No mundo, existem cerca de 100 tipos diferentes de dunas catalogadas pela ciência. E, no Brasil, essa imensas montanhas de areia são sinônimos de turismo e entretenimento.
Em entrevista para a revista Pesquisa FAPESP, o físico-estatístico alemão Hans Jürgen Herrmann, pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Escola Superior de Química e Física Industrial (ESPCI) de Paris, conta que o tamanho delas depende da velocidade dos ventos, daí a grande concentração dessa formação no Nordeste brasileiro, por exemplo.
Ainda de acordo com Herrmann, suas formas têm origem na direção dos ventos.
Para você conhecer dunas de todas as formas e tamanhos, o Viagem em Pauta listou algumas das dunas do Brasil que podem ser visitadas, turisticamente, em diferentes épocas do ano.

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Dunas do Brasil
Segundo Hans Jürgen Herrmann, especialista no cálculo do movimento de dunas, o Brasil tem essas formações ao longo de mais de três mil quilômetros de costa, entre o Rio Grande do Sul e o Pará, muitas delas “formações antigas, mais planas, praticamente cobertas pela ação do tempo”.
Porém, existem também as dunas migratórias, que se movem com a ação dos fortes ventos da região, como as de Jericoacoara, onde fica a “maior barcana [duna em formato de lua crescente] migratória do mundo, com mais ou menos dois quilômetros de largura e que chega a se movimentar oito metros por ano”, explica Herrmann.
Lençóis Maranhenses
A 250 quilômetros de São Luís (MA), aproximadamente, o destino está inserido em uma zona de transição dos biomas Cerrado, Caatinga e Amazônia.
Reconhecido por suas lagoas paradisíacas e por abrigar as maiores dunas de areia branca do país, cujo passeio mais visitado é o Circuito da Lagoa azul, com 12 quilômetros de trilha na restinga e cerca de dois quilômetros diretamente nas dunas.
O destino é famoso pela formação de lagoas no interior das dunas, em certas épocas do ano, devido ao lençol freático ali ser mais alto e o excesso de chuvas, como também explica Herrmann.

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Lençóis Piauienses
A comparação com o vizinho Maranhão é inevitável, mas nos Lençóis Piauienses o Brasil recebe visitantes com um cenário ainda pouco conhecido para quem viaja pelo Nordeste.
É tudo tão recente que as atividades turísticas por ali, assim como lembra o empresário Alessandro Schwonka, começaram apenas em 2017. Por isso, por onde se vá, a sensação é de ser o primeiro a chegar.
É ali que acontecem os passeios guiados em que os turistas rodam cerca de 30 quilômetros de dunas, a bordo de quadriciclos semiautomáticos.
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Delta do Parnaíba
Entre o Piauí e o Maranhão fica não só um dos maiores deltas oceânicos do planeta, mas também o arquipélago do Delta do Parnaíba, recortado por diversas áreas de dunas, ao longo de suas 73 ilhas fluviais.
“O delta é um labirinto mutante. Num dia está de um jeito, no outro, de outro jeito. Cada dia é uma coisa diferente, não tem como se estressar aqui”, conta o barqueiro Renato Conceição Sousa.
A APA (Área de Proteção Ambiental) Delta do Parnaíba abrange 10 municípios, em três estados brasileiros: Ilha Grande, Parnaíba, Luís Correia e Cajueiro da Praia (Piauí); Tutoia, Paulino Neves, Araioses e Água Doce (Maranhão); Chaval e Barroquinha (Ceará).
O atrativo mais popular é o encontro do Rio Parnaíba com o Atlântico, cujas areias formam piscinas naturais para banhos de água doce e salgada.

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Camocim
A 350 quilômetros de Fortaleza e a 100 do aeroporto de Jericoacoara, no Ceará, esse é o destino dos banhos de rio, lago e laguinho. Tudo abraçado por dunas que se debruçam sobre praias semi desertas onde parece que você é o único a chegar ali.
No final do ano passado, o Viagem em Pauta tomou a direção contrária do turismo de massa e desembarcou na Baía das Caraúbas, a 10 quilômetros do centro da cidade.

