Guia da Chapada dos Veadeiros (Goiás): novidades, dicas e roteiros

As novidades começam já na porta. Desde julho, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, tem entrada paga.
Com 240 mil hectares de área protegida, esse Patrimônio Mundial pela UNESCO passará a ter cobrança de ingressos (R$ 17, brasileiros; e R$ 34, estrangeiros).

Em contrapartida, a Sociparques fará a revitalização do centro de visitantes, bem como  a construção de lanchonetes de apoio, loja de suvenires e transporte interno.

SAIBA MAIS: “Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, terá cobrança de ingressos”

Na opinião de Ricardo Infante, gerente de unidade da concessionária, a instalação de catracas facilitará melhor controle de entrada e saída, possibilitando o ingresso de novos visitantes, ao longo do dia.

“O que preocupa ainda é a proposta de um ônibus circulando dentro do parque. Mas, por outro lado, vai facilitar a visita de quem tem mobilidade reduzida ou não tem preparo para caminhar no parque nacional”, avalia o empresário Ion David Zarantonelli.

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PREPARE-SE: “Dicas para economizar na Chapada dos Veadeiros, em Goiás”
Formada por cinco municípios (Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante, Teresina de Goiás, Colinas do Sul e São João d’Aliança), a Região Turística da Chapada dos Veadeiros, no nordeste goiano, é um dos destinos mais visitados do estado.

Viagem em Pauta voltou de lá, recentemente, e trouxe as novidades e dicas do destino para este guia exclusivo da Chapada dos Veadeiros.

QUANDO IR

A alta temporada vai de dezembro até o Carnaval. Os melhores meses costumam ser os períodos de transição das estações (setembro e outubro) e entre maio e junho, quando os rios estão  cheios e a vegetação mais verde.

As chuvas costumam ser de novembro a abril.

Já a temporada seca é de maio a outubro, com picos de calor, entre setembro e outubro, quando a umidade é baixa e as temperaturas passam dos 30 graus.

Junho é considerado o mês mais frio, com manhãs que podem começar com 8°C.

COMO CHEGAR

Alto Paraíso de Goiás, capital e cidade com a melhor estrutura turística da Chapada dos Veadeiros, fica a 420 km de Goiânia e a 220 km de Brasília.

De ônibus, a empresa Real Expresso faz o trajeto entre Brasília e Alto Paraíso (3h30 de viagem e passagens a partir de R$ 65).

Ambos destinos contam com voos para as principais cidades brasileiras, porém Brasília tem mais opções.

Para quem vai de carro, a partir do Distrito Federal, a viagem começa na BR-020 e segue pela GO-118 até Alto Paraíso de Goiás. 

CIRCULANDO

99% das atrações exigem deslocamentos, por isso guias locais sugerem alugar um carro para maior autonomia.

Mas na Chapada o turista sem carro não fica parado.

Diariamente, guias organizam saídas para grupos no Centro de Atendimento ao Turista (CAT), em Alto Paraíso, com diárias que custam cerca de R$ 100 (grupo mínimo de 4 pessoas e sem transporte incluído).

Veja também: ONDE FICAR NA CHAPADA DOS VEADEIROS

Com chuva ou sem chuva?
A Chapada dos Veadeiros é quente durante o ano todo.

No inverno, as manhãs e noites são frias, e os dias são ensolarados, com temperaturas que chegam a 25 graus. Devido à maior altitude da capital da Chapada e da presença de microclimas, não é raro ter manhãs nubladas em Alto Paraíso, mas com sol no vizinho distrito de São Jorge.

A melhor época para ir é durante a temporada seca, que vai de maio a outubro.

Guias locais alertam sobre a época de chuvas, cujo pico acontece em março.

É nesse mês que o nível das águas dos rios podem subir, repentinamente, causando trombas d’água e fechamento temporário de atrativos, como a Cachoeira do Label, em São João d’Aliança. “Qualquer riacho vira um monstro”, compara Marcello Clacino.

Cachoeira do Abismo, o principal atrativo da ‘Trilha do Abismo’, na Chapada dos Veadeiros (foto: Eduardo Vessoni)

Outro alerta para a temporada de chuvas são os atrativos sem estrutura, como o Rio dos Couros e o Sertão Zen, ambos em Alto Paraíso, que podem se tornar, extremamente, perigosos em dias de excesso de água.

Por outro lado, dias de chuvas favorecem caminhadas como as trilhas do Abismo e da Janela. Essas duas opções de caminhadas por terreno menos lodos já não são novidades na Chapada, mas continuam sendo um dos cenários mais bonitos do destino.

O Morro da Baleia e a Trilha da Loquinhas também são recomendados em períodos de chuvas.

Novidades
A maioria das novas atrações da Chapada dos Veadeiros fica no parque nacional, que teve sua área ampliada de 65 mil para 240 mil hectares, em 2018.

Além da cobrança de ingressos (R$ 17, brasileiros / R$ 34, estrangeiros), em vigor a partir de julho de 2019, o parque também inaugurou novas trilhas.

