Conheça as impressionantes dunas do Brasil

No mundo, existem cerca de 100 tipos diferentes de dunas catalogadas pela ciência. E, no Brasil, essa imensas montanhas de areia são sinônimos de turismo e entretenimento.

Em entrevista para a revista Pesquisa FAPESP, o físico-estatístico alemão Hans Jürgen Herrmann, pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Escola Superior de Química e Física Industrial (ESPCI) de Paris, conta que o tamanho delas depende da velocidade dos ventos, daí a grande concentração dessa formação no Nordeste brasileiro, por exemplo.

Ainda de acordo com Herrmann, suas formas têm origem na direção dos ventos.

Para você conhecer dunas de todas as formas e tamanhos, o Viagem em Pauta listou algumas das dunas do Brasil que podem ser visitadas, turisticamente, em diferentes épocas do ano.

foto: Eduardo Vessoni

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Dunas do Brasil

Segundo Hans Jürgen Herrmann, especialista no cálculo do movimento de dunas, o Brasil tem essas formações ao longo de mais de três mil quilômetros de costa, entre o Rio Grande do Sul e o Pará, muitas delas “formações antigas, mais planas, praticamente cobertas pela ação do tempo”.

Porém, existem também as dunas migratórias, que se movem com a ação dos fortes ventos da região, como as de Jericoacoara, onde fica a “maior barcana [duna em formato de lua crescente] migratória do mundo, com mais ou menos dois quilômetros de largura e que chega a se movimentar oito metros por ano”, explica Herrmann.

Lençóis Maranhenses
A 250 quilômetros de São Luís (MA), aproximadamente, o destino está inserido em uma zona de transição dos biomas Cerrado, Caatinga e Amazônia.

Reconhecido por suas lagoas paradisíacas e por abrigar as maiores dunas de areia branca do país, cujo passeio mais visitado é o Circuito da Lagoa azul, com 12 quilômetros de trilha na restinga e cerca de dois quilômetros diretamente nas dunas.

O destino é famoso pela formação de lagoas no interior das dunas, em certas épocas do ano, devido ao lençol freático ali ser mais alto e o excesso de chuvas, como também explica Herrmann.

aerial view of the white sand dunes and water
Lençóis Maranhenses (Renato Nascimento Pexels.com)

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Lençóis Piauienses
A comparação com o vizinho Maranhão é inevitável, mas nos Lençóis Piauienses o Brasil recebe visitantes com um cenário ainda pouco conhecido para quem viaja pelo Nordeste.

É tudo tão recente que as atividades turísticas por ali, assim como lembra o empresário Alessandro Schwonka, começaram apenas em 2017. Por isso, por onde se vá, a sensação é de ser o primeiro a chegar.

É ali que acontecem os passeios guiados em que os turistas rodam cerca de 30 quilômetros de dunas, a bordo de quadriciclos semiautomáticos.

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Delta do Parnaíba
Entre o Piauí e o Maranhão fica não só um dos maiores deltas oceânicos do planeta, mas também o arquipélago do Delta do Parnaíba, recortado por diversas áreas de dunas, ao longo de suas 73 ilhas fluviais.

“O delta é um labirinto mutante. Num dia está de um jeito, no outro, de outro jeito. Cada dia é uma coisa diferente, não tem como se estressar aqui”, conta o barqueiro Renato Conceição Sousa.

A APA (Área de Proteção Ambiental) Delta do Parnaíba abrange 10 municípios, em três estados brasileiros: Ilha Grande, Parnaíba, Luís Correia e Cajueiro da Praia (Piauí); Tutoia, Paulino Neves, Araioses e Água Doce (Maranhão); Chaval e Barroquinha (Ceará).

O atrativo mais popular é o encontro do Rio Parnaíba com o Atlântico, cujas areias formam piscinas naturais para banhos de água doce e salgada.

Caída do Morro, em Ilha Grande do Piauí (foto: Eduardo Vessoni)

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Camocim
A 350 quilômetros de Fortaleza e a 100 do aeroporto de Jericoacoara, no Ceará, esse é o destino dos banhos de rio, lago e laguinho. Tudo abraçado por dunas que se debruçam sobre praias semi desertas onde parece que você é o único a chegar ali.

