Serra do Roncador tem dose elevada de trilhas e cachoeiras

Se os mistérios intraterrenos e os portais para outras dimensões ainda são assuntos sem explicações, é no plano terrestre que Mato Grosso exibe sua versão mais conhecida: as cachoeiras na Serra do Roncador

A mais de 500 km de Cuiabá, no sudeste do Mato Grosso, o destino é famoso por cachoeiras que se escondem em fendas que rasgam vales dessa cordilheira imponente que vai até a Serra do Cachimbo, no Pará.

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Só em Barra de Garças, a cidade mato-grossense que serve de base para quem visita o destino, são mais de 100 quedas d’água (17 delas no Complexo do Bateia, um dos atrativos mais exclusivos e isolados da região).

Tem cachoeira com acesso por gruta (onde o aventureiro chega por trás do véu d’água), cachoeira dentro de um cânion decorado com jatobás centenários, e até uma em que (quase) ninguém sabe onde fica, mas que vai fazê-lo rever seus conceitos de beleza cênica natural.

Serra misteriosa

Destino de esotéricos e viajantes aventureiros, a Serra do Roncador já foi chamada de Portal para Atlântida e acesso para a Terra Oca, uma espécie de cidade intraterrena.

Mas a história mais famosa por ali é a de um coronel britânico que desapareceu na região, em 1925, em busca da Cidade Z.

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No entanto, a Serra do Roncador não é destino para viajantes independentes, exceto em atrativos mais urbanos como o Parque Estadual da Serra Azul, conhecido pela Trilha das Cachoeiras (2,3 km só ida e cerca de quedas), e a Cachoeira do Cristal, pousada a 55 km da Barra do Garças, pela BR-070, com atrativos naturais abertos ao público em geral.

Sem nenhuma sinalização (nem mesmo nas rodovias principais), as cachoeiras costumam ficar em áreas particulares e só podem ser visitadas com guias, como as do Complexo do Bateia.

Localizado na Serra do Taquaral, um braço da Serra do Roncador, esse complexo é uma espécie de playground para amantes de banhos em águas doces, em uma área particular de cerca de 20 mil hectares, dividida em Bateia Baixo, Médio e Alto (esse último é menos frequentado devido à dificuldade de acesso).

Em um único dia, dá para visitar, sem pressa, sete delas, como a acolhedora Caldeirão da Bruxa e o cenográfico Poço do Duende. Em outras palavras, é uma superdose de cachoeiras que caem em piscinas naturais de águas cristalinas.

Cachoeira São Francisco, na Serra do Roncador, no Mato Grosso (foto: Eduardo Vessoni)

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Conheça algumas das cachoeiras da Serra do Roncador

* A maioria das cachoeiras fica em áreas privadas de difícil acesso e sem placas indicativas. Por isso, só devem ser visitadas com guia.
** Esta viagem foi feita antes do início da pandemia.
Assentamento Serra Verde

A 42 km de Barra do Garças, esse é um dos poucos atrativos na Serra do Roncador que podem ser visitados com veículo próprio e sem o acompanhamento de guias.

Administrado por cerca de 100 famílias, o local é dividido em sítios que funcionam independentes e têm entrada, cada um deles, a R$ 5 por pessoa, como o corredor de cachoeiras do Sítio Paraíso, entrecortado por buracos no solo que formam uma espécie de ofurô individual.

Cachoeira Água Limpa, no Assentamento Serra Verde, na Serra do Roncador (foto: Eduardo Vessoni)

Mas é na vizinha Cachoeira Água Limpa, na propriedade de mesmo nome, que o visitante tem um dos cenários mais impressionantes da região, onde uma trilha fácil de menos de 1 km leva o visitante até um poço escondido que recebe as águas potentes dessa cachoeira.

O almoço caseiro no Sítio Buriti Alegre (R$ 25) só não é melhor do que as histórias que o casal Eva e ‘seu ’Sebastião têm para contar da época em que as atuais famílias do assentamento passaram 4 anos e meio na beira da estrada local, antes de ocupar, regularmente a propriedade, com apoio do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

“Quando cada um entrou no seu lote, era tudo bruto. Não tinha nada, só o cerradão”, explica Sebastião Silva Araújo, 67 anos.

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Cachoeira Bailarina

Cachoeira Bailarina, no Complexo do Bateia (foto: Eduardo Vessoni)

Com cerca de 90 metros, essa é uma das cachoeiras mais imponentes do Complexo do Bateia, um dos endereços mais exclusivos e isolados da região da Serra do Roncador.

Essa queda, uma das mais altas do destino, termina em um poço de águas rasas e fundo arenoso, rodeado por pedras que parecem cubos espalhados sob a base de um paredão rochoso.

Mais do que área para banho, essa cachoeira é para ser apreciada.

Poço do Duende

A poucos metros de caminhada da Bailarina, esse poço raso de águas, extremamente, cristalinas é uma espécie de Serra do Roncador em miniatura, rodeado por pedras e mata fechada.