Desde setembro do ano passado, a caminhada até os Saltos do Rio Preto, uma das atrações mais visitadas no parque, pode ser complementada com a novíssima Trilha do Carrossel que passa por corredeiras, cachoeiras e piscinas naturais.

Trilha do Carrossel, novidade no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (foto: Eduardo Vessoni)

Do centro de visitantes até a bifurcação são 3,5 km de distância. Dali, pode-se tomar o caminho à esquerda até os saltos I e II (mais 700 metros) ou seguir em frente pela Carrossel (mais 588 metros), equipada com com corrimões rústicos e mirantes de madeira, ao longo do cânion às margens do Rio Preto.

O retorno pode ser feita pela Trilha das Corredeiras, totalizando um circuito de 8,2 km.

Outra novidade do parque nacional é a Trilha do Morro da Baleia, elevação com vista para bocainas e o Jardim de Maytrea.

Vista do platô do Morro da Baleia, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Ao fundo, à esquerda, Morro do Buracão e Jardim de Maytrea (foto: Eduardo Vessoni)

Como lembra o guia Manuel Pacheco, os mirantes naturais da trilha têm vistas para o pôr do sol (3 km de trilha), considerado um dos mais bonitos do destino. No nascer do sol, grupos costumam sair às 4h30 da manhã para uma caminhada de 1,5 km, em direção ao setor leste do morro.

“Entre dezembro e fevereiro, durante a temporada de chuvas, a Cachoeira Bailarina despenca 50 metros do alto da serra”, completa Pacheco.

Embora não haja nenhuma sinalização até o platô do morro, não era necessário o acompanhamento de guias na Baleia, até o fechamento deste guia.

Atualmente, cobra-se uma taxa de R$ 10, no Portal da Baleia, no início da trilha que fica na área rural de Alto Paraíso, com acesso pela Estrada Parque (GO-239).

Cachoeira do Label (foto: Eduardo Vessoni)

Em São João d’Aliança, fora da área de parque nacional e a 70 km de Alto Paraíso, a Cachoeira do Label é a novidade mais impressionante da Chapada.

Embora haja registros de visitas desde 1981, com longos períodos de abandono e sem interesse na exploração turística do local, a atração só foi reaberta, no ano passado, com melhor estrutura como estrada de acesso, trilhas sinalizadas e casa de apoio ao visitante.

Essa queda de 187 metros de altura é considerada a maior de Goiás e a sexta mais alta do Brasil, entre as cachoeiras abertas para visita.

A atração fica na Reserva Bella Trix (tel.: (62) 9 9631-3806 / 9 8452-2402; ingresso: R$ 30; diariamente, das 7h às 17), uma área protegida de 81 hectares, na Serra Geral do Paranã. O local tem camping com banheiro e chuveiro (R$ 25 por pessoa) e almoço sob encomenda, além da trilha de 1,8 km até a Cachoeira do Label.

MAIS NOVIDADES

Cataratas dos Couros

fotos: Eduardo Vessoni

Fora dos limites do parque nacional, as novidades são a exigente trilha de 5 km de extensão até um mirante com vista frontal das Cataratas dos Couros, a 52 km de Alto Paraíso.

Sem placas indicativas, a empreitada é para quem está disposto a encarar desníveis, caminhar por áreas de pedras e ao lado de precipícios.

Embora a entrada seja gratuita, é cobrada uma taxa de estacionamento (R$ 20 por veiculo).

É, altamente, recomendável a contratação de um guia.

Termas Jequitibá

Em Colinas do Sul, a 18 km da Vila São Jorge, o principal acesso ao parque nacional, essas termas na Fazenda Morro Vermelho abrigam piscinas de pedras, com águas termais a mais de 30°C de temperatura.

O local fecha às terças-feiras e custa R$ 30 por pessoa.
Tels.: (62) 9 9627-5092 / 9 9669-1585.

1ª VEZ NA CHAPADA DOS VEADEIROS

Detalhe da Almécegas 1, cachoeira localizada na Fazenda São Bento, próximo a Alto Paraíso (foto: Eduardo Vessoni)

Não deixe de fazer a Trilha dos Saltos do Rio Preto, uma caminhada de 10 km no interior do parque nacional; visitar o Vale da Lua, conhecido pelas formações de aspecto lunar, esculpidas pelas águas; e ver a sequência de quedas de fácil acesso da Cachoeira dos Cristais, e Almécegas I e II,  na Fazenda São Bento, onde caem quedas impressionantes dentro de um cânion.

Todas as atrações têm acesso por Alto Paraíso.

SAIBA MAIS: “Conheça as cachoeiras da Chapada dos Veadeiros, em Goiás”

Mais procuradas, as trilhas ‘da Janela’ e ‘do Abismo’, na borda oeste do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (São Jorge), e a cachoeira Santa Bárbara, em Cavalcante, têm recebido um número excessivo de visitantes, capaz e tirar o humor de qualquer um.

Há relatos de pessoas que chegaram às 2h30 da manhã para garantir ingressos na Santa Bárbara, cuja capacidade máxima de pessoas costuma ser atingida, nas primeiras horas do dia.

