No final do mês passado, o Governo do Brasil entregou à Unesco o dossiê de candidatura do Parque Nacional Marinho de Abrolhos.
Esse arquipélago no sul da Bahia deverá entrar para a Lista do Patrimônio Mundial Natural, título dado a lugares com relevância natural ou cultural que ultrapassam fronteiras nacionais e têm importância para toda a humanidade.
O documento de candidatura foi elaborado de forma coordenada pelo MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e MRE (Ministério das Relações Exteriores).

Abrolhos
A cerca de quatro horas do continente, de acordo com o humor do mar, a viagem começa em Caravelas, a 250 km de Porto Seguro, e segue em direção ao maior banco de corais e mais importante berçário das baleias jubartes do Atlântico Sul.
Abrolhos é conhecido também como o único lugar do planeta a abrigar o peculiar coral-cérebro (mussismilia braziliensis) e os surreais chapeirões, estruturas recifais únicas, em forma de cogumelos gigantes de até 30 metros de altura.
O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos é um arquipélago formado por cinco ilhas de origem vulcânica (Redonda, Sueste, Guarita, Santa Bárbara e Siriba) e é melhor explorado debaixo d’água, em mergulhos autônomos para não mergulhadores, conhecidos como batismo.
A atividade, incluída nos passeios bate-volta, é realizada entre as ilhas com profundidade de 5 a 7 metros e durante cerca de 30 minutos.

A ilha da Siriba é um dos poucos pedaços de terra com desembarque autorizado para turistas.
É ali que acontece uma breve caminhada de 200 metros de extensão, acompanhada por monitores ambientais do ICMBio que levam os visitantes até ninhos de atobás-brancos e grazinas-do-bico-vermelho.
Assim como a vizinha Santa Bárbara, a Siriba abriga a maior colônia de atobás-brancos de todo o arquipélago.
Fechada desde 1997, quando um sinalizador foi lançado por um visitante, matando quase 200 aves, a Ilha Redonda tem sido reaberta com restrições, de acordo com as condições da maré e do vento. Atualmente, os desembarques são feitos apenas à noite, junto com os grupos de pernoite ou durante atividades específicas, como os mutirões de coleta de lixo.
Segundo o ICMBio, algumas aberturas de ninho de tartarugas cabeçudas podem ser acompanhadas pelos visitantes (as desovas ocorrem normalmente entre setembro e março).

Chapeirões
Taí um lugar que você não pode deixar de ver em Abrolhos.
Terror de navegantes de outros tempos, essas imensas formações coralíneas em forma de cogumelo são endêmicas do sul da Bahia e podem ter até 50 metros de diâmetro, aproximadamente.
Grandes o suficiente para serem explorados ao redor e em seu interior, os chapeirões são o atrativo mais marcante de toda a viagem. O mais famoso deles é o Faca Cega, com cerca de 30 metros de altura e um salão interior, onde é possível mergulhar, em meio a espécies endêmicas que só existem em Abrolhos, como o coral-cérebro da Bahia.
Em uma mesma viagem em um liveaboard é possível mergulhar em chapeirões de dimensões que variam de 15 metros, como os Chapeirinhos da Sueste, e o Chapeirão Atobá, a 25 metros, no Parcel dos Abrolhos.
SAIBA MAIS: “Sul da Bahia: o que fazer em Abrolhos”
Mas o maior atrativo local, literalmente, vai de julho a novembro, quando acontece a temporada de observação de baleias. É nesse período que as baleias-jubarte deixam as águas frias da Antártica para a amamentação de filhotes ou reprodução em águas brasileiras.
“Abrolhos é um grande terraço, onde a plataforma continental se estende a muitos quilômetros da costa. É como se fosse uma piscina infantil do clube, um lugar ideal para mães e filhotes”, explica Eduardo Camargo, diretor executivo do Projeto Baleia Jubarte.
Só em 2022, de acordo com o último censo aéreo divulgado, foram vistas cerca de 25 mil baleias circulando ao longo de 6.204 km entre São Paulo e o Rio Grande do Norte.
Liveaboard
É do extremo sul baiano, em Caravelas, que saem as embarcações que fazem viagens de até quatro dias, explorando ilhas e pontos de mergulho do parque.
Conhecidos como liveaboard (‘viver a bordo’, em tradução literal), esses barcos são para mergulhadores e têm roteiros para certificados ou para quem quer fazer apenas snorkel, em alguns pontos de mergulho.
É como passar os dias imerso em um mundo submarino, mas com as facilidades de um hotel flutuante, equipado com cabines, banheiro com água quente e refeições sempre prontas, na volta de um mergulho.
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