Concurso de fotos da Via Láctea tem recorde de inscrições

Recentemente, o blog de fotografia de viagens Capture the Atlas publicou a 9ª edição do reconhecido concurso anual Milky Way Photographer of the Year, seleção com as 25 melhores fotografias da Via Láctea capturadas em diferentes locais do planeta.

Em 2026, foram mais de 6.500 imagens recebidas, o maior número na história do projeto, com fotógrafos selecionados de 15 diferentes nacionalidades, entre elas, da Argentina, Chile, Botsuana, Espanha e Nova Zelândia.

“Com o crescente interesse pela astronomia e pela observação do céu noturno, acho que a seleção funciona muito bem como uma peça visual e inspiradora sobre astroturismo, céus escuros e alguns dos melhores lugares do mundo para observar a Via Láctea”, conta para o Viagem em Pauta Daniel Zafra, astrofotógrafo espanhol, criador do concurso.

Um dos destaques é o registro feito por Uroš Fink, que capturou um céu repleto de meteoros, no Gran Telescopio Canarias, considerado o maior telescópio ótico do mundo, na Espanha.

foto: Uros Fink/Capture the Atlas

Durante um ano, Dan faz uma curadoria, em busca não só dos fotógrafos mais reconhecidos no assunto, mas também de novos talentos.

Outro ponto levado em consideração em cada edição é o ineditismo de lugares onde esse “caminho de leite” formado pelas luzes de bilhões de estrelas ainda não tenha sido registrado, como as imagens de Socotra, no Iêmen, e de Madagascar, ilha na costa leste da África.

A coleção deste ano inclui também várias cenas pouco habituais e difíceis de serem captadas, como a la Via Láctea sobre os telescópios em funcionamento do “Very Large Telescope”, em Paranal, no Chile.

Na imagem, Julien Looten fez um registro no Valle de la Luna, uma zona restrita, declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO, na Argentina.

Julien Looten/Capture the Atlas

Outro destaque é a imagem feita por Stefano Pellegrini, que passou dez dias percorrendo Botsuana, na África, morando em seu carro para percorrer áreas remotas, como essa ilha ancestral cheia de baobás.

“Sozinho na escuridão, dediquei um tempo para moldar a cena, usando uma lanterna para pintar cuidadosamente o primeiro plano”, descreve Pellegrini.

“A imagem final é uma fusão de uma exposição para a paisagem, onze para a pintura de luz e uma sequência de quatro exposições com rastreamento para o céu, combinadas para equilibrar detalhes e atmosfera”, completa.

foto: Stefano Pellegrini/Capture the Atlas

O curador Dan Zafra é também criador do Capture the Atlas, site com dicas para quem quer aprender a fazer fotos noturnas, sobretudo da Via Láctea.

No hemisfério norte, a temporada para ver o fenômeno vai de fevereiro a outubro. Já por aqui, no sul do planeta, a melhor época é entre janeiro e novembro, com pico em maio e junho, coincidindo com o máximo número de horas de visibilidade em ambos hemisférios.

Ainda de acordo com Zafra, a melhor época para observar esse rastro no céu é durante a semana da Lua Nova, sobretudo entre meia-noite e 5 da manhã, evitando noites nubladas ou com muita luz lunar.

O criador do concurso lembra também que um dos requisitos para avistar a Via Láctea são os céus escuros, longe da poluição luminosa dos grandes centros urbanos.

No site Capture the Atlas, o astrofotógrafo Dan Zafra dá mais dicas de viagens e técnicas fotográficas.

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