PARA INICIADOS NA CHAPADA

Cachoeira do Label (foto: Eduardo Vessoni)

Para atrativos mais alternativos ou para quem volta à Chapada, as recomendações são a Cachoeira do Label, em São João d’Aliança, e atrações como o Morro da Baleia e Trilha Carrossel (ambos no parque nacional) e o mirante frontal das Cataratas dos Couros (+ informações acima).

Para fugir da muvuca na Cachoeira Santa Bárbara, que anda tendo filas para entrar, em Cavalcante, a dica é o Complexo do Prata.

Esse circuito com cerca de 12 cachoeiras catalogadas, ao longo do Rio Prata, fica a 64 km da zona urbana desse município de origem quilombola.

Rei do Prata, em Cavalcante (foto: Eduardo Vessoni)

Os destaques são as cachoeiras Rei do Prata, uma queda de 28 metros que cai no interior de uma fenda sobre um poço de águas esmeraldas; e a Rainha do Prata, cujos degraus rochosos por ondem escorrem águas violentas que podem ser vista do alto de um mirante com vista também para o Morro do Chapéu e o Vale do Urubu Rei.

O complexo tem quedas com acessos de diferentes níveis de dificuldade, como as Prata I e V (fácil acesso) e a Rainha do Prata, cujo grau elevado de dificuldade exige pernoite no local.

SAIBA MAIS
Complexo do Prata
O valor do ingresso varia de acordo com o número de cachoeiras visitadas (a partir de R$ 20 por pessoa)
Entrada apenas com guia (diária de R$ 200, aproximadamente, para até seis pessoas)

Trilhas
Entre atrativos turísticos e lugares remotos com acesso apenas por canionismo, a Chapada dos Veadeiros conta com cerca de 185 trilhas demarcadas, com extensões que vão de inocentes 800 metros (ida e volta) da Trilha da Seriema, no parque nacional, a 16 km, como a do Sertão Zen, caminhada em Alto Paraíso, marcada por diversos desníveis e alto grau de dificuldade.

Travessia das Sete Quedas, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás (foto: Wikimedia Commons)

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros abriga também as trilhas dos Cânions e das Cachoeiras (12 km e nível moderado) e a exigente Travessia das Sete Quedas (23,5 km e alto grau de dificuldade), aberta apenas de junho a novembro. SAIBA MAIS

A Travessia Leste é outra caminhada de longa distância. São 8 dias de pernada pelo Vale do Moinho, Sertão Zen, Cachoeira do Macaco e Vale do Macaquinho, com hospedagem em campings estruturados.

Agências que operam na Chapada dos Veadeiros
Quem não dispensa o acompanhamento de um guia cadastrado – uma exigência de alguns atrativos -, é possível chegar com veículo alugado e comprar serviços avulsos nas empresas locais.
Outra opção são os pacotes com tudo incluso.

Em junho de 2019, um roteiro de 5 dias (passando pelo Vale da Lua, Raizama, Morada do Sol, Cachoeira do Segredo, Almécegas e Parque Nacional com trilhas dos Saltos e Carrossel) custava a partir de R$ 1.760 (hospedagem, transfers de Brasília, refeições, guias, entradas, seguro e traslados locais). SAIBA MAIS

– Travessia Ecoturismo (Chapada dos Veadeiros e Terra Ronca);
– Zaltana Ecoturismo (em Cavalcante, (62) 99820-3482);
– Raizera Ecoturismo (São João d’Aliança);
– Paralelo 14 (Chapada dos Veadeiros e Jalapão).


Turismo de aventura

foto: Ion David

Como lembra Ion David, diretor da Travessisa Ecoturismo, as trilhas são a atividade mais procurada nesse destino, com destaque para a caminhada em terreno irregular e pedregoso da Trilha dos Saltos.

Mas não é só isso.

“A Chapada foi o primeiro parque nacional do Brasil a contar com autorização para prática de canionismo. Mas o destino sempre foi de cachoeiras com acesso por trilhas e atrai aventureiros”, explica Ion, proprietário dessa agência pioneira de Alto Paraíso, em funcionamento desde 1997.

Por isso o cardápio de atividades vai de caminhadas leves a travessias com duração de vários dias.

Para ter a Chapada dos Veadeiros aos pés, a dica é o Voo do Gavião (de R$ 100 a R$ 150; www.travessia.tur.br).

Essa tirolesa de 850 metros de extensão e a 100 metros de altura cruza dois pontos da Fazenda São Bento, a partir de um platô da Serra Almécegas, em Alto Paraíso. VEJA DETALHES

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Segundo Amana Suriara Lima, coordenador da atividade, “é um voo mais panorâmico e contemplativo porque não tem muita inclinação. A tirolesa sai devagar e vai acelerando aos poucos.”

A adrenalina sobe também em atividades como o rapel de 45 metros na Cachoeira Almécegas I ou Água Fria e o canionismo em 14 cânions para expedição em toda a Chapada.

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SAIBA MAIS
Site oficial do turismo de Goiás
www.goiasturismo.go.gov.br
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros
www.icmbio.gov.br