A experiência foi pelo Litoral Oeste, um roteiro de quatro a seis horas de duração e 34 quilômetros de extensão, aproximadamente, até Barra dos Remédios, onde um braço de mar rodeado por dunas forma áreas de banho em águas tranquilas.
Exceto pela passagem na Praia do Maceió, a única com infraestrutura turística, como barracas de praia e comércio, a maior parte do passeio por Camocim é por praias desertas, vilas de pescadores, dunas e lagoas.
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Galinhos
Esse município a 170 quilômetros ao norte de Natal (RN) e a 210 km de Mossoró, bem como o vizinho distrito de Galos, leva a vida noutro ritmo (da maré, diga-se de passagem), numa península estreita de 500 metros de largura.
É turismo no ritmo do vento, das torres eólicas que alteram o cenário das dunas de areia e da maré que enche canais estreitos de manguezais.
Galinhos é o principal destino do Polo Costa Branca, cujo nome é uma referência à importante produção de sal na região, e como uma das principais atividades turísticas os passeios de bugues, em meio a dunas.
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Dunas do Rosado
No extremo norte do Rio Grande do Norte, entre Areia Branca e Porto do Mangue, esse cenário árido e em constante evolução dá novos ares ao turismo potiguar.
A 250 quilômetros da capital potiguar, essa APA de mais de 16,5 mil hectares é uma sequência de montanhas coloridas, formadas pelos sedimentos de falésias vizinhas, trazidos pelos ventos constantes.
Embora seja considerado o maior conjunto de dunas do estado, o atrativo ainda é um desconhecido do turismo potiguar, que pode ser combinado com roteiros litorâneos, em Ponta do Mel, vilarejo do município de Areia Branca.

Mangue Seco
A viagem até a última praia do litoral norte da Bahia começa no Atracadouro Porto do Cavalo, no município de Estância, em Sergipe, a 74 quilômetros de Aracaju, e segue pelo rio Real até o píer simples de acesso a Mangue Seco.
Esse vilarejo da cidade de Jandaíra, na Costa dos Coqueiros, tem quase 30 quilômetros de praias e cerca de 200 habitantes. Por ali, dá para fazer passeios de barco no Rio Real, em pequenas embarcações que param em atrações como a Ilha da Sogra, no vizinho Sergipe.
Mangue Seco pode ser explorado também de bugue, em roteiros sobre dunas e com paradas no Morro do Caju, a duna mais alta do povoado, e na cenográfica dupla de coqueiros Romeu e Julieta.

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Duna Dama Branca
Já em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, fica a maior duna isolada do sudeste brasileiro, com seus 33 metros de proteção sobre um manancial de água que fica por baixo da areia fina.
O local, que deve ser visitado com o acompanhamento de um guia credenciado, é procurado para a prática de sandboard e observação de aves.
Aliás, é nesse destino a 160 quilômetros da capital fluminense que fica a “praia mais perfeita” do Brasil, segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
O título se deve à uma paisagem com dunas, cor da areia e transparência de águas ricas em nutrientes. Sem falar na temperatura média de 20ºC, favorável também à proliferação da vida marinha.

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Itaúnas
O município de Conceição da Barra, a 256 quilômetros de Vitória (ES), abriga a Vila de Itaúnas, que é não só a Capital Capixaba do Forró, mas também acesso ao Parque Estadual de Itaúnas.
O parque mais visitado do Espírito Santo é monumento natural do estado e, desde 1992, é Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO, cujos 3.200 hectares de área preservada guardam dunas de areias finas, floresta de restinga e uma praia de águas mornas, procuradas por surfistas.
O atrativo fica a 29 quilômetros ao norte de Conceição da Barra, no distrito de Itaúnas.
Para quem procura faixas de areias mais isoladas, a dica é a Riacho Doce, no limite entre o Espírito Santo e a Bahia, considerada uma das praias desertas mais bonitas do Brasil.

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