Poço do Duende, na Serra do Roncador (foto: Eduardo Vessoni)

Uma intervenção humana recente, infelizmente, assoreou o local e reduziu as dimensões do atrativo, dando lugar a uma pequena ilha de areia logo na entrada do poço.

Ainda assim é um dos lugares mais mágicos de todo o destino.

Cachoeira do Jatobá

Cachoeira do Jatobá, na região da Serra do Roncador, no Mato Grosso (imagem cedida gentilmente por Luciana Lima)

Na parte baixa do Complexo do Bateia, a 53 km de Barra de Garças, essa cachoeira de 79 metros tem acesso por um pequeno cânion que rasga a vegetação densa.

Às margens de um córrego, que deve ser cruzado em diferentes pontos, a trilha é exigente, sobretudo pelos diversos obstáculos naturais, e tem acesso por uma colina íngreme.

Durante a caminhada, é possível avistar os jatobás centenários que emprestaram seu nome ao principal atrativo da região.

Cachoeira São Francisco

Cachoeira São Francisco, a 130 km de Barra do Garças, no Mato Grosso (foto: Eduardo Vessoni)

A 130 km de Barra do Garças, parte da viagem sobre o platô da Serra do Roncador, essa cachoeira escorre diante da boca de uma gruta, cujo interior deve ser percorrido pelo visitante até a parte posterior do véu d’água.

A potência de suas águas e as pedras escorregadias de seu poço não permitem banho, mas, sem dúvida, é um dos endereços mais impactantes de toda a região.

Trilhas rústicas paralelas levam também ao setor superior e aos pés da cachoeira.

O atrativo fica em uma região conhecida como Rota Franciscana, onde dizem que o Coronel Fawcett teria passado, antes de desaparecer, em 1925, em busca da Cidade Z.

CONHEÇA A HISTÓRIA

Santuário das Araras

Prepare-se para um dos cenários mais isolados e desconhecidos de todo o destino.

A caminhada exigente, no interior de um vale, passa por áreas de mata alta, trechos escorregadios e floresta densa.

Santuário das Araras, na Serra do Roncador (foto: Eduardo Vessoni)

Mas a recompensa é a cachoeira que se esfumaça, antes de chegar em um impactante lago de águas cristalinas, aos pés de muralhas rochosas.

O local, que serve de abrigo para araras-vermelhas, só pode ser visitado na travessia de três dias com acampamento selvagem, organizado por uma agência de Barra do Garças. Não é raro ouvir histórias de guias que relatam sobrevoos de drones, a fim de encontrar a localização exata daquele cenário isolado que poucos tiveram a chance de ver.

COMO CHEGAR
Embora o aeroporto mais próximo fique em Barra do Garças, porta de entrada para a Serra do Roncador, os altos preços das passagens da única companhia aérea que opera no local elevam os gastos da viagem.

A Azul opera nesse terminal, quatro vezes por semana, e a viagem a partir de Cuiabá dura uma hora, aproximadamente.

Visitantes de outros estados costumam voar até Goiânia (a 380 km dali) ou Cuiabá (a pouco mais de 500 km) e dali seguir em carro alugado ou em transfers por agências locais.

De ônibus, a viagem dura de 6h30 a 10 horas, a partir de Goiânia ou Cuiabá.

Segundo a Azul, devido à pandemia, os voos para Barra do Garças serão retomados no próximo dia 3 de novembro.

QUANDO IR
Segundo guias locais, a região das cachoeiras da Serra do Roncador apresenta seis meses de chuva (entre o verão e o outono brasileiros) e outros seis de seca (inverno e primavera). No entanto, nos cinco dias que o Viagem em Pauta esteve no destino, em fevereiro, as chuvas foram isoladas e não comprometeram nenhum dos passeios programados.

DICA VIAGEM EM PAUTA

Rústicas e muitas vezes em áreas de mata fechada, as trilhas apresentam terreno irregular e, em alguns casos, exigem cruzamento de rios. Por isso, invista em calçados específicos para caminhadas e protetores para as pernas, por conta da probabilidade de encontrar cobras nas trilhas.

QUEM LEVA
Para esta matéria, o Viagem em Pauta foi recebido pela Roncador Expedições, agência pioneira no ecoturismo da Serra do Roncador.

Os roteiros vão de um dia de duração, como o Tour na Serra do Roncador com visita ao Vale dos Sonhos, onde ficam clássicos como o Bico da Serra do Roncador e o Arco de Pedra; a programas mais longos que incluem travessias com acampamento selvagem.

A empresa atua também na região do Rio Araguaia, um dos atrativos naturais de Barra do Garças, na fronteira com Goiás.



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* O jornalista Eduardo Vessoni viajou para a Serra do Roncador com apoio da Roncador Expedições e das pousadas Sol do Araguaia, em Barra do Garças, e Aldeias do Araguaia, em Aragarças (GO).

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