Prestes a ganhar voos internacionais, o Aeroporto de Congonhas, na capital paulista, completa 90 anos, no próximo mês de abril.
Recentemente, o aeroporto mais antigo do Brasil recebeu da SAC (Secretaria Nacional de Aviação Civil), vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos, parecer favorável ao pedido de internacionalização do local.
Em nota, a atual administradora do aeroporto, a Aena Brasil, divulgou que sua proposta prevê a operação de voos internacionais regulares de passageiros, com foco em rotas de curta e média distância na América do Sul.

Entre as novidades, que devem ser entregues até junho de 2028, o aeroporto terá um novo terminal de passageiros e suas pontes de embarque serão ampliadas das atuais 12 para 19.
Até lá, o local deve ganhar também um novo pátio de estacionamento de aeronaves e hangares para as companhias aéreas.
“A internacionalização de Congonhas é um passo importante dentro do projeto de modernização do aeroporto da capital paulista. Abre-se uma enorme oportunidade de dar um novo salto em conectividade, desenvolvimento econômico e integração regional”, analisa, em nota, Kleber Meira, diretor-executivo do Aeroporto de Congonhas.
Em março de 2024, a Aena Brasil já havia informado sobre o projeto de conectar os aeroportos de Congonhas e o Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires, na Argentina.

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Curiosidades de Congonhas
Mais do que um dos principais terminais aéreos do Brasil, Congonhas nasceu como uma espécie de nova opção de lazer e turismo em São Paulo.
Inaugurado com uma plateia curiosa de cerca de 8 mil pessoas, no dia 12 abril de 1936, como Campo de Aviação, na Vila Congonhas, no distrito de Campo Belo, o aeroporto foi entregue em uma “tarde de aviação”, como a data ficou conhecida, foi marcada por exibições de pilotos civis e militares.
Teve até aviador que cobrou 50 mil réis por dez minutos de voo.
Nascia então um aeroporto tão frenético quanto a própria cidade de São Paulo, construído pela companhia Auto Estradas, às margens da Autoestrada Santo Amaro, e com pista experimental de terra, feita em 20 dias e com apenas 300 metros de extensão.
Em 1957, o local já era considerado o terceiro aeroporto do mundo em volume de carga aérea. Em 2005, o equipamento passou a abrigar um edifício-garagem, com 60 mil m² e cinco pavimentos.
Até os anos 90, os moradores da capital adotaram o passeio em Congonhas como um típico programa de domingo, com direito a visitas ao terraço panorâmico que havia no primeiro andar do saguão central.
Era muito comum também ver noivas utilizarem o aeroporto como cenário para fotos e, à noite, o café local era ponto de encontro da boemia paulistana, um dos poucos de São Paulo aberto 24 horas por dia.

A queda no movimento seria sentida, em 1985, com a transferência de seus voos internacionais para o recém-inaugurado Aeroporto de Guarulhos. A movimentação só seria recuperada, a partir de 1990, quando Congonhas voltou a ser o mais movimentado do país, cujo carro-chefe das operações era a ponte aérea São Paulo-Rio.
Com arquitetura no estilo art déco, essa obra de Ernani do Val Penteado e Raymond A. Jehlen é tombada pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) e conhecida pelo terminal de passageiros com o chão quadriculado em preto e branco, resultado de uma reforma realizada no prédio em 1968.
* com informações da Aena Brasil
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