No final do ano passado, o Viagem em Pauta tomou a direção contrária do turismo de massa e desembarcou na Baía das Caraúbas, a 10 quilômetros do centro da cidade.

Camocim (foto: Eduardo Vessoni)

A experiência foi pelo Litoral Oeste, um roteiro de quatro a seis horas de duração e 34 quilômetros de extensão, aproximadamente, até Barra dos Remédios, onde um braço de mar rodeado por dunas forma áreas de banho em águas tranquilas.

Exceto pela passagem na Praia do Maceió, a única com infraestrutura turística, como barracas de praia e comércio, a maior parte do passeio por Camocim é por praias desertas, vilas de pescadores, dunas e lagoas.

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Galinhos
Esse município a 170 quilômetros ao norte de Natal (RN) e a 210 km de Mossoró, bem como o vizinho distrito de Galos, leva a vida noutro ritmo (da maré, diga-se de passagem), numa península estreita de 500 metros de largura.

É turismo no ritmo do vento, das torres eólicas que alteram o cenário das dunas de areia e da maré que enche canais estreitos de manguezais.

Galinhos é o principal destino do Polo Costa Branca, cujo nome é uma referência à importante produção de sal na região, e como uma das principais atividades turísticas os passeios de bugues, em meio a dunas.

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Dunas do Rosado
No extremo norte do Rio Grande do Norte, entre Areia Branca e Porto do Mangue, esse cenário árido e em constante evolução dá novos ares ao turismo potiguar.

A 250 quilômetros da capital potiguar, essa APA de mais de 16,5 mil hectares é uma sequência de montanhas coloridas, formadas pelos sedimentos de falésias vizinhas, trazidos pelos ventos constantes.

Embora seja considerado o maior conjunto de dunas do estado, o atrativo ainda é um desconhecido do turismo potiguar, que pode ser combinado com roteiros litorâneos, em Ponta do Mel, vilarejo do município de Areia Branca.

foto: Eduardo Vessoni

Mangue Seco
A viagem até a última praia do litoral norte da Bahia começa no Atracadouro Porto do Cavalo, no município de Estância, em Sergipe, a 74 quilômetros de Aracaju, e segue pelo rio Real até o píer simples de acesso a Mangue Seco.

Esse vilarejo da cidade de Jandaíra, na Costa dos Coqueiros, tem quase 30 quilômetros de praias e cerca de 200 habitantes. Por ali, dá para fazer passeios de barco no Rio Real, em pequenas embarcações que param em atrações como a Ilha da Sogra, no vizinho Sergipe.

Mangue Seco pode ser explorado também de bugue, em roteiros sobre dunas e com paradas no Morro do Caju, a duna mais alta do povoado, e na cenográfica dupla de coqueiros Romeu e Julieta.

foto: Eduardo Vessoni

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Duna Dama Branca
Já em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, fica a maior duna isolada do sudeste brasileiro, com seus 33 metros de proteção sobre um manancial de água que fica por baixo da areia fina.

O local, que deve ser visitado com o acompanhamento de um guia credenciado, é procurado para a prática de sandboard e observação de aves.

Aliás, é nesse destino a 160 quilômetros da capital fluminense que fica a “praia mais perfeita” do Brasil, segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

O título se deve à uma paisagem com dunas, cor da areia e transparência de águas ricas em nutrientes. Sem falar na temperatura média de 20ºC, favorável também à proliferação da vida marinha.

foto: Turismo de Cabo Frio/Reprodução

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Itaúnas
O município de Conceição da Barra, a 256 quilômetros de Vitória (ES), abriga a Vila de Itaúnas, que é não só a Capital Capixaba do Forró, mas também acesso ao Parque Estadual de Itaúnas.

O parque mais visitado do Espírito Santo é monumento natural do estado e, desde 1992, é Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO, cujos 3.200 hectares de área preservada guardam dunas de areias finas, floresta de restinga e uma praia de águas mornas, procuradas por surfistas.

O atrativo fica a 29 quilômetros ao norte de Conceição da Barra, no distrito de Itaúnas.

Para quem procura faixas de areias mais isoladas, a dica é a Riacho Doce, no limite entre o Espírito Santo e a Bahia, considerada uma das praias desertas mais bonitas do Brasil.

Conceição da Barra (foto: MTur Destinos)

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