosta da atual Rua Xavier de Toledo, onde (quem diria!) tinha até plantações de chá, em pleno Vale do Anhangabaú. Mas, em pouco tempo, São Paulo já se esforçava para ser moça grande com suas fábricas, bondes e buzinas.
A cidade se agigantava e o Viaduto do Chá dava sinais de fadiga.

Com o crescimento de São Paulo, a estrutura metálica já não suportava o volume de pessoas. Em 1938, seria inaugurada então a nova versão do viaduto, desta vez em concreto armado e com o dobro da largura original.
Curiosamente, a construção do novo viaduto ocorreu enquanto o antigo ainda estava em uso e sua demolição começou no mesmo dia da inauguração da nova estrutura.
Para conhecer essa e outras histórias, o Cemitério da Consolação oferece visitas guiadas por Francivaldo Gomes, mais conhecido como Popó. Esse funcionário com mais de duas décadas no local conta a história, entre outras, de Jules Martin, sepultado no local.
A visitação mediada acontece todas as segundas-feiras, cujos ingressos são disponibilizados de forma gratuita semanalmente na plataforma Sympla.
SAIBA MAIS
Cemitério da Consolação
Rua da Consolação, 1660 – Consolação
Grátis com reserva no Sympla.
Seja o primeiro a comentar